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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO (UFMT)

4 ANÁLISE EMPÍRICA

4.8 UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO (UFMT)

A Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), cuja sede está localizada na cidade de Cuiabá – MT, é integrante da RIDESA e desenvolve pesquisas e parcerias para o desenvolvimento de melhoramento genético da cana-de-açúcar na região a partir da interligação com poucos parceiros. As pesquisas e parcerias, dentre outros aspectos, tem como objetivo principal o desenvolvimento de uma variedade típica da região e que seja de propriedade da universidade.

Para que a universidade viesse a fazer parte da rede, houve um esforço interinstitucional, por meio de uma relação conjunta entre universidades que buscavam um ‘novo projeto’ de pesquisa a partir do qual fossem abertas oportunidades às instituições, ou seja, p desenvolvimento do projeto na universidade ocorreu “devido à interação e oportunidades que um projeto desta natureza proporciona junto ao setor produtivo e o meio acadêmico” [E9], por exemplo, com a possibilidade de auxiliar o setor produtivo a partir de inovações capazes de atender seus desejos, assim como por criar uma integração para que os alunos possam estudar os problemas que surgem e auxiliar a saná-los.

O entrevistado destaca ainda que “a participação da UFMT, na RIDESA, partiu dos reitores da UFMT e UFG”, embora afirme que “de alguma forma, a UFMT, já participava do projeto RIDESA, através dos trabalhos que a UFSCAR desenvolvia no estado, tendo em vista que Mato Grosso era área de atuação da UFSCAR”. Já eram desenvolvidas pesquisas na universidade, apenas ainda não havia autonomia frente a execução das atividades, algo que ocorreu com a separação das áreas de atuação do que até então era de responsabilidade da UFSCAR.

O desmembramento regional e integração da RIDESA pela UFMT, desvinculando-se diretamente da UFSCAR, acabou por implicar em alguns aspectos, vez que “cada universidade desenvolve o seu próprio projeto, de acordo com suas demandas regionais, mas prevalece o trabalho em rede, onde as diferentes universidades usam das variedades desenvolvidas por todas” [E9]. Cada universidade é responsável pela atuação regional, tendo que desenvolver meios para que realize processos cooperativos, por exemplo, divulgando suas competências para atrair possíveis parceiros.

A partir dessa separação foi necessário ir em busca de parceiros, sendo que

“os primeiros contatos sempre foram através do pesquisador e as empresas.

Mostrando o plano de desenvolvimento de novas variedades e de atuação da RIDESA”. Isso implica, desde sempre, desenvolver uma relação de confiança, dimensão cultural, em que as partes venham a colaborar conjuntamente para que as atividades ocorram e evoluam: “a medida que o projeto foi sendo implantado e um maior contato com as empresas, estabeleceu-se uma relação de maior confiança entre as partes” [E9], refletindo, também, a dimensão cultural. Além disso, desvincular-se da UFSCAR fez com que uma expertise local precisasse ser criada,

além de adaptações para a realização e formalização das atividades, tendo em vista o “aspecto legal de parceria, contrato etc.” [E9].

Isso trouxe e traz um desafio constante, pois, ainda hoje, E9 afirma que “a principal demanda é mão de obra especializada”, vez que, por trabalharem com melhoria genética da cana-de-açúcar, a expertise de pessoas com conhecimentos acerca do assunto na região são um grande desafio. Segundo afirma, “as demandas de infraestrutura são mais fáceis de superar”, vez que se abrem oportunidades para aquisição de recursos para estrutura por distintos meios, mas ter pessoas capacitadas é fundamental. Por isso, é necessário formar pessoal na universidade, a partir da

“oportunidade de participação de alunos através de estágios e pós-graduação”. Com isso, tem-se um meio de disseminação de conhecimentos pela universidade e que podem vir a gerar benefícios para as empresas.

Um dos principais aspectos para o desenvolvimento de melhorias genéticas da cana está no desenvolvimento de parcerias, ou seja, “os principais benefícios são a integração com o meio produtor” [E9], o que implica na dimensão de coordenação, vez que, pode-se gerir recursos tendo em vista torná-los efetivos, além do que, muitas vezes, o conhecimento que possuem e são ‘trocados’, “através de informação pessoal, publicação e encontros técnicos” [E9], auxilia no andamento das pesquisas e também no andamento das atividades conjuntas, refletindo a dimensão de conhecimento.

Cabe ressaltar que o efetivo desenvolvimento das parcerias está atrelado ao funcionamento das atividades, algo que só ocorre, segundo E9, pela atuação da fundação da universidade, a Fundação Uniselva, que dá suporte administrativo às atividades desenvolvidas no programa, ao que afirma: “devido á normas e leis, que regem as atividades das IFES, as fundações são de fundamental importância para gerenciamento das atividades dos projetos [...] O papel da fundação é de suma importância, considerando que a mesma é responsável pela condução dos projetos, nos aspectos, financeiros, administrativos” [E9]. É a partir da fundação que a formalização de parcerias é desenvolvida pela UFMT, o que reflete a dimensão de coordenação.

Isso ocorre, principalmente, porque a origem dos recursos que mantém o projeto está intimamente ligada ao setor produtivo, pois “não há aporte de recursos pela universidade, sendo que a contrapartida de universidade é dos especialistas envolvidos no projeto. Os recursos são obtidos junto ao setor produtivo” [E9]. Com

isso, coordenar as atividades, a partir da formalização das parcerias, dimensão de coordenação, é a base para que possam ser obtidos benefícios. Juntamente a isso, afirma ainda que obter recursos por diferentes fontes de financiamento também são parte das atividades, pois “eventualmente, recursos de origem no FINEP, aloca recursos para determinados projetos destinados a estudos voltados para o setor sucroenergético” e, para isso, a participação da fundação é necessária e fundamental, dimensão de coordenação.

E9 destaca que são desenvolvidas parcerias inclusive com instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), uma empresa pública de pesquisa que possui vínculo ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (MAPA). Esse tipo de parceria possibilita o acesso a variedades de cana que servem como base para que sejam testadas em condições locais do Mato Grosso. Isso reflete em dois aspectos-chave, desde a integração e sinergia voltadas à coordenação de atividades, dimensão de coordenação, assim como abre oportunidades para a integração de procedimentos técnicos, para que sejam transferidas tecnologias voltadas ao desenvolvimento de inovações colaborativas, caracterizando a dimensão tecnológica.

Tal entendimento permite e estimula que o setor produtivo procure a universidade para transferir tecnologias, a dimensão de conhecimento, vez que “o setor entende a importância do desenvolvimento de tecnologias para o seu setor, e da importância do desenvolvimento de novas variedades, e pelo reconhecimento dos trabalhos já realizados junto ao setor”, sendo que “a parceria com a iniciativa privada favorece o desenvolvimento de inovação tecnológica, dá oportunidade, aos alunos de maior conhecimento e de interação com o meio produtivo” [E9]. Nesse caso, nota-se as dimensões tecnológica e cultural, tendo em vista a possibilidade de desenvolver inovações colaborativas, além da confiança e reconhecimento gerados com o andamento das atividades.

É a partir disso, ou seja, dessa confiança e reconhecimento, que o projeto pode vir a ser desenvolvido e evoluir, isso porque, como E9 afirma, “a condução dos projetos depende unicamente dos recursos aportados junto ao setor produtivo, e quando da ocorrência de alguma crise no setor, há certa vulnerabilidade na condução do mesmo”. Nesse caso, ter a parceria e procurar mantê-la, mantendo-se juntos no auxílio ao desenvolvimento das atividades cria uma reciprocidade segundo a qual E9

afirma que não existiria uma contrapartida caso não houvesse confiança, o que reflete a dimensão cultural.

Ponto de destaque está na burocracia universitária, tendo em vista que “a universidade é uma entidade múltipla, e as vezes torna-se difícil a condução de projetos desta natureza devido às normas e leis que regem a relação entre a universidade e empresas” [E9], o que pode afetar a capacidade de gerenciar recursos e torná-los eficientes, produzir sinergia, reduzir conflitos na relação de cooperação, dimensão de coordenação. Nesse caso, desenvolver meios e/ou mecanismos por meio da qual a atuação da universidade possa ser facilitada torna-se fundamental, e é isso que faz com que as parcerias podem vir a evoluir.