A compreensão de “campo” nos remete diretamente à perspectiva de Bourdieu, uma que para o autor, o “campo” é o local organizado em que sujeitos procuram manter suas posições ao mesmo tempo em que outros tentam obter estas posições para si, ou seja, uma luta entre dominantes e dominados11 pela mobilidade dentro de um espaço. O “campo” determinado para Bourdieu (1990), não se resume apenas ao científico, mas a qualquer um que possua características peculiares onde seus agentes disputam por posições e lucros, determinados por suas particularidades.
Sob esta perspectiva, de que o “campo” não se resume apenas ao científico, se concentra o fracasso universitário, que não pode ser determinado em apenas um lugar, seja ele espacial ou não, pois para além das relações de disputa existentes no espaço científico, existem também estas disputas fora do ambiente universitário, que devem ser levadas em consideração. De certa forma, a pluralidade do problema se dá pelo fato de ele não se concentrar apenas em um “campo”, o que se evidência ao se perceber que o sujeito não pode ser observado, analisado por partes e sim da maneira mais completa.
Então, os campos podem ser entendidos como um espaço onde a luta pela autoridade, seja ela científica ou de qualquer outra natureza, ocorre. E para que isso ocorra deve-se ter em conta as relações de força entre os sujeitos e de como estes compreendem o mundo e da forma que se comportam nele. Devemos compreender também que a luta não se resume na busca pelo domínio e pelo fato de ocupar posições
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Bourdieu constatou a existência de uma teia entre estes dois conceitos que os tornam de certa maneira indissociáveis. Teia esta, que se determina pela ligação entre o sujeito e as estruturas sociais.
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que dêem privilégios, mas a de poder repartir o capital oriundo do campo a qual o sujeito pertence.
Se pensarmos no campo científico podemos aferir sobre a dependência deste em relação a outros campos, pois serão mais ricas as produções dos pesquisadores quanto maior for as influências destes por outros campos, ou seja, quanto mais capital ele tiver acumulado em outros campos, maior será a possibilidade de um pesquisador ocupar posições de destaque no campo científico.
Por este motivo, a investigação sobre fracasso universitário não pode contemplar apenas o espaço acadêmico, observar, avaliar, inferir e analisar o problema levando em consideração suas várias vertentes que se evidenciam em campos diferentes do científico, proporciona seu vislumbramento mais completo. Assim, conhecer a realidade do acadêmico, que fracassa, em outros campos pode enriquecer e proporcionar uma nova interpretação do problema. Portanto, para Bourdieu (1990) o sujeito só se envolve em lutas referentes ao seu campo pelo fato de que existe a necessidade de se redistribuir ou até mesmo tomar posse do capital característico daquele campo.
Sendo assim, tais sujeitos digladiam por posições levando esse campo a ter uma mobilidade entre os dominantes e os dominados de forma que essa mobilidade só ocorre se o sujeito que a deseja tenha adquirido capital suficiente, ou seja, tenha efetuado os investimentos necessários por um longo tempo e que possa utilizá-los para reclamar sua posição nesse campo.
Portanto, como na realidade social o capital característico de cada campo é distribuído e acumulado de forma desigual, levando em questão uma série de particularidades inerentes ao sujeito e as estruturas, pode-se dessa forma propiciar o fracasso universitário. Por este motivo, o sujeito que deseja acumular o máximo possível de capital deve elaborar estratégias de luta para que possa atingir seus objetivos (acumulo de capital e a ocupação de posições de destaque). Desta mesma forma pode-se aferir que os sujeitos que já se encontram nessas posições desejadas tendem a construir estratégias que garantam sua permanência em seus postos de domínio (BOURDIEU, 1983).
É necessário evidenciar que são justamente os oponentes dos dominantes na luta pelas posições dentro de cada campo que os mantêm em seus lugares, pois o embate entre os grupos de dominantes e dominados permite o enriquecimento e maior acúmulo
do capital. Esse fato não quer dizer que a mobilidade das posições não aconteça mantendo assim um acadêmico em situação de fracasso permanente, mas que o capital de um campo sempre pode ser ampliado e modificado.
Porém, o que se pode perceber é que a crise deve ser de certa forma controlada, pois os acadêmicos que se encontram em situação de fracasso e que desejam assumir outra posição não pretendem modificar totalmente as normas inerentes a cada espaço o que poderia causar o fim do campo a que tais sujeitos pertencem.
Partindo de Bourdieu, intui-se que na verdade o que os sujeitos dominados de cada campo pretendem é atingir um grau de destaque, por meio do prestígio e do reconhecimento e não modificar as normas internas que mantêm o campo a qual ele pertence em harmonia. Desta forma, pode-se perceber que toda essa luta existente dentro do campo nada mais é do que o evidênciamento das convicções dialéticas, ou seja, enquanto houver uma resistência por parte dos dominados haverá uma tensão que propiciará a constituição destes campos.
Logo, os campos por serem lugares que constituem essas tensões, seja para manter uma posição ou por migrar de posição, dá lugar ao aparecimento de problemas como o fracasso universitário, pois é justamente nesse ambiente que o meio social se reproduz (BOURDIEU, 1983). Assim, ir mais além à obra deste autor e ter como suporte o conceito de “habitus” para poder explorar mais o fracasso universitário se faz necessário.