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Uvencio Blanco Hernández (com adaptações)

As primeiras investigações cognitivas foram orientadas para os processos envolvidos na resolução de Problemas de Xadrez, porque os cognitivistas estão interessados em investigar questões teóricas relacionadas ao processamento da informação humana, especialização e pensamento, por meio do Xadrez. Portanto, em suas conclusões, eles sugerem de jogar Xadrez envolve a manifestação de uma série de interessantes problemas com aplicações práticas em vários domínios, como no Campo de Treinamento de Xadrez.

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Os GM Miguel Najdorf, Tigran Petrosian, Alexander Koblenz, Isaac Romanov, Iossif (ou Josef/Iosef/Iosif) Dorfman e Víctor Kart (da esquerda para direita); em uma Sessão de Análises no âmbito do Torneio Interzonal de Moscou, em 1982. | Foto histórica de Uvencio Blanco.

Dedicado ao MI Ramón Huerta Soris

• Sugiro que, ao falarmos agora sobre o Treinamento de Xadrez, nos refiramos à aplicação de uma Série de Resultados, Conclusões, estratégias e Metodologias derivadas de Pesquisas Cognitivas;

• O treinamento baseado na prática deliberada ajuda a melhorar a habilidade no Xadrez e, conseguintemente, no Desempenho Esportivo, pois essa melhorias estão estritamente ligadas à capacidade cognitiva do Indivíduo.

• A experiência é adquirida por meio da prática deliberada e, particularmente no Xadrez, essa prática tem um efeito imediato no desempenho.

Além disso, como resultado de suas pesquisas, estimam que a busca de soluções para múltiplos problemas, apresentados no Tabuleiro, implica a manifestação de uma atividade cognitiva complexa.

De fato, na prática do Xadrez, há uma grande demanda nos Recursos Cognitivos do Jogador; particularmente, em alguns Processos Mentais que envolvam Formas de Pensamento como Crítica, Lógica Abstrata, Atenção, Imaginação, Memória de Trabalho de longo prazo, etc.

Nesse sentido, sugiro que, quando falarmos agora de Treinamento de Xadrez, nos refiramos à aplicação de uma série de Resultados, Conclusões, Estratégias e Metodologias derivadas de Pesquisas Cognitivas. Isto implica estimular e aumentar, nos jovens Atletas, as Competências Cognitivas envolvidas na Resolução de Problemas apresentados durante o desenvolvimento das diferentes Fases do Jogo, de forma a atingirem um maior conhecimento na Disciplina.

Por outro lado, no Treinamento alcançamos uma série de situações que estão diretamente relacionadas a tais Habilidades Cognitivas ativadas durante uma Partida de Torneio.

Adicionalmente, fatores como a Capacidade de Busca Profunda, a aplicação de Princípios Posicionais e de Planejamento Estratégico, são determinantes críticos do nível de habilidade em Jovens Xadrezistas.

Um dos problemas está relacionado à memória; em particular, ao esquecimento de Elementos ou sequências importantes da Teoria das Aberturas; outro, no que se refere à percepção, à limitação apresentada ao detectarem-se motivos Táticos-Combinatórios, nossos ou do Adversário.

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Da mesma forma, Problemas de Memorização de Variantes especialmente concebidas em um Plano ou à Fase de Abertura. Da mesma forma, uma situação muito comum é a desorientação no Meiojogo, devido ao não reconhecimento adequado das Configurações ou dos Padrões presentes no Tabuleiro.

Alguns Autores também apontam que a confusão tende a ser recorrente na identificação de Temas Táticos, Tático-Combinatórios e estratégicos associados a seu Repertório de Aberturas. Em muitas ocasiões, porque eles tendem aa trabalham em Problemas Táticos relacionados aleatoriamente, mas são incapazes de reconhecer as Ideias Táticas que possam estar presentes em suas próprias Partidas.

Entre a “Amaurosis Schachistica” ou a “Síndrome de Kotov”

Certos acontecimentos foram apontados há um Século por Siegbert Tarrasch [Breslávia (Reino da Prússia, atualmente Polônia), 05/03/1862 – Munique (Alemanha), 17/02/1934], em seu Livro “O Jogo Moderno de Xadrez”, sob o Título

“Amaurosis Scacchistica”. Ele referiu-se a uma súbita “cegueira no Xadrez” que ocorria quando o Xadrezista perdia temporariamente a visão geral do Jogo, fato que o levava a cometer erros durante o desenvolvimento de um Lance, de uma Combinação ou de uma Manobra qualquer.

Perto dessa situação está a chamada “Síndrome de Kotov”, que foi descrita há 50 anos pelo GM e Treinador soviético Alexander Alexandrovich Kotov [Tula (Império Russo), 12/08/1913 – Moscou (URSS), 08/01/1981]. Ela manifesta-se quando o Xadrezista, diante de uma situação de incerteza, tende a pensar por muito tempo; contudo, dado o nível de Confusão ou de Dúvida em que se encontra, não consegue descobrir uma continuação adequada ou uma solução para o problema ou problemas surgidos no Tabuleiro. Segundo este Autor, “quando o Jogador percebe que lhe resta pouco tempo, executa um Lance muito rápido – impulsivamente – muitas vezes um “Lance mau” e que não analisara bem, o que faz com que perca a Partida”.

A Prática Deliberada melhora a Habilidade

São conhecimentos que devem ser conhecidos por todos os/as Treinadores/as, a fim de reforçar essas Áreas em que seus Estagiários apresentam fragilidades como as expostas; por exemplo, na Sistematização da Prática Deliberada*.

Obviamente, o treinamento baseado na Prática Deliberada ajuda a melhorar a habilidade no Xadrez e, consequentemente, no Desempenho esportivo, pois essas melhorias estão estritamente ligadas à Capacidade Cognitiva de Indivíduo.

Na verdade, os resultados compilados de um conjunto com mais de 750 estudos das Ciências Cognitivas sugerem que a habilidade no Xadrez correlaciona-se significamente com todas as medidas de Habilidade Cognitiva. Tomados em conjunto, os resultados de estudos com várias variáveis, como Atenção, Memória, etc., sugerem que o desempenho superior ou excelente no Xadrez está associado às Habilidades Mentais gerais.

Eles também descobriram que Jogadores de Xadrez com habilidade cognitiva superior têm chance melhor de alcançar o domínio no Xadrez.

Em relação à variável de Raciocínio Geral, ela aparece envolvida em vários processos relacionados ao Xadrez, como reconhecimento de Padrões, de Analise de Posições ou de busca de Lances candidatos.

E embora as Variáveis de Inteligência e de Experiência também sejam relacionadas, a pesquisa indica que um alto nível de inteligência não parece ser suficiente para atingir um alto Nível de Jogo.

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Da mesma forma, nos estágios iniciais do desenvolvimento da experiência, o Qi e a motivação influenciam o desempenho no Xadrez. No entanto, também nos informaram que a experiência é adquirida por meio da prática deliberada e, particularmente no Xadrez, essa prática tem um efeito imediato no desempenho.

Estudos confirmam que o conhecimento do conteúdo, típico no Xadrez, é um importante determinante da habilidade neste Esporte. Porém, a experiência adquirida por Jovens xadrezistas participando de Torneios é o mais forte preditor da força de Jogo, representando 25% da Variação Total na habilidade.

Finalmente, podemos concluir que – em geral – as Habilidades Intelectual e Cognitivas, envolvidas no desenvolvimento da habilidade, são transferíveis; portanto, as evidências da Pesquisa Cognitiva devem ser interpretadas e incorporadas aos diferentes Programas de Treinamento de Xadrez, a fim de otimizar a perícia e as probabilidades de sucesso esportivo de Jovens aspirantes a Mestres nesta Disciplina.

Fonte: “Ajedrez, ciencia cognitiva y educación” (Blanco, U. 2020) Transcrito de: ChessBase.com

(*) Nota da Redação: “Prática Deliberada” é o termo que define a relação direta entre a prática intensa e o nível de desempenho de determinadas atividades ou quantidades de anos em que se praticou esta mesma atividade, visando a rendimento superior.