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A Universidade do Porto e seus antecedentes

UNIVERSIDADE DO PORTO ESTUDO ORGANICO-FUNCIONAL

"É ainda unidade orgânica da Universidade do Porto, não equiparada a faculdade, o Instituto Superior de Estudos Empresariais".

Depois da promulgação dos Estatutos, surgiram e/ou foram integradas na Universidade mais três faculdades - a Faculdade de Belas-Artes, a Faculdade de Direito e a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação -, como, aliás, já foi referido antes.

A esta estrutura organizativa há que acrescentar uma série de estabelecimentos e organismos, dependentes quer da Reitoria, quer de algumas unidades orgânicas, através dos quais a acção universitária também se desenvolve, dando cumprimento aos fins e objectivos definidos estatutariamente. Assim, o artigo 9S dos Estatutos, intitulado Outros estabele- cimentos e organismos, determina o seguinte:

"1 - Sào estabelecimentos dependentes da Reitoria, com estatutos aprovados pelo senado: Centro de Informática;

Casa Museu de Abel Salazar;

Biblioteca Geral e Arquivo da Universidade do Porto; Curso de Ciências da Nutrição.

2 - São estabelecimentos dependentes da Faculdade de Ciências: Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico;

Instituto de Botânica do Dr. Gonçalo Sampaio;

Instituto de Zoologia e Estação de Zoologia Marítima do Dr. Augusto Nobre; Instituto de Antropologia do Dr. Mendes Correia;

Instituto Geofísico.

3 - São estabelecimentos dependentes da Faculdade de Medicina: Instituto de Anatomia do Professor Pires de Lima;

Instituto de Histologia do Professor Abel Salazar;

Museu da História da Medicina do Professor Maximiano Lemos; Laboratório de Radioisótopos;

Departamento de Clínica Geral.

4 - São organismos circum-escolares, dependentes da Reitoria: Orfeão Universitário do Porto;

Centro Desportivo Universitário do Porto; Teatro Universitário do Porto".

Este elenco está, hoje, passados que são já mais de dez anos sobre a promulgação dos Estatutos da Universidade, muito desactualizado. A proliferação deste tipo de organismos foi enorme na última década e alguns deles mudaram de estatuto ou foram mesmo extintos60.

O sistema universitário, cuja orgânica, definida estatutariamente, acabámos de discriminar, não fica completo se não incluirmos outros elementos fundamentais da sua estrutura, ou seja, os "órgãos de governo da Universidade do Porto", também eles objecto de regulamentação estatutária, nos artigos fOa a 28e. Assim:

"São órgãos de governo da Universidade do Porto: a) A assembleia da Universidade;

b) O reitor;

c) O senado universitário; d) O conselho administrativo; e) O conselho consultivo".

60 A diversidade de situações que se pode encontrar quanto ao estatuto destes organismos justifica, a nosso ver, uma abordagem num item especí-

TEORIA, CONTEXTO E MÉTODO

A partir da análise dos Estatutos, facilmente se percebe que as várias unidades orgânicas que integram a estrutura do sistema universitário constituem, na realidade, não simples componentes da mesma, mas se assumem como verdadei- ros subsistemas, também dotados de estruturas mais ou menos complexas (em alguns casos de acentuada complexidade e igualmente integradoras de subsistemas próprios61), definidas em parte nos Estatutos da Universidade (artigos 29e a

39s) e, por outro lado, nos Estatutos próprios da cada unidade orgânica. Além disso, nesses subsistemas há ainda que

considerar como componentes da respectiva estrutura, não apenas os órgãos de gestão e as várias secções e subsecções administrativas, mas também os diferentes cursos ministrados e as diversas unidades de investigação, pois tanto uns como outras são igualmente agentes (desenvolvem acções) e, como tal, produtores de informação.

As disposições estatutárias e todos os outros diplomas legais e regulamentares são "instaimentos-chave" para a compreensão, não só da organicidade deste complexo sistema, mas também da sua funcionalidade. Por isso mesmo, constituíram as fontes de informação essenciais para este estudo, como adiante se tomará compreensível.

2.3. Organismos coexistentes no contexto sistémico da Universidade

O artigo 9e dos Estatutos da Universidade do Porto, intitulado Outros estabelecimentos e organismos, refere, como

mencionámos, uma série de unidades de investigação, estabelecimentos de diverso tipo e organismos "circum-escolares", dependentes quer da Reitoria, quer de outras unidades orgânicas da Universidade. A lista enunciada nesse artigo é, porém, uma amostra reduzida da realidade actual. Se é certo que a maioria das unidades de I&D (Investigação e Desen- volvimento) hoje existentes se enquadra no âmbito das diversas faculdades, constituindo, portanto, elementos da respec- tiva estrutura orgânica - mesmo apesar de usufaiírem de financiamentos externos - também não deixa de ser verdade que muitas outras unidades de investigação resultam de parcerias entre a Universidade do Porto e outras entidades (uni- versidades, empresas, associações, etc.), recebendo, nestes casos, a designação de "instituições de interface'.

A identificação e caracterização das unidades de I&D e de outros organismos dependentes organicamente da Uni- versidade e das respectivas faculdades não levanta problemas de maior quanto ao seu enquadramento sistémico e à compreensão da respectiva produção informacional. Quanto às "instituições de interface', a situação é bem diferente: importa perceber em que termos a Universidade aí intervém e qual a relação sistémica que estabelece com elas. A aná- lise dos actos fundadores dessas instituições é um elemento fundamental para a compreensão desta problemática e não pode, portanto, ser descurada no estudo a desenvolver.

Não é fácil proceder a um levantamento exaustivo de todo este tipo de unidades (orgânicas ou não), uma vez que o seu número é bastante considerável e a sua afirmação pública nem sempre é muito notória. Apesar disso, a Universi- dade do Porto, através do Gabinete de Relações Públicas e do Serviço de Relações Internacionais, identificou as unida- des de investigação e as instituições de interface, contabilizando 96 organismos62. Neste número englobam-se laborató-

rios, departamentos, museus, institutos, centros de investigação, a par de instituições formadas por associação ou parceria de várias entidades, entre as quais figura a Universidade do Porto.

Só a título de exemplo, podem-se referir algumas dessas instituições que, embora dependendo da Universidade ou das respectivas unidades orgânicas, se situam fisicamente afastadas do seu organismo tutelar, aparentando uma autono- mia que, de facto, não existe: dependendo da Reitoria, temos estabelecimentos como o Centro de Informática, na Rua do Campo Alegre, ou unidades de investigação como o Centro de Estudos Norte de Portugal-Aquitânia (CENPA), sediado em instalações da Faculdade de Letras, igualmente na Rua do Campo Alegre; na dependência da Faculdade de Ciências, o Observatório Astronómico do Prof. Manuel de Barros, no Monte da Virgem (Vila Nova de Gaia), o Instituto

As faculdades, cuja orgânica se reveste de maior complexidade, integram susbistemas, também eles já relativamente complexos e de que os exem- plos mais paradigmáticos são os Departamentos.

PORTO. Universidade - Universidade do Porto. Coord. Cristina Ferreira; design Artur Santos Leite. Porto : ti. P., (1997?!, folheto desdobrável. A informação compilada neste desdobrável está, decorridos pouco mais de dois anos da sua edição, já desajustada da realidade. Contudo, no momento presente, está a ser processada a actualização destes dados pelo que, muito em breve, será possível obter uma informação mais rigorosa que ilustre a complexidade da vertente de investigação, de serviços ao exterior e de intervenção a vários níveis, em que a Universidade e as res- pectivas unidades orgânicas participam.