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1. METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS INVESTIGATIVOS APLICADOS AO

1.2. V ANTAGENS E DESVANTAGENS DA METODOLOGIA APLICADA

Indicados a metodologia e os procedimentos de investigação, faço uma análise reflexiva quanto aos meios utilizados, tanto no plano geral, quanto em planos mais detalhados.

Em aspectos gerais, minha opção pela teoria crítica é vantajosa, visto que me permite algumas liberdades textuais, como redigir o trabalho em primeira pessoa, o que faz da pesquisa algo particular ou com certas impressões pessoais; destaca as observações do sujeito sobre o objeto; promove rupturas quanto aos padrões de organização e outras formalidades.

Do mesmo modo, essa metodologia consiste em, a todo o tempo, fazer críticas do que está implementado e provoca mudanças de forma constante, tornando essa dissertação um trabalho vivo, em permanente construção. Os dados podem ser refeitos, alterados, comparados a qualquer tempo e espaço. Assim, em um plano generalista, a metodologia indicada não fica restrita a uma produção acadêmica acabada, estanque e uniforme. Diferentes sujeitos poderão interpretá-la de vários ângulos, em diferentes visões, seja no aspecto econômico, seja no político, pedagógico, social, cultural; enfim, de acordo com suas experiências, seu conhecimento e opiniões.

Os dados por mim levantados e, posteriormente, submetidos aos meus critérios investigativos, também podem ser utilizados sob outros critérios, com novas e outras classificações, separados, contados e reagrupados por diversas maneiras. Eis a vantagem do modelo crítico-empírico que pode ser avaliado e reavaliado sob inúmeros aspectos. Em termos gerais, a vantagem metodológica é o dinamismo que ela proporciona.

Ao aprofundar os critérios investigativos, com a busca pelas fontes em três grandes grupos - através dos currículos dos docentes, das indicações bibliográficas das disciplinas obrigatórias dos PPGDs representativos e dos trabalhos de conclusão dos discentes nos cursos de mestrado e doutorado – foram agregados elementos positivos para a elaboração da dissertação em alguns pontos.

Um deles posso entender quanto à viabilidade da pesquisa documental realizada, pois os currículos dos professores, a bibliografia dos cursos e os trabalhos concluídos pelos estudantes estão todos disponíveis na internet. Da mesma forma que eu obtive o material básico para as análises, este material também se encontra disponível para qualquer pessoa, seja ela da área jurídica ou não. Certamente é uma vantagem desse procedimento investigativo serem os dados acessíveis para todos os interessados. Ademais, os documentos foram extraídos das páginas oficiais das instituições de ensino ou das plataformas

disponibilizadas pelo governo federal, o que sustenta a credibilidade das informações, ainda que, em certos casos, a base de dados possa estar desatualizada ou incompleta. Outra vantagem foi a possibilidade de obter esses dados em consultas virtuais, sem que eles me despendesse de grandes recursos econômicos. Bastou-me realizar a atividade por computador e com acesso à internet.

Da mesma maneira, a coleta de dados pelas buscas por palavras-chave, procedimento que se torna prático e mais rápido com a tecnologia e disponibilidade dos documentos via ferramentas virtuais. Realizar tal tarefa de uma outra forma, como por meio de documentos físicos, demandaria enorme quantidade de tempo. Isso sem mencionar que documentos físicos, se não arquivados corretamente, podem se perder ou deteriorar, o que comprometeria resultados finais.

Uma ou outra vez foi necessário meu deslocamento para alguma das faculdades indicadas. Logo, a proximidade com as instituições referenciadas também me foi vantajoso para a realização da pesquisa de campo, porém de maneira mais complementar.

Quanto às entrevistas, a vantagem que reconheço não seria apenas de acrescentar o tema estudado, trazendo outras informações para além dos dados pesquisados, mas sim, no sentido de cumprir um papel maior, que seria ouvir e trazer ao trabalho o discurso daqueles que estão envolvidos com a matéria, importando, inclusive, contradições. Pessoas que há anos são profissionais da educação superior, estão inseridas na área do Direito e também desenvolvem atividades no campo político do sistema educativo.

No entanto, a pesquisa empírica pela técnica mista (quantitativa e qualitativa), por meio de verificação documental e entrevistas semiestruturadas possui algumas limitações e desvantagens. A técnica mista demanda, sobretudo, considerável tempo. Para levantar os dados desta pesquisa em suas três indicadas dimensões, foi necessário mais de um ano. Foram necessários quase os dois anos inteiros do curso de mestrado só para a coleta de dados, que são a base do trabalho empírico (vide apêndices A, B e C). Portanto, a técnica quantitativa requer demasiado tempo, demonstrando sua desvantagem.

Além disso, o resultado desses dados quantitativos correlacionam à pesquisa qualitativa, incidindo uma correspondência complexa que pretende articular resultados de diferentes naturezas. Um trabalho misto demanda maior complexidade e pode ser uma desvantagem, pois é capaz de deixar lacunas, tornar pouco explicado certos tópicos abordados, desviar o objeto, fazer aferições contraditórias ou até mesmo incidir em resultados incompreensíveis. Apesar dessa possibilidade, para mim, essa desvantagem não chega a desmerecer a dissertação, visto que este trabalho não pretende esgotar o tema, nem apresentar

soluções. A intenção é fomentar o debate sobre a origem das fontes no ensino superior e nos cursos de Pós-Graduações em Direito.

A pesquisa documental também possui seus limites e desvantagens nesta dissertação, uma vez que os dados foram obtidos por critérios de busca por palavras-chave contidas nos documentos. Ou seja, eles exprimem dados que não alcançam o conteúdo dos documentos.

Como havia afirmado, eu não teria tempo suficiente para ler e inferir juízo de valor para cada trabalho constante no currículo Lattes de todos os professores, averiguar o teor de cada fonte bibliográfica indicada pelos PPGDs, muito menos avaliar a substância de todos os trabalhos de conclusão de curso dos discentes de mestrado e doutorado. Então há limites na pesquisa documental, principalmente, quanto ao conteúdo das fontes indicadas.

Aquilo que seria uma desvantagem para a pesquisa documental é vantajoso na entrevista semiestruturada. Nesta última, eu pude tratar o tema em seu conteúdo, por meio dos discursos dos sujeitos e não apenas dar algum significado a um conjunto de números. Assim é possível migrar de uma zona de análise mais objetiva, para uma subjetiva e vice-versa. Com a entrevista semiestruturada, a falta de uma ficha de questionário com alternativas para respostas também me permitiu uma melhor comunicação com o entrevistado, deixando-o mais a vontade para tratar o assunto. Da mesma forma pude conduzir novas perguntas a partir de ideias ou ponderações feitas pelo informante, sendo uma atividade mais flexível.

No entanto, me deparei com outros limites e desvantagens que não se encontram em investigações documentais, que seria a falta de tempo do informante. Esse fator não é irrelevante, pois foi justamente por causa da apertada agenda do entrevistado, professor Otávio Luiz Rodrigues Júnior, atual coordenador da área do Direito da CAPES, que a entrevista não foi realizada.

Outros pontos negativos posso atribuir às entrevistas, como a retenção de importantes informações pelos entrevistados, caso estivessem inseguros com a condução das entrevistas ou se, de modo mais protetivo, tivessem guardado respostas mais contundentes ou reveladoras, em razão da identificação e/ou anonimato. São circunstâncias mais subjetivas do informante, porém perceptíveis em alguns casos, tal como, o modo de falar, a troca dos olhares entre os comunicadores, os gestos e outros comportamentos, ou seja, fatores que se manifestam quando o entrevistador e o entrevistado estão em contato direto.

Certamente, alguns desses momentos posso não ter percebido. Esse elemento subjetivo ou das razões íntimas do informante são desvantagens esperadas em pesquisas realizadas por entrevistas, porém elas se tornam ainda mais complexas uma vez que o papel do entrevistador passa a ter um fardo maior, que seria o de saber conduzir esse processo.

Como esta dissertação é o meu primeiro trabalho nessa metodologia de entrevistas, então é evidente que o procedimento adotado não será os dos melhores pontos dessa atividade de pesquisa.

Conheço não só alguns limites dos métodos atodados mas, sobretudo, os meus limites como sujeito e pesquisador, logo, encaro a atividade como um pesquisador iniciante e não como um expert.

Para melhor revelar as vantagens, limites e/ou desvantagens da metodologia por mim aplicada, apresento a tabela abaixoe, desta forma, creio que ficarão mais esclarecidos:

Tabela 1 - Vantagens, limites e desvantagens da metodologia

Vantagens Limites/Desvantagens

-Complexidade para aplicar ambas as técnicas;

-Flexibilidade e ajuste às perguntas e respostas;

-Demanda disponibilidade e tempo do entrevistador/entrevistado;

Fonte: Elaboração própria, com base nos ensinamentos dos professores Antônio Carlos Gil (2002), Egon Guba e Yvonna Lincoln (1981), Uwe Flick (2009) e Arilda Schmidt Godoy (1995).

Feitas estas considerações, minha maior preocupação no decorrer dessa dissertação não é de estar na posição de um rigoroso cientista, visto que o pragmatismo, a formalidade e o conservadorismo técnico são artifícios instrumentais do cientificismo eurocêntrico questionados.

Faço a dissertação, provavelmente, com alguns equívocos técnicos, porém consciente do caminho da aprendizagem e aberto a novas estruturas, que podem ser ou não ressignificantes. Observar, experimentar, desenvolver e questionar o tema da pesquisa, para mim, tem uma importância maior do que o próprio procedimento técnico realizado, ainda que os resultados possam ser criticados. Valho-me dos ensinamentos de Pedro Demo (2000):

A pesquisa é vista como um diálogo crítico e criativo com a realidade, culminando com a elaboração própria e com a capacidade de intervenção. Em tese, pesquisa é a atitude de ―aprender a aprender‖, e, como tal, faz parte de todo processo educativo e emancipatório (Demo, 2000, p.128)

Apesar das eventuais discordâncias que possam surgir, o determinante é debater sobre o assunto do ensino superior e das Pós-Graduações em Direito no Brasil, atuar como um sujeito engajado diante das causas relevantes e, mesmo com pouca contribuição, realizar um trabalho acadêmico baseado em questões concretas e sociais.