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Vantagens e Desvantagens do Pregão Eletrônico

Integra todos os interessados: O pregão eletrônico é uma das formas mais democráticas de participação em licitações. Porque independentemente de onde o licitante trabalhe, ele consegue participar de qualquer processo licitatório. Assim sendo, basta ele ficar atento às regras, datas e horários, que devem estar registradas no edital, e participar on-line, de onde estiver.

Maior transparência: A transparência é um dos principais pontos dessa modalidade, o que reduz o risco de fraudes e concorrência desleal. Uma vez que como há a apresentação de um maior número de propostas e mais serviços com qualidades diferentes e diversificados, a Administração Pública tem a possibilidade de escolher a empresa que se adequa mais às suas necessidades.

Agilidade: A maior rapidez de todo o processo deve-se ao fato de que não ser necessário a presença física dos interessados em participar do certame. Ou seja, eles podem participar do processo de qualquer lugar, porque todo o processo acontece via internet.

Economia do dinheiro público: O contratante, com mais propostas, há mais competitividade, entretanto, a chance de a variação de lances ser maior aumenta. Desta forma, a chance de ser apresentado um valor menor e melhor é maior, o que faz com que o Poder Público, ao contratar bens e serviços comuns, gaste menos dinheiro público na contratação.

Segundo informações colhidas no sítio de compras do Governo Federal na internet:

[...] o pregão eletrônico simplifica os procedimentos de compras é mais barato tanto para a Administração Pública quanto para o fornecedor. Essa modalidade / reduz o custo de participação dos fornecedores nas licitações porque não exige que a empresa desloque seus funcionários já que todos os procedimentos ocorrem pela Internet. Com a ampliação dos concorrentes e a disputa realizada entre os fornecedores, o Governo obtém pregos menores. A economia obtida pelo pregão eletrônico no Governo Federal varia entre 20% a 30%.29

Outro ponto a destacar e a substituição da análise burocrática de documentos para um maior aproveitamento de tempo na fase de negociação. Nas demais modalidades de licitações, primeiro se analisam os documentos de habilitação para, depois, abrir e julgar as propostas.

29 Governo Federal. http://www.comprasnet.gov.br/noticias/noticias1.asp?id_noticia=180

Na modalidade pregão, só é analisada a habilitação do licitante, cuja proposta foi a de menor preço, consoante dispões o artigo 25 do Decreto n° 5.450/05: "encerrada a etapa de lances, o pregoeiro examinará a proposta classificada em primeiro lugar quanta a compatibilidade do preço em relação ao estimado para contratação e verificará a habilitação do licitante conforme disposição do edital".30

Do ponto de vista da transparência, o pregão eletrônico tem-se mostrado uma modalidade que proporciona a qualquer cidadão, em qualquer parte do mundo, a possibilidade de acompanhar a sessão pública realizada na internet em tempo real. Este fato não acontece nas demais modalidades, cujos procedimentos dificultam o acompanhamento do desenrolar dos fatos pelo cidadão de forma mais presente e efetiva.

Dessa forma, a possibilidade de se fraudar a licitação diminui na medida em que as informações sobre o processo são divulgadas de forma mais completa na internet, podendo o cidadão conferir os contratos firmados entre o ente da Administração Pública e o particular bem como se essas contratações estão sendo procedidas de acordo com a legalidade.

Segundo Piscitelli:

A forma eletrônica do pregão imprime maior transparência e agilidade aos atos do pregoeiro, uma vez que todo o procedimento e feito online, permitindo que a sociedade tome conhecimento, em tempo real, de todos os detalhes da negociação, ou seja, da apresentação dos lances e escolha, pelo pregoeiro, do lance de menor preço.31

A questão da agilidade na condução do pregão e um importante aspecto a se destacar.

A empresa que está interessada em adquirir bens ou serviços para a sua estrutura organizacional terá mais benefícios econômicos e administrativos tanto quanto esses bens ou serviços estejam mais rapidamente disponíveis para uso.

Em todos os processos organizacionais o fator tempo e decisivo. Quanto mais cedo sejam realizados os atos da empresa mais resultados econômicos e sociais poderão trazer. Os atos do pregoeiro, todos os passos na condução do pregão eletrônico, no início do processo de aquisição desses bens ou serviços, concorrem para o ganho de tempo na compra e utilização daquilo que a empresa está adquirindo através dessa modalidade. Segundo informações disponíveis no sítio Conlicitação:

[...] o Governo Federal estima que o tempo de aquisição de produtos e serviços seja reduzido de 45 para 8 dias. Essa redução pode ser justificada pela inversão do processo de habilitação. Só com o de classificação das propostas. Na licitação tradicional, a

30 PISCITELLI, Roberto Bocaccio; TIMBÓ, Maria Zulene Farias; ROSA, maria Berenice. Contabilidade pública:

uma abordagem da administração financeira pública. 9ed. São Paulo: Atlas, 2006. p.236.

31 Ibidem. p. 236.

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habilitação das propostas ocorre no início do processo, dando vazão à entrada de recursos - administrativos e/ou judiciais - e seus consequentes prazos necessários, prolongando o procedimento. Levando-se em consideração que a revisão dos documentos ocorre somente para a empresa vencedora, os gastos excessivos, inclusive de tempo, são eliminados, diferentemente do que ocorre nos processos tradicionais, onde são avaliados todos os concorrentes no início da licitação.”32

Ademais, é de se destacar que até a conclusão da etapa de lances os licitantes e o pregoeiro não têm como conferir o nome dos participantes. Assim, qualquer ação que tente inibir a competitividade e descartada, posto que, para alcançar a primeira colocação, cada concorrente deverá diminuir continuamente o prego. Portanto, a sistemática do pregão eletrônico tanto favorece a aplicação do Princípio da Impessoalidade quanto evita a combinação de preços entre os participantes. Em face disto, a Administração Pública só terá ao que ganhar em termo de segurança na aplicação dos recursos.

O pregão eletrônico tem recebido elogios de organismos internacionais, a exemplo do Banco Mundial (Bird). Segundo o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, por meio de nota disponível no Sistema Comprasnet:

[...] levantamentos do Banco Mundial (Bird) apontam o Brasil como o maior comprador por meio de leilão reverso eletrônico do mundo e que o sistema de aquisições eletrônicas do país atende aos padrões de qualidade estabelecidos pelo organismo financeiro internacional nessa área. Num estudo realizado pelo Bird nessa área, o Comprasnet atingiu os patamares máximos de eficiência nos indicadores que avaliaram a transparência na divulgação das licitações e de seus respectivos resultados e na utilização de métodos de licitação competitivos. O Bird analisou as contratações de 2005 e dos três primeiros meses de 2006. Segundo o coordenador do estudo, Alexandre Borges de Oliveira, o sistema brasileiro 6 uma referenda na compra de bens e serviços padronizados para a administração pública. Dados estatísticos mostram um significativo corte no prazo para a conclusão de licitações e ao mesmo tempo a obtenção de uma boa competitividade pelos contratos do governo, frisou. Ele acrescentou que o sistema permite produzir informações e dados gerenciais que são usados em decisões estratégicas e no planejamento de compras futuras. O Comprasnet foi primeiro sistema do gênero no mundo aceito pelo Banco Mundial e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para aquisições envolvendo recursos de ambos os organismos financeiros internacionais.33

A tecnologia da informação e o traço marcante da pós-modernidade, trazendo benefícios de toda a ordem. Contudo, tais benefícios não são compartilhados por todos, condenando parcela expressiva dos indivíduos, a realidade distante da tecnologia. Sendo esta, a desvantagem do pregão eletrônico.

O êxito do pregão pressupõe disposição da tecnologia adequada, ou seja, é recomendável que o licitante disponha de adequado equipamento, de internet de banda larga.

32 Conlicitação (2007) conlicitacao.com.br/namidia/pregao-eletronico-como-arma-contra-a-corrupcao/

33 Ibidem.

E o fato é que existem inúmeras empresas e pessoas, fornecedores da Administração Pública, ainda não informatizadas, que não dispõem da tecnologia e do conhecimento para participar com sucesso do pregão eletrônico. Contudo, a Administração Pública não deve parar no tempo, nem adotar posição refrataria a novas tecnologias.

Algumas novidades devem ser implementadas com prudência, de maneira paulatina.

Assim, é preponderante a experiência dos agentes administrativos envolvidos no processo de licitação, que conhecem os fornecedores e sabem em quais segmentos devem adotar o pregão eletrônico e em quais as novidades devem ser implementadas com mais moderação.

Percebe-se então, que tal desvantagem pode ser perfeitamente contornada, desde que haja sensibilidade para saber quando e em que situações utilizar o pregão eletrônico.

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6 CONCLUSÃO

Observamos, a modalidade denominada pregão, que pode ser utilizada para uma infinidade bens denominados comuns, trouxe inúmeros benefícios para a Administração Pública. Com um Estado cada vez mais complexo e necessitado de contratações, o pregão torna os certames mais céleres em virtude de sua sequência procedimental, além de que, funcionando como um leilão às avessas, os licitantes disputam entre si, dando lances e diminuindo os preços das propostas, trazendo uma enorme economia aos cofres públicos. Cabe ainda ressaltar que o pregão não possui um valor limite para sua utilização, já que o mesmo é utilizado tendo em vista a natureza “comum” dos bens e serviços, dessa maneira, possibilitando seu uso para certames dos mais diversos produtos. Se o pregão já realizou uma efetiva transformação do universo licitatório no país, o pregão eletrônico ampliou ainda mais esse viés de dinamicidade das compras públicas. A modalidade proporcionou uma maior economia tanto para a Administração Pública quanto para os licitantes, já que não ocorre uma sessão presencial solene para fins de disputa, a qual demanda toda uma preparação de pessoal e de local, além dos custos de deslocamento. O único gasto é o próprio acesso à internet, a qual, atualmente, é cada vez mais necessária à vida em sociedade. Sendo assim, por meio da modalidade eletrônica, ampliou-se o número de fornecedores dispostos a contratar com a esfera pública, tornando as disputas licitatórias mais competitivas e vantajosas para a Administração, o que propiciou sua obrigatoriedade relativa no âmbito Federal. Adentrando em tal esfera cibernética, o Estado busca se modernizar e aproveitar as vantagens das novas tecnologias. No entanto, também está propício a sofrer problemas em virtude de tal transformação, o que é natural e necessário para a adaptação do setor público em tal meio.

Nesse contexto, surgem discursos calorosos em torno do uso do pregão eletrônico, de modo que nos preocupamos em apontar temas muitas vezes polêmicos no presente trabalho, a fim de demonstrar que o Estado, ao fazer uso de tais tecnologias, deve buscar sempre aprimoramento evitando atividades fraudulentas nas disputas e atentar para questões de isonomia frente às disparidades tecnológicas, já que tal universo está intimamente ligado à modernização e aumento de possibilidades. Desse modo, mudanças pontuais poderão ser necessárias no instituto com o intuito de acompanhar o fluxo de inovações. Por fim, ressalta-se que mesmo com alguns temas propícios de polêmicas, o advento do pregão eletrônico trouxe enormes vantagens para a Administração Pública. E, com base nas experiências advindas do recente histórico de utilização, pode-se dizer, sem sombra de dúvidas, que as vantagens são superiores aos obstáculos e deficiências de sua utilização.

REFERÊNCIAS

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