Fica claro, após estas considerações e análises dos dados das tabelas anteriores, que o acabamento de qualquer tecido após o processo nas quatro rotas estudadas, resultarão em tecidos diferentes em termos de encolhimento, largura, gramatura e toque. Logo, as curvas dadas pelas Equações 5.4 e 5.5 são
aplicáveis quando o tecido estudado for processado em uma rota diferente da equação dada por estas curvas. Se for desejável que um determinado tecido processado em rotas diferentes venha a ter os mesmos padrões de acabamento será, portanto, necessário que o tecido seja produzido de forma diferente nos teares e que seja utilizado o método de correção dos fatores F, explanado no Capítulo 3. Neste caso o simulador aqui proposto poderá ser muito útil.
Como exemplo, será feita uma simulação de um tecido de meia-malha, no programa computacional, utilizando-se diferentes K’s.
Tabela 5.16: Demonstração do desempenho do tecido de malha J01 no E.R. quando acabada com diferentes K’s
Descrição Kc Kw Cursos/3cm Colunas/3cm Gramat.
(g/m2) Larg. (cm) L.F.A. J01 Rota 4 5,74 4,06 53,15 37,59 206,18 90,50 7,35 J01 Rota 1 5,57 4,06 51,57 37,59 200,07 90,50 7,35 J01 Rota 2 5,70 4,04 52,78 37,41 203,73 90,94 7,35 J01 Rota 3 5,60 4,08 51,85 37,78 202,14 90,05 7,35
Fonte: Dados obtidos através do cálculo do simulador (2004).
Torna-se evidente que se houver uma necessidade de produzir este tecido em uma rota diferente daquela em que este foi desenvolvido, e desejando- se que os padrões de encolhimento, gramatura e largura sejam mantidos, deve-se ajustar o tecido na malharia e utilizar o fator F, conforme demonstrado na Tabela 5.17 a seguir:
Tabela 5.17: Fator de correção para o tecido de malha J01 Malha Rota Cf Cg Fc Wf Wg Fw 1 51,6 54,9 0,93 37,6 38,5 0,97 2 52,8 54,9 0,96 37,4 38,5 0.97 3 51,9 54,9 0,94 37,8 38,5 0,98 J01 4 53,2 54,9 0,97 37,6 38,5 0,97 Fonte: O Pesquisador (2004). Onde:
! Fc = Fator de acabamento dos cursos;
! Cf = Cursos no E.R. quando o tecido estiver no estado acabado;
! Cg = Cursos no E.R. quando o tecido estiver no estado cru;
! Fw = Fator de acabamento das colunas;
! Wf = Colunas no E.R. quando o tecido estiver no estado acabado;
! Wg = Colunas no E.R. quando o tecido estiver no estado cru.
Uma vez mais se comprova que a rota 4 é a que menos influencia no estado de referência do tecido de malha, por ter os coeficientes F’s muito próximos de 1.
Produtores de tecidos 100% algodão devem, portanto, utilizar algum método de predição para determinar se conseguirão atender as exigências de qualidade determinadas pelo seu mercado ou cliente, sem a necessidade de utilizar lotes experimentais em produção, economizando assim tempo e dinheiro.
A grande diferença deste projeto com os outros programas disponíveis no mercado, neste caso o que mais se aproxima é o programa “Starfish”, é que este programa computacional permite às indústrias têxteis o entendimento do que acontece com o tecido de malha quando processado especificamente em suas máquinas. O programa computacional desenvolvido permite ainda criar um modelo específico para cada empresa, particularizando-se equações, o banco de
dados e a memória de cálculo através de planilhas eletrônicas. Enquanto o programa “Starfish” utiliza um grande banco de dados extraído de organizações do mundo todo. Apesar disso em muitos casos, a particularidade de uma indústria ou de um processo pode não estar sendo contemplada neste grande banco de dados, o que poderia comprometer a previsão.
Outra diferença que se observa neste projeto com o programa “Starfish”, está no fato do programa “Starfish” introduzir uma variável a mais no seu modelo matemático, que é o diâmetro do fio, através da raiz quadrada do título do fio na unidade Tex. Enquanto o modelo aqui desenvolvido, segue a linha de raciocínio postulada por Munden (1959) onde este parâmetro não é considerado.
Não se discute aqui, a validade das duas teorias e sim mostra-se o fato de que o programa e o método aqui proposto tem a sua aplicabilidade validada e mostra-se muito eficaz em suas predições, para as condições estudadas.
Para comprovar o que tem sido afirmado, foram realizados mais alguns ensaios. Primeiramente foi utilizado no simulador com o fator K da média geral da rota 4 para quatro diferentes tipos de tecido de meia-malha em algodão, diferenciando-se nos títulos, nos comprimentos de pontos e nas galgas das máquinas. Em seguida foram produzidos lotes experimentais com as regulagens de malharia propostos pelo simulador, tintos em cores consideradas médias e comparados os resultados dos testes de produção com os resultados previstos pelo simulador.
Tabela 5.18: Comparação de dados no E.R. entre o simulador e lotes experimentais para diferentes títulos, comprimento de ponto e tear
Amostragem Cód. do Lote C.P Ne Curso s / 3 cm Cols / 3 cm Kr * Gramat. (g/m2) Larg. (cm) % C AD % L AD Lote Experimental 52,0 36,0 1,44 190,0 156,0 -6 -5 Dados do Algoritmo 51,0 36,9 1,38 197,8 152,0 -5 -5 Desvio Padrão L14 0,320 20,0 0,7 0,7 0,05 5,5 2,8 0,7 0,0 Lote Experimantal 59,0 42,0 1,40 167,0 162,0 -5 -5 Dados Do Algoritmo 58,0 42,2 1,38 173,9 161,0 -5 -5 Desvio Padrão L15 0,280 26,0 0,7 0,1 0,02 4,8 0,7 0,0 0,0 Lote Experimantal 62,0 45,0 1,38 154,0 176,0 -5 -4 Dados Do Algoritmo 62,2 45,3 1,38 161,6 175,0 -5 -5 Desvio Padrão L16 0,261 30,0 0,2 0,2 0,00 5,4 0,7 0,0 0,7 Lote Experimantal 59,0 46,0 1,28 115,0 172,0 -7 -8 Dados Do Algoritmo 61,4 44,5 1,38 119,0 178,0 -6 -6 Desvio Padrão L17 0,266 40,0 1,7 1,1 0,07 2,8 4,2 0,7 1,4
* Valores obtidos com o K da Curva de Regressão Linear – Kc = 5,44 e Kw = 3,94 e C.P =
Comprimento do ponto em centímetros. Fonte: O Pesquisador (2004).
Um aspecto importante no estudo descritivo de um conjunto de dados, é o da determinação da variabilidade ou dispersão desses dados, relativamente à medida de localização do centro da amostra. Supondo ser a média, a medida de localização mais importante, será relativamente a ela que se define a principal medida de dispersão – o desvio padrão.
O desvio padrão é uma medida que só pode assumir valores não negativos e quanto maior for, maior será a dispersão dos dados. Algumas
propriedades do desvio padrão, que resultam imediatamente da definição, são: o desvio padrão será maior, quanto mais variabilidade houver entre os dados e se o desvio padrão for igual a zero, então não existe variabilidade, isto é, os dados são todos iguais.
Dessa forma pode-se concluir através da análise da Tabela 5.18 que o modelo proposto possui uma excelente confiabilidade visto que o desvio padrão do Kr é muito próximo a zero.
Como já foi visto anteriormente pela equação 2.7, o fator Kr é a constante que revela a forma geométrica da laçada. Uma vez que as Alterações Dimensionais dos tecidos são dependentes diretamente da geometria que a laçada assume durante todo o processo, é correto afirmar que o modelo matemático apresentado retrata fielmente o comportamento do tecido de malha para esta realidade fabril.
O programa computacional representa um modelo matemático com base em dados empíricos finitos e por este fato contém variações randômicas. Os resultados obtidos da simulação são baseados em médias onde parte-se da premissa que existe uma padronização na produção do tecido de malha, tanto na Malharia quanto no Beneficiamento. Contudo, é sabido que variações ocorrem no cotidiano das empresas, seja na matéria-prima, seja na produção ou nos testes e ensaios laboratoriais. Portanto, é esperado existir uma flutuação dos resultados. É importante, pois, que sejam criadas as condições de controle de processo e do produto, para garantir uma flutuação mínima nas predições.
Para melhor visualizar as afirmações, na Figura 5.7 abaixo pode ser verificado que os resultados obtidos do programa de simulação desenvolvido tem uma excelente reprodutibilidade, ressaltando-se, mais uma vez, que os lotes experimentais foram produzidos na mesma rota onde o simulador foi desenvolvido e nas condições padrões determinada por este trabalho.
Figura 5.7: Comparativo de gramaturas entre a simulação e o dado prático
Fonte: O Pesquisador (2004).
Para se obter dados tão confiáveis quanto os da Figura 5.7, são necessários os cuidados abaixo relacionados:
• qualidade assegurada no recebimento do fio - controle das
características do fio que se está utilizando;
• qualidade assegurada na Malharia - controle das variáveis do
processo de tecimento;
• qualidade assegurada no Beneficiamento - controle das variáveis do
processo de tingimento e acabamento;
• qualidade assegurada nos testes e ensaios laboratoriais – realizá-los
conforme as normas e dentro das condições padrões estabelecidos no projeto;
• conhecimento dos K’s de cada máquina de tingimento e de
acabamento. -50 0 50 100 150 200 250 L14 E L14 A L15 E L15 A L16 E L16 A L17 E L17 A
Códigos dos Lotes
Val o re s Cursos Colunas Kr Gramatura Largura AD % C AD % L