Nesta seção, será utilizado o Comparador do Setor Público (PSC), construído para o estudo de caso da PPP do Paiva, a fim de verificar se o valor ofertado pelo licitante vencedor do processo licitatório gerou value for money para o projeto.
5.3.1 Histórico resumo do Caso Estudado
5.3.1.1 Viabilidade
O governo do Estado de Pernambuco realizou a 1ª Reunião Ordinária do Comitê Gestor do programa Estadual de Parcerias Público–Privada (CGPE) em 06 de fevereiro de 2006, no palácio do governo. Na referida reunião, estavam presentes os Secretários de Planejamento, da Fazenda, de Infraestrutura, de Administração e Reforma do Estado e o Procurador Geral do Estado. Na ocasião, foi oficializado que as PPPs seriam o instrumento para ampliação dos investimentos necessários para o desenvolvimento do estado, sempre levando em consideração
40,0 50,0 60,0 70,0 - 1 5 % - 1 0 % - 5 % 0 % 5 % 1 0 % 1 5 % P S C ( M M R $)
Variação do caso base
Despesas de capital Despesas operacionais Taxa de desconto Taxa de inflação
os conceitos de responsabilidade fiscal e estabilidade monetária. Ainda nesta reunião, foi definido o Projeto Piloto do programa estadual de parcerias: o Projeto da Ponte e Sistema viário do Projeto do Paiva, e que o prazo para assinatura do contrato seria o segundo semestre de 2006.
Na 2ª Reunião do CGPE, realizada em 22 de março de 2006, informou-se que o primeiro agente empreendedor havia realizado a solicitação de autorização para estudos e projetos da PPP do Paiva e que o mesmo se comprometeu na entrega dos estudos e projetos na data de 19 de abril de 2006. Fica claro que a metodologia utilizada pelo Programa de PPPs de Pernambuco, para a obtenção de estudos e projetos, foi a de lançar uma ideia conceitual de projeto de PPP, para em seguida, aquelas empresas que se mostrassem interessadas em apresentar os estudos de viabilidade e projetos básicos solicitassem autorização através do que se chama de Manifestação de Interesse Privado (MIP). Após a aprovação da MIP pelo CGPE, os estudos e projetos, caso fossem aprovados pelo estado, seriam licitados e os custos dos estudos e projetos poderiam ser ressarcidos pelo licitante vencedor.
Na 3ª Reunião do CGPE, realizada em 26 de abril de 2006, foi informada a autorização para os estudos e projetos da PPP do Paiva, sendo, então, publicada no Diário Oficial do Estado, no dia 06 de maio de 2006, a aprovação do CGPE que concede o prazo de 30 dias para apresentação dos estudos e projetos, além de estabelecer o valor de R$ 1.300.000,00 como sendo custo teto para ressarcimento dos mesmos.
Na 4ª Reunião do CGPE, realizada em 28 de agosto de 2006, uma consultoria contratada pelo estado apresentou, o Estudo de viabilidade e a análise da Modelagem da PPP – Sistema viário/Ponte de acesso - Destino Turístico Praia do Paiva, com a análise dos seguintes elementos: o estudo de tráfego, o Programa de Exploração Rodoviária – PER, o projeto básico e o orçamento desenvolvidos pelas pelo Agente Empreendedor. A conclusão foi da aceitação dos documentos. Foi avaliada, ainda, a viabilidade econômico-financeira do modelo apresentado pelo Agente Empreendedor e comparando-o com outras alternativas de contratação, sob o ponto de vista de assunção de riscos, característica especificas do empreendimento, impacto orçamentário, análise da Taxa Interna de Retorno, estudos de fluxo e precificação dos ativos. Segundo a consultoria contratada:
“Verificou-se que, enquanto os modelos alternativos demandam investimentos imediatos do Governo do Estado, o modelo PPP permite que a participação pública seja distribuída em um maior prazo e com menores riscos. Além disto, o montante a ser aplicado pelo Estado, em termos de Valor Presente Líquido, não apresenta diferenças significativas entre as modalidades estudadas. Por fim, concluiu que a definição pela modalidade PPP Patrocinada, com a vinculação a um empreendimento turístico-imobiliário e a respectiva geração de emprego e renda, tornam o Projeto viável e consistente.”
Portanto, a contratação em modalidade de Parceria Público-Privada como a solução para o empreendimento foi adotada imediatamente pelo governo do estado, sendo autorizada a consulta pública do projeto, onde seriam disponibilizados o edital e minuta do contrato.
5.3.1.2 A consulta Pública
A documentação, edital e minuta do contrato, ficou disponibilizada no site do CGPE do período de 03 de outubro a 03 de novembro de 2006, no intuito de receber críticas ou comentários sobre seu conteúdo. Ressalta-se que nenhum documento sobre eventuais sugestões da sociedade foi disponibilizado pelo governo, por isso não se apresenta detalhes dessa fase do processo.
5.3.1.3 A licitação
Na 5ª Reunião do CGPE, realizada em 08 de novembro de 2006, foi deliberado a respeito da inclusão oficial do Projeto da Ponte de Acesso e Sistema Viário do Destino de Turismo e Lazer do Paiva no Programa Estadual de Parcerias Público-Privada. Após verificação por consultor contratado do atendimento a todos os requisitos legais, foi concedida a autorização de abertura de processo licitatório da Concessão Patrocinada para exploração da Ponte de Acesso e Sistema Viário do Destino de Turismo e Lazer do Paiva. Ficou definida a data de 13 de novembro de 2006 como sendo a data de abertura do processo licitatório.
Cabe ressaltar que o governo limitou o VPL teto das contraprestações em R$ 45.000.000,00, considerando a data-base como sendo dezembro de 2005.
O resultado do processo licitatório foi publicado em DOE em 19/12/2006. Nele, foi informado que dois únicos proponentes foram classificados, e que o proponente vencedor havia ofertado
a menor contraprestação com o valor de R$ 44.128.280,00, que seria pago pelo governo através das contraprestações mensais.
Destaca-se que o governo não obrigou os licitantes a diluir as contraprestações até o final da operação, apenas limitou o valor máximo das contraprestações mensais em R$ 1.765.600,00 e limitou o valor das contraprestações anuais ao limite de R$ 12.472.800,00. Observa-se que o licitante vencedor trouxe o fluxo de caixa das contraprestações para serem pagos nos 10 primeiros anos de operação, sendo as receitas após este período apenas as oriundas das tarifas pedágio.
Portanto, visto que o pagamento do contratado é realizado pela soma das tarifas de pedágio mais as contraprestações, sendo estas multiplicadas pela nota do QID, a partir do 11ª ano de operação os indicadores de desempenho, mesmo que sendo avaliados pelo Verificador Independente, não poderão deduzir parcela da contraprestação, e deverão ser utilizados no controle dos reajustes das tarifas de pedágio reguladas pela Agência Estadual de Regulação de Pernambuco (ARPE).
Gráfico 20 - Contraprestações por ano e acumulado a VPL – Licitante Vencedor
Fonte: Governo de Pernambuco
R$ 0 R$ 5.000.000 R$ 10.000.000 R$ 15.000.000 R$ 20.000.000 R$ 25.000.000 R$ 30.000.000 R$ 35.000.000 R$ 40.000.000 R$ 45.000.000 R$ 50.000.000 R$ 0 R$ 2.000.000 R$ 4.000.000 R$ 6.000.000 R$ 8.000.000 R$ 10.000.000 R$ 12.000.000 R$ 14.000.000 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
Aqui, cabe ressaltar que os estudos de viabilidade e os relatórios de aprovação dos consultores detalhados não foram disponibilizados pelo governo do estado. Por esta razão, para uma análise detalhada, foi utilizado o método do PSC para verificação do value for money do projeto.
Após a construção do PSC, seguindo as recomendações do Partnerships Victoria, verifica-se que o valor teto estipulado pelo governo do estado (R$ 45 milhões) encontra-se condizente com o PSC calculado, conforme ilustrado no gráfico 21. No gráfico, apresenta-se a comparação entre o PSC construído e a proposta do licitante vencedor, adicionada ao risco retido. Observa-se, a partir daí que o value for money do projeto pode ser medido, resultando em um VPL de R$ 10,1 milhões. Ou seja, a opção pela modalidade de PPP trouxe uma eficiência de contratação de 10,1 milhões de reais para o governo, comparativamente ao fornecimento público idealizado.
Gráfico 21 – Comparativo do PSC com a proposta do Licitante Vencedor
Fonte: Elaboração própria e Governo de Pernambuco
5.3.1.4 O contrato
O contrato de Concessão Patrocinada para exploração da Ponte de Acesso e Sistema Viário do Destino de Turismo e Lazer da Praia do Paiva foi assinado em 28/12/2006, com o prazo de vigência de 33 anos, a partir da assinatura, para construção e operação da infraestrutura, sendo o prazo de execução das obras, de no máximo 3 anos da assinatura do contrato. O valor estimado do contrato foi de R$ 143,2 milhões, resultante da somatória do VPL das receitas com pedágio e do VPL das contraprestações. 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 PSC LICITANTE VENCEDOR Contrapretações Risco Transferível Neutralidade Competitiva Raw PSC Risco Retido VFM = 10,1 milhões
Tabela 8 - Valor das parcelas do contrato
Parcelas do contrato VPL (milhões de R$)
Receitas com Pedágio 99,1
Contraprestações 44,1
Total 143,2
5.4 UTILIZANDO OS RESULTADO DO PSC PARA ANALISAR O ANDAMENTO DO