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4 MÉTODO DE PESQUISA

4.2 Validade do construto

Segundo Yin (2005), esse primeiro teste é especialmente problemático na pesquisa de estudo de caso. As pessoas que sempre criticam os estudos de caso geralmente apontam o fato de que um pesquisador de estudo de caso não consegue desenvolver um conjunto suficientemente operacional de medidas, e que são utilizados julgamentos “subjetivos” para coletar os dados.

Para a realização de estudos de caso, encontram-se disponíveis três táticas para aumentar a validade do constructo. A primeira é a utilização de várias fontes de evidências, de tal forma que se incentivem linhas convergentes de investigação. E essa tática é relevante durante a coleta de dados. Uma segunda tática é estabelecer um encadeamento de evidências, também relevante durante a coleta de dados. A terceira tática é fazer com que o rascunho do relatório do estudo de caso seja revisado por informantes-chave (YIN, 2005).

A fim de garantir a validade do constructo, este estudo utilizou as seguintes táticas: • Múltiplas fontes de evidências (YIN, 2005):

a) documentação – análise de relatórios internos com consulta a intranet, bem como matérias publicadas em jornais, revistas e internet;

b) registros em arquivos – coleta de informações diretamente dos bancos de dados da empresa;

c) entrevistas semi-estruturadas – realizadas com alguns profissionais da empresa;

Essa tática, segundo Patton (1990), também conhecida como triangulação de dados, se baseia na combinação de diferentes tipos de evidências e abordagens, propiciando o aumento da validade das descobertas realizadas, em função dos distintos procedimentos de pesquisa se contraporem aos conflitos inerentes a cada abordagem isoladamente.

• Triangulação das teorias:

Envolve a utilização de diferentes perspectivas teóricas, a fim de analisar o mesmo conjunto de dados. Sua principal vantagem é permitir o entendimento de como as evidências são afetadas por diferentes premissas conceituais (PATTON, 1990).

• Encadeamento das evidências:

Princípio utilizado para manter a confiabilidade das informações em um estudo de caso, baseado na noção similar àquela utilizada em investigações forenses. Consiste em permitir que um observador externo – leitor do estudo de caso – siga a origem de qualquer evidência, indo das questões iniciais da pesquisa até as conclusões finais do estudo de caso (YIN, 2005).

Abaixo encontra-se a indicação do constructo flexibilidade, utilizado nesta pesquisa:

Constructo Indicador

Flexibilidade Em que medida o ITIL contribui para que a organização se adapte eficientemente a mudanças, atendendo às necessidades do mercado, sem custos ou tempos excessivos, ou ainda perda de performance.

4.3 Validade interna

A validade interna é um teste de qualidade utilizado em modelos de estudo de caso que se baseiam em inferências, isto é, estudos de caso preocupados com relações causais, e refere-se ao risco de haver um fenômeno não previsto que interfira na relação causal encontrada, distorcendo as conclusões do estudo (YIN, 2005).

Desta forma, a validade interna se aplica somente a estudos explanatórios ou causais, e não a estudos exploratórios ou descritivos.

Por se tratar de um estudo exploratório, foi desconsiderada a aplicação deste teste.

4.4 Validade externa

A utilização do teste da validade externa, por sua vez, visa a saber se as descobertas de um estudo podem ser generalizadas para além do estudo de caso em questão, o que a torna o ponto desta metodologia mais sujeito a críticas (YIN, 2005).

Yin (2005) afirma que a validade externa refere-se ao grau com que o resultado da pesquisa pode ser generalizável ou transferido para outros contextos. Na perspectiva qualitativa, a transferabilidade (transferability) é primeiramente a responsabilidade por se fazer generalizações. O investigador poderá criar condições para a generalização, descrevendo o contexto e as assunções centrais da pesquisa. Cabe a quem promover a generalização para outros contextos, a responsabilidade dos julgamentos sobre essa generalização.

A generalização analítica é a tentativa de se estender um conjunto particular de resultados a alguma teoria mais abrangente. Esse tipo de generalização difere-se da estatística por não se tratar de amostragem facilmente generalizável, isto é, o caso não é escolhido a partir da lógica da amostragem. Na generalização analítica, uma teoria previamente desenvolvida como modelo é utilizada para a comparação com os resultados empíricos do caso.

4.5 Confiabilidade

Segundo Yin (2005), esta técnica visa a garantir que outro investigador obtenha os mesmos resultados caso se repita a mesma análise. A tática para garantir a confiabilidade neste estudo é a utilização do protocolo de estudo de caso e a documentação do caso.

Em um estudo de caso, o protocolo é relevante para obtenção da confiabilidade, pois fornece informações para que o estudo, quando repetido sob as mesmas condições, obtenha os mesmos resultados. Seguindo as recomendações propostas por Yin (2005), o protocolo desta pesquisa contempla os seguintes tópicos: visão geral da pesquisa; procedimentos para coleta de dados; questões do estudo de caso; e guia para o relatório.

4.6 Sustentação do método

Segundo Marsiglia (2000), a definição da base teórica e conceitual é a base de sustentação da pesquisa, devendo ser obtida através de uma pesquisa bibliográfica sobre o problema, lendo-se vários autores, que produziram sobre o tema de ângulos diferentes ou que apresentam posicionamentos controversos sobre o tema. Outras pesquisas produzidas sobre o

mesmo assunto, e, se possível, realizar entrevistas exploratórias com pessoas que tenham experiência com o problema.

4.7 Limitações do método

Com relação à metodologia apresentada para o projeto, faz-se necessário destacar algumas dificuldades e limitações quanto à coleta e ao tratamento dos dados. Dentre as limitações, pode-se citar:

a. Pouca disponibilidade de tempo dos entrevistados;

b. Dificuldade na obtenção de documentação da empresa pesquisada;

c. Pouca referência bibliográfica sobre o assunto;

d. A análise hermenêutica do pesquisador que é influenciada pela vida profissional dele próprio. Buscou-se entretanto distanciamento dos fatos, embora admita-se a inexistência de neutralidade científica (VERGARA, 1990);

e. Poucos entrevistados;

5 DESCRIÇÃO DO CASO