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2.4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

2.4.2 Variáveis Quantitativas

O efeito de cultivares mostrou-se significativo para todos as variáveis. Isso indica que as cultivares apresentaram grande variabilidade, de forma semelhante aos encontrados por Silva et al., (2011) e por Freire Filho et al., (2003), que também destacaram os efeitos das cultivares aos componentes de produção nos seus respectivos ambientes. Os valores dos coeficientes de variação foram relativamente baixos, exceção feita aos do comprimento de vagem (COMPV) e produtividade comercial (PC), sem afetar a precisão do experimento (Tabela 07).

Tabela 07 – Variáveis quantitativas avaliadas: COMPV - Comprimento de vagem, NGV - Número de grãos por vagem, P100G - Peso de cem grãos, IG - Índice de grãos e PC - Produtividade comercial no experimento de avaliação de cultivares de feijão-caupi no Centro-norte do Espírito Santo.

Fonte de

variação GL

Quadrados Médios

COMPV NGV P100G IG PC

Cultivares 9 10,90** 5,41** 15,82** 32.43** 219156,9**

Blocos 3 1,38 1,88 1,19 1,76 124448,9

Resíduos 27 1,09 1,12 1,91 2,40 60478,6

CV (%) 15,39 7,07 11,34 7,14 18,71

Legenda: (*, **) Significativo ao nível de 5% e 1%, respectivamente, pelo teste de análise de variância.

Fonte: Autor (2022).

A variável comprimento de vagem (COMPV) apresentou média geral de 21,45 cm, sendo que mais da metade das cultivares apresentaram valores acima de 20 cm, situando-se dentro dos padrões comerciais. (Gráfico 03). A cultivar BRS Pajeú obteve destaque com maior comprimento de vagem, seguida pelas cultivares BRS Tumucumaque, BRS Guariba, BRS Rouxinol, BRS Xiquexique, BRS Marataoã e BRS Aracê que englobam as cultivares, cujas vagens apresentam comprimentos dentro dos padrões comerciais, acima de 20cm (SILVA et al., 2011). A condição dessas cultivares que obtiveram valores de comprimento de vagens acima de 20cm, possibilita a utilização da cultura na produção de hortaliças, como vagens verdes. Valores semelhantes foram encontrados por Alcântara et al., (2015), Bezerra et al.,

Tumucumaque, BRS Guariba e BRS Xiquexique.

Segundo Cardoso et al., (2005), a produtividade dos grãos do feijão-caupi resulta do número de vagens por unidade de área, do número de grãos por vagens e do peso de 100 grãos. Sabe-se que vagens grandes e com muitos grãos favorecem a colheita manual. Todavia, para as colheitas semi-mecanizadas e mecanizadas, essas duas características não são favoráveis.

Nesses dois últimos tipos de colheitas, vagens menores e consequentemente mais leves, que reduzem a possibilidade de dobramento e quebra do pedúnculo são mais desejáveis. Essas características reduzem a possibilidade da vagem encostar-se ao solo e, consequentemente, a ocorrência de perdas por apodrecimento das vagens e dos grãos. Portanto, as cultivares que apresentaram comprimento de vagens inferior a 20 cm são mais recomendadas para o cultivo mecanizado.

Gráfico 03 – Valores médios para comprimento de vagens de diferentes cultivares de feijão-caupi cultivadas no Centro-norte do Espírito Santo.

Legenda: Cultivares com médias não seguidas pelas mesmas letras diferem pelo teste de Scott-Knott a 5% de significância.

Fonte: Autor (2022).

Quanto ao número de grãos por vagem (NGV), a média foi de 14,95 grãos e foram agrupados em seis grupos (Gráfico 04). As cultivares BRS Pajeú e BRS Xiquexique sobressaíram sobre as demais, com média de 17 grãos por vagem. Em seguida, o grupo composto pelas cultivares BRS Marataoã, BRS Tumucumaque e BRS Rouxinol apresentaram média de 16 grãos por vagem. Já as cultivares BRS Guariba e BRS Aracê foram classificadas no terceiro grupo, apresentando média 14 de grãos por vagem, e as cultivares BRS Novaera, BRS Itaim e BRS Imponente obtiveram médias de 11, 9 e 8 grãos por vagem, respectivamente. As cultivares

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14.00 16.00 18.00 20.00 22.00 24.00 26.00

BRS Itaim BRS Imponente BRS Novaera BRS Aracê BRS Marataoã BRS Guariba BRS Xiquexique BRS Rouxinol BRS Tumucumaque

BRS Pajeú

Comprimento de Vagem (cm)

comprimento de vagem, visto que, quanto menor a vagem, menor é o número de grãos. Tanto o comprimento de vagem, como o número de grãos por vagem, foram semelhantes aos encontrados por Silva et al., (2011) para a cultivar BRS Marataoã na região Meio-norte do Piauí, com valores de 21 cm e 16 grãos por vagem, respectivamente. Essas características são favoráveis para a colheita manual, pois, o rendimento de grãos por unidade de área é maior, o que proporciona maiores lucros. Locatelli et al., (2014) estudando a eficiência da irrigação em cultivares de feijão-caupi no cerrado de Roraima, encontraram resultados diferentes para as cultivares BRS Guariba, com 13,8 grãos por vagem; BRS Pajeú, com 12,3 grãos por vagem e BRS Novaera, com 7,96 grãos por vagem. Os resultados foram diferentes, devido a diferença das condições edafoclimáticas de cultivo. Também, pode estar relacionado com o tipo de irrigação utilizado. A irrigação por microspray, apresenta maior eficiência na utilização da água, podendo também proporcionar às plantas de feijão caupi melhores condições para produzirem um maior número de grãos por vagem.

Gráfico 04 - Valores médios para número de grãos por vagem de diferentes cultivares de feijão-caupi cultivadas no Centro-norte do Espírito Santo.

Legenda: Cultivares com médias não seguidas pelas mesmas letras diferem pelo teste de Scott-Knott a 5% de significância.

Fonte: Autor (2022).

No peso de cem grãos (P100G), obteve-se uma amplitude de 18,77 a 35,26 gramas, apresentando média de 21,89 gramas. Nesta variável as cultivares foram agrupadas em seis grupos, com destaque para as cultivares BRS Imponente, BRS Novaera e BRS Itaim que apresentaram valores de 35,26, 28,89 e 26,12 gramas por cem grãos, respectivamente. Todas as demais cultivares apresentaram valores superiores a 18 gramas por cem grãos (Gráfico 05).

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6 8 10 12 14 16 18

BRS Imponente BRS Itaim BRS Novaera BRS Guariba BRS Aracê BRS Rouxinol BRS Tumucumaque

BRS Marataoã BRS Xiquexique BRS Pajeú

Número de Grãos por Vagem

estudando o desempenho agronômico de cultivares de feijão-caupi na região do cerrado, encontraram valores médios de 18,5 gramas por cem grãos para as cultivares avaliadas, tendo como destaque a cultivar BRS Guariba. Esses valores encontrados estão em conformidade com as exigências dos consumidores, visto que a preferência é que cem grãos possuam um peso em torno de 18 gramas (RIBEIRO, 2002). Entretanto, além do peso outras características são levadas em consideração, tais como: o formato dos grãos, que por sua vez deve ser reniforme ou arredondado; a coloração do grão, que a depender da localidade existirá preferências distintas e o aspecto fitossanitário, o qual garantirá a longevidade na pós colheita.

Freire Filho et al., (2003), ressaltaram que o produtor rural deve procurar por cultivares que atendam as necessidades do mercado a qual ele está inserido, garantindo assim o escoamento da produção. No Estado do Espírito Santo, existem poucas informações sobre as exigências dos consumidores, já que trata-se de um estado em que o consumo deste grão é baixo, o que resulta na dificuldade de recomendar informações a respeito da melhor cultivar que atenda às exigências do mercado. Portanto, é necessário investigar sobre as exigências dos consumidores a respeito do tipo de grão a ser consumido.

Gráfico 05 - Valores médios para peso de cem grãos de diferentes cultivares de feijão caupi cultivadas no Centro-norte do Espírito Santo.

Legenda: Cultivares com médias não seguidas pelas mesmas letras diferem pelo teste de Scott-Knott a 5% de significância.

Fonte: Autor (2022).

O índice de grãos (IG), apresentou média de 79,66%, sendo agrupados em cinco grupos, tendo como destaque a cultivar BRS Itaim que obteve o valor de 84,59%. Em seguida, merece destaque o grupo formado por BRS Pajeú e BRS Guariba que obtiveram valores de 80,84% e 80,52% respectivamente. O terceiro grupo é composto pelas cultivares BRS Novaera, BRS

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16.00 20.00 24.00 28.00 32.00 36.00

BRS Xiquexique BRS Marataoã BRS Aracê BRS Rouxinol BRS Tumucumaque BRS Pajeú BRS Guariba BRS Itaim BRS Novaera BRS Imponente

Peso de Cem Grãos (g)

respectivamente. O quarto e quinto grupo apresentaram valores inferiores a 78% (Gráfico 06).

Como o índice grãos expressa a proporção relativa entre o peso dos grãos e peso das vagens, sugerindo como é a partição de assimilados pela plantas, as cultivares que demonstraram maiores valores de IG utilizaram grande parte de sua energia na produção de grãos e não no armazenamento na casca (palha).

Santos et al., (2012) ressaltam que as características número de vagens por planta e índice de grãos são os componentes que mais contribuem para a produção de grãos no feijão-caupi, superando os componentes peso de cem grãos e número de grãos por vagens. Pablo Júnior et al., (2017) caracterizando cultivares de feijão-caupi no sudoeste da Bahia, encontraram média de 78% para o índice de grãos. Estes autores destacaram as cultivares BRS Novaera, BRS Tumucumaque e BRS Itaim que apresentaram índices superiores a 78%. Os resultados são semelhantes ao do presente trabalho, cabendo destacar que a média obtida (79,66 %) foi superior, indicando o bom resultado encontrado para esta variável quando do uso das cultivares na região centro-norte do estado do Espírito Santo. Resultados bem inferiores foram encontrados por Sousa et al., (2015) em Teresina-PI, com média geral do experimento de 65%, com as cultivares BRS Guariba, BRS Tumucumaque e BRS Xiquexique apresentando valores de 65%, 68% e 62% para a variável IG respectivamente.

Gráfico 06 - Valores médios para a variável Índice de grãos de diferentes cultivares de feijão-caupi cultivadas no Centro-norte do Espírito Santo.

Legenda: Cultivares com médias não seguidas pelas mesmas letras diferem pelo teste de Scott-Knott a 5% de significância.

Fonte: Autor (2022).

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a

74.00 76.00 78.00 80.00 82.00 84.00 86.00

BRS Aracê BRS Rouxinol BRS Marataoã BRS Imponente BRS Tumucumaque BRS Xiquexique BRS Novaera BRS Guariba BRS Pajeú BRS Itaim

Índice de Grãos (%)

comercial (Gráfico 07), com média dos tratamentos de 2341,25 kg ha-1. As cultivares BRS Novaera e BRS Pajeú apresentaram resultados superiores a 3000 kg ha-1, destacando-se como as mais promissoras para o cultivo na região Centro-Norte do Espírito Santo. As cultivares BRS Marataoã, BRS Rouxinol, BRS Guariba e BRS Tumucumaque demonstraram resultados de produtividade de 2809 kg ha-1, 2634 kg ha-1, 2600 kg ha-1 e 2082 kg ha-1 respectivamente.

Já as cultivares BRS Itaim, BRS Aracê e BRS Xiquexique apresentaram valores de produtividade de 1925 kg ha-1, 1739 kg ha-1 e 1430 kg ha-1 respectivamente. A cultivar BRS Imponente apresentou o pior desempenho em produtividade, visto que por ocasião da implantação do experimento, as sementes apresentaram problemas fitossanitários, e por consequência obteve um estande menor de plantas.

Resultados semelhantes foram encontrados por Queiroz et al., (2017) quando investigaram a produtividade de cultivares de feijão-caupi em Roraima, com média de 3163 kg ha-1, e os mellhores resultados foram verificados para as cultivares BRS Marataoã e BRS Pajeú, com 3437 kg ha-1 e 3490 kg ha-1, respectivamente. Corroboram também com esses valores Teixeira et al., (2010), que observando a produtividade do feijão-caupi na região do Cerrado, encontraram valores para as cultivares BRS Guariba e BRS Gurguéia, com 2221 kg ha-1 e 2196 kg ha-1, respectivamente. Análogo com os resultados do presente trabalho, Teixeira et al., (2010) constataram valores para as cultivares BRS Novaera e BRS Guariba de 1308,85 kg ha-1 e 1242,9 kg ha-1, respectivamente. Ramos et al., (2012) e Bastos et al., (2012) relatam que o incremento da irrigação resulta em aumento da produtividade, o que pode ser observado neste experimento, visto que nas maiores áreas de produção desta cultura o cultivo é realizado em sequeiro, o que explica as baixas produtividades.

caupi cultivadas no Centro-norte do Espírito Santo.

Legenda: Cultivares com médias não seguidas pelas mesmas letras diferem pelo teste de Scott-Knott a 5% de significância.

Fonte: Autor (2022).

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100 600 1100 1600 2100 2600 3100 3600

BRS Imponente BRS Xiquexique BRS Aracê BRS Itaim BRS Tumucumaque BRS Guariba BRS Rouxinol BRS Marataoã BRS Pajeú BRS Novaera

Produtividade Comercial (kg ha-1)

- Todas as cultivares de feijão-caupi avaliadas apresentam potencial para serem cultivadas na região Centro – Norte do Estado do Espírito Santo.

- A cultivar BRS Novaera apresenta-se como a mais produtiva e com melhor arquitetura.

- A cultivar BRS Pajeú apresenta-se como a segunda mais produtiva e por apresentar o maior comprimento de vagem deve ser indicada a agricultores familiares devido à maior facilidade na colheita manual.

- A cultivar BRS Itaim apresenta potencial para ser cultivada de forma mecanizada devido ao seu porte ereto como o alto valor de índice de grãos alcançado.

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