2.3 Demonstração do Valor Adicionado
2.3.3 Utilidade da DVA
A Demonstração Valor Adicionado tem sido um tema constante de debate na literatura contábil internacional (BENTLEY, 1981; BURCHELL et al,.1985; CHUA, 1977; PENDRILL, 1977). Sua popularidade aumentou na maioria dos países europeus no final de 1970. O que se seguiu no Reino Unido foi um aumento uso de Demonstrações de Valor Adicionado, bem como um aumento no interesse pelo profissional de contabilidade (GRAY E MAUNDERS, 1979; MORLY, 1978; RENSHALL et al, 1979; DEWHURST, 1983).
À medida que o tempo passa, os usuários da contabilidade vêm se sofisticando em suas mais diversas formas e, para acompanhar tal desenvolvimento, a informação contábil vem sofrendo várias mudanças em sua estrutura, no intuito de satisfazer às demandas iminentes do progresso organizacional.
Neste sentido, observa-se que a sociedade moderna, em busca de satisfazer às suas novas necessidades, colocaram em destaque a ineficácia do sistema clássico de informação contábil, cujo principal objetivo, basicamente focado no desempenho econômico e legal, não estava conseguindo captar o ingresso de informações de cunho mais social, que devido às variações ocorridas de forma macroeconômica, hoje se fazem necessárias (CONSENZA, 2003).
A DVA pode ser vista como uma ferramenta importante de avaliação estratégica, bem como de atuação na sociedade, tendo em vista que sua exposição fornece informações expressivas quanto à atividade organizacional e sua atuação social, sendo possível analisar a performance sócio-econômica da entidade.
Neste sentido, Kroetz e Consenza (1993) afirmaram que a Demonstração do Valor Adicionado possui informações que servem como alicerce para a execução de análises contábeis. Neste tipo de análise, pode-se observar a relação existente entre a entidade para com os agentes internos, como os empregados, administradores, proprietários e acionistas, quanto para com os agentes externos, representados pelo governo, sindicatos, financiadores e credores.
O emprego da Demonstração do Valor Adicionado, no conjunto de demonstrativos produzidos pelas entidades, possibilita efetuar comparações onde apenas com base nas demonstrações contábeis clássicas não eram possíveis. Assim sendo, a utilização dos indicadores da DVA tem como principal finalidade possibilitar a comparação entre as
informações da organização, ou grupo de entidades, com padrões pré-estabelecidos (SANTOS, 2003).
Na literatura internacional vários autores têm discutido acerca da utilidade e vantagens que a Demonstração do Valor Adicionado pode proporcionar. Evraert e Belkaoui (1998) elencam algumas das vantagens, a saber:
1. Trabalho Organizado - relatórios de valor adicionado produz um bom clima organizacional para o trabalho pela sua contribuição para os resultados finais da empresa (EGGINTON, 1984; MCLEAD, 1984; MCLEAY, 1984).
2. Medição de produtividade - Relatórios de valor adicionado fornece um caminho mais prático de mostrar o aumento da produtividade (MORLEY, 1978, 1981).
3. Explicativo / Poder Preditivo - Valor adicionado baseado em índices podem ser mais úteis na explicação e/ou prevenção de eventos econômicos que sejam de importância para a empresa (MORLEY,1978; COX, 1978; SINHA, 1983).
4. Mensuração da renda nacional – Demonstrações de Valor Adicionado são mais congruentes com conceitos utilizados para medir a renda nacional e cria uma ligação útil para os dados macroeconômicos e para as técnicas utilizadas pelos economistas (MAUNDERS, 1985).
5. Tamanho – A Demonstração de Valor Adicionado funciona como uma melhor medida do tamanho e importância da empresa de vendas ou capital (MORLEY, 1981).
6. Negociações de trabalho – Conforme Maunders (1985) a Demonstração do Valor Adicionado talvez seja mais útil do que declarações convencionais de grupos de funcionários, uma vez que podem afetar as aspirações, particularmente os de seus representantes de negociação (grifo da autora)
7. As previsões dos investidores - A Demonstração de Valor Adicionado é útil aos investidores de capital como uma ferramenta para a predição de ganhos, lucros esperados e os riscos totais associados com valores mobiliários (MAUNDERS, 1985).
8. Medidas de Desenvolvimento Econômico - A inclusão de um valor adicionado local na declaração dos relatórios anuais do país anfitrião das multinacionais forneceriam informações para analisar as contribuições destas empresas para o
processo de desenvolvimento da economia nacional (RAHMAN, 1990).
9. Medição de desempenho - valor adicionado líquido é um melhor índice de desempenho do que o lucro líquido, especialmente nos casos em que técnicas contábeis arbitrárias e incorrigíveis resultam em reconhecimento de um prejuízo contábil, em vez de um lucro contábil (SINHA, 1983).
10. Melhor Proxy – A análise baseada em valor adicionado pode fornecer um melhor índice de medição da eficiência gerencial (BALL, 1968) e integração vertical (MORLEY, 1978).
Sendo assim, verifica-se que a Demonstração do Valor Adicionado, como demonstração oriunda do sistema de informações contábeis, constitui-se em um importante instrumento de análise e avaliação das atividades e de suas repercussões nos ambientes sociais, tendo em vista que através deste demonstrativo é possível acompanhar a parcela da riqueza gerada e aplicada, isto em termos monetários, percentuais e/ou por indicadores (KROETZ e CONSENZA, 2003).
Desta forma, observa-se que a DVA é uma importante ferramenta que consegue apreender todas as entradas de informações sócio-econômicas, comprovando a sua importância na esfera social. Neste sentido, Bispo, Cia e Dalmacio (2007) afirmam que a Demonstração do Valor Adicionado mostra-se bastante útil como demonstrativo de cunho social, pois:
• Demonstra a riqueza criada pela entidade e sua distribuição;
• Demonstra a geração de riqueza e seus possíveis efeitos sobre a sociedade onde a empresa atua;
• Cria uma possibilidade infinita de análises comparativas temporais e setoriais que podem fornecer subsídios para definição e implantação de políticas de planejamento econômico e social.
Ainda neste raciocínio, a DVA pode proporcionar informações econômico-sociais aos diversos usuários, onde os mesmos terão em mãos material suficiente que os deixem certos que suas tomadas de decisões serão objetivas, em cada um dos momentos e áreas em que delas necessitem. Deste modo, a informação contábil deve estar cada vez mais dirigida para atender diversos e distintos objetivos de informação e prover as informações necessárias e
apropriadas para cada situação real. Assim sendo, caminhar-se-á na direção de um sistema contábil estruturado numa visão multidimensional (CONSENZA, 2003).
Rahman (1990) afirma que há diversos motivos para que sociedades que atuam em diversos países, especialmente nos países ricos, divulguem suas DVAs em países em desenvolvimento. Isto porque, o referido autor acredita que seria uma forma de mostrar a relevância de tais companhias para a formação da riqueza daquele país. Assim, também conseguiriam benefícios como consolidação da marca e diminuição de possíveis problemas com o Estado.
Desta forma, com base na DVA, qualquer grupo de interesse poderá conhecer a riqueza gerada por uma organização, bem como sua posterior distribuição entre todos os agentes econômicos que tiveram participação em sua criação, contrariamente ao que faz a Demonstração do Resultado, que somente informa a riqueza criada sob a ótica do proprietário (EVRAERT e RIAHI-BELKAOUI, 1998).
A Demonstração do Valor Adicionado também tem sido bastante utilizada no âmbito gerencial das organizações. Para Bentley (1981), o valor adicionado permite avaliar o desempenho e fornecer instrumento para a tomada de decisão fundamentada em critérios eficientes de performance. Já de acordo com Consenza (2003), a DVA possibilita desenvolver um efetivo sistema de avaliação dos gestores e unidades, bem como fornece um sistema de controle de desempenho.
Neste sentido, a DVA mensura os empenhos feitos pela organização para a geração de riqueza, evidenciando a quantidade produzida de riqueza e como esta foi alocada. No entanto, apesar da utilidade da DVA, ela não exclui a importância de outros demonstrativos existentes. Corroborando isto, Boscov e Bispo (2010) afirmam que os indicadores retirados da Demonstração do Valor Adicionado são um excelente avaliador da distribuição de riqueza à disposição da contabilidade, no entanto, não têm a pretensão de substituir outros indicadores já existentes ou mesmo rivalizar com eles.
Portanto, no que concerne à utilidade da Demonstração do Valor Adicionado, esta deve sempre fornecer o tipo de informação necessária para cada conjuntura específica, ou seja, deve satisfazer a cada usuário distintamente. Sendo assim, deve estar cada vez mais focada em atender as diversas finalidades de necessidades informacionais.