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3.MATERIAL E MÉTODOS

4.4 Variação longitudinal

Neste tópico apresentam-se as estruturas longitudinais na amplitude média nos meses de janeiro em anos diferentes (2003 até 2014), quando se observa a maré semidiurna lunar no campo de temperatura sem a presença do aquecimento estratosférico abrupto (presente trabalho) com o trabalho de Paulino (2013) o qual leva em consideração os dados com SSW, ambos obtidos pelo satélite TIMED/SABER. As figuras a seguir representam a seguinte configuração: no eixo horizontal têm-se as longitudes entre 180° W e 180° E; no eixo vertical, têm-se as latitudes entre 50°S e 50°

N. As barras de cores representam a intensidade da amplitude. Portanto, nesta seção, objetiva-se explorar as variações longitudinais presentes na amplitude da maré, as figuras foram construídas com barras de cores individuais para cada mês, com o intuito de enfatizar as estruturas e não somente comparar as magnitudes. Cada painel de cada figura apresenta o comportamento médio de janeiro para cada ano da maré lunar obtido através da média vetorial aplicada sobre todo o período estudado, as figuras foram construídas com barras de cores individuais para cada período, o qual possibilita analisar as estruturas e não somente comparar as magnitudes (Paulino 2013).

Vale ressaltar que a magnitude das amplitudes já foi discutida nos tópicos anteriores. Cada painel de cada figura apresenta o comportamento médio mensal da maré lunar obtido através da média vetorial aplicada sobre todo o período estudado, portanto, um mês específico é composto pela média de todos os meses correspondentes ao período abordado neste estudo.

É notável a presença de 2 ou 3 estruturas características de concentrações intensas na temperatura no período de janeiro de 2003, principalmente no hemisfério Norte, diferentemente de janeiro de 2004 o qual há uma notável diminuição da amplificação vista no globo havendo uma concentração nítida em 1 ou dois pontos no hemisfério norte, o que se refere a intensificação da maré semidiurna lunar.

Já em janeiro de 2005 é notável a visualização de 3 ou 4 estruturas concentradas principalmente no hemisfério Sul. Em janeiro de 2006 há uma presença significativa da amplificação próxima da região polar Sul e pelo menos 2 ou 3 estruturas definidas e

64 distribuídas no hemisfério Norte. Para o período de janeiro de 2007 há presença 3 ou 4 estruturas dispersas no hemisfério Norte, conforme observa Paulino (2013).

No período de janeiro de 2008 é percebida a presença de duas estruturas, uma principalmente na região do equador e outra pequena estrutura localizada no hemisfério Sul. Analisando o período de janeiro de 2009 é percebida principalmente no sul da Europa e norte da África uma alta intensificação da maré lunar, ocorrendo também duas áreas de intensificação próximo da costa leste da África e costa nordestina brasileira, conforme discutido por Paulino (2013).

O período de janeiro de 2010 é marcado pela alta amplificação da maré lunar, sendo 4 ou 5 estruturas detectáveis. Em janeiro de 2011 percebe-se 4 ou 5 estruturas distribuídas nos hemisférios Norte e Sul. No período de janeiro de 2012 em comparação cm outro período nota-se uma diminuição da amplificação da maré semidiurna, havendo 2 ou 3 estruturas nítidas de tamanhos inferiores as de janeiro de 2011. No período de janeiro de 2013 destacam-se as pequenas manchas distribuídas nos dois hemisférios. E, por fim, o período de janeiro de 2014 o qual demonstrou pouquíssimas estruturas, sendo 1 ou 2 estruturas visualizadas com pequeno diâmetro, conforme apontado por Paulino (2013).

65 Figura 42- Variação da amplitude média no período de janeiro em anos diferentes (2003 a 2014) da maré semidiurna lunar na temperatura com a longitude, latitude e para a altitude de 90 km.

Tomando-se como base os resultados obtidos por Paulino (2013) em sua pesquisa, faz-se aqui uma análise comparativa entre aqueles resultados e os obtidos

66 nesse trabalho. Assim como a Figura 42, a Figura 43 apresenta a variação da amplitude com a altitude de 90 até 105 km da maré lunar obtidas no mês de janeiro em anos diferentes (2003 até 2014), apresentam a seguinte configuração: no eixo horizontal têm-se as longitudes entre 180° W e 180° E; no eixo vertical, tem-têm-se as latitudes entre 50° S e 50° N. Sendo que as barras de cores representam a intensidade da amplitude.

Nota-se a presença de 4 ou 5 estruturas características de intensificação na temperatura atmosférica no período de janeiro de 2003 distribuído entre os dois hemisfério; contrastando com o período de janeiro de 2004 ou seja, há uma considerável diminuição da amplificação vista no globo havendo uma concentração nítida em 1 ou dois pontos característicos de intensificação da temperatura atmosférica no hemisfério Norte, logo o período de janeiro de 2003 em relação à 2004, detectou-se mais atividades relacionadas a amplificação da maré semidiurna lunar.

Já em janeiro de 2005 é notável a visualização de 2 ou 3 estruturas concentradas principalmente no hemisfério sul porém com baixa intensidade.. Em janeiro de 2006 distribuídas nos hemisférios norte e sul de forma significativa.

No período de janeiro de 2012 há uma redução em comparação ao mesmo período de 2011. No período de janeiro de 2013, destacam-se estruturas distribuídas nos dois hemisférios. E por fim o período de janeiro de 2014 o qual demonstrou estruturas, sendo 2 ou 3 estruturas visualizadas.

67 Figura 43 - Variação da amplitude média no período de janeiro em anos diferentes (2003 a 2014) da maré semidiurna lunar na temperatura com a longitude, latitude e para a altitude de 105 km.

68 5. CONCLUSÕES

Utilizando dados de temperatura obtidos da região MLT por meio do Satélite TIMED/ SABER com o intuito de analisar a estrutura global da maré semidiurna lunar atmosférica durante o período de inverno no hemisfério norte (dezembro de 2002 a fevereiro de 2014), o qual foi possível estudar o comportamento da amplitude da maré lunar atmosférica semidiurna entre 90 e 110 km de altitude durante períodos de ocorrência e de não ocorrência do fenômeno do Aquecimento Estratosférico Abrupto (SSW). Para essa análise tomou-se como referencia os resultados obtidos através do estudo desenvolvido por Paulino (2013) e os critérios estabelecidos por Yamazaki (2013) para caracterizar períodos com SSW´s.

Com esse estudo verificou-se que as amplitude e fases da maré lunar semidiurna para essas localidades mostraram características particulares como segue:

No caso do máximo que ocorre no período de janeiro para os anos 2003 até 2014, percebe-se uma assimetria latitudinal, visto que na altitude de 90 km é possível observar amplitudes mais elevadas no hemisfério norte em maior quantidade que o hemisfério sul. Para os mesmos períodos, na altitude de 105 km, o pico ocorre em ambos os hemisférios, com as amplitudes dispersas nos dois hemisférios. De acordo com Paulino (2013) as assimetrias visualizadas nas figuras 42 e 43 estão ligadas ao modo (2,3) o qual maximiza em aproximadamente 25° de latitude, com um hemisfério estando fora de fase em relação ao outro e nas mesmas latitudes o modo (2,2) é aproximadamente 70% do seu valor máximo no equador e está em fase entre os hemisférios.

Portanto, o máximo nas amplitudes da maré semidiurna lunar na temperatura do SABER em 90 km e 105 km nos meses janeiro podem ser obtidos combinando os modos (2,2) e (2,3) facilitando o entendimento da origem das estruturas observadas nas latitudes e longitudes nesses períodos de estudo.

Para alguns em que foram feitas as análises comparativas das amplitudes da maré lunar considerando o efeito produzido na atmosfera pelo aquecimento estratosférico simultaneamente tais como, janeiro de 2003, janeiro 2004, janeiro 2005, janeiro 2007, janeiro 2009, não demonstraram fortes mudanças na amplitude da maré semidiurna, ou seja, não há indícios de que o SSW tenha contribuído para mudanças na temperatura atmosférica.

69 Para os demais períodos em que foram feitas este mesmo tipo de análise, os resultados demonstraram-se significativos. Em janeiro de 2006 houve uma diminuição da intensificação da maré semidiurna lunar quando retirados os dias que ocorreram o aquecimento estratosférico.

Em janeiro de 2008 ao fazer análise computacional retirando os dias em que ocorrem aquecimento estratosférico em comparação com a análise de Paulino (2013), ou seja, análise contabilizando todos os dias do mês sem excluir os dias com SSW, percebe- se que houve um aumento significativo da intensificação da maré semidiurna lunar ao contrário do resultado exposto por Paulino (2013).

Fazendo a análise computacional excluindo os dias do mês de janeiro de 2010 em que aconteceu aquecimento estratosférico e comparando os resultados propostos por Paulino (2013), percebe- se que houve um aumento significativo da intensificação da maré semidiurna lunar principalmente no hemisfério sul ao contrário do resultado exposto por Paulino (2013) o qual apenas no hemisfério norte evidenciava a intensificação da maré semidiurna lunar.

Para o período de janeiro de 2011 após a análise computacional, verificou-se que maré semidiurna intensificou nos dois hemisférios quando comparado com o resultado proposto por Paulino. O aquecimento estratosférico corroborou para o aumento da temperatura atmosférica.

Em janeiro de 2012 percebe-se que há um deslocamento da estrutura que representa a amplificação da maré lunar quando retirado os dias que houve aquecimento estratosférico, o qual a área de maior variação de temperatura atinge desde o hemisfério norte até altas latitudes do hemisfério sul. Isto difere do resultado proposto por Paulino (2013), o qual a estrutura que representa a amplificação da maré lunar atinge desde o hemisfério norte até latitudes menores do hemisfério sul.

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