• Nenhum resultado encontrado

OS CURSOS LATO SENSU AUTOFINANCIADOS E CONVENIADOS NA UFPA E SUAS ESPECIFICIDADES

Nota 1: Valores atualizados com o IPCA de jan/2013.

Verificamos que houve um crescimento anual no total de recursos recebidos pela UFPA, assim como em cada fonte de receita, considerando-se tanto os valores previstos quanto os executados. Ratifica-se, assim, que as receitas advindas do Tesouro Nacional são as mais consistentes para o orçamento da UFPA, logo, são de fato estas receitas que garantem o desenvolvimento das atividades nessa universidade, bem como a manutenção de sua infraestrutura. O gráfico 3 mostra a evolução orçamentária a partir dos valores executados.

GRÁFICO 3 - Evolução da Distribuição Orçamentária da UFPA, em valores correntes executados, por fonte de receita – de 2008 a 2011

É evidente o crescimento na evolução dos recursos executados anualmente em todas as fontes de receitas. No tocante as demais receitas, estas também tiveram crescimento anual entre 2008 e 2011. No entanto, as receitas próprias são as com menor participação na composição orçamentária da UFPA. Além disso, verificamos uma grande variação entre os valores previstos e os executados, presente em todos os anos. Já as receitas de convênios possuem o segundo maior volume de recursos. Mas apesar do crescimento anual, estas ainda são parcas em relação aos repasses do Governo Federal.

A composição percentual dos recursos da UFPA que foram executados no período de 2008 a 2011 foram assim se constituindo:

TABELA 24 – Composição Percentual dos Recursos Executados da UFPA - 2008 a 2011

ANOS Tesouro Nacional Fontes de Receitas em % Receitas próprias Receitas de convênios

2008 89 0,8 10,2

2009 88.6 0,9 10,5

2010 88,4 1,3 10,3

2011 88,8 1,6 9,6

Fonte: Anuário PROPLAN 2009, 2010, 2011, 2012.

A partir da visualização dos dados acima, constatamos que, apesar de ter havido um crescimento em montante de valores, os percentuais mostram que houve redução dos recursos do Tesouro Nacional e das receitas de convênios, em relação ao total captado por ano. Mesmo tendo menor atuação no orçamento da UFPA, as receitas próprias mostraram evolução dos recursos, que, em termos percentuais, entre 2008 a 2011, dobraram sua participação.

Depreendemos, portanto, que no período analisado houve ampliação na busca por captação de receitas próprias. Diante da redução na oferta dos cursos

lato sensu entre 2010 e 2012, inferimos que essa ampliação se deu a partir de

outros mecanismos, os quais precisariam de uma análise mais detalhada para identificá-los, o que, entretanto, extrapola os objetivos de nossa pesquisa.

Inicialmente, nossa pesquisa intencionava apresentar os detalhamentos dos montantes captados para pagamento dos diferentes intervenientes (Administração Superior – PROAD e PROPESP, FADESP e Unidade Gestora e Executora) nos três institutos que estamos investigando (ICEN, ICS e ICED). Entretanto, o sistema de pós-graduação on line não especifica os valores por interveniente, apenas o total destinado para essa rubrica. Ao confrontarmos os Pareceres da Câmara do CONSEPE, encontramos uma grande maioria que faz essas delimitações. Contudo, os valores totais para as despesas com os intervenientes divergiam com o apresentado no sistema on line. Diante disso, optamos por mais uma vez considerar os valores apresentados no sistema.

Nesse cenário, ao analisarmos o total dos recursos repassados para pagamento dos diferentes intervenientes, no período de 2008 a 2012, obtivemos os seguintes valores demonstrados na Tabela 25.

diferentes intervenientes, por unidade acadêmica – de 2008 a 2012 Valores em milhares R$ UNIDADE

ACADÊMICA 2008 2009 ANO 2010 2011 2012 GERAL TOTAL

ICEN 386.386 339.133 351.805 39.804 72.866 1.189.994 ITEC 240.826 71.827 102.392 - 23.257 438.302 ICED - 11.335 41.517 52.852 ICJ - - - - 108.386 108.386 ICS 267.908 438.474 247.385 113.095 213.789 1.280.650 ICB 24.155 19.739 102.155 31.015 - 177.064 ILC 142.246 121.254 - 30.119 14.248 307.867 ICA 7.252 7.411 - - - 14.663 IG 127.669 248.586 - 509.686 - 885.941 ICSA 216.856 56.174 121.454 92.029 224.065 710.578 IFCH 51.412 167.292 - 149.426 56.759 424.890 IEMCI 176.416 76.826 - - 22.668 275.910 NMT 47.049 76.783 - 31.532 - 155.365 NUMA 164.080 69.597 35.367 15.516 13.926 298.485 NAEA 53.983 - - - - 53.983 NCADR - - - - - - HUBB 43.476 - - 12.096 - 55.572 INTERIOR 157.202 96.389 229.894 12.014 12.460 507.959 T TOOTTAALLGGEERRAALL 22..110066..991166 11..880000..882200 11..119900..445511 11..003366..333333 880033..994422 66..993388..446611 Fonte: Sistema de Pós-Graduação On Line. Acesso em jan/2013.

Nota 1: Valores atualizados com o IPCA de jan/2013.

É possível observar que algumas unidades contribuíram mais consistentemente nos repasses para a universidade, tais foram: Instituto de Ciências Exatas e Naturais – ICEN, Instituto de Ciências da Saúde – ICS (repassou o maior volume de recursos), o Instituto de Geociências – IG e o Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas – ICSA. Observamos que essas unidades são áreas extremamente atrativas para a sociedade do conhecimento e da informação e, consequentemente, mais afetadas pela compressão espaço-temporal. Aliado a isso, o conhecimento pluriversitário, analisado por Santos (2010), encontra nessas áreas a consolidação de suas premissas. Soma-se a isso, a exigência de um perfil de profissionais qualificados para atuar nesses mercados extremamente inconstantes e, ao mesmo tempo, competitivos e excludentes. Nessa perspectiva, a formação nos cursos lato sensu é essencial para a aquisição das habilidades profissionais para disputa de vaga no mercado de trabalho.

Apesar de a grande maioria das unidades ter pouca participação de repasses de recursos, o Hospital Universitário Barros Barreto – HUBB, Núcleo de Altos Estudos Amazônicos – NAEA, Instituto de Ciências da Educação – ICED e

Instituto de Ciências da Arte – ICA foram os que tiveram a menor participação, e o NCADR, que ofereceu apenas cursos gratuitos no período analisados.

Os montantes captados com despesas administrativas, por ano, decresceram, sendo 2008 e 2009 os anos em que houve a maior arrecadação de recursos, com R$ 2.106.916,00 e R$ 1.800.820,00, respectivamente. Entretanto, verificamos que os valores totais não foram desprezíveis no período analisado. Se compararmos com as receitas que compõe os “recursos próprios” apresentados na Tabela 20, e considerarmos que de fato a captação dos montantes por unidade acadêmica foram materializados, percebemos que os cursos lato sensu tiveram um crescimento inverso, à medida que os recursos próprios cresciam, as receitas advindas dos cursos lato sensu decresciam, apresentando os seguintes percentuais de participação nos valores executados: em 2008, representou 37%, em 2009, foi 24%, em 2010, 9,5%, e em 2011, 6,1%. Logo, a política de maior controle dos cursos mencionado pelo SG-02 teve grande influência tanto no quantitativo dos cursos quanto, consequentemente, na arrecadação dos recursos próprios.

Diante do cenário apresentado, a análise dos dados demonstra e reafirma o caráter público da UFPA, que se sustenta e mantém suas atividades essencialmente com recursos públicos. Logo, a busca por captação de recursos para avolumar as receitas da UFPA são estratégias que têm contribuído sim para sua manutenção, até porque os valores não são tão ínfimos, afinal são muitos milhões envolvidos, mesmo não tendo tanta representatividade no seu orçamento geral.

Em contrapartida, se analisarmos a estrutura da UFPA e sua distribuição nos vários municípios que compõem o Estado do Pará, e mesmo as assimetrias entre os campi do interior, esses são valores muito insuficientes, tanto dos recursos advindos do Governo Federal como das outras fontes de receitas próprias. De fato, há uma necessidade gigantesca de haver mais repasses para a manutenção dessa universidade. Ao estudar as ideias centrais que envolvem a expansão do mercado educacional e como a universidade deveria se adequar, Santos (2010) afirma que:

Em face disto, o atual paradigma institucional da universidade tem de ser substituído por um paradigma empresarial a que devem estar sujeitas tanto as universidades públicas como as privadas, e o mercado educacional em que estas intervêm deve ser desenhado globalmente para poder maximizar a sua rentabilidade (p. 31).

Nessa direção, há duas saídas para tal situação: ou cobra-se mais e se pressiona o Estado na sua participação em oferecer possibilidades reais de manutenção e funcionalidade das IFES e que se permitam desempenhar sua função com qualidade, ou então será necessário investir muito mais na insana busca por novas formas de arrecadar recursos próprios, adequando-se a qualquer lógica que garanta a sobrevivência das universidades públicas. E, nesse sentido, em breve todas as atividades da UFPA estão sob a lógica da privatização e mercantilização da educação, no seu formato mais perverso de destruição dos direitos sociais, a educação pública, gratuita e de qualidade nos estabelecimentos oficiais de ensino.