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Vantagens e desvantagens dos nomes locais ou populares

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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 PERCEPÇÃO DOS PESQUISADORES SOBRE OS INFORMANTES LOCAIS

4.1.4 Vantagens e desvantagens dos nomes locais ou populares

Na tabela 8 são apresentadas algumas unidades de contexto (UC) que de forma geral representam o ponto de vista dos pesquisadores entrevistados em relação ao uso de nomes locais ou populares de plantas nas pesquisas científicas.

Tabela 8: Unidades de contexto referentes às vantagens e desvantagens associadas ao uso de nomes locais ou populares.

RESTRIÇÕES ASSOCIADAS AO USO DOS NOMES LOCAIS OU POPULARES

ASPECTOS POSITIVOS RELATIVOS AO

USO DOS NOMES LOCAIS OU

POPULARES

“... eu acho que você não deve usar uma informação de mateiro, que dá uma informação de uma planta local, um nome popular, que muitas vezes outras plantas têm o mesmo nome...”

“... você pode dar o nome que ele deu o nome popular, sempre tendo a ideia das limitações porque o nome popular ele pode empregar o mesmo nome popular para mais de uma espécie então quando você tem o nome popular, você ainda não sabe se essa e a outra são as mesmas ou são diferentes...”

“... estudando determinada área se você tiver os nomes populares dali, aquela pesquisa vai ter um acesso maior para população.”

“... o nome popular de todo jeito não é uma indicação científica, mas ele me dá digamos assim um roteiro pra eu chegar àquela família, o gênero, espécie.”

“e muitas vezes mateiros de lá de coleta de sementes não falava a mesma língua de mateiro meu associado a reconhecimento das espécies, falavam nome diferente vulgar. Então nome vulgar tem essa conotação, ele pode variar regionalmente, pode variar entre estados e também até local mesmo.”

“... Então já é uma dica muito grande pra quem tá fazendo levantamento florístico. Porque você já tem uma ideia de que família é.”

“... já é uma referência você já tem um nome, aquela pessoa vai reconhecer essa planta quando ela for outra vez entrar na sua amostra, isso tudo vai facilitando.”

“acho muito importante o nome vulgar e a única forma de constar o nome vulgar é ele dizer. Se eu coletar o material botânico, eu posso ter identificação botânica pelo herbário, mas o nome vulgar é ele que vai dizer, porque eu não posso dar um outro nome popular.”

Fonte: Dantas (2012)

Foi destacada pelos pesquisadores entrevistados a importância dos nomes locais como meio de comunicação entre os pesquisadores e a população local: “Seu Antônio me leva ali numa mirindiba que eu quero coletar semente”.

Uma das limitações de identificação botânica envolvendo informantes locais foi citada por Albuquerque (1999, p. 301) considerando estudos das “ervas sagradas na umbanda”:

Geralmente os relatos que se dispõe são precários, justificado pelo fato que os autores desses relatos, não sendo botânicos, procedem a identificação científica pela ‘coincidência vernacular’, ou seja, de posse do nome popular procuraram relacionar através da literatura o nome científico correspondente, sem que a planta tenha passado por um estudo sério nas mãos de taxonomistas.

No entanto, considerando o grupo de pesquisadores aqui consultados, a “coincidência vernacular” não se configura como um problema, já que a maior parte dos pesquisadores se reconhece na obrigação de checar se o nome local que está sendo dado pelo mateiro é correto ou não, de acordo com a literatura especializada. Neste sentido Nogueira et al (2004 ) realizou teste de confiabilidade para nomes locais fornecido por mateiro no estado do Amazonas. Na análise deste último autor, os nomes locais foram transformados em nomes científicos através da consulta à literatura. O autor verificou que apenas 53% dos nomes científicos inferidos a partir dos nomes comuns provaram ser corretos. Entretanto, vale ressaltar que o nome comum mencionado pelo mateiro foi

considerado correto por Nogueira et al (2004 ) quando existiam nomes comuns semelhantes na literatura. Investigações sobre correspondências entre nomes locais e nomes científicos de plantas são interessantes, mas é necessário frisar que pode acontecer de um nome local ser mencionado pelo mateiro, mesmo não existindo, ainda, nome correspondente na literatura e se tratar de uma nova espécie. Outro ponto é que eventualmente o erro pode estar no modo de fazer a inferência e não na informação fornecida pelo mateiro.

As restrições associadas aos nomes locais ou populares citadas pelos pesquisadores estão relacionadas aos erros que podem ocorrer ao generalizar o uso de nomes locais de plantas. Os exemplos relatados pelos entrevistados estão, de forma geral, associados a descrição que segue de Silva (2011): “Uma espécie botânica de planta poderá apresentar vários nomes, caracterizado como erros de divisão (“ splitting error”) e várias espécies botânicas um mesmo nome popular ou erro de acumulação (“lumping errors”) (BASSET et al., 2004 apud SILVA,2011; KRELL, 2004 apud SILVA,2011; BARALOTO et al., 2007 apud SILVA,2011). Hanazaki (2010) investigou o consenso entre sete especialistas locais no reconhecimento e denominação de espécies arbóreas na floresta atlântica no estado de São Paulo e verificou que houve casos de mais de um nome popular para uma espécie botânica; ou seja, como comentou o pesquisador: “...nome vulgar tem essa conotação, ele pode variar regionalmente, pode variar entre estados e também até local mesmo’’( tabela 8).

Diferenças na relação que se configura entre diferentes profissionais que realizam levantamentos florísticos e nomes locais ou populares foram relatadas por um pesquisador entrevistado:

“Como eu não tenho a obrigação do botânico, o botânico tem uma obrigação de ter uma fidelidade muito grande na sua identificação botânica, no classificador, na nomenclatura atualizada, checar pelo mobot. Bom a gente deve fazer isso também pra não escrever besteira, mas é muito comum uma lista florística ser composta somente de família e espécies... Porque o cara (o botânico) não pretende, ele não acha que vai estar lá em campo, entendeu? Ele está fazendo um estudo teórico, ele não se imagina depois em campo. E em campo você precisa ter a referência de nome vulgar. Então como engenheira, a gente tem objetivos mais práticos, eu preciso coletar sementes, eu preciso me preocupar com a restauração, preciso fazer diagnóstico. Eu não quero somente conhecer, fazer uma relação com a biodiversidade; não quero ter somente informação sobre a biodiversidade, não quero apenas saber, eu quero saber para alguma coisa, com alguma finalidade. E pra isso nome vulgar é sempre muito interessante”.

De forma geral, o uso dos nomes locais ou populares de plantas em levantamentos de vegetação é visto de forma positiva pelos pesquisadores, pois na maioria das vezes, facilita e direciona a identificação botânica correta no mínimo em nível de gênero, além de representar um complexo de ordem cultural. Apesar desta visão positiva dos entrevistados relativa aos nomes locais, aparentemente a diferença

cultural existente entre pesquisador e mateiro, pode vir a influenciar no modo como os pesquisadores se relacionam com o informante local mateiro. Para Candotti (2002, p.8), “A diversidade cultural é elemento incômodo no frágil [...] A diversidade cultural remete à existência de uma história, de um passado, na construção das relações com a natureza. Questiona-lhe assim a legitimidade do poder”. No que se refere aos nomes de plantas, os pesquisadores entrevistados aparentaram possuir em geral certa afinidade com o saber local dos mateiros, não se enquadrando, portanto, aos “adeptos radicais da cultura científica que desprezam os que se expressam em linguagens diferentes” (CANDOTTI, 2002, p.16)

Outro aspecto interessante e abordado por alguns pesquisadores, relativo aos nomes locais é a forma como eles surgem. Aparentemente, os nomes são associados a alguma(s) característica(s) da planta e muitas vezes essas características não são facilmente percebidas pelos pesquisadores, que podem aproveitar a oportunidade para aprender esses aspectos com o mateiro. Neste sentido relatou um pesquisador:

“Então essa associação das características com o nome vulgar eu acho que a gente tem que ficar muito atento. O mateiro, o bom mateiro, uma pessoa que tenha essa vivência ela pode nos ajudar muito nisso, a ter mais essa sensibilidade, de perceber essas relações, de tentar descobrir essas coisas do nome vulgar.”

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