• Nenhum resultado encontrado

5.1 Análise e interpretação dos dados gamaespectrométricos

5.1.1 Gamaespectrometria terrestre

5.1.1.3 Urânio (eU)

Da mesma forma que o tório, o eU é de ampla distribuição na área de estudo, com teores variando de 0,60 ppm a 19,20 ppm (Figura 5.1C), e média geral (132 estações) de 6,23 ppm, ou seja, cerca de duas vezes superior à abundância média da crosta terrestre que oscila entre 2 e 3 ppm (DICKSON e SCOTT, 1997; WILFORD et al., 1997; MINTY, 1997; IAEA, 2003a; BONOTTO, 2004).

Apesar da variabilidade nos teores de urânio, os quais, face ao coeficiente de dispersão de 61,85% para as 132 estações de amostragem gamaespectrométrica, são classificados como irregularmente distribuídos na área de estudo, o mapa de contorno para urânio referente ao levantamento gamaespectrométrico terrestre (Figura 5.5) evidencia a existência de três grandes zonas radioanômalas, situadas no extremo norte e nas regiões centro-sul e sudeste dos álcali-feldspato granitos (Granito Serra do Carambeí), além de diversas zonas menores, confirmando o caráter radioanômalo destas rochas. Portanto, quando agrupados por tipos de rochas, verifica-se que as maiores concentrações de urânio são encontradas, preferencialmente, nos álcali-feldspato granitos (Tabela 5.3), cujas concentrações absolutas oscilam entre 1,20 ppm e 19,20 ppm de eU. O teor médio nessas rochas é de 7,40 ppm de eU e o coeficiente de dispersão é de 52,30%, caracterizando uma distribuição irregular.

Na fácies de borda verifica-se que o urânio segue um padrão muito parecido ao verificado com o tório, visto que as concentrações de eU variam entre 1,10 ppm e 17,10 ppm, com média de 4,75 ppm, ou seja, 64% inferior à verificada nos álcali-feldspato granitos. O coeficiente de dispersão de 73,98% indica uma irregularidade crescente na distribuição do urânio em relação aos álcali-feldspato granitos.

As menores concentrações de urânio são encontradas nos granitóides do Domínio Jotuba-Pitangui - Complexo Granítico Cunhaporanga e nos depósitos aluviais que margeiam o rio Jotuba, com valores variando de 0,60 ppm a 5,90 ppm e de 2,50 ppm a 6,10 ppm, respectivamente. Nos granitóides, onde a amplitude das concentrações é maior (5,30 ppm), o teor médio de eU foi de 3,46 ppm, ou seja, levemente acima da concentração média da crosta terrestre, enquanto o coeficiente de dispersão atingiu 46,98% (distribuição irregular). Nos depósitos aluviais, com amplitude de apenas 3,60 ppm, a concentração média foi de 3,88 ppm, também pouco acima da média da crosta terrestre, com coeficiente de dispersão atingindo

31,31%, o que evidencia uma distribuição regular de urânio nesse ambiente de sedimentação. Tais características indicam que os principais processos responsáveis pela migração (distribuição) do urânio neste ambiente são similares aos do tório, com a diferença de que o eU, por ter maior mobilidade, pode ser parcialmente transportado em solução.

Figura 5.5 - Mapa de contorno de urânio sobreposto ao modelo digital de elevação - levantamento gamaespectrométrico terrestre.

A análise dos teores de urânio agrupados por intervalos altimétricos (Tabela 5.4) indica que a maior concentração média de eU (7,17 ppm) ocorre entre as altitudes de 1.000 m a 1.050 m (setores C3-J3) onde, em 46 estações de

amostragem, as concentrações absolutas situam-se entre 2,20 ppm e 16,40 ppm, com coeficiente de dispersão de 54,71%, caracterizando uma irregularidade não muito acentuada na distribuição desse radionuclídeo.

Nos setores altimétricos C2-J2 (altitudes entre 950 m e 1.000 m) a concentração média de eU é de 6,13 ppm, com valores absolutos variando entre 0,60 ppm e 19,20 ppm e coeficiente de dispersão de 69,64%, evidenciando um aumento na irregularidade de distribuição do urânio nesse compartimento altimétrico em relação aos setores C3-J3.

Entre as altitudes de 918,60 m e 950 m, ou seja, nos setores C1-J1, verifica-se a menor concentração média de eU, no valor de 5,18 ppm. As concentrações máxima e mínima são de 17,70 ppm e 1,10 ppm, respectivamente, e o coeficiente de dispersão de 54,65% é o menor entre todos os intervalos altimétricos, apesar de ser apenas 0,11% inferior ao do setor C3-J3 (1.000 m a 1.050 m).

Assim, a análise dos dados da Tabela 5.4 e a comparação destes com os mapas da Figura 4.12 (setores de altitude) e da Figura 5.5 (mapa de contorno para urânio), indicam que as zonas radioanômalas estão situadas dominantemente no terço superior de vertentes (cabeceiras de drenagens), provavelmente devido à menor espessura e lixiviação menos intensa do manto de alteração existente nessa porção das vertentes. Verifica-se então uma redução gradativa nos teores de urânio em direção às regiões de maior altitude (topos de morros) que, por apresentarem declividades menos acentuadas, favorecem a percolação de águas pluviais que lixiviam este elemento, cuja mobilidade é elevada, principalmente em ambiente oxidante. A partir do terço médio das vertentes em que estão localizadas as zonas radioanômalas, em direção aos fundos de vales, verifica-se novamente uma redução gradativa dos teores de urânio relacionada, provavelmente, ao acúmulo de materiais do manto de alteração removidos das porções mais superiores das vertentes, cujo urânio já havia sido parcialmente lixiviado.

Com relação aos solos, as maiores concentrações estão localizadas sobre a associação de Nitossolo Háplico com Cambissolo Háplico (Nxd), onde as concentrações de eU variam de 3,80 ppm a 17,00 ppm, com média de 11,12 ppm e coeficiente de dispersão de 46,55% (levemente irregular) (Tabela 5.5). Tal valor médio, que corresponde a cerca de quatros vezes a concentração média da crosta terrestre, evidencia a tendência do urânio de se concentrar em solos mais evoluídos

ou, ainda, de se combinar a oxi-hidróxidos de ferro e alumínio, cujos teores são relativamente elevados nesta associação de solos.

Na área de ocorrência da associação de Cambissolo Háplico com Latossolo Bruno (CXbd5) a concentração média é de 6,67 ppm de urânio, com valores absolutos situados entre 1,90 ppm e 19,20 ppm e coeficiente de dispersão de 58,91% (dispersão irregular). Concentrações similares são observadas nos Cambissolos Háplicos Distróficos de textura média e argilosa (CXbd2), com valores absolutos entre 0,60 ppm e 17,10 ppm, média de 6,03 ppm e coeficiente de dispersão de 57,38%.

As menores concentrações de urânio ocorrem nos Cambissolos Háplicos Distróficos típicos de textura argilosa (CXbd1), com média de 3,01 ppm de eU, valores absolutos entre 2,00 ppm e 4,60 ppm de eU, e coeficiente de dispersão de 28,73%, e na associação de Organossolos Méssicos com Gleissolos Melânicos (OYs2), com concentração média de 3,88 ppm, valores absolutos situados entre 2,50 ppm e 6,10 ppm de eU e o coeficiente de dispersão de 29,52%, indicando que nesses dois grupos de solos (CXbd1 e OYs2) o urânio encontra-se distribuído de forma regular.