7. Compreender de que forma a direção das duas escolas e respetivos coordenadores de PTE gerem e motivam a participação dos professores nas atividades com recurso às TIC.
3.4 USO DAS TIC PELOS PROFESSORES PORTUGUESES
3.4.1 BREVE REFERÊNCIA A INICIATIVAS CENTRAIS NA PROMOÇÃO DA
INTEGRAÇÃO DAS TIC E ENQUADRAMENTO DA SITUAÇÃO ATUAL
A integração das TIC nos processos de ensino e de aprendizagem na Educação é condição imprescindível para a edificação da escola e para o sucesso escolar dos nossos discentes. Entenda-se por integração curricular da tecnologia, como sugere Harris (2005), a integração da tecnologia como uma ferramenta que vise melhorar o ensino-aprendizagem, sendo que “effective
integration of technology is achieved when students are able to select technology tools to help them obtain information in a timely manner, analyse and synthesize the information, and present it professionally” (Harris, 2005, p.116). Assim,
“integrating technology is not about technology – it is primarily
about content and effective instructional practices. Technology involves the tools with which we deliver content and implement practices in better ways. Its focus must be on curriculum and learning. Integration is defined not by the amount or type of
37
technology used, but by how and why it is used” (Harris, 2005,
p.117).
A Educação tem vindo a ocupar um lugar de destaque nas preocupações dos governos, nomeadamente nos últimos cinco anos, Portugal apresenta uma evolução muito significativa,
conforme GEPE (2008a), assistindo-se a um esforço de investimento neste setor, tendo estes a
pretensão de colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados na modernização tecnológica do ensino em 2010, tal como é possível confrontar do Conselho da União Europeia (2004), onde entre outros aspetos, se privilegia políticas de educação e formação com vista à inovação de cada sociedade.
Nesse sentido, assistiu-se à implementação de estratégias nacionais que visavam a introdução das TIC nas escolas, pela inserção de computadores nas escolas, o reforço de meios informáticos e o empreendimento de desenvolvimento de projetos de formação de professores no domínio das Tecnologias. Tendo estas iniciativas sucedido a ritmos e impatos distintos.
Como é possível inferir, pela exposição abaixo indicada das iniciativas, projetos e programas do Ministério da Educação, nos últimos anos em Portugal, a capacidade para criar e dinamizar a introdução das TIC nas escolas portuguesas e, ainda, de promover a sua utilização educativa. Certificando que a sua ação e envolvência vaticinassem dinâmicas importantes, porque, além do apetrechamento informático das escolas e formação de professores, aspirava igualmente a promoção de atividades de utilização e, particularmente, lançar dinâmicas em torno de projetos, quase sempre de enriquecimento curricular e com abordagens pedagógicas inovadoras. É importante realçar, por um lado, que a maior parte destes projetos tiveram a sua origem e coordenação no Ministério da Educação, todavia algumas iniciativas prosperaram fora dessa estrutura central. E, por outro, que, estudos emanados do Ministério da Educação comprovam o progresso observado em Portugal, particularmente, nos últimos cinco anos.
Com esse intuito, começa-se por fazer um apanhado dos principais eixos em que a análise pode situar-se, tendo em conta a ordem cronológica ascendente dessas iniciativas.
Considerada por muitos estudiosos, como uma das mais significativas experiências, a primeira grande iniciativa nacional de introdução das TIC nas escolas dá-se com o Projeto
MINERVA – Meios Informáticos no Ensino: Racionalização, Valorização, Atualização, criado
pelo Despacho nº 206/ME/85 de 31 de Outubro - que vigorou no período compreendido entre os anos de 1985 e 1994, pela iniciativa do Ministério da Educação, que promoveu e financiou o
38
projeto. Os objetivos definidos para MINERVA foram, entre outros: i) apetrechar as escolas com equipamento informático; ii) formar professores e formadores de professores; iii) promover a investigação sobre as TIC nos ensinos básico e secundário; iv) potenciar as TIC como instrumento de valorização dos professores e do espaço escolar; v) desenvolver o ensino das tecnologias de informação e comunicação para a inserção para a vida ativa.
Ponte (1994) ao fazer o balanço final do referido projeto reconheceu que houve uma grande mobilização dos professores e dos alunos envolvidos. Tendo sido na área da formação de professores que o projeto teve maior impacto, divulgando as TIC, pelas diversas atividades que se praticaram nas escolas, contribuindo para o estabelecimento de uma nova atitude pedagógica. Tal como o Programa Nónio XXI e, mais recentemente, todas as iniciativas no âmbito da Equipa
CRIE (Computadores, Redes e Internet na Escola). Sem descurar, as intensas iniciativas que o
Ministério da Educação continua a apoiar, financiar e divulgar até à presente data. Durante a vigência do Projeto Minerva solicitaram a sua adesão ao projeto 1172 escolas, participando em ações de formação cerca de 50.000 mil professores e foram envolvidos 100.000 alunos em atividades promovidas em de sala de aula.
Do MINERVA emanaram duas iniciativas: os Projetos IVA (Informática para a Vida
Ativa) e FORJA (Fornecimento de Equipamentos, Suportes Lógicos e Ações de Formação de Professores), no primeiro destes projetos foram envolvidas 28 escolas, 300 professores e 6000
alunos. O Projeto IVA vigorou durante os anos letivos de 1990/91 e 1991/92 e foi concebido para os jovens do 12º ano que receberam formação ministrada de carácter técnico. Enquanto O Projeto
FORJA foi executado durante o ano 1993, envolvendo 60 escolas da região sul. Esta iniciativa
consistiu num concurso público que visava o apetrechamento das escolas secundárias e implicou igualmente a formação de docentes.
Criado, em 2 de Outubro de 1995, por elementos do projeto MINERVA, o EDUCOM -
Associação Portuguesa de Telemática Educativa desenvolveu e apoiou vários projetos
telemáticos, tais como, entre eles, salienta-se: Roteiro Cultural; Biblioteca Aberta; Imagens da
minha Escola; Jogos Olímpicos, etc. Tinha como objetivos criar uma rede que possibilitasse a
comunicação interescolar e promover a utilização da rede Internet por alunos e professores. Em 1995, o Ministério da Educação criou o Programa EDUTIC – Educação para as
Tecnologias da Informação e Comunicação, pelo Despacho nº 7072. Sendo este transformado
39
Século XXI, coordenado pelo Departamento de Análise, Prospetiva e Planeamento, do Ministério
da Educação, o atual GIASE (Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo). Previa-se a duração de 4 anos para o programa Nónio, embora a estrutura ainda se mantenha até à atualidade. O Programa tinha como objetivos: i) apetrechar com equipamento multimédia as escolas dos Ensino Básico e Secundário e promover a formação dos professores; ii) apoiar o desenvolvimento de projetos de escolas em parceria com organizações criadas para o efeito; iii) incentivar a criação de software educativo e dinamizar o mercado da edição; iv) promover a disseminação e intercâmbio nacional e internacional de informação sobre educação através do apoio à realização de simpósios, congressos, seminários e outras reuniões de caráter científico-pedagógico.
No âmbito do Programa Nónio Século XXI foram criados, no seio do Ministério da Educação, em Outubro de 1996, pelo Despacho 232/ME/96, 27 centros de competência em instituições do ensino superior e centros de formação de professores. Nessa medida, financiou-se 432 projetos que envolveram 851 escolas e de todos os níveis de ensino, com o intuito de: i) apetrechar com equipamento multimédia as escolas dos ensinos básico e secundário; ii) apoiar o desenvolvimento de projetos de escolas; iii) incentivar e apoiar a criação de software educativo; iv) fornecer formação inicial e contínua, aos professores visando a utilização e desenvolvimento das tecnologias, entre outros.
O Ministério da Ciência e da Tecnologia também promoveu iniciativas no âmbito da introdução das tecnologias na escola e, sobretudo, promoção do uso educativo da Internet, nomeadamente o Programa Ciência Viva (Ministério da Ciência e da Tecnologia, 2000) e o
Programa Internet na Escola. O Programa Ciência Viva surgiu em 1996, pelo Despacho INº
6/MCT/96, de 1 de Julho de 1996, tinha como função o apoio a ações dirigidas para a promoção da educação científica e tecnológica, junto dos jovens e na população escolar dos ensinos básico e secundário.
Em 1997 foi lançado o Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal, (Missão para a Sociedade da Informação, 1997) no âmbito da Iniciativa Nacional para a
Sociedade da Informação. É no domínio desta medida que é criado o Programa Internet na
Escola (PIE) afeto ao Ministério da Ciência e da Tecnologia, uma das suas medidas contemplava
40
Após a Cimeira Extraordinária de Lisboa, é lançada a Iniciativa Internet, em Agosto de 2000. Neste âmbito emerge também, no mesmo ano, o POSI - Programa Operacional para a
Sociedade da Informação.