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A evolução do desenvolvimento tecnológico e a constante oferta aos mercados de produtos e serviços novos métodos produtivos, novas formas de organização e novas ferramentas de controle e gestão de ativos organizacionais em contraposição à escassez de recursos sob gestão destes mercados torna o ambiente de negócio, cada vez mais, dinâmico, complexo, assimétrico e, portanto, mais competitivo. Sobressair-se neste ambiente exige recionalidade no uso dos recursos disponíveis, constantes atualizações e dimensionamento dos aportes tecnológico e de capital, além de certo grau de audácia na visão estratégica do negócio para assegurar capacidade competitiva no presente e no futuro das organizações.

A disputa ou concorrência entre agentes dentro de um mercado para distinguir-se ou liderá-lo depende dos fatores de competitividade que detém em seu processo produtivo ou de oferta de seu produto/serviço a aquele mercado (recursos, estratégias, segmento, localidade, eficiência, produto), condição que torna a mensuração da competitividade tão variada quanto os fatores que a

compõe. Estas diferenças resultam de bases teóricas, percepções da dinâmica setorial e até ideologias com implicações sobre a avaliação da indústria ou setor analisado, bem como sobre a formulação de políticas setoriais (HAGUENAUER,1988).

Segundo a autora, a competitividade pode ser “definida como a capacidade de uma indústria (ou empresa) produzir mercadorias com padrões de qualidade específicos, requeridos por mercados determinados, utilizando recursos em níveis iguais ou inferiores aos que prevalecem em indústrias semelhantes no resto do mundo, durante certo período de tempo.” E, citando vários autores, afirma que pode ser medida ou avaliada sob aspectos e conceitos distintos. A saber: (i) desempenho (ex post12), (ii) eficiência (ex ante), (iii) preço e qualidade (adaptação a mercados distintos), (iv) tecnologia (divergência/convergência tecnológica), (v) salários (baixo/alto; dumping social), (vi) produtividade (best practice) (vii) e condições gerais de produção (upstreams): custos, obsolescência tecnológica, segmentos de mercado, capacidades internas – técnica, produtiva e organizacional avaliada por indicadores de eficiência produtiva e desempenho.

Teece, Pisano e Shuen (1997) 13 , sob abordagem microeconômica, compreende a vantagem competitiva de uma empresa como resultado de processos internos distintos (coordenação e combinação dos recursos), modelados pela posição relevante dos ativos de difícil substituição que possui (modelagem específica) e da trajetória de crescimento do negócio (criada ou herdada). A importância das variáveis de desempenho (dependência de trajetória) é ampliada quando as condições de crescimento – retorno crescente - existem. Quando e como se perde a competitividade de uma empresa depende da estabilidade de demanda do mercado de seus produtos/serviços e da facilidade em replicar ou imitá-los pelos concorrentes. Sugere ainda que a criação de valor de uma empresa em cenários de mudança tecnológica acelerada depende significativamente da adequação das capacidades internas (tecnologia, estrutura

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Competitividade ex post, segundo Kupfer (1991 apud RAULINO, 2008) é a competitividade demonstrada pelo desempenho (marketshare) decorrente de eficiência técnica (produtividade). Enquanto a ex ante refere-se à competitividade obtida pelas práticas que geram a eficiência produtiva (capacidades).

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A obra analisa os recursos e métodos de criação e apropriação de valor por empresas privadas que operam em ambiente de constantes mudanças tecnológicas.

organizacional) e processo de gestão. Em resumo: identificar novas oportunidades e organizar tais capacidades de forma eficaz e eficiente torna-se, em geral, mais importante do que criar estratégias concorrenciais – consideradas aquelas condutas comerciais que afastam os competidores, aumentam o custo dos rivais e exclui a possibilidade de novos entrantes.

Paiva et al. (2009) elenca outros autores que definem a competitividade sob a teoria da firma – teoria que considerada a firma/empresa como um modelo de eficiência de alocação de recursos (oferta/demanda; produção/custos) e não inclui as variáveis do contexto externo (macroeconômicas). E reconhece que, na teoria da competitividade, há sinais de tentativa de inserção de alguns conceitos que ampliam o conceito daquela teoria, complementando-a. São eles: equilíbrio, visão baseada em inovação, trajetória baseada em aprendizado organizacional, ganhos de escala, empreendedorismo e outros. Revelando, então, em seu estudo a evolução do conceito de competitividade vigente nas teorias econômicas tradicionais que tendem a integrar conceitos e variáveis relacionadas a ativos intangíveis e influência do ambiente externo. Tendência que é evidenciada por Kupfer (1991 apud PAIVA et al., 2009) quando diz que a competitividade é uma variável resultante do padrão de concorrência de mercado (variável determinante) e, por isso, não pode ser vista apenas como uma característica intrínseca de um produto ou firma, mas também da existência de uma dimensão extrínseca relacionada ao ambiente de negócio.

Para estes autores, a competitividade é um conceito relativo e dependente das características e fatores específicos que são considerados em sua análise (tecnologia, eficiência, salários e outros) ou, ainda, variante de referências internacionais que o setor ou empresa utiliza para comparar seu desempenho. Tais diferenças tornam o processo de comparação entre empresas e setores complexo e, sua análise multifacetada - condições que devem ser consideradas quando da elaboração de um planejamento estratégico, do enfoque das variáveis na análise das vantagens competitivas e da seleção dos indicadores de desempenho.

Para Possas (1996, p. 73 apud RAULINO, 2008) se o locus da concorrência é o mercado, os agentes são as empresas mediante formulação e

execução de estratégias competitivas. E alega que, como competitividade pressupõe capacidade inovativa, as condições específicas (tecnológicas, produtivas e de mercado) da indústria considerada em aspectos mais amplos (externalidades físicas, sociais, técnico-científicas; condições institucionais, aparato regulatório) são decisivas para que as empresas desenvolvam seu potencial competitivo, naturalmente diferenciado e assimétrico.

Neste trabalho, a competitividade será abordada como resultante de fatores ex post (desempenho, marketshare) e ex ante - capacidade das empresas se manterem no mercado, atingindo uma posição competitiva superior aos concorrentes por meio de melhoria constante dos processos, desenvolvimento de novos produtos e criação de valor sustentável em razão de seus ativos intangíveis e mecanismos estratégicos utilizados.