A gestão dos espaços do canteiro de obras desempenha um papel importante no processo de
gestão do empreendimento como um todo, a partir da identificação e análise dos requisitos e
das restrições dos espaços é possível alcançar a eficiência e eficácia das atividades da
construção (CHUA; YEOH; SONG, 2010). Voltados para a análise dos espaços disponíveis no
canteiro de obras, Kassem; Dawood e Chavada (2015) desenvolveram um método para a gestão
dos espaços de trabalho, por meio da alocação dos espaços de trabalho para a realização das
atividades do canteiro, detecção de congestionamentos, conflitos espaciais e temporais e suas
resoluções, sendo todos esses integrados dentro de uma ferramenta 4D compatível com IFC.
Choi et al. (2014) também sugeriram uma estrutura para o processo de planejamento do espaço
de trabalho em um ambiente BIM 4D, que integra as características das atividades, o espaço de
trabalho e o plano da construção. Na mesma linha de pesquisa, Heesom e Mahdjoubi (2002)
Fernanda Saidelles Bataglin ([email protected]) – Dissertação de Mestrado. PPGEC/UFRGS. 2017
propuseram um sistema para o planejamento dos espaços de trabalho em que as informações
podem ser visualizadas em um ambiente de realidade virtual 4D.
O planejamento e a visualização do progresso da construção, também foram abordados em
algumas pesquisas, algumas delas citadas anteriormente, como Pitake e Patil (2013) com o
desenvolvimento de um método visual para planejamento com aplicação dos modelos 4D.
Zhang e Li (2010) desenvolveram um sistema que integrou BIM 4D e tecnologias da construção
virtual, com o objetivo de melhoria nos planos da construção e no layout do canteiro de obras
a partir da representação visual.
Kim; Kim e Son (2013) desenvolveram um método para a medição do progresso da construção
usando BIM 4D em conjunto com dados 3D obtidos por tecnologia de sensoriamento remoto.
Jongeling e Olofsson (2007) mostraram que o uso combinado do planejamento baseado na
localização e modelos 4D torna-se um mecanismo promissor para planejamento do fluxo de
trabalho. Li; Stephens e Ryba (2014) descreveram a implementação da modelagem 4D em um
empreendimento que, com as ferramentas de visualização, permitiram o estudo dos fluxos de
trabalho, além do planejamento e controle da utilização dos espaços. Yu; Li e Luo (2016)
desenvolveram um modelo dinâmico baseado em BIM para o fornecimento de materiais no
canteiro de obras, com o objetivo de garantir que os materiais necessários, nas quantidades e
locais corretos, pudessem ser fornecidos para as equipes de construção do empreendimento. A
aplicação da modelagem 4D nesse estudo auxiliou todo o processo, com a simulação das
atividades planejadas e do layout do canteiro de obras.
Com relação a industrialização, Borjeghaleh e Sardroud (2016) discutiram a aplicação do BIM
e seus benefícios para a industrialização da construção. Um dos benefícios identificados foi a
incorporação de softwares de simulação 4D para o planejamento de materiais, mão de obra e
equipamentos nos diferentes estágios do processo de industrialização. Li; Shen e Xue (2014)
identificaram cinco categorias de interesse de pesquisa na área de pré-fabricados na construção,
sendo uma delas as estratégias de projeto, produção, transporte e montagem. Em destaque nessa
categoria, o processamento do fluxo de informações foi abordado por Ergen e Akinci (2008)
para empresas ETO. Os referidos autores afirmam que, devido à alta customização, para
gerenciar efetivamente o fluxo de componentes ETO na cadeia de suprimentos é necessário
rastrear cada peça individualmente, de forma a permitir a troca de informações entre produção,
expedição e montagem.
Modelo para gestão dos processos logísticos em obras de sistemas pré-fabricados engineer-to-order
Um dos poucos trabalhos que abordaram a gestão logística de sistemas construtivos
pré-fabricados do tipo ETO foi o trabalho de Bortolini (2015), que propôs um modelo de
planejamento e controle logístico de estruturas metálicas pré-fabricadas com o uso da
modelagem BIM 4D. Foi explorado no mesmo a sinergia entre funcionalidades do BIM e
princípios da Filosofia da Produção Enxuta (Lean Production), conforme sugerido por Sacks et
al. (2010). Bortolini (2015) propôs um modelo hierarquizado de planejamento e controle
logístico com o uso de BIM 4D que busca introduzir a produção puxada, padronizar processos
logísticos, dividir a obra em pequenos lotes, e aumentar a transparência de processos. Esse
modelo dá ênfase à gestão dos fluxos físicos, incluindo equipamentos e materiais, considerando
operações de descarregamento e movimentação dos componentes e a posição dos estoques.
As atividades envolvidas no planejamento logístico do empreendimento foram divididas em
macro layout3 e micro layout4. A Figura 11 representa o fluxo de atividades para o planejamento
logístico do empreendimento referentes ao macro layout, que envolvem o desenvolvimento do
modelo 4D e a definição da estratégia de ataque para posteriormente dimensionar espaços para
a realização das atividades, definir o posicionamento dos estoques e instalações, definir a forma
de abastecimento, escolher equipamento, definir acessos e vias de veículos e pedestres ao
canteiro.
Uma vez que o escopo do presente trabalho é entender como as informações dos modelos BIM
4D podem ser uteis para a gestão logística de obras de sistemas pré-fabricados em concreto
ETO, algumas das aplicações exploradas em trabalhos existentes foram levadas em
consideração no desenvolvimento da presente pesquisa: o estudo dos fluxos de trabalho (LI;
STEPHENS; RYBA, 2014); a simulação das atividades planejadas e do layout do canteiro de
obras (YU; LI; LUO, 2016); a gestão dos espaços de trabalho (KASSEM; DAWOOD;
CHAVADA, 2015); além do estudo de Bortolini (2015), que orientou algumas decisões acerca
do planejamento logístico do canteiro de obras.
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Macro layout corresponde a etapa de definição do arranjo físico geral e, envolve o estabelecimento do local em
que cada área do canteiro (instalação ou grupo de instalações) irá situar -se, devendo ser estudado o posicionamento
relativo entre as diversas áreas (SAURIN, 1997).
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