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2. O CIRCUITO DO MEDICAMENTO E PRODUTOS DE SAÚDE NOS SFHSJ

2.5 FARMACOTECNIA

2.5.1 Unidade de Reembalagem

A reembalagem de medicamentos é necessária sempre que as formas farmacêuticas orais sólidas não se encontram identificadas corretamente na sua embalagem original, com DCI, dosagem, prazo de validade e lote, uma vez que apenas se pode proceder à distribuição do medicamento quando contém todos estes dados. Tal como nas restantes unidades em que existe manipulação de medicamentos, na unidade de reembalagem existem procedimentos e equipamentos próprios que, depois de se proceder ao seu reembalamento, garantem a segurança e a estabilidade do medicamento durante o período definido.

Este setor dos SF encontra-se localizado no piso 01, junto ao setor da distribuição por dose unitária e de reposição por stocks nivelados, principalmente por questões práticas, uma vez que cerca de 90% dos medicamentos reembalados se destinam à distribuição em dose unitária. A sua área é constituída por três zonas principais: a zona suja, onde encontramos o stock deste setor e os equipamentos de reembalamento; a zona intermédia, onde se procede à desblisteragem dos medicamentos e a zona limpa onde se realiza o fracionamento dos medicamentos.

Como medidas de segurança e higiene é obrigatório o uso de máscara e luvas quando existe manuseamento de medicamentos, e a desinfeção do espaço envolvente e do material utilizado com álcool a 70% que deve ser realizada principalmente entre fracionamentos e reembalamentos, e antes e depois dos mesmos.

Para efetuar o reembalamento de medicamentos este setor encontra-se equipado com dois aparelhos: a Griffols® e o FDS®, sendo que estas permitem apenas o reembalamento de formas farmacêuticas orais sólidas, nomeadamente comprimidos e cápsulas.

O FDS® é um sistema que, além de permitir a dispensa de medicamentos, efetua também a reembalagem destes e de outros medicamentos a repor nos stocks. Este aparelho possui uma diversidade de caixas, designadas de cassetes (ilustração 3), devidamente identificadas com o seu número e com o nome comercial do medicamento correspondente. As cassetes estão devidamente calibradas para um medicamento em específico apenas, ou seja, para um dado medicamento, numa dada forma farmacêutica, com uma dosagem específica e de um certo laboratório, dado que o local de expulsão do medicamento se encontra parametrizada tendo em conta a forma, o tamanho e o coeficiente de salto de cada medicamento. Ao cair, o comprimido passa por um

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sensor que permite detetar a sua passagem. Quando tal não acontece, a máquina emite um sinal sonoro como alerta, para se proceder à verificação, parando o processo. Neste caso, pode acontecer que o comprimido não consiga passar no orifício, ou a cassete pode estar realmente vazia e é assim necessário repor a cassete com os medicamentos devidamente preparados, ou seja, fora de qualquer invólucro, dando-se a sua entrada também a nível informático no sistema. Como forma de segurança, existe uma tripla verificação ao repor a cassete, procedendo-se à leitura ótica do código de barras existente na própria cassete, à leitura do código de barras da caixa do medicamento aquando a introdução dos dados relativos à reposição (quantidade e lote), e ainda antes da inserção da cassete no seu devido lugar, realizando-se a leitura ótica do código de barras no respetivo local de encaixe.

O FDS permite ainda que haja reembalamento de medicamentos que não se encontram parametrizados para as cassetes que este contém, através do DTA - Detalhable Table Adapter, um tabuleiro incorporado no aparelho com divisórias que permite a introdução de formas farmacêuticas orais sólidas. Este foi ainda desenvolvido a pensar na distribuição, para assim serem dispensados comprimidos fracionados. No entanto, concluiu-se que tal não era viável, pelo que quando o sistema deteta medicamentos fracionados, o TF que se encontra a realizar esta função executa-a como se introduzisse o medicamento fracionado, mas não o faz, pelo que o saco correspondente a este irá sair vazio. É necessário assim, aquando a dispensa dos serviços em FDS proceder á identificação deste saco, fazendo uma cruz neste para que seja detetado pelo TF na distribuição em dose unitária.

Ilustração 3: Cassete de FDS onde se pode ver o número da mesma, a identificação do medicamento que contém e o código de barras da mesma.

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Apesar do FDS® permitir na generalidade uma maior segurança, eficácia e rapidez na reembalagem dos medicamentos, nem todos os medicamentos podem ser reembalados neste equipamento, nomeadamente os medicamentos higroscópicos, os fotossensíveis e os antibióticos, uma vez que o material onde são embalados é transparente, e no caso específico dos antibióticos o objetivo é evitar possíveis contaminações e resistências que possam vir a ocorrer.

A Griffols® permite assim, atualmente, colmatar estas falhas, pelo que é nesta máquina que se efetua o reembalamento dos comprimidos fracionados e fotossensíveis, entre todos os outros sempre que necessário. O processo de reembalamento através deste aparelho compreende o preenchimento da respetiva ficha, inserindo a sua forma farmacêutica, DCI, dosagem, lote e prazo de validade original, o prazo de validade do medicamento reembalado, tal como o seu lote interno, que quando se trata de medicamentos fracionados deve apresentar no fim um “M” quando são metades, e “Q” quando são quartos. Os medicamentos são depois colocados no compartimento para iniciar o processo. Quando este termina, são verificados todos os invólucros para verificar se existe algum invólucro vazio, duplicado ou com medicamentos esmagados. Terminado o processo procede-se à limpeza do tabuleiro da máquina e do material utilizado com álcool a 70%. O prazo de validade a atribuir aos medicamentos reembalados quando fora da sua embalagem original é de 25% do seu prazo de validade original, não excedendo os seis meses de prazo de validade depois de reembalado e fora da sua embalagem original.

Para existir um maior controlo, procede-se ainda ao registo dos horários de dispensa dos serviços em FDS, e das anomalias que tenham ocorrido durante o processo, além do registo de todos os medicamentos que são desblisterados ou individualizados mesmo que em blister.

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