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VALIDADE E CONFIABILIDADE DA PESQUISA

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.7 VALIDADE E CONFIABILIDADE DA PESQUISA

Quando se fala em pesquisa qualitativa, muitos questionamentos passam a nortear as discussões quanto a questões de validade e confiabilidade, uma vez que esses conceitos são muito mais utilizados em pesquisas quantitativas do que em qualitativas. De acordo com Flick (2004), para se ter o que o autor chama de embasamento da pesquisa qualitativa é preciso ter confiabilidade quanto aos critérios e procedimentos utilizados, critérios apropriados para a pesquisa e a validade da pesquisa qualitativa.

Quanto à questão da confiabilidade da pesquisa qualitativa, Flick (2004, p. 231) explica que “a confiabilidade ganha importância enquanto critério da avaliação da pesquisa qualitativa somente em contraste com o pano de fundo de uma teoria que trate especificamente do assunto em estudo e que aborde o uso de métodos”.

Diante dessa orientação, a presente pesquisa teve como base teórica a Nova Economia Institucional, envolvendo duas correntes teóricas: a Economia dos Custos de Transação e a Teoria dos Custos de Mensuração. Foram discutidas, ainda, as Teorias dos Contratos e da Agência, buscando as relações entre elas e como base para explicar os objetivos do presente estudo.

Além da questão teórica que dá base consistente para o desenvolvimento da pesquisa, a questão de confiabilidade também está relacionada à coleta e análise dos dados. Nesse sentido, Flick (2004) explica que é preciso delimitar na pesquisa quais são os dados e quais são as interpretações do pesquisador, para que seja possível a reinterpretação dos dados. O autor explica, ainda, que a confiabilidade está relacionada à questão da segurança dos dados e do procedimento adotado, levando a uma documentação adequada dos dados coletados na pesquisa.

Nesta pesquisa os dados foram coletados de forma secundária, através da análise de documentos, e modo primário através de entrevista semi-estruturada com a análise de conteúdo. Nesse caso, as entrevista foram realizadas tanto com os gerentes das cooperativas como com os cooperados (produtores de suínos). Assim, as entrevistas foram gravadas e, posteriormente, transcritas. A sua transcrição será arquivada em computadores no formato Word e Excel, para que seja possível o acesso para a discussão e análise dos resultados.

Outro aspecto a ser avaliado é a validade na pesquisa qualitativa que, nas palavras de Flick (2004, p. 223), “[...] consiste em descobrir como especificar o elo entre as relações que são estudadas e a versão que o pesquisador fornece destas”. O autor salienta que a validade, por ser obtida através de dois pontos: primeiro pela produção dos dados; e outro pela apresentação do fenômeno e sua interpretação. Logo, se necessário garantir a veracidade dos dados coletados através das entrevistas, demandando, assim, uma reflexão do contexto do estudo.

Assim, na pesquisa qualitativa, mesmo prevalecendo a base interpretativa como ponto principal, se é utilizado na pesquisa uma base teórica adequada, assim como um método coerente com a pesquisa, e esses dados são coletados e analisados de forma coerente, a pesquisa qualitativa tem, também, validade na investigação.

Desse modo, para buscar a validade e confiabilidade na pesquisa foram utilizadas as ideias de Merriam (1998), sendo elas: a validade interna, confiabilidade e validade externa. A autora explica que “a validade interna lida com questões de como os resultados da investigação correspondem à realidade” (MERRIAM, 1998, p. 201, tradução nossa). Assim, a

autora ressalta seis estratégias, que poderão ser utilizadas na presente pesquisa, que possibilitam aumento da validade interna da pesquisa:

1. Triangulação: desenvolvidos através de múltiplos pesquisadores, dados ou métodos para confirmar conclusões emergentes.

2. Verificação por membros: retornar os dados e as tentativas de interpretações para as pessoas que os originaram para verificar se está correto.

3. Observação de longo prazo: para validar os dados, o pesquisador faz a coleta várias vezes por um período longo de tempo.

4. Exame de pares: pedir para que colegas comentem sobre as conclusões que surgem ao longo da pesquisa.

5. Modos colaborativos de pesquisa: envolver participantes em todas as fases da pesquisa, desde a conceituação até as conclusões da pesquisa.

6. Vieses do pesquisador: refere-se a clarear os pressupostos do pesquisador, bem como sua visão de mundo e orientação teórica no início do estudo.

Nesse caso, esse papel será desenvolvido pela banca de qualificação e banca de defesa, além de discussões com outros professores que estão inseridos neste tema. Em caso de dúvidas na transcrição ou análise, os entrevistados foram novamente consultados, de forma a minimizá-las ou saná-las.

Em relação à triangulação dos dados, como forma de aumentar a confiabilidade da pesquisa, Flick (2004, p. 237) menciona que “essa palavra-chave é utilizada para indicar a combinação de diferentes métodos, grupos de estudos, ambientes locais e temporais e perspectivas teóricas distintas no tratamento de um fenômeno”. E como complementa Triviños (2008), o objetivo é incluir um escopo maior na descrição, explicação e compreensão da pesquisa. Entende-se, nesse caso, que a técnica de triangulação busca dar maior credibilidade à pesquisa pelo cruzamento de informações de dados de diferentes fontes para buscar a confiabilidade e validade da pesquisa.

De acordo com Triviños (2008), a técnica de triangulação pode ser vista a partir de três processos: processos e produtos centrados no sujeito, elementos produzidos pelo meio do sujeito e que tem incumbência em seu desempenho na comunidade e pelos processos e produtos originados através da estrutura socioeconômica.

Na primeira etapa, é verificada a percepção dos sujeitos a partir do pesquisador, através de entrevistas, questionários e pela observação dos comportamentos do sujeito através da observação. Na presente investigação foram utilizadas entrevistas com gerentes e

produtores, bem como a observação em relação ao comportamento dos mesmos durante o processo de investigação.

Na segunda fase, Triviños (2008) explana que os elementos produzidos pelo meio são os documentos internos relacionados com a vida peculiar das organizações e externos, que atingem os membros da comunidade em geral. Além disso, incluem documentos internos e externos instrumentos legais, como leis, decretos e resoluções e instrumentos oficiais, como diretrizes, atas e dados estatísticos.

Nesta pesquisa foram analisados os contratos feitos entre as cooperativas e cooperados, tanto para a filiação na cooperativa como para a entrega da produção do cooperado produtor de suínos, para a cooperativa. Além disso, buscou-se dados em fontes como leis, códigos e normas que regulamentam as cooperativas, entre outros. Assim, foram desenvolvidas as análises fazendo o cruzamento com os dados secundários, principalmente em relação ao contrato de parceria, e os dados primários obtidos através dos produtores e gestores das cooperativas.

Na terceira fase, Triviños (2008) refere-se aos modos de produção, às forças e às relações de trabalho. Nesse sentido, na presente investigação busca-se analisar os direitos de propriedade na relação entre as partes envolvidas na transação, bem como as implicações sobre as formas de contratação entre produtores e cooperativas. Assim, neste fase foi desenvolvido a triangulação dos dados com base nos dados primários, secundários e a base teórica apresentada na revisão da literatura. O autor deixa claro que a coleta e análise dos dados, na pesquisa qualitativa, são feitas de forma conjunta e essa separação, na maioria das vezes, só ocorre didaticamente. Nesse caso, a descrição dos sujeitos da pesquisa, documentos, entre outros,foram feitos conforme os fatos ocorreram, sendo descritas, explicadas e compreendidas pelo pesquisador à medida que isso foi possível dentro da técnica de triangulação.

Em relação à validade externa, para Merriam (1998), refere-se a como os resultados de um estudo podem ser aplicados a outras situações. Como mencionado na pesquisa qualitativa, a confiabilidade está direcionada para estudar um determinado fenômeno com coerência dos métodos e resultados alcançados. Para tanto, a autora explica três estratégias que podem aumentar a possibilidade de validade externa a estudos qualitativos:

1. Descrição rica e densa: sendo suficiente para que os leitores possam determinar se as situações correspondem de forma estreita à situação da pesquisa.

2. Categoria modal: que descreve como tipicamente o programa, evento ou indivíduo pode ser comparado com outro da mesma classe, fazendo com que os usuários possam fazer comparações com suas próprias situações.

3. Projetos multilocais: uso de vários locais, casos, situações, especialmente aquelas que maximizem a diversidade do fenômeno de interesse, o que permitirá que os resultados possam ser aplicados pelos leitores a uma maior variedade de outras situações.

Dessa forma, tem-se na presente investigação a preocupação de atender aos critérios estabelecidos de descrição detalhada do objeto de estudo, no caso das cooperativas suinícolas e os produtores cooperados. Para atender a esse critério foi desenvolvida a contextualização a cerca do tema (cooperativas e a cadeia suinícola) para que seja possível compreender tanto o aporte teórico que sustenta a pesquisa como a parte empírica da pesquisa. Além disso, buscou-se um panorama do setor cooperativista e da cadeia suinícola no Brasil, que serviram de base para compreender as mudanças e aspectos estratégicos de cada segmento.

Outra questão é a busca de estudos voltados para cooperativas e que tenham, também, utilizado a base teórica da Nova Economia Institucional. Desse modo, busca-se confiabilidade na pesquisa através da consistência teórica. Além disso, destaca-se ainda que na presente investigação foram estudadas duas cooperativas na região oeste para que seja possível aumentar o alcance deste estudo. Além, do cuidado com os dados coletados e a validação desses dados pelos entrevistados.