Produção Audiovisual
4. Tecnologia educativa ao serviço da construção de conhecimento De acordo com a vertente epistemológica cognitivista, definiu-se um quarto paradigma de en-
2.3 Guidelines para a produção de vídeos de ciências para contextos informais
2.3.3 Vídeos adaptados ao YouTube – boas práticas listadas na li teratura
Tal como já se referiu, pretendia-se veicular ou reforçar informação relativa a con- teúdos programáticos de Ciências Naturais sob a forma de vídeos cujo consumo fosse primariamente associado aos períodos destinados ao entretenimento. Desse modo torna-se relevante sintetizar algumas caraterísticas de vídeos populares en- tre os jovens que se podem aplicar aos conteúdos que se pretendia desenvolver. Um youtuber pode ser definido como alguém que publica vídeos regularmente, que se tornou conhecido através dos conteúdos que publica no YouTube© e que man- tém uma comunidade de seguidores (Himma-Kadakas, 2018).
Os conteúdos UGC de maior popularidade são os vlogs, entendidos como conteúdo conversacional em que o apresentador, enquadrado numa divisão ou estúdio de
chroma key (ver Glossário – Chroma key) disserta sobre um determinado tópico;
os vídeos de música publicados por comunidades de fãs; os vídeos de performan- ces ao vivo, como as versões de temas musicais ou demonstrações desportivas; os vídeos dedicados a conteúdos informativos, como as avaliações de produtos ou entrevistas, e; os vídeos de performances com guião como é o caso dos sketches
humorísticos (Burgess & Green, 2009). Em concordância Hank Green, um dos fun- dadores do canal Vlog Brothers28 reconheceu, em entrevista ao The Guardian, exis-
tirem pelo menos três formatos de vídeo popularizados pelo YouTube©, os vídeos de jogos, os tutoriais e os vlogs (Dredge, 2015).
Os canais mais populares seguem uma tendência audiovisual e discursiva unifica- dora, apresentando um ritmo de discurso muito rápido, um estilo de edição igual- mente rápido, muito cortado e estilizado com recurso frequente a jump cuts (ver Glosário - Jump Cut), referências a insider jokes, anúncios à comunidade e cola- borações com outros youtubers (Cunningham & Craig, 2017).
Uma outra classificação de formatos de vídeo populares no YouTube© distingue os vídeos vlog dos vídeos sit down, distinguindo os primeiros como conteúdo conver- sacional, documentando um dia ou uma viagem, sendo a edição usada com o pro- pósito de cortar as partes da filmagem com pouco interesse e os segundos como o vídeo de conversação que é captado num cenário de estúdio ou numa divisão da casa em que o apresentador surge em grande ou médio plano (Orgmets, 2018). Esta classificação sistematiza ainda três outros formatos de vídeo populares: os vídeos de partilha de ecrã ou de colaboração, comuns em vídeos de jogos em que as imagens do jogo e dos jogadores surgem em simultâneo; os sketches, clipes curtos, de edição rápida; e ainda os vídeos musicais, usualmente de edição muito cuidada e profissional (Orgmets, 2018).
A partir da codificação de 75 canais do YouTube© populares à escala global, euro- peia e regional (da Estónia), os investigadores verificaram que todos recorriam ao humor e apresentavam um conjunto de caraterísticas unificadoras do estilo especí- fico dos vídeos do YouTube© (Himma-Kadakas, 2018). Com base numa sistemati- zação dos formatos de vídeo semelhante à de Orgmets (2018)(Orgmets, 2018)(Or- gmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Or- gmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Or- gmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Or- gmets, 2018)(Orgmets, 2018)(Orgmets, 2018), Himma-Kadakas (2018) verificou
que os vídeos que abordavam conteúdos relacionados com jogos, sobre conteúdo humorístico ou sobre estilo de vida eram os géneros de vídeo mais frequentes entre os canais analisados. Verificou, ainda, que os formatos mais comuns eram os de partilha de ecrã com a colaboração de outros youtubers, mais associados aos ví- deos sobre jogos, o formato sketch, em vídeos sobre temas humorísticos ou de estilo de vida, o formato sit-down, correspondente ao formato vlog definido por Burgess & Green (2009), associado a diversos géneros, e os vídeos de música. Finalmente, Himma-Kadakas (2018) verificou que os conteúdos mais frequentes entre os canais analisados eram as músicas originais, os jogos, as performances originais, os sketches humorísticos, as paródias e os highlights (como, por exemplo, os melhores momentos de uma sessão de jogo online).
Uma análise conduzida no sentido de perceber as caraterísticas dos vídeos que se tornam virais, ou seja, que se tornam muito populares através da partilha nas redes sociais (Broxton, Interian, Vaver, & Wattenhofer, 2013), concluiu que a curta dura- ção, inferior a três minutos, os elementos cómicos, a adição de um fator de sur- presa, a presença de ironia e de efeitos musicais eram comuns na amostra de ví- deos analisada (West, 2011).
No sentido de incentivar a produção de conteúdo educativo, a divisão do YouTube© dedicada ao conteúdo educativo, YouTube Learning, lançou um conjunto de orien- tações práticas voltadas para a promoção da popularidade deste tipo de conteúdo (YouTube Learning, 2018). Nesse conjunto de boas práticas são abordadas as di- mensões como a escolha do conteúdo a abordar, de modo a alcançar a máxima popularidade. O conteúdo deve ser do interesse geral ou de um nicho, idealmente não deve ser abordado de modo semelhante por canais concorrentes, e deve ainda existir interesse pelo referido conteúdo, identificado numa comunidade (YouTube Learning, 2018). Vários formatos educativos são apresentados, descrevendo-se as vantagens e desvantagens de vídeos de animação, vídeos de ajuda na realização dos trabalhos de casa, vídeos tutoriais, vídeos do tipo Lecture em que o apresen- tador apresenta os conteúdos de forma semelhante a uma aula do ensino oficial ou de ensaios de vídeo (YouTube Learning, 2018). Aconselha-se ainda a mostrar as credenciais, as fontes de informação e eventuais correções de erros transmitidos
no vídeo na descrição do mesmo ou, em alternativa, dedicar um segmento de um vídeo posterior ou ainda produzir um vídeo dedicado à clarificação dos referidos erros (YouTube Learning, 2018). O YouTube Learning (2018) encoraja os produto- res de conteúdos educativos a analisar as estatísticas da página para adequar a programação do lançamento de novos conteúdos e promover o canal em comuni- dades dedicadas ao tema do canal, a desenhar um banner e um vídeo de apresen- tação que promovam a afinidade dos espetadores com o conteúdo e a manter a coerência da comunicação em todas as redes sociais satélites ao canal. A resposta aos comentários, a interação com outros criadores ou a criação de playlists, ou ainda a adição de botões com hiperligações à pagina web do canal ou a conteúdos relacionados no final de cada vídeo (últimos cinco a vinte segundos) são igualmente recomendadas (YouTube Learning, 2018).