CAPITULO II – CONTEXTO DA INVESTIGAÇÃO
2. UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO – PÓLO DE
2.1. PÓLODECHAVES–MEMÓRIAHISTÓRICA
De acordo com alguns dados disponíveis, a UTAD Pólo de Chaves é uma instituição jovem que integra a universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Recordemos o passado que conduziu ao presente Pólo de Chaves.
Em 31 de outubro através do Decreto-Lei 570/74 foi fundada a Escola do Magistério Primário de Chaves, que se viu extinta a 17 de Maio de 1986 através do Decreto-Lei nº 101/86, passando a funcionar nessas instalações um Pólo da UTAD com o bacharelato em Educadores de Infância (Portaria nº 566/87 – adenda à Portaria nº 602/86).
Quatro anos após a criação do Pólo, mais precisamente no ano de 1990, a UTAD cria no Pólo de Chaves o Curso de Professores do Ensino Básico. E de 1996 a 1998, sob proposta do Conselho Científico da UTAD, é criado o Curso de Estudos Superiores especializados em Educação de Adultos e Desenvolvimento Comunitário em Ensino (Diário da República, II Série nº 222 de 24 de Setembro de 1996).
Em 1997, por despacho 6843/97 (Diário da República, IIª Série nº 200 de 30 de Agosto de 1997), criou-se a licenciatura em Recreação, Lazer e Turismo, entrando em funcionamento no ano letivo de 1998/1999. Também nesse mesmo ano, por despacho nº 7035/97 (Diário da República, II Série nº 203 de 3 de Setembro de 1997), foram criadas as licenciaturas em Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico e em Educação de Infância.
Dois anos mais tarde, foram criados os Cursos de Complementos de Formação dos Educadores de Infância e dos Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico por despacho nº 16599 e 16600/99, publicado na II Série do Diário da República nº 258 de 25 de Agosto de 1999.
No ano 1999, mudou-se de instalações para a Avenida Nunes Alvares, Edifício Imperador Flavius, onde funcionou em simultâneo com as instalações do Antigo Magistério Primário de Chaves, durante dois anos. Em 2001 encerrou definitivamente o Magistério, e o Pólo passou a funcionar apenas no edifício Imperador Flavius, em Chaves
Em 2001, por Aviso nº 11724, é publicada, na II Série do Diário da República nº 223 de 25 de Setembro de 2001 a criação do Curso de Mestrado em Educação – História e Problemas Atuais da Educação, a funcionar no Pólo de Chaves da UTAD.
Um ano depois foi homologado o Curso de Licenciatura em Informática - Via Ensino, para funcionar no Pólo de Chaves da UTAD. Também em 2003 foram apresentadas propostas de criação dos Cursos de Especialização Tecnológica: “Assistente de Ação Educativa”; “Web Design e Webmaster”; “Gestão de Hotelaria/Restauração”; “Animação para a 3ª Idade”.
O Curso de Licenciatura, em Animação Sociocultural, foi criado em 2004, publicado na II Série do Diário da República n.º 52, Despacho n.º 6106/2006, em 14 de Março. Em 2009, criou-se o Curso de Mestrado de Ciências da Educação – Especialização em Animação Sociocultural, na II Série do Diário da República n.º 103, de 28 de Maio de 2009, Despacho nº 12740/09.
No mesmo ano (2009) apresentaram-se propostas de criação da Licenciatura em Educação Social (1º Ciclo de Estudos) e de criação do curso de mestrado em Ciências da Educação - Especialização em Educação e Gerontologia (2º Ciclo de Estudos).
No verão de 2011, houve mudança de instalações do Pólo de Chaves para Outeiro Seco, na Escola Superior de Enfermagem, onde funcionam até ao momento presente, partilhando o espaço com a referida instituição.
Por último, apresentou-se, em 2011 a proposta da criação do curso “Técnico/a Especialista de Gestão de Turismo” – Área de Educação e Formação “Turismo e Lazer”
O Pólo da UTAD situa-se na aldeia de Outeiro Seco, concelho de Chaves, distrito de Vila Real, norte de Portugal. Beneficia da curta distância com Espanha onde passa a “Autovía de As Rías Baixas” (20 km), que aproxima esta região da Galiza, da qual fazem parte as cidades de Ourense, Vigo e Santiago de Compostela, entre outras (adaptado de Peres, 2011).
2.1.1. CHAVES
O Concelho de Chaves situa-se no denominado Alto Trás-os-Montes, constituindo conjuntamente com Boticas, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços, e Vila Pouca de Aguiar, o Agrupamento de Municípios do Alto Tâmega.
Dista aproximadamente 60 km da capital do distrito Vila Real e está a 10 km da fronteira com Espanha. A norte delimita com a Galiza, confina a este com os Concelhos de Valpaços e Vinhais, confronta a sul com o concelho de Vila Pouca de Aguiar e a oeste é delimitada pelos concelhos de Montalegre e Boticas.
Segundo Dias (1989), Chaves foi elevada à categoria de cidade, a 18 de março de 1929.
O seu património arquitetónico é composto pelo Castelo medieval e a sua Torre de Menagem; A igreja Matriz, a Ponte de Trajano, também conhecida por Ponte Romana de Chaves; a Igreja da Madalena, A igreja da Misericórdia; O Forte de S. Neutel; e o Forte de São Francisco.
De acordo com o III Congresso Trás-os-Montes e Alto Douro (2002), Chaves é considerada uma cidade rica em património histórico, pelo seu legado, carregado de contatos com outras culturas e povos no decorrer da sua história, descoberta pelos romanos, nasceu nas margens do rio Tâmega.
“Chaves é rica em património cultural. Como cidade histórica que é, irradia um fluxo cultural vastíssimo, com paisagens naturais diversificadas, vias romanas, marcos milenários, castros, estações de arte rupestre e diversos monumentos cujos estilos arquitectónicos testemunham a diversidade de culturas que aqui marcam presença” (III Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro, 2002:128).
Conhecida pelas suas águas termais, é também chamada de Cidade termal, ou Aquae Flavius (Águas de Flávio), nome originário da cidade, designação antiga da atual cidade de Chaves, atribuído pelo Imperador Titus Flavius Vespasianus, quando descobriram as águas quentes que brotam a 73ºC.
As termas atraem muitos visitantes, sendo estas consideradas como o principal Pólo de atração turística.
Possui uma riqueza natural e fértil, cujo rio Tâmega a enriquece, enaltecida pelos solos agrícolas da sua veiga onde se produz com abundância milho, centeio, batatas, hortaliças e frutas (Verbo, 1977).
O seu clima carateriza-se como clima tipo atlântico, com elevada precipitação no inverno, variando a temperatura de dezembro a janeiro entre os 6 e 8 graus centígrados, e nos meses de verão torna-se um clima quente e seco.
2.1.2. OUTEIRO SECO
É uma aldeia situada a norte, pela Avenida do rio Tâmega, a uns escassos três quilómetros de Chaves, que preserva tradições seculares. “[…], aldeia de raízes multisseculares, impregnada de História romana e medieval (Pinheiro, in Blogue “
Tradição e Modernidade”, 2010:6).
Segundo a tradição o nome “Outeiro Seco” deriva da palavra «Altarium» pela consagração do batismo latino dado a dois santuários celtas, um a norte, outro a sul da cidade de Chaves. Com o evoluir dos tempos e dos povos o vocabulário latino «altarium», deu origem a “autariu>autario>outeiro”. Assim a contornar a cidade de Chaves (Aquas Flavias), temos Outeiro Jusão e Outeiro Seco, (Martins, in Blogue
“
Tradição e Modernidade”, 2010:8).
A aldeia carateriza-se no seu património arquitetónico pela capela de Santa Ana, a capela da Nossa Senhora da Portela (Senhora dos Prazeres), a capela da Nossa Senhora do Rosário, pela igreja de Nossa Senhora da Azinheira (arquitetura românica rural), e a igreja Matriz também conhecida por igreja de S. Miguel, encontram-se ainda os
chamados Sinais da Cristandade (cruzeiros, Cruzes da Via Sacra), e o Solar dos Montalvões, na Quinta da Mina.
Nesta aldeia repleta de tradições, situado na Quinta dos Montalvões, emerge o edifício da Escola Superior de Enfermagem, cujas instalações são repartidas com o Pólo da UTAD em Chaves. A biblioteca foi o local escolhido para a realização do estudo de caso do trabalho de investigação.
Atualmente, a biblioteca do Pólo de Chaves comporta aproximadamente 8000 obras (livros, dicionários e enciclopédias), e 300 títulos de publicações periódicas, contém ainda cerca de 70 DVD’S e algum material didático. Tem ao dispor dos alunos um computador para pesquisas, dois leitores de DVDs/CDs, que integram a Turisteca, cujo espólio se constitui de aproximadamente de 480 DVDs/CDs e mais de 2000 folhetos, panfletos, roteiros, revistas e postais, ferramentas de apoio imprescindíveis para o curso de turismo.