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Utilizar sistemas de sombreamento móveis:

Estratégias de iluminação

Capítulo 7 – Estratégias de iluminação

7. Utilizar sistemas de sombreamento móveis:

A alteração de luz natural é particularmente relevante nas orientações Este e Oeste, uma vez que recebem luz difusa durante metade do dia e luz solar direta durante a outra metade. Sistemas de sombreamento móveis, persianas e cortinas podem ser a resposta mais adequada para condições tão distintas. Contudo, para se diminuir o aumento térmico, poder-se-á recorrer a elementos de proteção interior bastante refletores. Apesar da proteção interior ser mais simples, a exterior é mais eficaz. As persianas exteriores podem resistir ao vento, neve e gelo e são geralmente em alumínio, para refletir o sol.

Todavia, é necessário conduzir a iluminação natural que entra pelas janelas, fazendo com que o interior do edifício consiga preservar a sua qualidade, podendo ser, também, obtido através do reflexo no teto. Já em edifícios de um só piso, devem dominar os tons claros em varadas, passeios e pátios, de forma a ser refletida uma quantidade significativa de luz no teto. Em edifícios de vários pisos, é necessário que alguns elementos construtivos consigam ser utilizados para refletir a luz no interior. Uma estratégia que pode ser empregue é o uso de elementos de controlo, como palas, persianas, vidros prismáticos, aplicados sozinhos ou em

Fig. 37 A aplicação palas horizontais aumenta o nível de iluminação reduz o ofuscamento

Fig. 38 Os sistemas de sombreamento verticais bloqueiam a luz solar direta e reflete a luz difusa do céu

conjunto, reduzindo-se, desta forma, a iluminação excessiva proveniente da abóbada celeste e do sol.

Em 1950, surgiram as palas de luz, realizadas por Hopkinson, que tinham como objetivo o controlo e distribuição da luz difusa e reduzir o ofuscamento. O recente interesse neste tipo de componentes é devido à sua habilidade nestas duas funções e também no direcionamento de luz direta no ambiente, quando desejado.90

As palas de luz, são geralmente posicionadas horizontalmente acima do nível do nível do observador, num componente de passagem vertical, como por exemplo, numa janela e dividindo uma parte superior e uma inferior. Podem ser internas, externas ou mistas, retas ou curvas, podem ainda ser usadas debaixo de elementos zenitais, melhorando a distribuição de luz e/ou protegendo da radiação direta.

Para refletir a luz do teto, uma das estratégias mais eficazes é a utilização de persianas interiores, ou de um sistema similar de lâminas exteriores, sendo estas mais eficaz do que as interiores, uma vez que evitam o aumento térmico e adicionam textura à fachada. No entanto, este tipo de sistema é mais dinâmico, mais conveniente e de mais fácil utilização do que os convencionais estáticos, uma vez que respondem melhor as variações das condições de luz natural e solar.

90 BAKER, N., FANCHIOTTI, A., STEEMERS, K. Op.cit., 1993

Fig. 39; 40 Em fachadas viradas a Sul, os sistemas de sombreamento através de lâminas protegem mais e permitem a luz difusa

Fig. 41 Sistemas de lâminas são bastantes eficazes para direcionar a luz no teto

Fig. 42 As palas podem ser ótimas refletoras

7.1.2 Iluminação zenital

A iluminação zenital tem como principal vantagem possibilitar uma maior uniformidade de distribuição da luz natural com qualidade e em quantidade. Apesar das suas enormes vantagens, apresenta também inúmeros inconvenientes, uma vez que não funciona em edifícios de várias plantas, não satisfazendo as necessidades de vistas e de orientação, tornando-se apenas num tipo de luz complementar e não de substituição da iluminação lateral.

A luz zenital pode produzir ofuscamento e reflexos inconvenientes. Os reflexos podem ser evitados mantendo as fontes de luz fora de zonas críticas. Mas isto apenas é possível quando a localização de tarefas visuais são estabelecidas à priori, sendo a melhor solução difundir cuidadosamente a luz, de modo a que não hajam fontes de luz brilhantes que causam reflexos, refletindo a luz do teto ou utilizando telas para proteger e espalhar as fontes de luz. Deve-se ainda ter em conta que este tipo de iluminação possui uma enorme capacidade de captação de radiação luminosa, quer do sol, quer da abobada celeste. Assim, a iluminação zenital, é adequada e apresenta um enorme funcionalismo ao ser aplicada em espaços com grande profundidade, como em edifícios de escritórios, bancos, museus, bibliotecas e centros comerciais.

Neste tipo de iluminação, é também necessário que a luz seja controlada, tendo em conta fatores como: clima local, as condições do céu, o índice de nebulosidade, a luminância91, a

iluminância92, a tipologia e o formato da abertura zenital. Assim, a área útil da abertura

zenital, segundo Vianna e Gonçalves93, não deve ultrapassar os 10% da área do piso. Porém,

trata-se de apenas uma recomendação genérica, que deve ser observada individualmente para cada tipologia de abertura zenital, bem como, tendo em conta os materiais empregues nas superfícies.

Mas as tipologias mais convencionais, avaliando as diferentes tipologias de abertura zenitais, podem ser consideradas aspetos referentes ao nível de iluminância, uniformidade de iluminação fornecida, vantagens e desvantagens.

91 A Luminância é a quantidade de luz irradiada ou refletida por um objeto.

92 A Iluminância é a grandeza utilizada para avaliar a quantidade de luz existente num dado local. 93 VIANNA, Nelson Solano, GONÇALVES, Joana Carla. Op.cit. 2001

7.1.2.1 Claraboias

Este tipo de claraboias, abrem-se diretamente para o céu sem obstrução, transmitindo um nível de luminância muito alto. Mas, tendo em conta que os raios solares diretos são indesejáveis nas tarefas visuais, a luz natural que penetra através destes, deve ser difundida de alguma maneira. Contrariamente às janelas, nas claraboias a abertura pode ser de material transparente ou translúcido, uma vez que não existe o problema das serventias, evitando-se assim, o ofuscamento direto e podendo, deste modo, serem projetadas tanto para céu claro, como para nublado.

A proteção solar é sempre uma questão de iluminação natural, excetuando as fachas a norte no hemisfério norte. Apesar disso, a proteção solar e a proteção contra ofuscamento possuem diferentes funções, necessitando, deste modo, de uma abordagem de desenho individual. As claraboias horizontais oferecem ainda duas vantagens importantes. A primeira, visto proporcionarem uma iluminação bastante uniforme em grandes áreas do interior, enquanto a iluminação natural obtida através de janelas se limita a poucos metros de profundidade. A segunda, advém do facto de as aberturas, num plano horizontal, recebem muito mais luz do que os verticais.

Contudo, as claraboias apresentam inconvenientes pois, a intensidade de luz é maior no verão do que no inverno, o que é justamente o contrário do que se pretende, tornando-se difícil proteger da luz solar nas aberturas no plano horizontal. Deste modo, em coberturas planas, pode resultar melhor fazer uma abertura no plano vertical, como claraboias verticais e lanternins.

Segundo Lechner, para eliminar esses inconvenientes deve-se ter em conta algumas considerações básicas na aplicação de claraboias, tais como:

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