2.3. RECOBRIMENTO DE PARTÍCULAS
2.3.2. Variáveis e Mecanismo de Recobrimento
Alguns agentes são importantes no processo de recobrimento de partículas, como os componentes da suspensão e suas respectivas funções, como:
- Agente ligante – material que é adicionado aos produtos de recobrimento de forma a se aumentar a adesão entre as partículas e a suspensão de revestimento;
- Agente de recobrimento - produto utilizado para recobrir, proporcionando a formação de um filme uniforme sobre a partícula, como por exemplo: hidroximetilcelulose, Eudragit®, carboximetilcelulose, Acquacoat®;
- Opacificante – composto que é adicionado aos materiais de recobrimento de forma a aumentar a opacidade do recobrimento, melhorando a coloração da superfície recoberta; - Núcleo ou substrato – material no qual se aplica o recobrimento.
22
Segundo DEWETTINCH e HUYGHEBAERT (1999) as variáveis de processo influenciam diretamente na qualidade do produto obtido, dentre as quais estão:
- Temperatura do ar de entrada/Velocidade do ar de entrada/umidade do ar de fluidização – estas variáveis influenciam diretamente na velocidade de evaporação do agente de recobrimento e influência significativamente a formação da película que reveste a partícula.
- Vazão da suspensão aspergida – A vazão da suspensão aspergida é definida diante dos fatores: velocidade de evaporação, capacidade de adesão da suspensão à partícula e o tempo de residência das partículas na zona de atomização do leito.
- Pressão de atomização – A pressão de atomização determina o tamanho das gotículas aspergidas, sendo que o tamanho das gotículas também é dependente das propriedades físicas da suspensão (viscosidade e tensão superficial).
O principal papel da aglomeração é o aumento do número de partículas. Na indústria alimentícia, por exemplo, a principal finalidade da aglomeração é transformar sólidos em partículas aglomeradas porosas para torná-los instantâneo, que é a propriedade de fácil reconstituição em água ou noutro líquido. O processo ocorre devido à colisão e adesão entre as partículas individuais ou a formação de camadas sucessivas sobre um núcleo. Outros mecanismos comuns são a cristalização e formação por ponte (MUJUMDAR et al., 2014).
A maioria dos processos de aglomeração utilizam partículas em suspensão. O mecanismo de granulação acontece em várias etapas, como descrito por IVESON et al. (2001) e mostrada na Figura 2.7. A etapa se inicia, com a nucleação, que consiste na suspensão entrando em contato com o leito de partículas, onde o contato das gotas com partículas produz núcleos. A situação mais favorável para a nucleação é quando cada gota forma um nucleose. A dinâmica de formação de núcleo é um pouco complexa e depende de vários fatores tais como o diâmetro e o número de gotículas de ligação, taxa da vazão da suspensão, o tempo para cada gota para atingir a superfície da partícula, e a pulverização (atomização) de gotas apropriado para evitar grumos.
Se as etapas de molhabilidade e de nucleação forem realizadas com cuidado, as características de densidade e tamanho de grânulo serão controladas mediante a consolidação e a coalescência. Uma vez que o grânulo de consolidação depende diretamente da deformação de grânulo causado pelo impacto e de atrito entre partículas, esta etapa de consolidação é função das forças de colisão e as propriedades mecânicas das partículas.
23
a) Nucleação
b) Coalescência
c) Atrição
Figura 2.7. Mecanismo de aglomeração. Adaptado de IVESON et al. (2001)
Como mencionado anteriormente, a repetição contínua as etapas de molhabilidade, de colisão e secagem acontece simultaneamente dentro do granulador resultando no crescimento das partículas. No entanto, quando a capacidade de secagem do granulador não for suficiente, a umidade aumenta drasticamente no interior do leito de partículas, levando, eventualmente, o processo de granulação a parar.
Por outro lado, o cuidado deve ser tomado quando a capacidade de secagem é muito alto, uma vez que o solvente pode evaporar antes da etapa de molhabilidade da partícula, reduzindo a eficiência aglomeração. Isto indica que o equilíbrio entre as etapas de secagem e de molhagem é necessário a fim de alcançar um processo de aglomeração controlado.
Portanto, a definição de parâmetros operacionais, tais como taxa de fluxo da suspensão, temperatura de secagem do gás e vazão, e umidade dentro do leito, é essencial uma vez que estes parâmetros produzem efeito direto sobre a qualidade do produto final.
24
Em leitos fluidizados, o atrito entre as partículas pode ser muito grave, de acordo com a dinâmica dos fluidos e características das partículas. Este fenômeno é indesejável na aglomeração, uma vez que o crescimento da partícula ficaria comprometido. Além disso, a aglomeração em leito fluidizado é normalmente levada a cabo utilizando uma solução de ligante ou de uma aspersão de água simples para molhar as partículas. Em ambos os casos, a qualidade do produto final está estreitamente dependente dos parâmetros de operação (incluindo as variáveis de dinâmica de fluidos), bem como as características dos sólidos e da suspensão.
Por exemplo, a termodinâmica do umedecimento das partículas é da maior importância. O ângulo de contato entre partículas e suspensão define se a molhabilidade é energeticamente favorável. A molhabilidade de um sólido por um líquido pode ser quantificada pelo ângulo de contato, em nível macroscópico, obtido a partir do equilíbrio entra as tensões superficiais do sistema sólido-líquido-gás (DECKER et al., 1999, SOBCZAR e ASTHANA, 2000).
PONT et al. (2001) estudaram o efeito do ângulo de contato em partículas hidrófobas, parcialmente hidrofóbicos e não-hidrofóbicos e descobriram que este parâmetro interfacial entre sólido e a suspensão apresenta maior influência mediante granulação do que a viscosidade da suspensão.
O revestimento de filme tem sido desenvolvido como uma alternativa para melhorar o desempenho de revestimento com suspensões de revestimento à base de açúcar. Basicamente, consiste na deposição de um filme polimérico fino e homogêneo em superfícies de partículas (FREIRE e SILVEIRA, 2009). As principais vantagens de adicionar um revestimento para partículas são: uma pequena variação de peso, tamanho e forma do produto final; um curto espaço de tempo de processamento e uma eficiência elevada para o revestimento, e uma boa resistência ao revestimento.
Revestimento por filme (película) está longe de ser um processo simples, por envolver várias etapas com dinâmicas próprias. O processo começa com a formação de gotículas de material de revestimento, como mostrado na Figura 2.8. O tamanho das gotículas é muito importante, uma vez que uma gota muito grande pode causar o aparecimento de aglomerados ou protuberâncias e, uma gota muito pequena pode secar antes de atingir a superfície das partículas. A seguir, a difusão do material de revestimento sobre as partículas e o seu contato com as partículas dependem da molhabilidade da superfície sólido pelo líquido. Além disso, a viscosidade do revestimento em suspensão ou reologia desempenha um papel importante sobre a
25
película, tanto na aspersão quanto nas características de atomização, que influência no tamanho das gotículas e o ângulo de pulverização.
Figura 2.8. Dinâmica da formação de filmes. Adaptado: MUJUMDAR et al. (2014)