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4 METODOLOGIA DO ESTUDO

4.2 Variáveis a serem testadas e suas relações

As variáveis a serem testadas neste estudo compreendem os dados referentes às emissões de GEE das empresas integrantes do ICO2, e as variáveis financeiras amplamente utilizadas por investidores e profissionais do mercado de capitais.

Eficiência na Gestão de Emissões de Gases de Efeito Estufa

Por adotar como base as empresas participantes da carteira do ICO2, cuja metodologia de construção foi detalhada no Capítulo 3, a variável adotada como referência para a eficiência na gestão de emissões de GEE é o coeficiente de Emissões/ Receita, disponibilizado pela própria BM&FBOVESPA, e também apresentado no capítulo anterior deste estudo.

Embora deva-se considerar que este número não traduz de forma precisa a eficiência das empresas no combate e gestão de emissões de GEE, por ser fortemente dependente do setor de atuação de cada empresa, entre outros fatores, a limitação de informações disponíveis sobre o tema e a utilização pública destes dados na formação de um índice de mercado leva à sua consideração para os fins desta dissertação.

A evolução na metodologia do ICO2, que considera as estimativas de emissões de GEE nas carteiras de 2010 e 2011, e os números reais dos inventários das empresas a partir da carteira de 2012, é um limite deste estudo, uma vez que os dados utilizados para o cálculo de emissões/ receita apenas refletem os inventários fornecidos pelas empresas em sua integridade em 2012 e 2013, ou seja, nas duas últimas carteiras disponíveis. No entanto, para a finalidade deste estudo, serão utilizados os dados das carteiras conforme apresentados pelo índice, ou seja, considerando as estimativas da Trucost para as empresas que não disponibilizaram o inventário de emissões Escopo 3 referentes aos anos de 2009 e 2010, para as carteiras de 2010 e 2011, respectivamente.

Variáveis econômico-financeiras

As variáveis utilizadas neste estudos foram o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE – Return on Equity), o Retorno sobre os Ativos (ROA) e o Retorno sobre as Vendas (ROS Return on Sales). Essas variáveis foram utilizadas por Waddock & Graves (2007, p.309) por caracterizarem ferramentas amplamente utilizadas na avaliação do desempenho econômico- financeiro por investidores e profissionais da indústria financeira em geral. As definições das variáveis financeiras, segundo GITMAN (2010, p. 59 e 60)

Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE – Return on Equity): o retorno sobre o

patrimônio líquido avalia a razão entre o lucro líquido e o capital próprio da empresa, também adotada por ECCLES et al. (2011) no estudo da relação entre o desempenho em sustentabilidade e as variáveis de rentabilidade das empresas. Para este estudo, foi utilizado o ROE médio, ou seja, a razão entre o lucro líquido ao final do ano-base e PL médio, ao início e final do mesmo ano-base.

ROEmt = Lucro Líquidot

Patrimônio Líquidomt

Em que:

Lucro Líquidot: lucro líquido ao final do exercício no ano base t

Patrimônio Líquidom: média do Patrimônio Líquido do Balanço Patrimonial ao início e ao final do ano base t

Retorno sobre o Ativo (ROA – Return on Assets): a variável mede a razão entre o lucro

líquido e os ativos totais, permitindo a análise da administração no que tange à geração de lucros a partir dos ativos disponíveis. O Retorno sobre o Ativo é a variável que mais se apresenta nos estudos relacionados, sendo amplamente utilizada na relação entre o desempenho ambiental ou de sustentabilidade e o desempenho financeiro das empresas (RUSSO & FOUTS, 1997; KING & LENOX, 2002; GUENSTER et al., 2006; ECCLES et al., 2011).

Da mesma forma que no caso do ROE, o cálculo neste estudo foi realizado com base nos números médios de cada ano-base.

ROAmt = Lucro Líquidot

Ativo Totalmt

Em que:

Lucro Líquidot: lucro líquido ao final do exercício no ano base t

Ativo Totalt: média do total dos ativos ao início e ao final do exercício no ano base t

Margem de Lucro Líquido (ROS – Return on Sales): esta variável avalia o percentual das

vendas convertido em lucro líquido, após custos e despesas. O estudo de Telle (2006) adota, como referência de desempenho financeiro, a Margem de Lucro Líquido para o estudo da relação com a geração de resíduos das empresas. Para este estudo, o cálculo do ROS se baseia na fórmula:

ROSmt = Lucro Líquidot

Receita Brutat

Em que:

Lucro Líquidot: lucro líquido ao final do exercício no ano base t

Receita Brutat: média entre a receita bruta ao final do exercício no ano base t

As variáveis de controle utilizadas neste estudo seguem também o modelo adotado por Waddock & Graves (1997). As premissas para a escolha dessas variáveis se baseiam em estudos que apontam alguns fatores como relevantes para o desempenho financeiro e de sustentabilidade (ULLMAN, 1985):

Tamanho: a consideração do tamanho da empresa como variável de controle se refere à

premissa de que empresas menores possuem menos facilidade em apresentar inciativas relacionadas à Responsabilidade Corporativa. Os argumentos apresentados por Waddock & Graves (1997) abordam a maturidade, crescimento e risco reputacional como fatores que podem influenciar a que empresas maiores sejam mais responsivas às demandas dos seus stakeholders.

Como variável de controle para o tamanho das empresas, será utilizado o logaritmo da Receita Bruta ao final do exercício de cada ano-base, como em Russo & Fouts (1997) e o logaritmo do Ativo Total no mesmo período, também adotado como variável de controle em King & Lenox (2002).

Risco: Waddock & Graves (1997) argumentam que a tolerância ao risco da gestão da empresa

influencia suas atitudes em relação às iniciativas de gestão de sustentabilidade, no que diz respeito à antecipação de custos na implementação destas iniciativas, que podem gerar ou reduções de custos futuros, redução de risco de passivos ambientais futuros ou o acesso/ restrição a mercados.

Os autores adotaram, como proxy para a tolerância ao risco da gestão das empresas, a razão entre dívida e ativos, utilizada também como variável de controle em diversos outros estudos

(ex: McWILLIAMS & SIEGEL, 2001; KING & LENOX, 2002; GUENSTER et al., 2006; ECCELS et al., 2011), e que para este estudos foram calculados com a seguinte fórmula:

RISCOt = Dívida Líquidat

Ativo Totalt

Em que:

Dívida Líquidat: endividamento líquido da empresa ao final do exercício no ano base t

Ativo Totalt: total dos ativos ao final do exercício no ano base t

Setor de Atuação: como visto em estudos anteriores (WADDOCK & GRAVES, 1994;

Vinha in HAY, 2010; BUOSI & DUTRA, 2012; BUOSI et al., 2012) o impacto das questões ambientais sobre as operações e relações das empresas varia sensivelmente de acordo com o setor de atuação. Este estudo utilizou os setores de atuação da BM&FBOVESPA como variável de controle. Outros estudos adotam uma variável dummy para os setores de atuação, como Russo & Foults (1997) e McWilliams & Siegel (2002).