4 Indústria de Moldes Portuguesa
4.6 Vantagens competitivas e competências
Como vimos na introdução teórica, Hay e Wiliamson (1991) definem o termo vantagens competitivas como a aptidão das empresas para aceder a capacidades e a uma posição de mercado, que lhes darão vantagem em relação aos concorrentes. Essas “aptidões” proporcionam valor aos clientes e distinguem uma determinada empresa, sector ou país de todos os seus concorrentes. No fundo são aquelas coisas que essas organizações sabem fazer bem (e as quais os clientes dão valor), tão bem que se diferenciam de todos os concorrentes. Por sua vez, segundo a RBV, essas vantagens devem residir na articulação de recursos ou na utilização de competências específicas de cada empresa.
Comecemos pelo estudo de Mateus (2000)22 baseado num inquérito a empresas associadas da CEFAMOL – a Associação Nacional da Indústria de Moldes.
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Nota metodológica: a formulação deste ponto e dos três pontos seguintes resulta não só da análise de informação secundária, mas da interpretação dos resultados das entrevistas levadas a cabo na
Este estudo identifica três níveis distintos de factores críticos: no primeiro nível os factores considerados decisivos, no segundo nível os muito importantes e no terceiro, os factores interiorizados pela indústria como importantes.
Assim temos: Nível 1
• Prazo de entrega • Satisfação dos clientes • Qualidade do Produto Nível 2
• Credibilidade Técnica • Actualização Tecnológica • Lealdade dos Consumidores Nível 3
• Organização da empresa • Capacidade Técnica
• Conhecimento do Mercado • Contacto Personalizado
• Aposta na cooperação com cliente em soluções inovadoras
Mas se associarmos a este estudo outros dados, podemos criar um quadro de análise bastante mais amplo e complexo.
Na verdade a competitividade da indústria de moldes portuguesa parece residir na sua capacidade evolutiva. Ao longo dos anos estabeleceu-se um processo histórico de aprendizagem que permitiu a algumas empresas ganhar competitividade no mercado internacional. As empresas de moldes encetaram processos de alargamento da sua cadeia de valor (Gomes, 1996) que lhes permitiu incluir serviços de Marketing e de CRM (Customer Relationship Management), ou melhor do que hoje conhecemos por CRM, para além da componente técnica de produção. Este facto permitiu a essas empresas adquirir competências comerciais e organizacionais, o que se tornou extremamente relevante quando as próprias empresas não tinham dimensão económico-financeira para fazer investimentos constantes em novas tecnologias e
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equipamentos23 (Crespo, 2002). E não nos podemos esquecer que um molde é um produto único, e não algo produzido em massa, o que torna importantes as relações próximas entre cliente e produtor, sobretudo ao nível de desenvolvimento e design desse próprio molde (e da possível inovação). Este fortalecimento da relação cliente/fornecedor foi acelerado pela transmissão recíproca de dados relacionados com o projecto e a produção de moldes, fruto dos excelentes suportes informáticos em curso na indústria portuguesa. Duas das consequências deste aprofundar de relações são a especialização de empresas em áreas específicas (algumas trabalham somente com cavidades ou bases de moldes, polimentos, moldes de grande porte e outras em moldes de maior precisão) e o desenvolvimento da capacidade tecnológica e de inovação de empresas de moldes ligadas a multinacionais mais exigentes (ligadas à electrónica e ao sector automóvel).
Outros aspectos considerados relevantes na maior parte dos estudos são a qualidade dos moldes e os prazos de entrega (muitas vezes vitais para as indústrias clientes), a sólida experiência e Know-How (fruto, como foi dito, de processos históricos de aprendizagem), o rigoroso controlo de qualidade, o investimento em alta tecnologia, o reconhecimento da importância da utilização de novos conceitos como a Engenharia Simultânea ou Concorrente e a Qualidade Total, o alargamento da oferta de serviços de valor acrescentado a jusante e a montante do fabrico do molde (permite criar mais valor para o cliente, aumentar e rentabilidade de negócios mais conhecimento-intensivos) e finalmente as mudanças a nível de organização empresarial (consolidação de grupos económicos, nascimento de redes informais, desenvolvimento do marketing internacional) (Rodrigues, 2002).
Resumidamente, embora as vantagens competitivas possam residir em questões ligadas a Preços, Prazos e Qualidade (técnica ou tecnológica), estes factores só são possíveis de atingir graças à combinação de diferentes estratégias e recursos. Essas “estratégias” que combinam recursos não são mais do que as competências da indústria. Note-se que a definição de competências que utilizamos anda próxima da de Pralahad e Hamel, considerando-as como conjuntos de aptidões e de tecnologias que permitem à empresa oferecer um determinado benefício ao cliente, uma forma de combinar recursos que confere à empresa superioridade sobre os seus concorrentes.
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Embora se compararmos este sector com a maioria dos sectores industriais nacionais, podemos constatar que existe uma elevada renovação tecnológica.
Assim, sublinhamos as soft-skills ligadas ao marketing e à organização, a capacidade aprendizagem (através da formação ou através do simples fazer – learning by doing), a colaboração (com clientes ou com instituições do sector), a capacidade de compreender e utilizar de forma atempada novas tecnologias de fabrico (que vai muito do simples reinvestimento), as capacidades de avanço da cadeia de valor, de interpretação dos desejos do cliente (fornecendo serviços para além da produção e criando o correcto ambiente de negócio), a integração de conhecimentos locais, como algumas das aptidões essenciais para o sucesso ou seja, as competências nucleares. Note-se que estas competências se baseiam em recursos como estrutura financeira adequada, parque de maquinaria, formação dos recursos humanos, conhecimentos de gestão e engenharia, conhecimentos e experiência de produção de moldes.
Finalmente, podemos dizer que devido à actualização tecnológica e aprofundamento das relações que já referimos, as empresas nacionais avançaram para a produção de moldes complexos e partem hoje em dia para novos desafios24.