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A Microrregião de Criciúma se encontra na Mesorregião Sul do Estado de Santa Catarina. Está sendo dividida entre as microrregiões de Tubarão, Criciúma e Araranguá.A microrregião de Criciúma é composta pelas cidades de Criciúma, Içara, Urussanga, Forquilhinha, Morro da Fumaça, Cocal do Sul, Lauro Muller, Siderópolis, Treviso e Nova Veneza.

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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (https://www.ibge.gov.br).

3 Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (http://www.ipea.gov.br).

4 Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Secretaria de Estado da Assistência Social, Trabalho e

Habitação (SST).

38 O Sul Catarinense teve destaque econômico a partir da colonização não açoriana, no final do século XIX, com a vinda de imigrantes italianos e alemães. Após a década de 1880, a região começou a ganhar maior importância econômica devido a extração de carvão e a construção da ferrovia. De modo que entender a economia do carvão é importante pois se trata de uma atividade dinamizadora da economia local/regional até um período bem recente, a qual tem forte influência no processo de organização social e econômica da região(NIEDERLE; GUILARDI, 2013).

A região também apresenta expressiva agricultura familiar, a qual se desenvolveu e hoje representa um dos principais complexos de produção de arroz do Brasil. Na região também é representativa a indústria da transformação, na qual se destaca o setor cerâmico.

Segundo dados do IBGE, a população da mesorregião Sulde Santa Catarina representa 15% da população total do estado, tendo crescido na década de 2000 a uma taxa média anual de 1,2%. Observa-se, contudo, a diminuição da população rural, a qual decresceu no mesmo período 19,8% enquanto a população urbana cresceu 23,8%.

Na microrregião de Criciúma esses números são ainda mais expressivos. A variação percentual da população entre os anos de 2000 e 2010 foi de 13,75%, enquanto o crescimento da população urbana foi de 23,75% e a redução da população rural,33,63%.

TABELA 1 – População residente e situação de domicílio, comparativo entre Santa Catarina, Mesorregião Sul e Microrregião de Criciúma, 2000 e

2010. Situação do domicílio 2000 2010 Var. % 2000/2010 Santa Catarina Total 5.356.360 6.248.436 16,70 Urbana 4.217.931 5.247.913 24,40 Rural 1.138.429 1.000.523 -12,10 Sul Catarinense Total 822.671 925.065 12,45 Urbana 608.230 753.156 23,83 Rural 214.441 171.909 -19,83 Microrregião de Criciúma Total 234.747 369.398 13,75 Urbana 268.172 331.850 23,75 Rural 56.575 37.548 -33,63

39 Dentre as microrregiões do Sul Catarinense, a de Criciúma foi a que registrou a maior variação populacional urbana (acréscimo) e rural (decréscimo), sendo a que mais contribuiu para que a mesorregião Sul registrasse aproximadamente 81% da população residente em área urbana no ano de 2010 (BRASIL, 2010).

Quanto aos aspectos econômicos, a região do Sul Catarinense é a quinta mais rica do estado, tendo representado cerca de 10,8% do PIB catarinense em 2010. Observa-se, contudo, que no período de 2000-2010 houve redução da participação da região no PIB de todo estado, que em 2000 era de 12,8% (SANTA CATARINA, 2013).

Em termos setoriais o comportamento do PIB da região Sul Catarinense se manteve sem grandes oscilações durante a década de 2000, representando, em 2010, na participação do Valor Adicionado Bruto, 7% na Agropecuária, 36% na Indústria e 57% em Serviços (SANTA CATARINA, 2013).

Com relação à distribuição do desempenho desses setores nas microrregiões (Tubarão, Criciúma e Araranguá), comportamento do Sul Catarinense no período de 2000-2010 foi marcado por uma tendência de desconcentração regional. A microrregião de Criciúma, que chegou a representar 52% do PIB do Sul Catarinense no início do período, teve sua participação reduzida em 6% ao final dele, concentrando 46% do PIB (BRASIL, 2010 e SANTA CATARINA, 2013).

Além do quanto é produzido e da distribuição desta produção, é importante ser analisado o aspecto do mercado de trabalho na região. Através de indicadores econômicos como população em idade ativa (PIA6), população economicamente ativa (PEA7) e taxa da ocupação da mão-de-obra é possível verificar o impacto do desempenho econômico no mercado de trabalho. Através dos dados da população economicamente ativa e da população ocupada é possível calcular a taxa da população que se encontra desocupada (taxa de desemprego). Este é um dos principais indicadores macroeconômicos

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Compreende a população economicamente ativa e a população não economicamente ativa (IBGE).

7Compreende o potencial de mão-de-obra com que pode contar o setor produtivo, isto é, a população

ocupada e a população desocupada, assim definidas: população ocupada - aquelas pessoas que, num determinado período de referência, trabalharam ou tinham trabalho mas não trabalharam (por exemplo, pessoas em férias) (IBGE).

40 monitorados pelo governo, ao lado da taxa de inflação e crescimento da produção.

Entre os anos de 2000 e 2010, a população economicamente ativa na microrregião de Criciúma como um todo cresceu 34,2% e o montante de pessoas ocupadas cresceu 44,9%, taxas bem superiores ao aumento da população em idade ativa (de dez anos ou mais de idade) que cresceu 20,8% no período. Quanto à proporção de pessoas desempregadas, a microrregiãode Criciúma apresentou também bom desempenho no período, alterando o percentual de 11,3% de taxa de desocupação em 2000 para 4,2, em 2010.A microrregião que apresenta a maior taxa de desemprego no período é a de Criciúma, sendo também a que teve a maior redução (SANTA CATARINA, 2013).

TABELA 2 – Indicadores gerais do mercado de trabalho e posição na ocupação por microrregião* - Sul Catarinense/SC, 2000 e 2010. PIA, PEA e Taxa

de Ocupação

Tubarão Criciúma Araranguá Sul Catarinense

2000 2010 Var.% 2000 2010 Var.% 2000 2010 Var.% 2000 2010 Var.% PIA 279 327 17,2 265 321 20,8 130 155 19,2 675 804 19,0 PEA 162 201 24,5 153 205 34,2 80 102 27,3 395 509 28,8 Ocupados 145 194 33,4 135 196 44,9 72 98 36,0 354 489 38,4 Desocupação

(%) 10,0 3,6 - 11,3 4,2 - 10,0 3,8 - 10,5 3,9 -

*Valores aproximados em milhares. Fonte: IBGE (elaboração do autor).

Quanto à dinâmica de crescimento no período entre os anos 2000 e 2010, na região sul como um todo, o montante de trabalhadores aumentou em todas as seções de atividade econômica. O setor que concentra a maior parte dos trabalhadores com vínculo formal é o da Indústria da Transformação, com uma participação de 25,7% do total de empregos na microrregião de Criciúma (BRASIL, 2010). Destaca-se, nesse setor, a indústria cerâmica, que movimenta a produção mineral não-metálica na região, concentrando 5,5% da mão-de- obra empregada na indústria da transformação (SANTA CATARINA, 2013).

De um modo geral, houve, na década de 2000, na microrregião de Criciúma, redução do desemprego, aumento da produção, incluindo também o PIB per capita, e alteração da dinâmica dos setores produtivos, com o incremento da indústria da transformação. Pode-se também ressaltar o maior

41 crescimento populacional se comparado às demais microrregiões do Sul Catarinense, destacando-se a grande redução da população rural nesse período.

Por outro lado, ainda que seja possível analisar a economia da microrregião de Criciúma e afirmar que houve melhora em diversos índices econômicos, isso não garante que houve desenvolvimento. Ou seja, apenas a dimensão econômica do desenvolvimento não assegura que houve melhora de vida para as pessoas.

Nesse sentido, indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM) auxiliam na análise sobre o desenvolvimento de determinada região. Apresentam-se como verdadeiro contraponto às análises puramente econômicas do PIB per capita e taxa de ocupação da mão-de-obra, levando também em consideração fatores sociais como expectativa de vida, educação e saúde, além da renda.

O IDH municipal (IDH-M) em todas as cidades da microrregião de Criciúma apresentou variação positiva no período 2000-2010. Índices que foram superiores à média nacional no mesmo período, que era de 0,727. A cidade de Criciúma, seguindo a tendência apresentada na economia, apresenta o maior IDH-M da região, sendo de 0,788.

TABELA 3 – Índice IDH-M para os municípios da microrregião de Criciúma (2000-2010). IDHM 2000 IDHM 2010 IDHM Renda 2000 IDHM Renda 2010 IDHM Longevida de 2000 IDHM Longevida de 2010 IDHM Educação 2000 IDHM Educaçã o 2010 Brasil 0,612 0,727 0,692 0,739 0,727 0,816 0,456 0,637 Cocal do Sul 0,695 0,780 0,682 0,747 0,822 0,859 0,600 0,74 Criciúma 0,703 0,788 0,741 0,786 0,800 0,846 0,586 0,737 Forquilhinha 0,641 0,753 0,696 0,754 0,796 0,861 0,476 0,657 Içara 0,616 0,741 0,65 0,732 0,785 0,861 0,458 0,645 Lauro Muller 0,64 0,735 0,647 0,714 0,793 0,822 0,511 0,677 Morro da Fumaça 0,617 0,738 0,681 0,732 0,808 0,825 0,426 0,665 Nova Veneza 0,659 0,768 0,704 0,741 0,8 0,869 0,509 0,703 Siderópolis 0,669 0,774 0,704 0,751 0,785 0,88 0,541 0,701 Treviso 0,612 0,774 0,657 0,737 0,793 0,882 0,439 0,714 Urussanga 0,698 0,772 0,713 0,756 0,858 0,876 0,557 0,695

42 Fonte: PNUD8.

O índice FIRJAN de desenvolvimento municipal apresenta a mesma tendência do IDH, destacando-se Içara à frente de Criciúma no último resultado publicado, em 2013. Esta diferença, que altera apenas três posições no ranking estadual, está relacionada ao componente saúde, onde Içara possui índice superior de 0,8466, contra 0,8084 de Criciúma.

TABELA 4 – Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (ano base 2013).

SC IFDM Emprego

& Renda Educação Saúde

IFDM Microrregião de Criciúma 0,7441 0,7023 0,7615 0,7684 Mediana dos Municípios 0,7656 0,6780 0,8450 0,7922 Máximo dos Municípios 0,8248 0,7857 0,8828 0,8711 Mínimo dos Municípios 0,6850 0,5303 0,7986 0,7137 Ranking IFDM Geral

UF Município IFDM Emprego

& Renda Educação Saúde

Nacional Estadual 228º 20º SC Içara 0,8248 0,7857 0,8422 0,8466 233º 23º SC Criciúma 0,8240 0,7853 0,8782 0,8084 602º 78º SC Cocal do Sul 0,7849 0,6218 0,8828 0,8500 705º 90º SC Urussanga 0,7765 0,6790 0,8547 0,7959 827º 102º SC Treviso 0,7672 0,6971 0,8159 0,7886 869º 108º SC Lauro Muller 0,7641 0,6226 0,7986 0,8711 905º 113º SC Nova Veneza 0,7614 0,7193 0,8479 0,7170 1065º 132º SC Siderópolis 0,7511 0,6770 0,8013 0,7749 1375º 165º SC Forquilhinha 0,7338 0,6158 0,8478 0,7379 2300º 238º SC Morro da Fumaça 0,6850 0,5303 0,8110 0,7137 Fonte: FIRJAN9.

8 Encontrado em: <http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/consulta/>. Acesso em: 03 junho 2018. 9 Encontrado em:

<http://www.firjan.com.br/data/files/A6/B7/D9/A0/733615101BF66415F8A809C2/An%C3%A1lise%20 Especial%20SC.pdf>. Acesso em: 03 junho 2018.

43 Assim, os municípios da microrregião de Criciúma apresentam índices de qualidade de vida superiores à média nacional. Evidenciando que os aspectos socioeconômicos possuem relação positiva às condições de vida na região. Em resumo, pode-se dizer que ocorreu na microrregião de Criciúma: aumento da população urbana; redução da população rural; aumento da participação da indústria da transformação na formação do PIB; redução da participação da formação do PIB regional; queda da taxa de desemprego; melhora dos índices que medem a qualidade de vida. Realizada esta síntese, devemos analisar os crimes.

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