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Variáveis de desenvolvimento e sustentabilidade

No documento Gestão integrada do turismo no espaço rural. (páginas 185-190)

IGURA 12. Meios de apresentação do local e sua da oferta turística

6.2 Lages, SC

6.2.7 Variáveis de desenvolvimento e sustentabilidade

Foram avaliados os impactos relacionados as variáveis de desenvolvimento e sustentabilidade, que são: os econômicos, sociais, ambientais e culturais (Figura 36) e, ainda, a existência de programas direcionados à preservação, no longo prazo, das variáveis em cada município. A investigação dessas variáveis baseou- se em dados primários obtidos por meio das entrevistas realizadas com os agentes envolvidos com a atividade de turismo de Lages, além das observações em cada local visitado.

Impactos em relação as variáveis de desenvolvimento e sustentabilidade

Ambientais Não são percebidos

Sociais + Culturais + Econômicos - Plano de desenvolvimento +

Desenvolvimento e sustentabilidade comprometidos

FIGURA 36. Impactos relacionadoso as variáveis de variáveis de desenvolvimento e sustentabilidade em

Lages, SC.

Entre os entrevistados do setor rural, 100% afirmaram ser a atividade de turismo rural uma atividade que gera uma “...liquidez mais rápida, mas o custo é

alto...”. Um dos entrevistados relatou ainda que “...na época da informalidade, eu teria praticamente 60% de lucro, hoje, olha não sei se passa de 15%...”. Um outro

entrevistado afirmou que a atividade de turismo gera uma receita semanal, mas “...se for

comparar a margem de lucro das atividades tradicionais e do turismo rural, a do turismo é menor”...

Em relação ao município, a infra-estrutura e o comércio de Lages não cresceram em função do turismo rural, segundo os entrevistados desse setor. No comércio existe uma tradição em fechar as lojas no horário de almoço e nos finais de semana, que permanece. Com o turismo, essa tradição não mudou e, segundo os entrevistados, não tem por que mudar, pois, os turistas que chegam a Lages têm interesse nas propriedades de turismo rural e não se envolvem com a cidade. Está havendo uma preocupação, segundo o entrevistado do Diretur, em relação ao aumento do retorno do município por meio do turismo de eventos no setor urbano. O turismo de eventos, segundo o entrevistado do Diretur, é a atividade que “...traz retorno e que

mantém a captação de recursos...” para o município.

No caso da variável ambiental, 25% dos entrevistados do meio rural disseram que nem as atividades tradicionais e nem as de turismo causam danos para o meio ambiente; 25% afirmaram serem as atividades tradicionais por causa do uso de agrotóxico e manejo incorreto do solo, 25% afirmaram ser o turismo, pelo número de pessoas na propriedade e 25% não percebem mudanças. No entanto, há que se ressaltar que não existe, nem nas propriedades, nem no setor urbano em Lages, uma previsão de capacidade de carga e, quanto perguntados sobre isso, os entrevistados, principalmente

do meio rural, se mostraram desinformados. O que foi informado por 100% deles é que, nas propriedades, existe um monitoramento de esgoto feito por um órgão responsável pelo meio ambiente do estado de Santa Catarina, que é o FÁTIMA. Além disso, entre eles, existe uma preocupação em relação ao meio ambiente e o indicador é a existência de um “site” de conscientização ambiental, a realização de “...palestrinhas...” para crianças nas escolas, ministradas pela polícia florestal e a consciência entre os agentes de que um dos recursos que fazem parte do produto turístico deles é o meio ambiente e por isso necessita cuidados. Uma dos entrevistados usou as seguintes palavras: “...o

meu grande produto é o meio ambiente, então, eu não tenho interesse nenhum em degradá-lo...”. Nas propriedades, de forma geral, ocorre reciclagem de papéis, latas e

vidros e a coleta de lixo feita pela prefeitura, sumidouros, fossas, contratação de engenheiros de meio ambiente para fazer estudos de minimização de impactos. No entanto, em algumas propriedades, é impossível haver saneamento básico, pela distância em relação ao município.

Em relação à variável social, 100% dos entrevistados do setor rural afirmaram que o turismo rural gera emprego, melhor qualidade de vida para os funcionários, tanto pelo recurso monetário quanto pela convivência e troca de informações e vivência com os turistas. A mão-de-obra do meio rural foi absorvida pelo turismo em todas as propriedades, em alguns casos trabalhando nas atividades tradicionais também. As mesmas são treinadas tanto pelos proprietários, quanto em cursos fora da propriedade.

Sobre a variável cultural, Lages tem uma longa história, que é cultuada por seu povo, que mantém viva as tradições por meio do folclore regionalista, da comida campeira, no jeito de vestir e em muitas festas que são realizadas ao longo de

todo ano. Segundo os entrevistados, essa cultura do troperismo gaúcho está cada vez mais preservada e fortalecida. As características culturais do município têm sido um dos pilares do desenvolvimento turísticos. Por esse motivo, se a condução para o profissionalismo em relação à atividade não for bem realizada, essa cultura pode ser perdida.

Existe um plano de desenvolvimento em Lages, que contempla todas as possibilidades de exploração econômica. O turismo é apenas uma elas.

LAGES

Meios de apresentação de Lages e sua oferta turística individualizados

Sem inventário turístico “Internet e sites” Folhetos, bilheteria e revistas

Turismo rural Turismo de eventos

Setor rural Setor turismo Comunidade Setor público Setor comercial Fazendas Pedras Brancas, Dourado, Boqueirão e Barreias Sindicato dos Hotéis, Agência de Receptur e Hotel Map Artesanato Pouca participação Diretur, Fund.Cultural, Secretaria Reg de Desenv. e a Agência de Desenvolv. da Serra Catarinense

Associação Comercial e Industrial

Características dos agentes do TR Características dos agentes do TE

Conhecimento Papel Interesse Objetivo Perfil gerencial individualista Subordinação

Estratégias de cooperação e agrupamento Pré-competitiva - baixa integração e alto potencial

de conflito

Nascimento do cluster – maior concentração de empresas e fortes relações comerciais

Procedimentos de coordenação

Setor rural e turismo - Turismo rural Setor público/urbano - Turismo de eventos

Organização por demanda Orientação em reuniões Comunicação informal Controle informal Organização por tipo de evento Orientação segue uma hierarquia Comunica- ção em reuniões Controle cartilha de regras

Impactos relacionados as variáveis de desenvolvimento e sustentabilidade

Plano de desenvolvimento + Ambientais não percebidos Sociais + Culturais + Econômicos + Desenvolvimento e sustentabilidade comprometidos

FIGURA 37. Gestão do cluster potencial turístico de Lages, SC. Fonte: elaborada pela autora.

No documento Gestão integrada do turismo no espaço rural. (páginas 185-190)