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3 METODOLOGIA

3.3 Unidade de análise e sujeitos da pesquisa

A unidade de análise deste estudo é o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), hospital público estadual que operacionaliza o Sistema Único de Saúde (SUS) em seu nível estadual, realizando atendimentos de alta complexidade em urgência e emergência e localizado na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. De acordo com Cooper e Schindler (2016), para definir a unidade de análise, faz-se necessária uma definição quanto ao interesse do estudo, podendo ser uma organização, um grupo,

vários subgrupos em um determinado contexto ou, até mesmo, determinado indivíduo. As informações referentes à unidade de análise de pesquisa foram extraídas do site da Fundação Hospital do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e do site Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATSUS) (MINAS GERAIS, 2020; BRASIL, 2020).

O hospital foi fundado em 1973 e está localizado no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte. De acordo com informações da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG), a unidade foi criada para atender à grande demanda da capital, na época. O HPS pertencia à Fundação Estadual de Assistência Médico de Urgências - FEAMUR e, em 1977, foi incorporado à FHEMIG. O hospital João XXIII é referência para 282 municípios para casos de urgência e emergência traumática e não traumática. É também o centro de referência e excelência no atendimento a pacientes vítimas de politraumatismos, grandes queimaduras, intoxicações e situações clínicas e/ou cirúrgicas de risco de morte. Em 2020, após processos de reestruturação, o hospital passou a fazer parte do Complexo Hospitalar de Urgência da FHEMIG.

O hospital exerce atividades de prestação de serviços de saúde ambulatorial, de pronto atendimento e de internação classificadas nos níveis de atenção de média e alta complexidade. De acordo com o manual de Terminologia básica em Saúde do Ministério da Saúde (1987), a assistência hospitalar compreende a modalidade de atuação realizada pelo pessoal de saúde a clientes no hospital, e a assistência ambulatorial é uma modalidade de atuação realizada pelos profissionais de saúde a clientes no ambulatório, em regime de não internação. No hospital, os atendimentos prestados são: ambulatorial, internação, SADT (Serviço de apoio diagnóstico terapêutico) e urgência. O fluxo da clientela é o atendimento de demanda espontânea e referenciada. Com base em informações obtidas no dia 27 de janeiro de 2020, o hospital possui 3101 profissionais, sendo 272 enfermeiros.

Os principais serviços oferecidos pelo hospital são: atendimento médico de urgência para traumas ortopédicos em vítimas de acidentes em estado grave, atendimento a vítimas de grandes queimaduras, atendimento médico em casos de envenenamento ou intoxicação grave, atendimento médico-hospitalar a feridos em casos de grandes

catástrofes, cirurgias de urgência para pacientes com risco de morte, atendimento em urgência de clínica médica, transplantes e tratamento médico para adultos que necessitam de cuidados intensivos e intermediários.

O hospital possui atendimento de pronto socorro de urgência e emergência. O serviço de emergência hospitalar é caracterizado por disponibilizar atendimento imediato aos pacientes em situações agudas, visando à recuperação da saúde e à reversão de agravos de diversas naturezas; os serviços nessas unidades são de alta densidade tecnológica e diversidade no atendimento a pacientes em situação de risco iminente de vida. O serviço de emergência pode ser considerado um dos ambientes laborais em que os trabalhadores de saúde estão sujeitos a um maior sofrimento psíquico, devido à dinâmica do serviço, que funciona ininterruptamente (ACOSTA; LIMA, 2016; GODOI et al, 2016; PÍCOLI; CAZOLA; MAURER, 2016; DUARTE; GLANZNER; PEREIRA, 2017). De acordo com Kolhs et al (2017), o ambiente de emergência hospitalar é caracterizado como ambiente de trabalho sem rotinas específicas, uma vez que o as situações de atendimento, o fluxo e as necessidades de cada paciente variam devido à prestação de diversos serviços de média e alta complexidade.

O que é considerado como urgência são as portas de entrada de queimados, as urgências habituais e a toxicologia. A toxicologia é referência no estado de Minas Gerais; o atendimento é destinado aos pacientes vítimas de mordedura e acidentes com animais (como, por exemplo, cobra, escorpião, morcego). O atendimento à pacientes queimados (adulto e pediátrico) é um serviço de referência nacional; o hospital possui UTI com nove leitos para pacientes queimados e enfermarias de atendimento para esses pacientes. As urgências habituais referem-se aos atendimentos de traumas, principalmente de trauma automobilístico, para o qual o hospital é tido como referência estadual. O HPS possui ainda UTI adulto e pediátrica. À medida que o paciente chega, às vezes ele passa pelo bloco cirúrgico ou pelo andar UTI ou internação. O hospital possui as unidades de cuidados prolongados e as unidades de internação normal, onde o paciente permanece até ter condições de ter alta.

Flick (2008) aponta que os sujeitos de pesquisa são aqueles cujas informações proporcionam a solução do problema de pesquisa. Os sujeitos deste estudo foram 10 enfermeiros da urgência e emergência de um hospital público de Belo Horizonte que atuam nos setores de UTI adulto e pediátrico e no setor de Politrauma. O número de 10 participantes foi definido seguindo as recomendações de Thiry- Cherques (2009) de que a saturação dos dados tende a ocorrer até a 12ª entrevista. Os sujeitos foram escolhidos por acessibilidade, levando-se em conta critérios de perfil, para a formação do grupo de participantes, como sexo, idade, estado civil, escolaridade, tempo de trabalho na instituição, carga horária semanal, turno de trabalho e setor de atuação na instituição de saúde pesquisada. Buscou-se a heterogeneidade quanto ao grupo pesquisado, enfermeiros de ambos os sexos e idade, que atuavam no turno da manhã e noite, diferentes estados civis, além da atuação em diferentes setores e tempo de atuação no hospital.