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5.2 Resultados

5.2.2 As entrevistas – 1998/99

5.2.2.1 Vantagens e desvantagens

Quando perguntados sobre as vantagens que percebiam no ensino a distância por videoconferência os professores foram unânimes em apontar os três aspectos principais também encontrados na bibliografia pesquisada: comodidade; economia de tempo e de esforço pela possibilidade de alcançar os lugares mais remotos sem sair de sua cidade; atendimento a um número vasto de alunos situados em locais impossíveis de serem alcançados em outras condições. Também foram considerados vantajosos os seguintes fatores: a função social do professor no sentido de estar colaborando para a democratização do conhecimento; a diluição do tempo do curso num formato extensivo

e não intensivo como os chamados cursos fora de sede25; o poder multiplicador; o desafio profissional; a ampliação de recursos didáticos disponíveis no ambiente de trabalho; as características positivas dos alunos (diversidade de formação, experiência profissional, realidades regionais) como um ganho para o professor.

Quando perguntados sobre as desvantagens, a maioria dos professores foi unânime em afirmar que via apenas os lados positivos. Mas, a partir da insistência da pergunta, do cruzamento com outras respostas, pela observação das aulas e mesmo conversas informais com os docentes, conseguimos listar uma série de desvantagens em relação à aula presencial. As desvantagens percebidas pelos professores podem ser divididas em quatro tipos: técnicas, ergonômicas, comunicacionais, didáticas e discentes. Dentre as técnicas, a confiabilidade do meio foi a principal desvantagem citada no início, principalmente quanto às dificuldades de conexão, já que a queda da ligação telefônica impedia a continuação da aula. Com o passar do tempo, essas quedas continuaram a acontecer mas em menor número, o que mesmo assim atrapalhava o andamento da aula, segundo a maioria dos professores que passaram por isso.

A qualidade de som e imagem também foi citada como uma grande desvantagem sendo compensada muitas vezes pelo bom relacionamento com o monitor técnico presente na sala remota, apontado como de fundamental auxílio pelos professores. Muitos inclusive, se referiram ao monitor como se ele fosse uma extensão de seus olhos e ouvidos na sala remota. Neste sentido, alguns relataram que pediam constantemente para os monitores mostrarem determinado aluno ou parte da sala, ou mesmo para “fechar” mais a imagem no aluno que estava falando, para vê-lo melhor. Essa “cumplicidade” existia também do lado dos monitores. Alguns relataram para esta pesquisadora, que muitas vezes apontavam a câmera para os alunos que estavam conversando ou saindo da sala, para que o professor pudesse ver o que estava ocorrendo fora do seu ângulo de visão no momento e, que, se não fosse mostrado dessa maneira, passaria desapercebido. Além disso, a dificuldade de ver e ouvir os alunos do outro lado foi citada como um elemento complicador na hora de reconhecer os alunos num encontro presencial posterior.

25 Cursos fora de sede são aqueles convênios entre universidades centrais e instituições espalhadas em lugares remotos do país, nos quais os professores vão até onde estão os alunos, ministrando aulas presenciais, geralmente nos finais de semana, em regime concentrado.

No caso das aulas multiponto, o fato de não ver todas as salas de uma vez só, foi considerado desvantagem por um professor, por causa da “perda de controle” do que acontecia em todos os pontos ao mesmo tempo. No caso da primeira turma da Petrobras, foi observado que os professores preferiam a sala onde havia mais alunos, em detrimento daquelas onde havia apenas um ou dois estudantes. Estes, muitas vezes, se não interferiam, acabavam passando a aula toda no esquecimento. Acontecia também do professor fazer um “giro” pelas salas e o aluno não estar lá, ou estar falando ao celular ou conversando com outro funcionário, que era possível pois as aulas eram assistidas numa sala dentro da empresa. Os alunos justificavam esses momentos pela cobrança que muitas vezes vinha da sua seção ou posto de trabalho e que interferia não só na atenção como no rendimento na aula. De qualquer modo, esses incidentes eram raros mas aconteciam e acabavam se tornando motivo de chacota dos outros alunos e do próprio professor durante o curso.

As queixas quanto às desvantagens da videoconferência na comunicação com os alunos, na maioria dos depoimentos estavam ligadas à dificuldade de visualização/audição próprias do estágio de desenvolvimento do ambiente tecnológico. A baixa velocidade de transmissão transformava a imagem dos alunos em borrões ou imagens desfocadas e a carência de microfones nas salas atrapalhava a fluência do diálogo. Foi observado que, tanto professores quanto alunos demoravam um certo tempo para “encontrar” um ritmo na troca vocal, falando juntos muitas vezes ou ficando em silêncio ao mesmo tempo. Também foi observado que os professores, mesmo não escutando direito os alunos, prosseguiam no diálogo, sem que lhes passasse pela cabeça pedir, por exemplo, que o aluno falasse mais alto, pegasse no microfone que estava muito longe ou repetisse a frase. Era como se não quisessem interromper um equilíbrio tão duramente conquistado, pedindo para que o aluno falasse de novo. Esses pequenos detalhes de correção do uso e da dinâmica da videoconferência foram observados muitas vezes nas aulas de diferentes professores e, provavelmente contribuíam para um resultado final de cansaço para o professor. A dificuldade de se perceber o que acontecia na sala a distância portanto, não estava só relacionada à qualidade da imagem mas também à do som. Uma das conseqüências das limitações no diálogo era a dificuldade de individualizar a relação com os alunos, já que o que se passava na

videoconferência era público, não havendo na hora da aula, a conversa com um ou poucos estudantes em particular, fato comum no presencial.

Uma outra desvantagem citada pelos professores, especialmente em 1998, era o fato da ferramenta Web ainda não estar totalmente pronta e apresentar uma série de problemas, principalmente com relação ao tempo de acesso para baixar e navegar pela página. Mesmo depois de passar por várias versões e aperfeiçoamentos, em 1999, muitos professores relataram que não usavam todo o ambiente Web, se limitando a algumas ferramentas específicas.

A desvantagem ergonômica residia no fato de estar trabalhando em um ambiente audiovisual tecnológico, o que exigia dos professores um esforço físico e emocional considerável. A maioria reclamou do cansaço que a aula pela videoconferência acarretava, dizendo que saiam exaustos depois de quatro horas dentro do estúdio. Nas entrevistas, os professores não citaram os aspectos técnicos do ambiente como desvantagem, mas na observação das aulas, percebia-se que reclamavam do ar condicionado constantemente ligado, de problemas alérgicos por causa da forração acústica das paredes, de dor nas costas e nas pernas por ficar tanto tempo sentados.

Uma outra grande desvantagem para o processo de ensino/aprendizado citada residia no fato do professor não poder estar presente no mesmo local que os alunos. Algumas disciplinas traziam dificuldades específicas com relação ao uso da interface, como se pode perceber no depoimento de um professor da área de cálculo e estatística, que não sabia como resolver a impossibilidade de não poder fazer o acompanhamento aluno a aluno na hora do exercício, como estava acostumado. Este professor também teve muitos problemas para tornar visíveis suas equações numéricas, escritas em uma grande seqüência horizontal, incompatível com o formato 3x4 da televisão. Em seu depoimento, percebia-se a frustração de fracassar em todas as tentativas até aquele momento por não poder cortar em pedaços a informação como era preciso mas ao mesmo tempo não conseguir que os alunos enxergassem direito. Relacionado a isso, o maior tempo de preparo e a impossibilidade de usar todo o material didático do presencial foram apontados por todos os professores como uma desvantagem.

O fato dos alunos em sua grande maioria não serem liberados de seus compromissos profissionais e terem mais barreiras para ter acesso à informação, também foi considerado uma desvantagem de ensinar a distância. Da mesma maneira, a

ausência de contato com o ambiente acadêmico da universidade tradicional, representado pela convivência com o conjunto dos alunos e professores, era uma desvantagem já que “o aluno restringe sua formação ao ambiente em que sempre viveu,

compartilhando com os problemas do cotidiano, o que certamente pesará em seu rendimento acadêmico.”