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3.4 Variações da Arquitetura Básica

4.1.2 Vários LSPs que Conectam os LSRs entre si

Proposto por Chiussi et al, no artigo intitulado A network architecture for MPLS-based micro-

mobility [25], a ideia consiste em criar uma rede sobreposta à rede MPLS, na qual os nós

são LSRs operando com as mesmas atribuições de um LER, ou seja, com a capacidade de classificação de pacotes e são chamados pelos autores de LEMA. Esses nós são interligados entre si através de LSPs permanentes, criados por algum procedimento de engenharia de tráfego.

A Figura 4.2 ilustra um cenário típico para esta rede. Somente a rede sobreposta é mos- trada e os LSPs que interconectam esses LEMAs. Esta figura mostra também a tabela FEC para cada LEMA, considerando que existem quatro MNs sendo rastreados por ela. Por fim, ela assume, também, que os MNs executam o MIPv4 como protocolo de macromobilidade.

A dinâmica deste esquema é a seguinte: quando um MN ingressa na rede pela primeira vez, ele inicia o processo de registro do CoA, cujo valor é o endereço IP do LEMA de ingresso, perante o seu HA. Com isso, o LEMA de egresso cria uma entrada, em sua tabela de rotas, para o endereço IP do MN de sua rede de origem. Sequencialmente a este processo, o LEMA de ingresso, se não existir uma entrada para o MN em sua tabela FEC, cria uma entrada com o endereço IP de sua rede de origem e com os descritores de saída do LSP downstream. O LEMA de ingresso encaminha também, este registro ao HA do MN com o seu endereço IP como sendo o CoA do MN.

Esse processo de criação de uma entrada na tabela FEC é repetido para todos os LEMAs que estão no caminho downstream até o MN. Uma entrada na tabela FEC é composta pelo endereço IP da rede de origem do MN e os parâmetros de saída são os descritores do LSP

downstream.

Assim, quando um pacote é destinado ao MN e chega em sua rede de origem, o agente HA o intercepta, consulta o seu banco de dados de localização do MN e verifica que ele é alcançável. Consequentemente, ele tunela esse pacote ao LEMA de ingresso. Quando o LEMA recebe o pacote, verifica se o endereço de destino tem uma equivalência em sua tabela FEC e, ao encontrar uma entrada pertinente ao MN, tunela-o com as diretrizes pertinentes ao LSP de saída.

Rede Sobreposta sobre o MPLS HoA − x.y.z.w1 HoA − x.y.z.w2 HoA − x.y.z.w3 HoA − x.y.z.w4 FEC x.y.z.w1 x.y.z.w2 x.y.z.w3 x.y.z.w4 Túnel m m m n Tabela LIB m n o p q r FEC x.y.z.w1 x.y.z.w2 x.y.z.w3 Túnel o o p FEC x.y.z.w1 x.y.z.w2 Túnel −− −− FEC x.y.z.w4 Túnel −− FEC x.y.z.w3 Túnel −− FEC x.y.z.w4 Túnel r LEMA de ingresso

Figura 4.2: Rastreamento do MN utilizando-se de vários LSPs, interconectados entre si através da camada de rede.

obtém o pacote. Ele refaz essa classificação, procurando por uma entrada, na tabela FEC, pertencente ao MN. Ao encontrá-la, retunela este pacote, com as informações referentes ao novo LSP de saída. Este processo se repete até que um destes LEMAs seja o egresso para este MN. Nesse caso, esse LEMA entrega o pacote para a camada de rede, para que esta faça a entrega final do pacote ao MN. Usualmente, isso implica em verificar se existe uma entrada para o MN em sua tabela de rotas e que ele é alcançável dentro do escopo da camada de enlace.

Em uma migração do MN, desde que o MN permaneça dentro do domínio MPLS, ela será tratada como sendo de micromobilidade. Assim, quando o MN se associar a um novo LEMA, todo o processo descrito anteriormente se repetirá, exceto que o registro do CoA do MN junto ao seu HA permanece inalterada, prevenindo o HA de ter conhecimento desta migração.

Esta proposta de rastreamento do MN tem algumas propriedades interessantes. A primeira delas é o uso de túneis permanentes que interligam os LEMAs. Isso elimina o tempo gasto no estabelecimento de um LSP, uma vez que só é necessário realizar a ligação, ou religação, entre a FEC do MN e os atributos de saída pertinentes ao LSP downstream.

A segunda é a hierarquização da rede, pois a função de rastrear o MN é distribuída entre os LEMAs. Isso melhora a eficiência do handover, pois quanto mais LEMAs forem comuns

entre a antiga localização do MN e sua atual, mais LEMAs poderão ser aproveitados na nova interligação, diminuindo a sua latência. Melhora, também, a escalabilidade pois as informa- ções pertinentes ao MN estão distribuídas na rede e estão contidas somente no caminho que liga a entrada na rede até o seu egresso.

A terceira é a rede sobreposta, pois permite a implantação gradual do esquema, permitindo a sua coexistência com os LSRs legados.

Por outro lado, este esquema exige que seja possível criar a uma nova entrada na tabela FEC nos LEMAs que associe os seus descritores de saída com algum descritor de saída de um LSP já estabelecido. Isso demanda uma nova interface de gerência e a atualização dos

firmwares destes LEMAs.

Entretanto, o mais dispendioso é a necessidade de se reclassificar os pacotes no nível de camada rede, no núcleo da rede MPLS. Além de violar a premissa de que a classificação do pacote somente ocorre na entrada da nuvem, viola a premissa de que o MPLS possa transpor- tar qualquer tipo de protocolo de camada 3. Quer dizer que para cada versão do protocolo IP, por exemplo, deva existir uma implementação equivalente que saiba tratar de suas especifi- cidades. O segundo problema associado é o tempo gasto no processo de destunelar o pacote, classificá-lo e retunelar no LSP de saída.

Embora esse esquema seja passível de se utilizar diretamente como uma solução de tu- nelamento de MN em MPLS, para a arquitetura MPA, a violação da filosofia básica de enca- minhamento previsto no protocolo MPLS é quebrada. Portanto, não é uma solução adequada para se utilizar nesta arquitetura. Outras questões que previnem o seu uso são: necessidade de se ter implementações separadas para cada versão do protocolo IP, pois a arquitetura MPA pode operar indistintamente sobre qualquer uma delas e a possibilidade de replicar pacotes, pois não fica claro se este esquema permitiria isso. O fato dela ter sido especificada visando que o MN implemente o protocolo MIPv4, não impede que seja adaptada para a arquitetura MPA.