40
—
fazer a distinc
^
ao do tetatio toxico e do tetano a trigore ctraumatico .
A epilepsia e a eclampsia se distinguem do tetano por differentes symptomas : nas
primeiras
asconvulses
appa-recem subitainenie, sao de curta durai;ao,
altemadamente
' chronicas e
tonicas
e acarretaoa perda
dos sentidos. No
tetano taes phenomenos nao seobserva
.
Ainda na eclam-psia e epilepsia ha o grito enicial
que
concorrepara deixar
bem clara a
different
entre estas e a nevroze tetanica.
A
intermittencia
dos ataques, a volubilidade dos symp-tomas
. os antccedentes
damolestia
, a ausencia da excita-bilidade reflexa anormal na hysteria nao
permittem
hesita-«;ao a
respeito
do diagnostico differencial.
Entre a hydrophobia e o tetano
quando
eacompanhado
deespasmo
dos musculos do pharynge,
o diagnostico se far& semdifficuldade .
Na raiva o doente tem horror aos liquidos, os musculos do pharynge se convulcionao
demasiadamente
: no tetanoacontece o contrario
,
pois os musculos pharyngeanos se contracturao tonicamentc.
O tetaniconao
bebe,porque
os movimentos,
que
executapara
deglutir e apassagem
doliquido
pelo pharynge e esophago,
despertaoespasmos paroxysticos
e dores.
Demais a phisionomia dos pacientesem um e outro caso e differente
.
O individuo
envenenado
pelo virusrabico
temum olhar
desvairado, ao passo que o tetanico em seu leito soffre com resignacSo os seus martyrios.
Narigidez
cataleptica
, ha perda de conhecimento,sup
-pressao dos movimentos reflexos
.
aboli^
ao das funepdesdos sentidos e da sensibilidade A d6r ; em vista pois de
taes symptomas
o
diagnostico nao seradifficil .
- 1
V . VyaS ?
41
CAPITULO
VIII .
Prognostico
D'entre as entidades morbidas conhecidase classificadas
,
o tetano e uma das que tem prognostico mais grave
,
com-tudo podemos dizer que a gravidade do tetano nao ex
-clue em absoluto toda a probabilidade de cura
.
Como naopossuimos um signal certo com que possamos formular o modo de terminai;ao desta affec<;ao
,
devemos guardar umpouco de reserva quando formos interpellado & respeito
.
Segundo Fournier
-
Pescay oopisttfaonos
6 mais graveque
o emprosthotonos e o trimus e o menos rebelde aos recursos da arte O tetano geral e mais grave queo
parcial.
Os accesos
convulsivos
, fortes e repetidos,
a grandedysphagia
, os embara^
os da respira^
ao,
a velocidade dopulso, sao circunstancias mui disfavoraveis
.
O delirio sig-nal d’um estado
asphysico
e de terrivel agouro.
Larrey considera as d6res na cintura como signal fu
-nesto.
De
um
modo geral, o
tetano demarcha rapida
tem sidoconsiderado de m
^
o prognostico ; o chronico ao contrario deixa-
nos probabilidade de cura.
Quando o tetano fica limitado durante muitos dias aos
musculos da mandibula
.
o medico dcvera pensar em uma termina^
ao favoravel.
O emprosthotonosou opisthotonos
,
a generalisa^
ao dascontracgoes
, os paroxymos
frequentes e fortes, a dyspnea continua emesmo
a orthopnea ecyanose
da face,
quandoN, 1« 0
v . ioMl
ii
se achao rcunidos induzem
-
nos a crer em um prognostics)fatal,
0 tetano
esscncial
, ainda que grave, e nienos fatal quc o traumatico.
A
duragao
damolestia
temmuita influenciapara
o pro-gnostico
.
Si o tetano vat alem do decimo dia, rcgrageralcura-
sc.
o Dr.
Cowling, diz que, si o tetano dura t 4 diaspdde curar
-
sc expontaneamentc,
eque
amone
eonstitueexcept
;
ao.
O tetano e sobretudo grave nos individuos maiores de cincoenta
, ou
menores de dez armos.
Quasi tridos
os
aucioressao
Concordes em dizerque
otetano e mais mortifero nos
dim as
quentes,
eque
o trau-matico e
muito
mais diiiicil decurar -
seT do quc o espon-taneo
.
iinalmente, da temperatura dn tetanico podemos tirar consequencias
para
o diagnostico.
Os anligos, com quanto julgasscm o tetano uma mo
-lestia sem
elevacSo
thermica,
observarao febre em algunscasos
.
e entao procurarSo deduzir alguma cousa relativaao future *
do doente.
Hyppocrates
considerava a febre um indido favoravel (febris spasmos solvit ; ; Coelio-
Aureliano pensava d'umamaneira diametralrnentc opposta
,
viana
febre um symp-toma grave. Hoje esta demonstrada a elevat
^ ao
de tempe-ratura
,
e devemos attender ao grao que el la attinge para deddir do prognostico.
lima temperatura de 40
.
",
41.°, ou
mais,
e no tetano,como
em outraqualquer
molestia, um symptoms gravis-simo ; o organismo difficil meats resiste a essa autophagia, tao exagerada
.
MAr - »
43
CAP1TUTO IX
. Tratamento
Nao
vamos apresentar aqui urn quadro complecto da todos os tratamentos, quc tem sidoempregados
no tetano; sao dies mui numerosos para caber nos angustos limites d’
uma these.
Diremos alguma cousa sobre os mais impor-tantes
,
sobre aquelles, que mais icm aproveitado na pratica, indo sempre, tamo quanto podermos,
d'accordo com a pathogenia.
Nao pare
^
a que a raultiplicidade de medicamentos postos cm aegao contra o tetano,
denote grande forea da therapeutica sobre a molestia,
nao; na maxima parte das vezes a morte zornba dos recursos da sciencia,
e os repe-tidos
insuccessos veriftcadoscom
cada um dos nietos empregados, tem feito recorrer a outros meiosnovos,
alim de ver si se consegue o que atd entao foraimpossivel
D’ahi a multiplicidade de medicamentosriqueza
ficticia. forma ostensiva, de que se reveste a impotente therapeutica.
A pathogenia nos ensina
,
que devemos attender a duasindicates
: diminuir.
domar o poder excito-motor da me-dulla
espinhal
i indica^ ao
palhogcnica ) ;supprimir
qualquercausa
, que entretenha a excitacao do poder retlexo ( indi-ca ^
Sejaao causal-
nos permettido).
antes de entrarmos no estudo des-tas duas indicacoes, dizermos algumas
pa
lavras a respeitode um tratamento
,
que alguns medicos tem usado,
c com o qualnao
podemos concordar. Quercmos fallar do tra-tamento por meio das strychinaceas
.
V.
V
3/
Q <J £
V44
Em epocas
remotas. quando
aaccao
physiologtca des-tas plantas era desconhecida
.
admettimos que os praticos, guiados peloempirismo
,prescrevessem a
nox- vomica
como intuiio de
curar
o tetano.
Hoje porem, esta
provado ,
e e sabido por todos,
queas plantas da familia das strychinaceas levao ao seu maximo a
excitabilidade
da medulla,
produzem o tetano,
facto este,
que fez dar
-
se-
lhes o nome de venenos tetanicos.
Como pois
administral -
as a urn tetanico,
isto e,
& urnindividuo cujo poder reflexo da medulla ja esta exaltado
?
Em face da
pathogenia,
fonte racional da therapeutica, que indicacaopretende
preencher aquclleque
receita tal reme-dio
?
Pretenderaremover
a causa ? Nao por certo.
Que-rera attender
a
outra indica<;ao?E
'impossivel
conseguil-
o ;porque
o medicamento re-ceitado & capaz de produzir a molestia que se quer com
-bater
.
Dar a um tetanico qualquerpreparaqao
das stry*chinaceas e levar muito longe o similia similibus curantur
.
Passemos ao estudo dos meois que preenche tanto a
indica
^
ao causal como apathogenica .
Indicagao causal
No
tetano essencial esta indicagao nao pode ser tao claramente executada, como
no tetano traumatico e notoxico
veneno ,
se nao deu ainda a absorpcao da substa'ncia toxica
,
e seja estd effectuada
.
dar antidotos: n'aquelle deve-
se extrahirqualquer corpo extranho
,
que porventura exista na ferida,
Neste deve
-
seprocurar
libertar o organismo doque o molesta, por meio d'um vomitivo
,
quandovlAwcx 5 &
45
tratal
-
aconvenientementc . seccionar
onervo interessado ,
etc
.
Representando o
resfriamento
urn papel.
taoimpor
-tante na etiologia do tetano idiophatico
.
era naturalque
contra elle se
dirigisse
algum tratamento : ossadorificos
forao empregados com esse din e lambent
porque ,
obser-vou - ee
casos de curas no meio de snores profusos.
Ambrosio Pareo. para provocar a diaphorese
mergulhou
um doente sen em estercoj e Founier
-
Pescay coltoCOU nra marinheiro, accommettido dc tetano. no porao do navio, onde a atlftitmosphera estava cxcessivamentc quente : ambos os doentes sefestabelecerao .
Para obter-
se este resultadoningnem por certo recorreria a aquellcs meios ; alguns me -dicos aconselhao os banhos quenies
.
Romberg
n
&o
aceita esta medicagao :porque
lemeque
as manobras, aque
se sujeitar os doentes augments os es~pasmos
; porem Husse,que
tirou bom resultado d'ella,
, diz, que osespasmos so se manifestao no primeiro momcnto.
em que se agarra o doente, para o levar ao banho
.
Leseleuc,
de Breste recommenda os banhos quentes
prolongados
;A
.
Bulley recommenda somente envolver-
se o doente emuma colcha de la
. Estes banhos
diz o professor Jaccoud,
que actnao pela sudacao
,
e pela modificagao,
que eila produz na excitabilidade nervosa, devem ser prolongados erepetidos
nas vinte quatro horas ; e prudente nao em-pregal
- os
sos.
e unil-
os a uma medicagao interna.
0 amoniaco em alia doze
,
6 a 8 gottas de meia em meia hora.
em uma infusao aromatica quente. deu
al-guns resultados felizes
Esie methodn falhou em maos do Illustre dinico
Dr .
Torres Homem.A amputagao praticada pela primetra vez