6. CAPÍTULO VI: Estudo de campo
6.1 Universo da amostra
A caracterização abstrata da composição da cadeia produtiva de frango de corte dimanou da revisão bibliográfica, que apontou para os seguintes atores: produtor rural, frigorífico, órgão de fiscalização público, entidade privada de certificação; e indiretamente as associações de produtores e
organizações não-governamentais. As associações45 foram
desconsideradas em favor de uma abordagem direta com aqueles que representavam, no caso, produtores e frigoríficos exportadores.
Em relação aos órgãos de fiscalização, verificou- se que os produtos de origem animal podem sofrer inspeção municipal (SIM), inspeção estadual (SIE) ou inspeção federal (SIF), dependendo da amplitude da distribuição do produto. Como o interesse da pesquisa está na cadeia produtiva com destino à União Européia, o órgão de fiscalização corresponde ao MAPA
Para a identificação individual dos atores que compõem o universo de pesquisa foram realizados os seguintes procedimentos:
a) Para identificar os fiscais do SIF foi enviada uma correspondência à Superintendência do MAPA em Santa Catarina;
b) Para identificar os frigoríficos com habilitação para exportar carne de frango in natura para o mercado europeu foi consultado o cadastro eletrônico do MAPA;
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Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) Catarinense e a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (ABEF).
c) Para identificar os produtores de frango foi solicitado aos frigoríficos a relação de seus fornecedores;
d) Para identificar as certificadoras foi realizada, concomitantemente, consulta aos frigoríficos e pesquisa na rede eletrônica de comunicação, com as seguintes palavras de busca: ‘certificadora’ combinada com ‘bem-estar animal’ e/ou ‘EurepGAP’. Dos resultados obtidos foi feito o refinamento pelo critério de atuação na criação de aves;
e) Para identificar as ONGs de proteção animal foi realizada consulta a rede eletrônica de comunicação, com as seguintes palavras de busca ‘proteção animal’; ‘ONG’, ‘bem-estar animal’. Dos resultados obtidos foi feito refinamento pelo critério de atuação em defesa de animais de produção de alimentos. Os resultados desta pesquisa foram os seguintes:
a) Nenhum fiscal federal foi identificado, pois o MAPA se recusou a participar da pesquisa alegando que “uma pesquisa com estas
características, poderia afetar o desenvolvimento dos trabalhos internos do MAPA, bem como, afetar negociações internacionais com prejuízos incalculáveis para o País”. (Ofício datado de 11 de maio de 2009);
b) Quinze (15) estabelecimentos frigoríficos em Santa Catarina habilitados à exportação para União Européia foram identificados:
Estabelecimento Município da planta
SIF
Sadia S.A Concórdia 1
Perdigão S.A. Videira 87
Sadia S.A Chapecó 104
Perdição S.A Capinzal 466
Seara Alimentos S/A Seara 490
Seara Alimentos S/A Itapiranga 576
Diplomata S.A Xaxim 601
Bondio Alimentos
S/A Guatambú 1084
Agrovêneto S.A Nova Veneza 1155
Cooperativa Central
Seara Alimentos S/A Forquilinha 2172 Seara Alimentos S/A Jaraguá do
Sul 2435
Vossko Lages 2776
Cooperativa Central
do Oeste Maravilha 3125
Macedo
Agroindustrial Ltda São José 3742
c) Nenhum produtor rural identificado, pois os frigoríficos se recusaram a indicar seus fornecedores; d) Sete (07) certificadoras: Nome da Certificadora Sede SGS Porto Alegre/RS e São Paulo/SP IGCert Londrina/PR
Ecocert Florianópolis e São
Paulo/SP
Bureau Veritas Porto Alegre/RS
PGP Consultoria Curitiba/PR
World Quality
Services -WQS Botucatu/SP
e) Cinco (05) ONGs de proteção animal;
Nome da ONG Sede
ARCA – Associação Humanitária de Proteção e Bem- estar Animal São Paulo/SP WSPA Brasil – World Society for the Protection of
Animals
Rio de Janeiro/RJ
Instituto Nina Rosa São Paulo/SP OBA – Organização
Bem-Animal Florianópolis/SC
Instituto Ambiental
ECOSul Florianópolis/SC
Em relação a não identificação dos fiscais federais e dos produtores rurais, vale o comentário de que a não participação do MAPA pode ser analisada como uma estratégia de cautela frente aos conflitos que envolvem a percepção de bem-estar animal, conforme análise do capítulo V. E a não identificação de produtores rurais, deve-se ao fato de que em
Santa Catarina predomina o sistema de produção integrado46, no
qual há um contrato entre o produtor rural e o frigorífico. De acordo com o frigorífico na relação deles com o integrado (produtor rural) impera a política de ‘preservação’. Todavia, esta preferência pela não exposição pode ser também interpretada como uma tentativa de silenciar o produtor rural, por eventual discordância de procedimentos ou insatisfação com o sistema de integração que, via de regra, deixa pouca margem de arbítrio para o integrado47.
Anota-se, ainda, que o estudo de campo foi prejudicado devido aos processos de alterações no controle acionário de alguns frigoríficos . Concomitante a execução desta pesquisa, cinco empresas frigoríficas48, que juntas são
responsáveis por dez das quinze plantas habilitadas a
46
O modelo de integração funciona basicamente da seguinte forma: “a integradora fornece ao integrado a ave de um dia, a ração para alimentação da mesma e a assistência técnica. O integrado responsabiliza-se pela construção dos aviários e instalação dos respectivos equipamentos, de acordo com as determinações da integradora, e entrega a ave para a integradora quando esta estiver com o peso apropriado para abate. O pagamento da integradora ao integrado é feito de acordo com indicadores técnicos constantes do contrato de integração celebrado entre as partes” (FERNANDES FILHO, 2004, p.99)
47
Ver reportagem ‘Integrados acusam Sadia de descumprir contratos. Disponível em: <
http://www.aviculturaindustrial.com.br/site/dinamica.asp?id=38611&tipo_tabela=produt os&categoria=agroindustrias> Acesso em 04 mar 2009.
48
Macedo (incorporada pela Tyson); Diplomata (incorporada pela Seara) e Sadia e Perdigão que se juntaram para formar a Brazil foods.
exportação, estavam em processo de fusão, o que demandava o esforço coordenado de todos os funcionários para implementação das necessárias mudanças.