Momentâneas de Tensão A A Martins, Enersul S/A e A C Panizza, Enersul S.A.
V CUSTOS DE PARADADAS DOS PROCES SOS PRODUTIVOS
A determinação dos custos relativos às paradas dos pro- cessos produtivos devido às variações momentâneas de ten- são deve ser de forma individualizada para cada consumidor. Para que se possa determinar estes custos se faz ne- cessário o conhecimento de algumas características de ope- ração dos consumidores, como:
• Horário de funcionamento – horário comercial ou 24 ho- ras por dia;
• Valor estimado do faturamento do consumidor por minuto; • Tempo necessário, em minutos, para retomada da produ- ção quando de paradas por variações momentâneas de ten- são;
Como, por exemplo, uma industria que tenha um faturamento mensal de R$ 1.000.000,00, funcione em ho- rário comercial (40 horas semanais) e leve 30 minutos para retomar a produção normal quando de paradas por varia- ções momentâneas de tensão terá uma perda de R$ 3.125,00 por interrupção, ao qual deve-se adicionar o custo do ma- terial perdido com a parada do processo produtivo.
Caso esta mesma indústria esteja conectada na SE Cam- po Grande Assis Scaffa no qual, no período de monitoração, ocorreram 03 afundamentos momentâneos de tensão fora do invólucro da curva CBEMA em horário comercial o pre- juízo desta industria seria de R$ 9.375,00 no período.
Portanto, a partir dos dados tabulados facilmente cal- cula-se o custo para o consumidor a partir das variações momentâneas de tensão a que esteve submetido.
Constitui o levantamento em uma base de dados a partir do qual pode-se analisar a entrada de clientes especi- ais no sistema ofertando informações de VMT’s que po- dem influir em seu processo produtivo.
VI. CONCLUSÕES
Uma campanha de medições em 06 (seis) subestações de distribuição do sistema Enersul distribuídas geografica- mente pelo estado de Mato Grosso do Sul foi realizada com o objetivo de conduzir investigações da qualidade da energia elétrica fornecida aos consumidores, do ponto de vista das variações momentâneas de tensão.
Com o banco de dados obtidos da campanha de medi- ções desenvolveu-se uma rotina computacional no qual auxilia na construção das tabelas e gráfico para a análise das variações momentâneas de tensão.
Mostrou-se as tabelas das variações momentâneas de tensão, a distribuição destas variações e as curvas de inci- dência acumulada dos afundamentos momentâneos de ten- são para as subestações monitoradas num período de 05 (cinco) meses.
Verificou-se que, em todos os pontos monitorados, a grande maioria dos eventos de variações momentâneas de tensão encontraram-se dentro do invólucro da curva CBEMA. Sendo assim, não ocasionaram paradas em pro- cessos produtivos de consumidores. O que caracterizando um bom nível de qualidade, sendo esta curva, tomada como referência para esta análise.
Demonstrou-se, com as VMT’s verificadas na subestação Campo Grande Almoxarifado, que a quantidade de variações momentâneas de tensão num dado circuito é diretamente influenciada pela freqüência de interrupções dos circuitos adjacentes. Ou seja, a quantidade das VMT’s de- pende da quantidade de eventos nos circuitos adjacentes.
A elevada quantidade de VMT’s verificadas na SE Cam- po Grande Almoxarifado se deve ao fato desta subestação atender uma densa área urbana e rural com alimentadores extensos. Desta forma com uma maior probabilidade da ocor- rência de eventos que acarretam em VMT’s.
Por exemplo, uma barra de 13,8 kV com alimentadores muito extensos suprindo áreas urbanas e não urbanas tem
uma maior probabilidade de ocorrências, como curtos-cir- cuitos. Estas ocorrências vão levar os circuitos não faltosos a submetidos a uma variação momentânea de tensão.
Quanto às elevações momentâneas de tensão verificadas na SE Campo Grande Almoxarifado estão rela- cionadas às aberturas de grandes blocos de carga em dois alimentadores que atendem o distrito industrial da cidade de Campo Grande.
Desta forma fica evidente que a manutenção preventiva de um circuito beneficia também os circuitos adjacentes.
Mostrou-se que na barra de 138 kV da subestação Corumbá o grau de severidade dos afundamentos momen- tâneos de tensão foi o maior. Isto se deve ao fato da confi- guração do sistema regional, visto que esta subestação é suprida por uma longa linha, circuito duplo, de transmis- são em 138 kV (aproximadamente 290 km).
Desta forma, na configuração elétrica existente na re- gião de Corumbá, pode-se concluir que a atenuação dos afundamentos momentâneos é menor do que em outras partes do sistema.
Assim, em áreas de atendimentos da SE Corumbá e SE Campo Grande Almoxarifado, deve-se ter atenção es- pecial quanto nas manutenções preventivas a fim de minimizar tais eventos. Visto que com o grau de severida- de verificado nos afundamentos momentâneos de tensão da SE Corumbá e a elevada quantidade de eventos na SE Campo Grande, com certeza trariam prejuízos aos clientes com cargas sensíveis.
Ficou demonstrado que no cálculo da estimativa dos custos das interrupções dos processos produtivos é neces- sário a informação de perdas parada da produção cujo do- mínio de conhecimento é do consumidor.
Como propostas para trabalhos futuros sugere-se a reali- zação de medições simultâneas na barra da subestação e no ponto de acoplamento comum de consumidores para a deter- minação da propagação das variações momentâneas de tensão.
VII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] DUGAN, R. C., McGranaghan, M. F., Beaty, H. W., “Electrical
power systems quality”, Editora McGraw-Hill, USA, 1996
[2] ONS – SUBMÓDULO 2.2, “Padrões de Desempenho da Rede
Básica.”, Outubro de 2000.
[3] VILELA, J. H., “Contribuições ao diagnóstico da qualidade da ener-
gia elétrica”, dissertação de mestrado – UFU, Fevereiro 1997.
[4] PEREIRA, F. C., “Contribuições aos estudos dos impactos
energéticos associados a qualidade da energia elétrica”, Disserta- ção de Mestrado – UFU, Fevereiro 1998.
[5] DECKMANN, Sigmar M. Dr., “Variações Momentâneas de Ten-
são.”, Estudos sobre qualidade de energia elétrica – Relatório Final Estudos Sobre Qualidade de Energia – ANEEL, Julho 2000.
[6] RAMOS, A. J. P. “Identificação de Registradores no Mercado e
Definição de Características Básicas Requeridas” – Relatório Fi- nal 5 – ANEEL, Dezembro 2000.
[7] RAMOS, A. J. P. “Monitoração, Avaliação e Controle da Qualida-
de da Energia Elétrica” – Relatório Parcial 1 – Procedimentos de Medição e monitoração – ANEEL, Maio 2000.
[8] DECKMANN, Sigmar M. Dr., “Flutuações de Tensão na Rede Elé-
trica” – Relatório Parcial 1 – Estudos Sobre Qualidade de Energia - ANEEL, Novembro 1999.
Qualidade
de
Energia
Elétrica
RESUMO
Este trabalho teve por objetivo especificar e desenvolver para a Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro – CERJ, um ins- trumento que permita capturar os valores de tensão junto a seus consumidores e analisar a qualidade de fornecimento de ener- gia elétrica, verificando as flutuações de tensão e, além disso, aplicando algoritmos de transformação, individualizar harmô- nicas e Distorção Harmônica Total (DHT). Este trabalho complementa um anterior concluído e durante sua execução várias questões e dúvidas se apresentaram, que permanecem para serem trabalhadas em foruns pertinentes. O CUSTO do equipamento sempre foi o elemento mais forte do desenvolvi- mento, para que as concessionárias possam assim obter amos- tras em maior quantidade de pontos a serem verificados. PALAVRAS-CHAVE
Medição, Qualidade, Tensão, Harmônica
I. INTRODUÇÃO
O projeto concluído antecessor a este, denominado “Desenvolvimento de Metodologia de Monitoração, para Análise e Apresentação dos Indicadores de Qualidade da Rede de Distribuição da CERJ, via site dedicado na INTERNET” (figura 1), compunha-se de um processo de observação do comportamento da Rede Elétrica Secundá- ria diretamente na entrada de consumidores, através da Internet ou Intranet, com informações oriundas de medi- dores de Qualidade. Este projeto não contemplava o de- senvolvimento do Medidor pois havia uma premissa de que o mercado forneceria uma solução adequada. A surpresa foi que ao analisar em torno de 30 deles e adquirir 05 tipos diferentes, após uma pré-análise de “Data Sheets”, nenhum deles se adequava totalmente ao projeto. Os motivos eram vários: falta de memória, problemas de algoritmo, falta de modem para comunicação, interrupção da comunicação quando da aquisição das amostras, e outros. Então, para a sua conclusão, foi necessário desenvolver num período extremamente curto, para ser exato 3 meses, um medidor que pudesse atender à funcionalidade acordada. Este, cha- mado de “FRANK” (figura 2), alusivo à figura de “Frankstein”, foi montado como um mosaico utilizando-se várias peças e dispositivos existentes. Este foi um serviço adicional, não previsto em formulários ANEEL e contra- tos com a CERJ mas necessário para a conclusão do proje- to. Tudo isso consta do relatório final entregue à ANEEL.
SERVIDOR de Telecomunicações Medidor n Medidor 1 INTERNET SERVIDOR DE DADOS SERVIDOR DE INTERNET Terminal 1 Terminal 2 FIGURA 1 FIGURA 2
O projeto atual, então, consiste em transformar o “Frank” em uma alternativa mercadológica que possa, mais do que atender às resoluções da ANEEL, como a 505, ser um instrumento de ajuda às equipes de opera- ção e manutenção, no sentido de interação com seus con- sumidores de modo a minimizar problemas relativos à qualidade, e ainda servir como possível embasamento jurídico para questões conflitantes. O instrumento inte- gra funções de avaliação das tensões em períodos de 30 segundos, funções de medições de harmônicos presen- tes nas linhas, e ainda funções de tele-envio dessas in- formações através de modem acoplado a uma linha tele- fônica, ou seja, é um tele-observador.