• Estudos de Prevalência podem ser mais rápidos, baratos e operacionalmente mais sim- ples que estudos caso-controle ou de coorte, na dependência da pergunta e da abrangência geográfica.
• Estudos de Prevalência devem ser baseados, sempre que possível, em amostras represen- tativas da população em geral.
Limitações
• Não são adequados para doenças raras e de curta duração devido a baixa frequência dos eventos a serem estudados.
• Não podem, de forma geral, testar hipóteses etiológicas (causa e efeito) já que exposi- ção e o status da doença são medidos simultaneamente.
• Não medem incidência, mas em estudos de prevalência com determinação de faixa etá- ria pode-se estimar indiretamente a incidência por meio de técnicas estatísticas.
Veja no quadro a seguir os potenciais erros relacionados ao tipo de inquérito realizado e seleção da população de estudo.
Quadro 5.3: Potenciais erros e problemas segundo a população dos estudos de prevalência para
infecção pelo HIV-1
Vantagens e Limitações dos Inquéritos de Base Populacional
Unidade 6
Fonte: Brookmeyer 201025.
Inquérito de base
populacional Inquérito em populações de alto risco Inquéritos em clínicas de pré-natal
Viés de não resposta Não representatividade
Não representatividade • Só mulheres • Idade reprodutiva
• Período sexualmente ativo Grande tamanho de amostra Viés de não resposta Limitado a cobertura dos serviços e da área de abrangência
Considerações Éticas
Na Plataforma Brasil, podemos encontrar a Resolução nº 196, de 10 de outubro de 1996, do Conselho Nacional de Saúde que rege os princípios éticos das pesquisas envolvendo seres humanos no Brasil. Assim como qualquer projeto de pesquisa realizado em seres humanos, o protocolo deve ser submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa por meio da Plataforma Brasil <http://aplicacao.saude.gov.br/plataformabrasil/login.jsf>.
Após o cadastro e a aprovação do projeto de pesquisa, a assinatura do Termo de Consen- timento Livre e Esclarecido é solicitada durante a realização da pesquisa de campo. Projetos envolvendo populações consideradas vulneráveis (ver glossário) devem ser analisados também pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).
Quais as vantagens e limitações de um inquérito, como a Vigitel, que é realizado por via telefô- nica? Acesse o link: <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/area.cfm?id_area=1521>.
1 HENNEKENS, C.; BURING, J.; MAYRENT, S. Epidemiology in medicine. Boston: Library of Congress Catalog Card, 1987.
2 WALDMAN, E. et al. Inquéritos populacionais: aspectos metodológicos, operacionais e éticos, Rev. Bras. Epidemiol., v. 11, n. 11, p. 168-179, 2008.
3 CUNHA, V. S. S. S. Estudos transversais. In: ALMEIDA FILHO, N.; BARRETO, M. L. (Ed.). Epidemiologia & Saúde: fundamentos, métodos e aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2011.
4 SZWARCWALD, C. L.; DAMACENA, G. N. Amostras complexas em inquéritos populacionais: planejamento e implicações na análise estatística dos dados. Rev. Bras. Epidemiol., v. 11, n. 1, p. 38-45, 2008.
5 BROOKMEYER, R. Measuring the HIV/AIDS epidemic: approaches and challenges. Epidemiol. Rev., v. 32, n. 1, p. 26-37, 2010.
6 TRAVASSOS, C.; VIACAVA, F.; LAGUARDIA, J. Os suplementos saúde na pesquisa nacio- nal por amostra de domicílios (PNAD) no Brasil. Rev. Bras. Epidemiol., v. 11, n. 1, p. 98-112, 2008. 7 VIACAVA, F. Suplemento saúde da PNAD, 2009. Disponível em: <http://www.pns.icict. fiocruz.br/arqui-vos/Atualiza%C3%A7%C3%A3o%20da%20PNAD-Saude%20Viacava.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2012.
8 IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios: um panorama da saúde no Brasil: acesso e utilização dos serviços, condições de saúde e fatores de risco e proteção à saúde, 2008, Rio de Janeiro, 2010.
9 UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO. Estudo de prevalência de base populacional das infecções pelos vírus das hepatites A, B e C nas capitais do Brasil. Brasília, 2010.
10 BRASIL. Ministério da Saúde. Projeto SB Brasil 2010 − Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, 2011. Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/geral/projeto_sb2010_relatorio_final. pdf>. acesso em: 20 dez. 2012.
11 CENTER FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. National Health and Nutrition
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Acesso em: 3 jul. 2012.
12 BRASIL. Ministério da Saúde. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico, 2010. Disponível em: <http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.
php?area=0207>. Acesso em: 19 ago. 2012.
13 BRASIL. Ministério da Saúde. Projeto de planejamento da pesquisa nacional de saúde, 2010. Disponível em: <http://www.pns.icict.fiocruz.br/>. Acesso em: 11 dez. 2012.
14 ALMEIDA-FILHO, N.; BARRETO, M. L. Epidemiologia & saúde: fundamentos, métodos, aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
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25 BROOKMEYER, R. Measuring the HIV/AIDS epidemic: approaches and challenges. Epidemiol. Rev., v. 32, n. 1, p. 26-37, Apr. 2010.
Estudo de prevalência ou seccional ou transversal − Estudos nos quais a presença ou ausência
de doença ou outra variável relacionada à saúde são determinadas para cada membro da popu- lação de estudo ou em amostra representativa em um período de tempo. Estudo epidemiológi- co nos quais fator e efeito são observados no mesmo momento.
Fator de risco − Aspecto do comportamento ou estilo de vida, exposição ambiental ou caracte-
rística ao nascimento ou hereditária, a qual, com base em evidências epidemiológicas, é asso- ciada às condições relacionadas à saúde consideradas importantes para prevenção.
Inquérito de saúde − Coleção sistemática de dados relativos à saúde e à doença em população
humana dentro de determinada área geográfica.
Odds ratio − Em estudos de prevalência, a medida de associação pode ser denominada razão
de prevalência ou prevalence odds ratio.
População vulnerável − Referente ao estado de pessoas ou grupos que por quaisquer razões ou
motivos tenham a sua capacidade de autodeterminação reduzida, sobretudo no que se refere ao consentimento livre e esclarecido.
Prevalência no período ou lápsica − Abrange todos os casos presentes em período de tempo
especificado (exemplo: durante o ano de 2012).
Prevalência no ponto ou instantânea ou momentânea − Quantifica a proporção de indivíduos em
uma população que apresenta um evento de saúde em um momento específico. Estima probabi- lidade (risco) de um indivíduo apresentar o evento em dado momento de tempo (exemplo: 31 de dezembro).
Viés de amostragem − Erro relativo à falha de assegurar que todos os membros da população
de referência tenham a mesma chance de serem selecionados na amostra.