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PARTE I Política de Expansão do Ensino Superior através da modalidade a

CAPÍTULO 2 Universidade Aberta do Brasil no contexto das políticas de

2.3. Universidade Aberta do Brasil: a resposta do Estado para a

A EAD vem se destacando como uma modalidade prioritária em relação à resposta do Estado para atender às demandas educacionais, especificamente por ensino superior nos últimos anos. Nesse sentido, é importante analisar e refletir sobre o modo que a modalidade de ensino a distância, especificamente a UAB, vem sendo historicamente considerada dentro do Plano Nacional de Educação (PNE) 2001-2010, o Documento Final da Conferência Nacional de Educação (CONAE) 2010 e o novo Plano Nacional de Educação (PNE) 2011-2020.

O debate sobre a modalidade a distância começa a se tornar mais intenso com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, e após a aprovação da Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001 (BRASIL, 2001a), que sanciona o primeiro Plano Nacional de Educação (PNE) após a Constituição de 1988.

Este plano é uma tentativa de estruturar a educação nacional de forma significativa frente aos desafios colocados pela sociedade brasileira. No entanto, o plano, que era para assumir um caráter de política de Estado, acabou assumindo um caráter de política de governo. O PNE 2001-2010 foi elaborado no governo de Fernando Henrique Cardoso e em consequência refletiu amplamente sua postura em relação à educação, caracterizada pela privatização do ensino público, descentralização e ênfase no ensino fundamental.

Entretanto, apesar da centralidade do plano em relação aos níveis de ensino estarem voltados para a educação básica, para o ensino superior a meta estabelecida foi a de prover, até o final da década, a oferta de educação superior para, pelo menos, 30%

da faixa etária de 18 a 24 anos. Essa foi a primeira meta em que a modalidade de EAD aparece como a estratégia mais apropriada para atingir a mencionada expansão.

O debate sobre a modalidade a distância se intensifica a partir do momento em que o PNE 2001-2010 é lançado, apresentando um capítulo específico para estabelecer diretrizes, objetivos e metas para a implementação da modalidade de EAD. O discurso do governo brasileiro, por meio do MEC, é de que essa modalidade é um instrumento eficaz para solucionar os problemas educacionais.

Neste capítulo, intitulado: Educação a distância e tecnologias educacionais, é realizado um panorama da EAD e junto a esse a afirmação da importância da contribuição do setor privado (reflexo da postura do governo), assegurando que essas iniciativas devem ser consideradas e ainda certificadas quanto à qualidade que este setor vem atribuindo aos programas nessa modalidade.

É factível concordar que a privatização dessa modalidade de ensino, assim como a modalidade presencial, contribuiu para a expansão do ensino nos últimos anos, com o crescimento de alunos sendo atendidos. Porém, apesar do seu alto padrão de investimento, ainda vemos pouca oferta de qualidade.

Além da expansão da oferta, outro discurso presente para justificar essa modalidade de ensino é a “democratização” do acesso à educação devido à dimensão territorial do país.

No processo de universalização e democratização do ensino, especialmente no Brasil, onde os déficits educativos e as desigualdades regionais são tão elevados, os desafios educacionais existentes podem ter, na educação a distância, um meio auxiliar de indiscutível eficácia. Além do mais, os programas educativos podem desempenhar um papel inestimável no desenvolvimento cultural da população em geral. (BRASIL, PNE, 2001a, p. 49)

No entanto, as enormes desigualdades sociais e econômicas no país prejudicam o financiamento de maneira igualitária em tecnologias. E isso, frente ao curto financiamento público e à demanda educacional brasileira, faz com que as instituições particulares preencham grande parte da oferta em EAD no Brasil.

Outro ponto de destaque neste capítulo é o incentivo dessa modalidade em todos os níveis de ensino, flexibilizando sua utilização ao ampliar o conceito de EAD, que passa a incorporar todas as possibilidades educacionais das TIC, e sinalizando para a criação de uma Universidade Aberta. O PNE 2001-2010 determina objetivo e metas

para atingir o que preconiza. Em relação à formação de professores a distância, destacamos:

Iniciar, logo após a aprovação do Plano, a oferta de cursos a distância, em nível superior, especialmente na área de formação de professores para a educação básica; Ampliar, gradualmente, a oferta de formação a distância em nível superior para todas as áreas, incentivando a participação das universidades e das demais instituições de educação superior credenciadas; Incentivar, especialmente nas universidades, a formação de recursos humanos para a educação a distância; Apoiar financeira e institucionalmente a pesquisa na área de educação a distância. (BRASIL, PNE, 2001a, p. 52-53)

Observamos que, em relação à primeira meta, foi criado o programa Pró- Licenciatura, específico para a formação de professores leigos em exercício no ensino fundamental e médio; e para as demais, a UAB busca a expansão do ensino superior com o compromisso de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior, demarcando, entre seus objetivos, a ampliação do acesso à educação pública e redução das desigualdades de oferta de ensino superior entre as diferentes regiões do país.

A política da UAB está em ascensão e apresenta-se como a principal política de ensino a distância no contexto atual. Segundo Dourado (2011), a política da UAB é uma das iniciativas mais ambiciosas na expansão do ensino superior público.

Contudo, apesar dessa expansão já estar acontecendo e ser respaldada com qualidade a partir de avaliação feita pelos órgãos do governo, a avaliação feita pela sociedade, através do mecanismo de controle que possui que são as Conferências, delibera-se contrária à utilização dessa política para a formação inicial.

A I Conferência Nacional de Educação (CONAE), realizada no ano de 2010, caracteriza-se como o único mecanismo de controle que a sociedade dispõe29 com

caráter deliberativo para acompanhar as políticas públicas de educação e, consequentemente, a UAB. O mecanismo de controle que o Estado dispõe é o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), responsável por avaliar as instituições, os cursos e os programas de EAD.

A CONAE é, pois, um espaço democrático aberto pelo Poder Público para que todos possam participar do desenvolvimento da Educação Nacional. Essa Conferência é precedida por conferências municipais, estaduais e do Distrito Federal, nas quais estudantes, pais, profissionais da Educação, gestores, agentes públicos e sociedade civil

organizada de modo geral possam verificar, participar, sugerir e influenciar os rumos da educação brasileira.

No documento final da I CONAE (BRASIL/MEC, 2010), foram discutidos essencialmente três pontos acerca das potencialidades e limites da EAD que estão diretamente relacionados aos temas que Segeinch (2011) aponta como recorrentes no debate do campo da EAD. Os três principais pontos discutidos foram: (1) a formação inicial de professores deve, preferencialmente, ocorrer de forma presencial; (2) a implantação de polos regionais deve promover processos de formação e acompanhamento constante dos professores; (3) e a proposta de substituição dos chamados professores-tutores por professores efetivos.

A formação inicial, segundo o documento final da Conferência, só deve ocorrer na esteira da UAB para aqueles professores que se encontram em localidades onde não existam cursos presenciais e que na situação já estão em exercício docente sem a formação exigida.

A ideia dos polos, de acordo com as deliberações da I CONAE (BRASIL/MEC, 2010), é oferecer capacitação permanente ou formação continuada ao invés da formação inicial a distância.

Já a proposta de substituição dos chamados professores-tutores por professores efetivos caminha no sentido de que os vínculos de trabalho sejam institucionalizados nos quadros da Universidade.

Ainda assim, enquanto as deliberações da I CONAE encaminham o Sistema UAB para a formação continuada e não para a formação inicial, as novas metas do PNE (2011-2020) querem garantir que todos os professores da Educação Básica sejam formados em nível superior através de cursos de Licenciatura em sua área específica até 2020 (BRASIL/MEC, 2011).

No projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional em 2010 para a aprovação do PNE 2011-2020, Segenreich (2011, p.14) ressalta que a EAD é menos explicitamente mencionada que no PNE anterior, sendo que a modalidade a distância e presencial não aparecem mais distintas no que se refere à formação de professores para a educação básica.

Enquanto o PNE 2001-2010 aparece separado por introdução, níveis e modalidades de ensino, magistério da educação básica, financiamento e gestão, e

acompanhamento e avaliação do plano, o PNE 2011-2020 aparece separado por 20 metas, sendo que cada qual tem suas estratégias.

Segeireich (2011) aponta que a EAD é mencionada especificamente como uma das estratégias “de ampliar a oferta e democratizar o acesso à educação profissional pública e gratuita” (Meta 11). E no que se refere à expansão da educação superior, o Sistema UAB é apontado como estratégia de oferta de cursos de graduação (Meta 12) e pós-graduação stricto sensu (Meta 14).

12.2. Ampliar a oferta de vagas por meio da expansão e interiorização da rede federal de educação superior, da rede federal de Educação Profissional, Científica e tecnológica e do Sistema Universidade Aberta do Brasil, [...] 14.4. Expandir a oferta de pós-graduação stricto sensu utilizando metodologias, recursos e tecnologias de educação a distância, inclusive por meio do Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB.

Assim, apesar de a modalidade a distância não vir separada como uma meta, o sistema UAB aparece como uma estratégia eficaz para a expansão das matrículas na educação profissional técnica de ensino médio (e-tec) e a expansão do ensino superior (UAB).

No que tange ao acesso ao ensino superior, se a meta do PNE 2001-2010 era alcançar 30% da população de 18 a 24 anos nesse nível de ensino, a meta do PNE 2011-2020 é alcançar 50% de taxa bruta e 33% de taxa líquida. A situação em 2009 (BRASIL, PNE, 2011) é de taxa bruta de 26% e taxa líquida de 14,6%.

A proposta do PNE 2011-2020 é de que sua construção fosse mais democrática possível para que esse plano se materializasse em uma política de Estado e não uma política de governo como o plano anterior. No entanto, apesar de ter sido garantido as assembleias estaduais e municipais, das quais realizaram consultas inclusive aos resultados do debate na CONAE, o documento silencia uma dimensão participativa que extrapola o âmbito da elaboração do PNE devido dois aspectos centrais do plano: garantia do acesso à educação pública e permanência nela, bem como a qualidade da educação oferecida (SILVA, 2011).

Segundo Silva (2011, p. 125):

A EaD ocupa, hoje, um papel central em todas as políticas educacionais do Brasil. Desde a LDB nº 9.394/96, em seu Art. nº 80, que a EaD é apontada como antídoto para diversos males da educação – desde a formação de professores até a proposta de educação ao longo da vida. A EaD é a base para o mais audacioso projeto de formação de professores que o país já conheceu: O Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB).

A modalidade educacional a distância tem sido muito discutida nos últimos anos, tanto na esfera política, devido à influência dos OI, quanto na pedagógica, devido aos questionamentos sobre sua qualidade. No entanto, de acordo com Sommer (2010), excluir uma modalidade de educação somente por sua utilização indevida não resolve o problema da própria educação presencial.

CAPÍTULO 3 - EXPANSÃO DOS CURSOS DE LICENCIATURA EM