and allocative efficiency of resources”
8. VARIAÇÃO DE GASTOS
Este é outro indicador utilizado em estudos recentes que visa apontar qual é a política do governo em relação ao processo de educação como um todo. Qual é o empenho relativo do go- verno nos ensinos fundamental, médio e superior. Também é um valor relativo que depende da quantidade de alunos e número de professores em sala de aula. Sabe-se que nas séries iniciais exis- tem mais alunos por professor. Em contrapartida, este professor
tem um custo menor do que aquele que atua no ensino superior. De outra parte tem-se que nas universidades os professores têm custos mais elevados se comparados aos dos profissionais do en- sino fundamental e que as salas de aula são extremamente mais vazias do que as turmas do ensino médio, por exemplo. Conside- rando ainda que cada país pode apresentar uma política diferente para cada nível de ensino, fica difícil comparar estas relações.
Acredita-se que no Brasil o empenho de recursos no ensino superior seja de 9 a 10 vezes o que se gasta com ensino médio e fundamental. PEÑALOZA (2002) faz referência à razão de alunos por docente. Enquanto na Europa esta relação é de 15 alunos por professor, no Brasil não passa de 11 alunos.
9. DISCUSSÃO
Segundo a UNESCO (1999) – Política de Mudança e De-
senvolvimento no Ensino Superior –, existem três tendências no
ensino superior do mundo: 1ª) expansão quantitativa; 2ª) di- versificação de estruturas institucionais e; 3ª) dificuldades financeiras.
Acredita-se que a qualidade dessa expansão está totalmen- te ligada às condições sócio-culturais do país, portanto, países menos desenvolvidos apresentam expansões com baixa qualida- de. A diversificação de estruturas institucionais está relacionada às dificuldades financeiras. Daí concluir-se que, em países cujos centros educacionais passam por dificuldades financeiras, a diver- sificação tende a equalizar a questão econômica ao processo edu- cacional. Este último efeito pode ser confirmado nas alterações feitas nas regras que regem as Instituições de Ensino Superior IES do Brasil, aproximando-as cada vez mais do mercado. Isto é viabilizado pelas Fundações, que são formadas no escopo das IES, ironicamente denominadas de “caça níqueis” por alguns autores.
Segundo Catani (1996), a aproximação entre os setores produtivos e educacionais, em especial a educação superior, é um fato inevitável no momento econômico mundial. Contudo, existe uma contradição neste movimento na medida em que as universi- dades são questionadas quanto à qualidade do conteúdo ao mes- mo tempo que são cobrados os seus papéis no meio econômico.
A UNESCO (1999) entende que a diversificação é uma ten- dência inevitável, contudo, deve-se estar atento à qualidade do ensino superior, a equidade quanto ao seu acesso e, ainda, à pre- servação da liberdade acadêmica.
De acordo com estudos daquela entidade, os países em de- senvolvimento gastam, em média, menos com ensino superior do que os países desenvolvidos. Há que se esclarecer, contudo, que o gasto total com a educação desses países é extremamente expressivo em relação aos seus PIB. A conclusão que se pode chegar é de que, “quanto mais pobre a região, maior o custo
relativo para cada estudante, estimado em termos de por- centagem do PIB”.
Melchior (1997) entende que em princípio, existe a ideia de que a elevação do custo per capita também eleva a qualidade do ensino. Na verdade, no caso brasileiro, isso precisa ser visto com cautela, pois investimentos e reforços no orçamento não se traduziram efetivamente em qualidade no ensino. Este autor en- tende que fórmulas para transferência de recursos diretamente às escolas são cada vez mais estudadas.
Contudo entende-se que, fórmulas alternativas de trans- ferência de recursos não criam novas fontes de financiamento, portanto, não têm o poder de “criar fontes” no caso de enxu- gamento de orçamento, problema cada vez mais verificado nos países pobres.
Para Souza (2002), a descentralização dos gastos educa- cionais deve ser benéfica porque as unidades descentralizadas estão mais próximas de seus beneficiários.
Sobre distribuição de recursos de forma a minimizar dife- renças sociais Llamas e Garro (1999) entendem que, dependendo da meta escolhida, é possível avaliar se as regras de distribuição são adequadas, ou se foram aplicadas corretamente. Também é possível identificar desigualdades.
Para Ricardo Carciofi (2002), novas propostas para política de educação, principalmente para o ensino superior, devem con- siderar os fenômenos das integrações comerciais (ALCA, MERCO- SUL etc) pois estas têm influência direta nos fluxos de capitais internacionais e, consequentemente, no mercado de trabalho. Percebe-se, mais uma vez, a vinculação da educação com a eco- nomia, via mercado de trabalho.
Para a UNESCO (1999) o ensino superior deve sim desen- volver atitudes proativas frente ao mercado de trabalho e ao nas- cimento de novas áreas e formas de trabalho. Contudo, quando se tem que diploma = trabalho não se aplica mais, espera-se que o ensino superior produza graduados que não sejam somente indi- víduos procurando trabalho, mas também criadores de empregos. Com esta aproximação do ensino com o mercado surge a questão da gestão dos centros de ensino superior. Esta é umas das questões levantadas neste trabalho. O quão importante é o processo de gestão na questão da qualidade do ensino superior e na otimização dos recursos.
Para Ricardo Carciofi (2002), não se deve esquecer que o desempenho efetivo e a descentralização eficaz no nível do esta- belecimento escolar requerem, essencialmente, uma capacitação dos servidores, especialmente aqueles da área de gestão.
Para Penazolas (1999), por estarem sujeitas a orçamentos restritivos, as instituições de ensino e pesquisa necessitam de novas formas de administrar os recursos, racionalizando custos e aumentando a eficiência na gestão. Daí a necessidade de mo- delos quantitativos de avaliação de desempenho institucional que demonstrem a relação custo-benefício dos recursos alocados.
Já para Espínola (2002), o alinhamento entre a teoria eco- nômica e a educação, sendo esta última vista como produto, não traz resultados satisfatórios nos modelos propostos para avaliar o ensino superior. Segundo ele fica explícita a seguinte relação linear: O aumento de insumo deve ser seguido de redução de ineficiências e, consequentemente, aumento da produção.
– Insumo ... – Ineficiências ... – Produção
Espíndola (2002) entende que é possível atender as teorias econômica e social na medida em que se pode identificar as ne- cessidades coincidentes destas duas áreas e, em seguida, promo- ver a otimização do recurso empenhado no processo educativo.
10. CONSIDERAÇõES FINAIS
Entre as possíveis constatações que o estudo permite, po- de-se enfatizar a forte herança cultural que o sistema educacional
brasileiro traz das premissas adotadas no período colonial. Dessa herança destaca-se a forte interveniência do estado na educação. A educação vive, portanto, sob um controverso posicionamento do Estado: ao tempo em que centraliza as decisões e direciona totalmente o modelo educacional, o Estado dá sinais que deseja uma maior independência financeira das entidades educacionais. Essa sinalização vem com os conselhos comunitários, a descen- tralização dos recursos para o ensino fundamental e da legislação específica para as que as IFES possam prestar serviços à socie- dade como qualquer outra empresa mercantil, por meio de suas fundações – as conhecidas “caça níqueis”.
Essa herança cultural não fica restrita ao Estado. A socie- dade, por sua vez, tem como sendo do governo a responsabi- lidade pelo ensino de seus filhos e filhas, imprimindo um forte apelo social ao segmento, assim como acontece no segmento de planos privados de saúde. Esta postura social acaba por refletir nas instituições privadas de ensino, sabidamente pertencentes ao segmento de serviços.
Embora sejam conhecidos os impactos da educação sobre a economia de um país, existem também controversos posicio- namentos sobre a questão de se avaliar a eficácia alocativa das instituições de ensino. Há uma vertente que abomina a ideia de uma avaliação quantitativa. A ideia de vinculação da educação ao modelo econômico ou, pelo menos, do direcionamento dos cur- sos para o mercado de trabalho é vista como uma verdadeira he- resia. De outra parte, existem aqueles que enxergam por detrás da educação uma cifra e não permitem pensar na ideia de uma educação formadora e libertadora de seres humanos.
O setor privado encontra sérias dificuldades neste segmen- to. Além de ser um segmento ainda incipiente, sem tradição e ainda cerceado pelo ESTADO de suas liberdades, também não traz experiência mercadológica para suportar as mudanças eco- nômicas, as dificuldades impostas pela concorrência, entre várias. Assim apresenta-se a educação no Brasil: de um lado o Estado regulamenta toda a educação, inclusive a oferecida pelas instituições privadas, de outro um setor privado novo, pressio- nado pela sociedade, que não entende sua premissa de negócio.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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