4.2 BENEFÍCIOS E DIREITOS TRABALHISTAS
4.2.1 Vale transporte
O Vale-transporte, conforme a legislação trabalhista estabelece por meio da Lei 7.418/85, que o vale-transporte concedido no que se refere à contribuição do empregador:
a) Não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos;
b) Não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço;
c) Não se configura como rendimento tributável do trabalhador.
Para maior conhecimento acerca do fornecimento de vale-transporte no período destinado à alimentação do empregado, segue selecionado os acórdãos adiante:
Vale-transporte – Labor diário de 08 (oito) horas – Intervalo intrajornada – Necessidade de quatro vales por dia – Se o labor diário do obreiro for de 08 (oito) horas, divididos em dois turnos de 4 (quatro) horas, há a necessidade de 04 (quatro) vales-transportes diariamente para se deslocar de sua residência para o trabalho e virse-versa, pois há de se levar em conta o intervalo intrajornada para a refeição, onde se exige o gasto de pelo menos
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02 vales-transportes, porque, em tese, ocorre o deslocamento para a residência a fim de fazer as refeições e retornar para o labor, a fim de cumprir o segundo turno da jornada. Assim entendido, se a empresa só fornecia dois vales-transportes por dia, é natural que seja condenada a pagar mais dois vales, para cobrir o deslocamento do intervalo mencionado, em todo o período laboral não-prescrito. (TRT 14ª Região – RO 00025.2005.003.1400- 9 – Rela Juíza Maria do Socorro Costa Miranda – DOJT 04.07.2005). Vale-transporte – Horário de almoço – Não está o empregador legalmente obrigado a conceder vale-transporte para o empregado ir e voltar no horário de almoço, destinado a repouso e alimentação, mas apenas para o deslocamento residência trabalho e vice-versa, teor do art. 1° da Lei n° 7.418/85. (TRT 2ª Região – RO 00673200044402004 – 10ª Turma – Rel. Juíza Vera Marta Públio Dias – DJSP 18.05.2004).
Vale-transporte – Fornecimento para o deslocamento no intervalo intrajornada – O empregador não tem obrigação legal de fornecer o vale- transporte quando a trabalhadora utiliza-se de ônibus para almoçar em sua residência (Lei nº 7.418/85 e Decreto n° 95.247/87). (TRT 12ª Região – RO- V 00532-2003-025-12-00-9 – (08385/2004) – Florianópolis – 1ª Turma – Rela Juíza Sandra Marcia Wambier – J. 09.07.2004).
Vale transporte – Deslocamento durante intervalo intrajornada – Não abrangência – Pedido indeferido – O art. 1º da Lei n° 7.418/85 e o art. 2º do decreto n° 95.247/87 que a regulamenta estabelecem que por meio da concessão de vale-transporte o empregador antecipará a despesa do empregado despendida no deslocamento residência-trabalho-residência, não dispondo a legislação sobre a abrangência do benefício em relação ao trajeto ocorrido durante o intervalo intrajornada, o que impede o atendimento do pleito formulado. (TRT 20ª Região – RO 00379-2004-003-20-00-0 (Proc. 00379-2004-003-20-00-0) – (2202/04) – Reza Juíza Maria das Graças Monteiro Melo – J 05.08.2004).
Transporte – Com sabedoria, o art. 852-D, trazido à CLT pela Lei nº 9.957/2000 (procedimento sumaríssimo), preceitua que neste tipo de ritualística processual deve o juiz apreciar o conjunto probatório com ‘especial valor às regras de experiência comum’. Em assim sendo, correto o entendimento de que descabe vale-transporte quando o reclamante admite que ia trabalhar a pé e almoçava em casa, mormente quando dos autos ainda se vê que residia próximo da empresa em que laborava. (TRT 2ª Região – RS 01295200244102009 – (20030011714) – 7ª Turma – Rel. Juiz Ricardo Verta Luduvice – DOESP 07.02.2003).
Neste sentido, a aquisição do vale transporte compreende a funcionários registrados em carteira pela empresa, e para usufruir do benefício, o empregado deve declarar, por escrito, ao empregador:
a) seu endereço residencial;
b) os serviços e meios de transporte mais adequados ao seu deslocamento residência trabalho e vice-versa; e
c) que se compromete a utilizar o Vale-Transporte exclusivamente para o seu efetivo deslocamento residência-trabalho e vice-versa.
O preço unitário das tarifas cobradas em cada um dos meios de transporte utilizado poderá ser informado ao empregador pelo beneficiário do vale transporte.
O benefício do vale transporte segundo Vecchi (2017, p. 1), explana que são beneficiários deste “direito os empregados contratados pelo regime da CLT (empregados domésticos, temporários, atletas profissionais, servidores da União, Distrito Federal, dos territórios), seja qual for o regime jurídico e a forma de remuneração desses trabalhadores”. Ainda para autora os empregados devem:
Por escrito e contra recibo, tão logo sejam contratados com ou sem registro na CTPS, informar ao empregador seu endereço residencial, os serviços e meios de transporte que utiliza de sua residência ao trabalho e vice-versa. Cabe ao empregador, exercendo seu direito de poder fiscalizador, identificar os empregados que, por meio de declarações falsas, se beneficiam do VT e o utiliza para fins diversos que não o previsto em lei. Havendo alteração dessas informações, novamente o empregador deverá ser comunicado, sempre por escrito e contra recibo, ressaltando-se que falsas informações do empregado ao empregador podem eventualmente ser penalizadas com
rescisão contratual por justa causa (art. 482, CLT).(2017, p. 1).
Cabe ressaltar que conforme Lei n°7.619 do Art. 5°- É vedado ao empregador substituir o Vale-Transporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de vale transporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema. O beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento.
Sendo assim, com base nos autores supracitados, o benefício do vale transporte foi constituído com o desígnio de amenizar os gastos do empregado com transporte. Deste modo, uma vez que os gastos acumulados ao valor recebido com transporte, compromete parte do salário, podendo esse ocasionar distúrbios para empresa com a falta do empregado de comparecer para trabalhar.