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Nos testes estatísticos analisamos seis variáveis relacionadas aos egressos da subamostra: Nota de entrada no curso, MGP, Média do último estágio supervisionado, Índice de regularidade, Semestres despendidos no curso, e Semestres a mais do tempo regular do curso. Para a apresentação das variáveis analisadas, vamos utilizar os documentos oficiais que preveem cada uma delas. Quando isso não for possível, expomos como conseguimos chegar aos valores da variável.

3.7.1 Nota de entrada no curso

Conforme Resolução nº 85/2009/CONEPE/UFS, a Nota de entrada no curso decorria de provas aplicadas para avaliar conteúdos referentes a matérias do núcleo comum obrigatório do ensino médio:

1. Português - abrangendo conhecimentos da Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e uma Redação que será aplicada no quarto dia de prova; 2. Matemática; 3. Geografia; 4. Física; 5. Biologia; 6. Língua Estrangeira - Espanhol ou Francês ou Inglês; 7. Química; 8. História. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, 2009, p. 3).

No cálculo da nota era considerado o saldo de acertos às questões das matérias acima elencadas das provas de cada ano/série (1º, 2º e 3º anos do ensino médio), conforme fórmulas apresentadas nos artigos 12, §2º, 13 e 18 daquela resolução.

Vale destacar que, mesmo a UFS tendo aderido ao Sistema de seleção unificada (Sisu), em 2013, como único meio de entrada nos cursos da UFS (Resolução nº 25/2013/CONEPE), isso não afetou a Nota de entrada no curso da nossa amostra, tendo em vista a última data de

entrada dos egressos da amostra ter sido 2012. Posteriormente, em 2017, a resolução foi revogada pela de nº 27/2017/CONEPE para fazer exceção ao curso de Letras Libras, mas a norma de ingresso na UFS pelo Sisu para todos os outros cursos continua vigente.

3.7.2 Média Geral Ponderada (MGP)

Apesar de não mais fazer parte do rol de índices acadêmicos da UFS36, vamos utilizar a Media Geral Ponderada (MGP) por corresponder à média que era aplicada ao desempenho dos egressos da nossa amostra. De acordo com as normas da UFS, calculava-se a Média Geral Ponderada (MGP):

multiplicando-se a média de cada disciplina ou atividade frequentada com aprovação pelo aluno a partir do seu ingresso no curso pelo respectivo número de créditos, dividindo-se a soma dos produtos pela soma dos créditos cursados com aprovação a partir do seu ingresso no curso. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, 2009, p. 6).

A MGP representava uma síntese do rendimento escolar que o estudante ia alcançando durante o curso. A cada semestre, era recalculada a partir do resultado das disciplinas nas quais obtinha êxito. Para fins desta pesquisa, obtivemos o valor da MGP referente ao final do curso, ou seja, quando não havia mais a possibilidade de alteração dessa média.

Como no cálculo da MGP só entra o resultado das disciplinas cursadas com aprovação, pressupomos que não houvesse relação entre reprovar muito e, por conseguinte, demorar mais a se formar, e ter MGP inferior a quem cursa as disciplinas regularmente conforme a sequência prevista no Projeto Político Pedagógico (PPP) do curso no qual o estudante está matriculado. Para atestar isso aplicamos o Teste t de Student considerando a subdivisão da subamostra em três grupos: grupo dos que terminaram o curso no tempo regular previsto no PPP, grupo dos que ultrapassaram esse tempo e grupo dos que se formaram antes do tempo regular. Os resultados contradisseram o que prevíamos: quando analisamos a MGP, o grupo que cursou no tempo regular e o grupo que terminou o curso em menos tempo apresentaram diferença estatisticamente significativa na MGP em relação ao grupo que passou mais tempo para se formar (ver resultado completo de todos os testes para esses grupos no Apêndice 3).

36 A Resolução nº 14/2015/CONEPE estabeleceu novos índices que são recalculados a cada finalização de semestre

letivo: Média de Conclusão (MC) – correspondente à MGP; Índice de Eficiência em Carga Horária (IECH) – sem correspondência anterior; Índice de Eficiência em Períodos Letivos (IEPL) – correspondente ao Índice de regularidade ; Índice de Eficiência Acadêmica (IEA) – sem correspondência anterior.

3.7.3 Média do último estágio supervisionado

Maior parte dos PPP dos cursos analisados prevê quatro disciplinas de estágios supervisionados obrigatórios (Ciências Biológicas, Física, Geografia, Pedagogia e Química), mas dois deles preveem menos semestres de estágios (Letras-Português: 2; Matemática: 3). Em todos os cursos, o primeiro estágio caracteriza-se por ser mais teórico que prático, tendo em vista ser reservado para a preparação dos estudantes e para a observação em sala de aula. Entretanto, Ciências Biológicas, cujos estágios são subdivididos em estágios em ensino de Ciências (dois) e estágios em ensino de Biologia (dois), reserva os primeiros deles para a preparação e observação em sala de aula, por conseguinte, apenas dois preveem a prática docente. Já o curso de Física, que tem mesma ementa para os quatro estágios, prevê a regência de classe em todos eles. Foge à regra de ter mais de um semestre de regência de classe o curso de Letras-Português, cujo PPP prevê apenas uma disciplina de prática efetiva em sala de aula (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, 2006, 2008a, 2008b, 2010, 2010a, 2010b, 2010c).

Estamos chamando de média do estágio supervisionado a média das notas obtidas em atividades desenvolvidas como requisito para aprovação na última disciplina de estágio de cada curso. Como egressos do mesmo curso passaram pelas mesmas disciplinas práticas até chegar ao último estágio, é esperado que, para haver o indicativo de que o Pibid tenha trazido efeito para a formação prática, os participantes do programa devem se destacar nessa variável em relação aos não participantes.

3.7.4 Índice de regularidade

O índice de regularidade dizia respeito à regularidade com que o estudante se matriculava e obtinha êxito em disciplinas previstas no PPP do curso. Ou seja, avaliava se o estudante cursou o que deveria ter cursado no semestre letivo analisado. Para o cálculo desse índice, porém, eram considerados apenas os componentes curriculares obrigatórios. Vejamos como era calculado esse índice:

o índice de regularidade corresponde ao quociente entre a média dos créditos obrigatórios obtidos pelo aluno a partir do seu ingresso no curso (MCOA) e a média dos créditos obrigatórios que o aluno deveria cursar para integralizar o currículo padrão do curso no tempo padrão (MCOC). O MCOA sendo calculado pelo quociente entre o número de créditos obrigatórios do currículo padrão do curso obtido em disciplinas ou atividades freqüentadas com aprovação pelo aluno a partir do seu ingresso no curso (COA) e o número de semestres letivos freqüentados pelo aluno a

partir do ingresso no curso (SLA). O MCOC, por outro lado, sendo expresso pelo quociente entre o número de créditos obrigatórios do currículo padrão do curso (COC) e o número de semestres para integralização do currículo padrão do curso (SLC). (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, 2009, p. 6)

O Índice de regularidade, assim como a MGP, era recalculado sempre que o estudante finalizava o semestre letivo. Embora atualmente não faça parte do rol de índices acadêmicos da UFS, vamos utilizá-lo por corresponder ao índice que avaliava a relação tempo/componente curricular dos egressos da nossa subamostra. O valor do índice que nos foi disponibilizado corresponde ao do final do curso, quando não há mais possibilidade de alteração.

3.7.5 Semestres despendidos no curso

Semestres despendidos no curso diz respeito ao tempo total em semestres letivos que foi utilizado para o egresso concluir o curso. Nesse caso, não foi considerado o tempo regular de cada curso. Como estamos avaliando uma política pública, ter utilizado o tempo gasto para a conclusão do curso nos testes estatísticos possibilitou aferir, em termos gerais, se quem participou do Pibid passou mais tempo, menos tempo, ou tempo semelhante do que quem não participou do programa. O dado não nos foi fornecido calculado, já que não o solicitamos, mas, como dispúnhamos de ano e período de ingresso no curso e de ano e período de conclusão do curso de cada egresso, fizemos a diferença desse tempo e obtivemos o resultado em anos. Depois multiplicamos os anos por dois e obtivemos o resultado em semestres letivos.

3.7.6 Semestres a mais do tempo regular

Semestres a mais do tempo regular são os semestres que os egressos passaram a mais para se formar em relação aos semestres previstos como tempo regular do curso. Assim como os semestres despendidos no curso, esse dado também não nos foi fornecido calculado por não termos solicitado. A partir do quantitativo de semestres que foram despendidos para concluir o curso, fizemos a diferença entre o tempo regular previsto no PPP de cada curso e o tempo que cada egresso permaneceu nele até concluí-lo. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, 2006, 2008a, 2008b, 2010, 2010a, 2010b, 2010c).

Do total de 358 egressos, 15 (4,2%) se formaram antes do tempo regular do curso, 203 (56,7%) no tempo regular e 140 (39,1%%) ultrapassaram esse tempo. Um dado que se destaca é que, dos 15 que se formaram antes do tempo, 12 (80%) eram do curso de Física. Esse dado

nos chamou a atenção pelo fato de Física ser um dos cursos no campus que menos formam. Uma possível explicação para isso está na estrutura curricular daquele curso. Seu PPP prevê 10 semestres como tempo regular, sendo o nono e o décimo semestres destinados apenas para os Estágios Supervisionados em Ensino de Física III e IV, respectivamente (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE, 2006). Ou seja, nos dois últimos semestres, os alunos se matriculam apenas em uma única disciplina. Como os Estágios Supervisionados em Ensino de Física I e II estão alocados nos sexto e sétimo semestres do curso, respectivamente, é possível que o aluno se matricule antecipadamente nos últimos estágios, antecipando, assim, sua formatura.

Tendo conceituado cada uma das variáveis que foram analisadas pelo teste estatístico, passamos a apresentar a legenda que criamos para facilitar a leitura dos resultados.

3.7.7 Legenda para a leitura dos resultados do Teste-t de Studet

Nas duas seções seguintes, aparecem resultados do teste estatístico aplicado nos índices acadêmicos dos egressos. Para uma maior facilidade de leitura dos resultados dos testes, elaboramos uma legenda, que está exposta no Quadro 9.

Quadro 9 – Legenda para leitura dos resultados do Teste t de Student

Cor azul: significado positivo para o primeiro grupo da comparação (grupo que está acima). Isso não significa que o grupo obteve maior média, mas que, mesmo obtendo menor média, seu significado é positivo. Isso serve, por exemplo, para o quantitativo de semestres que os alunos despenderam para terminar o curso e para os semestres que passaram a mais do tempo regular do curso. Para nossa análise, quanto menos tempo nessas duas variáveis, melhor é o resultado, já que estamos avaliando uma política pública.

Cor laranja: significado negativo para o primeiro grupo da comparação (grupo que está acima). Isso não significa que o grupo obteve menor média, mas que, mesmo obtendo maior média, seu significado é negativo.

Conteúdo em negrito na última coluna: há diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos analisados. Isso é representado pelo p-valor ou significância, que, sendo menor ou igual a 0,05, representa diferença estatisticamente significativa.

Fonte: Quadro elaborado pelo autor

Seguimos agora para a apresentação dos resultados. Num primeiro momento, contudo, apresentamos o perfil geral da amostra para depois seguir para uma análise mais específica.

4 PERFIL GERAL DA AMOSTRA DE EGRESSOS DO CAMPUS

PROFESSOR

ALBERTO

CARVALHO/UFS:

RESULTADOS

E

DISCUSSÕES I

Inicialmente, esta seção foi pensada com o objetivo de apresentar uma caracterização geral da amostra, sem pretensão de que pudesse nos ajudar a responder diretamente a principal questão da tese (Quais os efeitos do Pibid na população investigada?). Entretanto, foi a partir desta seção que pudemos aferir que há características da amostra que devem ser consideradas ao expormos, na seção seguinte, os resultados diretamente relacionados ao nosso objeto de estudo: indicativos dos efeitos do Pibid na formação inicial, no tempo despendido para terminar o curso e em etapa posterior ao curso. Por enquanto, trata-se de um panorama do perfil dos egressos, não só durante a graduação como também depois dela.

Como vimos na subseção que expôs o processo de elaboração, reformulação e aplicação do instrumento de coleta de dados, a sequência das questões foi colocada de modo que a resposta a uma pergunta tivesse a menor influência possível na resposta de outra com a qual pudesse estar relacionada. Por isso, nesta seção, não apresentamos os resultados seguindo a sequência das perguntas do questionário, mas a do assunto por elas abordado, podendo, assim, resultados serem antecipados ou postergados de acordo com a temática. Para iniciar, por exemplo, trouxemos o perfil socioeconômico dos egressos, que só foi perguntado no final do instrumento de coleta de dados. Destacamos ainda que, quando o quantitativo de respostas não tiver expresso a cada exposição dos dados, estamos nos referindo ao total de respostas obtidas dos egressos: 467.