2.2 DIVERSIFICAÇÃO
2.2.4 Vantagens e Desvantagens da Diversificação
Penrose (1990) aponta que a firma sem nenhuma especialização é tão vulnerável quanto a empresa altamente especializada, atestando que para sustentar sua posição no mercado, a firma especializada, deve ser capaz de desenvolver profundo conhecimento técnico e de mercado que propicie absorver as inovações. E a firma diversificada deve canalizar fundos para todos os seus campos de atuação para manter-se a salvo da competição.
Barney (1996) apresenta que de modo geral a literatura, entre as décadas de 1970 e 1990, aponta que a diversificação não-relacionada adiciona menos valor a firma que a diversificação relacionada, o Quadro 6 apresenta a literatura, que faz a relação entre diversificação e performance da firma, examinada por Barney (1996) e os achados dos autores.
Rumelt (1977) observou que as estratégias de diversificação Dominante por Restrições e a Relacionada por Restrições obtiveram maior performance, posteriormente, Rumelt (1982) afirma que a estratégia de diversificação Relacionamento por Restrições apresenta maior performance, sendo que as causas centrais são: o acesso a potenciais economias de escopo, a capacidade de extensão das habilidades especializadas em áreas afins, exploração de competências de difícil imitação são capazes de gerar vantagem competitiva sustentável, e, a tendência de escolher mercados mais concentrados (CHRISTENSEN e MONTGOMERY, 1981), maior concentração de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e marketing (BETTIS, 1981).
Montgomery (1994) apresenta que diferentes abordagens sobre diversificação obtêm resultados distintos sobre a relação diversificação e desempenho. Assim, na (1) visão baseada no poder de mercado há relação positiva entre diversificação e desempenho. A ampliação do escopo de operações possibilita a obtenção de vantagem competitiva (PORTER, 1990), aumento das habilidades de compartilhamento e coordenação de atividades (GERINGER et al., 1989).
AUTORES ACHADOS COMENTÁRIOS
Weston e Mansighka, 1971 Diversificação maior performance que não diversificação
Diferença não é estatisticamente significante.
Rumelt, 1974 Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Aplicação próxima das definições do Quadro 1.
Berry, 1975 Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Diversificação definida através do código SIC da Indústria.
Levitt, 1975 Diversificação maior performance que não diversificação
Compara meios alternativos de diversificação.
Salter e Weinhold, 1979 Diversificação não-relacionada maior performance que média da indústria
Jacquemin e Barry, 1979 Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Diversificação definida através do código SIC da Indústria.
Christensen e Montgomery, 1981
Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Maioria das diferenças de performance devido a Pesquisa e Desenvolvimento, risco e intensidade de capital.
Bettis, 1981 Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Economias de mercado, pesquisa e desenvolvimento, risco, importante intensidade de capital.
Bettis e Hall, 1982 Não há diferença entre relacionada e não relacionada Achados de Rumelt devido viés da amostra Rumelt, 1982 Diversificação relacionada maior performance que
não relacionada
Controle sobre a estrutura de mercado Backaitis et al, 1984 Diversificação relacionada maior performance que
não relacionada
Focado no papel do poder do mercado.
Michel e Shaked, 1984 Diversificação não-relacionada maior performance que relacionada
Reverso dos achados tradicionais.
Lecraw, 1984 Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Amostra canadense, retorno do ativo Montgomery e Singh, 1984 Diversificação não-relacionada tem maior risco
sistemático
Dúvida e posição de liderança do mercado fazem aumentar o risco.
Bettis e Mahajan, 1985 Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Necessidade de relacionamento mas não suficiente para alta performance, controle sobre crescimento da indústria.
Papelu, 1985 Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Varadarajan, 1986 Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Jose, Nichols e Stevens, 1986
Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Foco no valor de mercado da firma, controle para pesquisa e desenvolvimento e atividades promocionais.
Grant et al, 1986 Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Ambos produtos e diversificação internacional são importantes.
Galbraith et al, 1986 Diversificação não-relacionada mais valiosa em certas condições
Varadarajan e Ramanujam, 1987
Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Foco no retorno do ativo e investimento de capital.
Dubofsky e Varadarajan, 1987
Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Risco ajustado retorno do ativo.
Grant et al, 1988 Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Amostra Reino Unido Amit e Livnatt, 1988ª Diversificação relacionada maior performance que
não relacionada
Diversificação não-relacionada conduz a estabilidade do fluxo de caixa e alta alavancagem.
Amit e Livnat, 1988b Diversificação não-relacionada é associada com menor risco.
Simmods, 1990 Diversificação relacionada não tem maior performance que a não-relacionada
Controle sobre efeitos de fusões e aquisições na performance da firma.
Nguyen e Devinney, 1990 Atividades tecnologicamente relacionadas geram economias de escopo.
Amostra canadense Grant e Jammine, 1988 Diversificação relacionada não tem maior
performance que a não-relacionada
Controle dos efeitos da indústria, amostra Reino Unido
Robins e Wiersma, 1995 Diversificação relacionada maior performance que não relacionada
Medição do relacionamento pelo foco na competência essencial através do negócio.
Quadro 6 - Valor da Diversificação Relacionada e Não Relacionada Fonte: adaptado de Barney (1996)
Nelson (1959) apresenta a hipótese de que firmas mais diversificada em mercados de produtos investirão de forma mais significativa em pesquisa básica para assim assumir mercados de informação imperfeitos para serem mais hábeis no aproveitamento de suas descobertas.
(2) Perspectiva da agência relação negativa entre diversificação e maximização do desempenho (MONTGOMERY, 1994). Hoskisson e Hitt (1994) discutem a respeito da diversificação de produto e o desempenho, que para algumas pesquisas as diversificações relacionadas apresentam desempenho superior, enquanto para outras a diversificação não-relacionada apresenta desempenho superior, e afirmam haver uma maior complexidade do que a apresentada em pesquisas anteriores, pois este tipo de diversificação é motivado pela diluição dos riscos em diferentes mercados, não oferece valor ao acionista, mas diminui os riscos relacionados à empregabilidade do gerente e de falha da firma.
(3) Perspectiva dos recursos – quanto mais específicos os recursos acumulados, menores possibilidades de diversificação sem que haja comprometimento da lucratividade potencial. Por outro lado quanto mais genéricos os recursos deve-se buscar elevar o grau de diversificação para alcançar lucratividade equivalente (MONTGOMERY, 1994). Silverman (1999) sugere que a base de recursos tecnológicos da firma influência significativamente suas decisões de diversificação. Os achados de Montgomery e Hariharam (1991) evidenciam que firmas apresentam tendências de diversificação em indústrias com similaridades na intensidade em pesquisa e desenvolvimento, uso de propaganda e gastos de capital.
As evidências encontradas por Farjoun (1994) mostram que existe uma tendência de uma firma diversificar para indústrias que usam os mesmos padrões de conhecimento ou similares.
A identificação dos ativos estratégicos e das forças competitivas da empresa pode minimizar os riscos inerentes a escolha de diversificação, conforme sugere Markides (1997), caso contrário não serão atingidos os objetivos desejados e poderá incorrer na deterioração do valor da empresa. De modo similar Guimarães (1987) sugere que a obtenção do sucesso com investimento em uma nova indústria está relacionada a capacidade de utilizar a tecnologia associada à nova indústria, além de alcançar eficientemente custos competitivos.
Com relação a diversificações horizontais não-relacionadas Anslinger e Copeland (1996) descrevem características comuns a casos de sucesso de tipo de
diversificação. (1) o foco para criação de valor está no aperfeiçoamento da área operacional; (2) os talentos dos administradores responsáveis são fundamentais para imprimir as inovações operacionais essenciais para a criação de valor; (3) as empresas adquirentes possuem um criterioso processo para selecionar o administrador responsável e um plano agressivo de motivação e remuneração vinculado a resultados e fluxo de caixa. (4) estão explícitos no processo o fator tempo e urgência, para dar senso de desafio, disciplina e prioridade de ações, e, 5) a interação entre gerentes, diretores e acionistas, resultante de uma estrutura horizontal.
O que se deve considerar é que mesmo a diversificação sendo classificado por diversos autores como uma estratégia de crescimento (ANSOFF, 1990;
WRIGHT, KROLL e PARNELL, 2000). Vários teóricos como visto anteriormente buscam a relação, positiva ou negativa, entre a diversificação ou tipo específico de diversificação com o desempenho, mas acredita-se que ela pode provocar a sustentabilidade da firma sem necessariamente promover o crescimento, ou seja, os ganhos obtidos através da diversificação, independente do tipo, podem ser intangíveis. Para efeitos deste trabalho, a descrição do perfil da diversificação relaciona-se a seguinte convenção: para os movimentos dentro da cadeia produtiva que geraram alterações na estrutura gestão, diversificação horizontal, a jusante ou a montante. Quando há ampliação de portfólio de produtos de base tecnológica distinta da existente, diversificação vertical e para o atendimento a novos mercados, incluindo a expansão geográfica, diversificação longitudinal. Conforme ilustra a Figura 9. Não é descartada a origem da diversificação: interna ou externa; e iniciativas de alianças, mesmo que por participações minoritárias. O nível de diversificação será observado pelo modelo de Rumelt (1977) e o perfil da diversificação pelo modelo de Galbraith (2006).
Figura 9 - Convenção de Nomenclatura Fonte: a autora