1. ABORDAGENS TEÓRICAS
1.2 Corpos hídricos
1.2.2 Usos e qualidade da água
De acordo com Von Sperling (2005, p. 19) dentre os usos da água estão: com a retirada de águas das bacias hidrográficas,
i. Abastecimento doméstico e industrial; ii. Irrigação;
iii. Dessendentação de animais (os animais usam água para saciar a sede);
iv. Preservação da flora e da fauna;
Ainda acrescenta com os usos que são desempenhados nos recursos hídricos
v. Preservação da fauna e da flora; vi. Recreação e lazer;
vii. Criação de espécies;
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ix. Navegação;
x. Harmonia paisagística;
xi. Diluição e transporte de despejos.
Um dos objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), lei n°9433 de 08 de janeiro de 1997, é assegurar a disponibilidade de água de acordo com qualidade adequada para o uso. De acordo com esta lei a água é um bem de domínio público, limitado e que deve ser preservado. Desse modo, Tucci (2008, p.97) afirma que o desenvolvimento urbano gerou uma grande competição pelos recursos naturais (água e solo) favorecendo uma perda da biodiversidade e da poluição hídrica. A quantidade e a qualidade de água são primordiais para o desenvolvimento de todas as espécies existentes.
As condições naturais afetam a qualidade da água pelo escoamento superficial e pela infiltração do solo decorrentes das chuvas e pela interferência humana com o uso e ocupação do solo de uma bacia hidrográfica que gera despejos domésticos e industriais (VON SPERLING, 2005, p.15).
A poluição das águas, de acordo com Derisio (2012) ocorre devido a quatro tipos de fontes: poluição natural, poluição industrial, agropastoril e poluição urbana. A natural decorre de chuvas, salinização, escoamento superficial, decomposição de vegetais e animais. A industrial tem origens nos resíduos gerados no processo industrial; a agropastoril pelo uso de fertilizantes, defensivos agrícola, excrementos de animais e erosão; e, por último, a poluição urbana que é proveniente de esgotos domésticos que são lançados (diretamente ou indiretamente) nos corpos hídricos.
Ainda analisando as fontes de poluição hídrica, Tucci (2008, p.103) identifica que o desenvolvimento urbano tem gerado contaminações das águas subterrâneas e superficiais pelos efluentes da população urbana que são os esgotos (domésticos, industrial e pluvial) que ocorre em razão de:
i. Despejos sem tratamento de esgotos nos rios; ii. Esgoto pluvial que transporta materiais para o rio;
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iii. As fossas sépticas, os vazamentos de esgotos sanitários e pluvial contaminam o lençol freático;
iv. Os resíduos sólidos e urbanos que contaminam as águas;
v. A forma de ocupação do solo urbano de forma desordenada gerando impacto para o sistema hídrico.
Concordando com o autor supracitado, Santos et. al. (2018, p.98) afirmam que os esgotos domésticos e efluentes industriais são os principais veículos de contaminação das águas em áreas urbanas. Ainda acrescenta, que a urbanização, atividades agrícolas, a mineração, os poluentes presentes na atmosfera que são carregados pela chuva são potenciais gerados de riscos para a qualidade e quantidade de água existente no planeta.
Analisando a contaminação das águas subterrâneas, Zoby (2008, p.9) acrescenta como fonte de poluição hídrica decorrente da atividade antrópica, a construção de poços artesianos sem critérios técnicos adequados. Este autor justifica a contaminação devido à perfuração do subsolo que cria uma conexão entre águas mais rasas (mais expostas à contaminação) e as mais profundas. E o relatório da Conjuntura dos Recursos hídricos no Brasil (ANA, 2017, p.42) dispõe que em áreas periféricas a perfuração de poços é mais preocupante pelo fato de faltar saneamento básico que coloca os poços de abastecimentos juntos as fossas negra.
A água tem um grande impacto na saúde da população e na qualidade de vida de seus habitantes. Uma água com qualidade inadequada ao uso irá repercutir na proliferação de doenças. Relacionando a qualidade da água com o saneamento básico, Tundisi (2006, p.28) diz que a contaminação, o aumento de substâncias tóxicas nas águas e vetores de doenças são resultantes de formas inadequadas de tratamento de água contaminada causando danos à saúde da população.
O estado de conservação dos ecossistemas e de conservação do entorno do recurso hídrico é de grande importância para a qualidade da água disponível naquela bacia hidrográfica.
Desse modo, a água é imprescindível para a manutenção de todas as espécies de vida, no entanto, o seu mau uso vem acarretando danosos problemas
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para os ecossistemas naturais e para a saúde da própria população que é geradora do maior índice de poluição hídrica.
Entender como está à qualidade da água em um determinado espaço geográfico torna-se necessário, pois indica o nível de exploração, grau de vulnerabilidade, proteção dos recursos hídricos e os múltiplos usos desse recurso mineral, o que permite o aproveitamento para diversos fins.
Parte da água da chuva infiltra no subsolo (água subterrânea) e outra parte escoa se dirigindo para os leitos dos rios e oceanos (águas superficiais). A qualidade das águas no Brasil perpassa pelo conjunto de águas superficiais e subterrâneas. Assim, a qualidade das águas nos rios, córregos e lagoas são fundamentais para que a sua disponibilidade possibilite os diversos usos (Abastecimento, recreação, produção de alimentos e industrial) de forma eficiente e saudável.
Segundo o Relatório da Agência Nacional das Águas (ANA, 2017) ao analisar a qualidade das águas no Brasil, 12% dos pontos analisados possuem uma classificação excelente com base no Indicador de Qualidade de Água de um rio (IQA). Em áreas com urbanização esse total vai para 7%. No total, 63% das áreas analisadas tem um padrão de água boa, regulares 13%, ruins 9%, e péssimas 3%. Este relatório aponta para o aumento do IQA nas cidades. Esses dados demonstram que o uso e ocupação do solo urbano têm comprometido a qualidade das águas urbanas no país. Nos grandes centros urbanos o IQA teve um resultado “ruim” ou “péssimo”.
Vários fatores podem contribuir para a melhoria da qualidade da água, dentre estes o tratamento de esgotos e aperfeiçoamento do controle da poluição industrial e das práticas agrícolas vem melhorando o IQA (ANA, 2017).
Ao discutir a gestão de bacias hidrográficas e conservação no Brasil, Tundisi (2008, p.13) considera que a abordagem hidrosocial deve ser prioridade. A gestão dos recursos hídricos tem o papel de identificar e perceber a interação entre a disponibilidade/demanda, atividade econômica e social na bacia hidrográfica. Acrescenta que, quando o gestor/planejador leva em conta o ciclo hidrosocial ele avança na gestão desse recurso, ao pensar em alternativas adequadas de desenvolvimento econômico daquela região da bacia hidrográfica.
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Na Região Metropolitana de Salvador, a principal barragem utilizada é a de Pedra do Cavalo que se utiliza das águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraguaçu e abastece ainda as cidades de Amélia Rodrigues, Santo Estevão e Feira de Santana. A disponibilidade de rede de esgoto é de 46% o que significa 12% a menos da media do Brasil (58%) comprovando um quantitativo bastante grande de esgotos jogados diretamente nos recursos hídricos. Estima-se que está bacia por possuir uma menor vazão em seus rios, grande quantidade de rios intermitentes e grande carga de poluição sofrerá com conflitos pelo uso da água (ANA, 2015, p.41).
A água que abastece a cidade de Salvador é proveniente das barragens de Pedra do Cavalo (bacia hidrográfica do Rio Paraguaçu), Joanes I, Joanes II, Ipitanga I e Ipitanga II (bacia hidrográfica do Rio Joanes), Santa Helena (bacia hidrográfica do rio Jacuípe), e Cobre (bacia hidrográfica do Rio do Cobre). (Embasa, 2013).
Desse modo, as contribuições para a melhoria da água, tratamento dos esgotos, dessalinização, revitalização dos rios, lagos e represas, promovem uma melhoria significativa da qualidade ambiental.