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Além de fazer parte da APA do Corumbataí, Botucatu e Tejupá (Figura 6), a bacia do Lobo possui uma unidade de conservação de proteção integral, a Estação Ecológica de Itirapina, criada em 1987 e administrada atualmente pelo Instituto Florestal da Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo (NORA et al., 2009). Essa categoria de unidade de conservação tem como objetivos principais a preservação da diversidade biológica e dos ecossistemas e o incentivo a pesquisas. De acordo com o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), essa categoria não é destinada ao uso dos recursos naturais ou recreação.

Figura 6 – Zoneamento da APA Corumbataí e localização da represa do Lobo, com destaque para a bacia hidrográfica do Lobo (em vermelho) (modificado de TUNDISI; MATSUMURA-TUNDISI; RODRIGUES, 2003)

A Estação Ecológica de Itirapina está localizada entre os municípios de Itirapina e Brotas, possuindo uma área de cerca de 2300 ha (Figura 7). A área engloba a maioria da vegetação de cerrado remanescente na bacia, que é constituída por campos sujos, campos cerrados e campos limpos. Além disso, há também a presença de vegetação de mata galeria e de brejo no interior do seu perímetro (MOTTA-JUNIOR; GRANZINOLLI; DEVELEY, 2008).

Na bacia do Lobo também está localizada a Estação Experimental de Itirapina, criada com a finalidade de promover o manejo florestal com fins econômicos e produzir pesquisas voltadas para as florestas de produção, sendo hoje destinada, principalmente, ao desenvolvimento da silvicultura e à visitação pública (SILVA, 2005). A Estação Experimental de Itirapina está localizada no município de Itirapina e possui área de 3.212,81 ha, sendo contígua à Estação Ecológica de Itirapina (Figura 7).

Figura 7 – Estação Ecológica de Itirapina e Estação Experimental de Itirapina (modificado de SILVA, 2005) Apesar das iniciativas voltadas à conservação, como a criação de áreas protegidas, os ecossistemas da bacia do Lobo vêm sendo submetidos a uma vasta gama de impactos resultantes das atividades antrópicas desenvolvidas na bacia, que contribuem para a contaminação dos recursos hídricos e retirada da cobertura vegetal.

A Figura 8 mostra as classes de uso e ocupação do solo predominantes na bacia do Lobo. Pode-se notar que a silvicultura e o cultivo da cana-de-açúcar são as classes dominantes da paisagem da bacia. As áreas com remanescentes de vegetação nativa, representadas por cerrado, floresta mesófila (ou floresta estacional semidecidual), vegetação de encosta e vegetação ripária, encontram-se fragmentadas e isoladas, estando concentradas principalmente na Estação Ecológica de Itirapina. Pode-se observar também o avanço da cana-de-açúcar e da silvicultura sobre as áreas de pastagens, que em 1990 eram expressivas na paisagem da bacia do Lobo.

A presença de áreas urbanizadas, representadas pelos condomínios no entorno da represa e pelo município de Itirapina, a presença de uma área de mineração localizada nas margens do rio Itaqueri, bem como os cultivos de cana-de-açúcar e o plantio de Eucalyptus e Pinus podem ser apontados, portanto, como fontes de pressão sobre os recursos hídricos da bacia do Lobo, podendo causar impactos sobre esses ecossistemas aquáticos.

Figura 8 – Mapa de uso e ocupação da bacia do Lobo (modificado de NORA et al., 2009)

O rápido crescimento do turismo e recreação no entorno da represa, atividade preponderante e geradora de bens e serviços na região, tem provocado grande pressão sobre os recursos naturais, uma vez que já pode ser notada a deterioração da qualidade da água e perda de biodiversidade na represa, que são ocasionadas pela contaminação pelos esgotos e lixo gerados nos condomínios e pelos resíduos de barcos e lanchas. Esse quadro se agrava no verão, principalmente entre os meses de outubro e fevereiro, quando a atividade turística é mais intensa (TUNDISI; MATSUMURA-TUNDISI; RODRIGUES, 2003).

A ocupação das margens da represa por loteamentos ligados ao turismo e recreação ocorreu de forma desordenada e com pouca interferência do poder público (QUEIROZ, 2000). Hoje essas áreas se encontram em franca expansão, com algumas já atingindo a sua capacidade máxima de ocupação.

As atividades de reflorestamento de Pinus e Eucalyptus estão ocupando regiões cada vez maiores e até mesmo invadindo áreas de mata ciliar e de brejo, comprometendo a integridade desses ecossistemas. Como consequência do aumento dessas áreas, tem se observado uma redução da cobertura original da bacia, como o cerrado e campo sujo, ameaçando a diversidade de espécies encontradas nesses biomas.

As atividades agrícolas predominantes na região são o cultivo de cana-de-açúcar, café e laranja. Seguindo a tendência atual do estado de São Paulo, as áreas agrícolas destinadas à produção de cana vêm crescendo consideravelmente. O cultivo da laranja também vem aumentando, tendo em comum com a cana a característica de ocupar vastas áreas de matas e

florestas naturais. Além disso, a cultura de laranja requer grandes quantidades de agrotóxicos, que são fonte de poluição difusa para os corpos hídricos da bacia do Lobo (ARGENTON, 2004). A erosão do solo, que é predominantemente arenoso e, portanto, mais suscetível ao desprendimento de partículas, e o escoamento do excesso de nutrientes provenientes do uso de fertilizantes e adubos são os principais meios pelos quais os poluentes oriundos dessas atividades atingem o ambiente aquático, ocasionando assoreamento dos corpos d’água e eutrofização. Além da agricultura, a criação de animais, como porcos, cavalos e animais domésticos, também é fonte de poluição difusa, devido aos excrementos animais que contêm grande quantidade de nutrientes (TUNDISI; MATSUMURA-TUNDISI; RODRIGUES, 2003).

O lançamento do esgoto da cidade de Itirapina no córrego Água Branca, tributário do rio Itaqueri, representa outro grande problema ambiental, já que o despejo de efluentes sem tratamento nos cursos d’água pode provocar o surgimento de doenças de veiculação hídrica e aumentar os custos de tratamento da água, além de prejudicar as comunidades aquáticas. Em maio de 2012, mais de um ano depois da última coleta de amostras na bacia do Lobo, foi inaugurada a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Itirapina, localizada na rodovia Ayrton Senna da Silva, nas proximidades do ponto de coleta monitorado no presente trabalho. Com o início da operação da unidade, a cidade deixará de lançar seus esgotos sem tratamento no córrego Água Branca (SÃO PAULO, 2012), contribuindo para a melhora da qualidade desse curso d’água.

Diante do quadro de impactos presentes na bacia do Lobo, medidas voltadas ao planejamento e gestão do ambiente devem ser consideradas, de modo a conciliar o desenvolvimento econômico da região, que depende das atividades desenvolvidas na bacia, e o uso dos recursos naturais, que são escassos e estão cada vez mais ameaçados pela contaminação dos ecossistemas naturais.