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VARIAÇÕES TEMPORAIS DO NÍVEL MÉDIO DO MAR

4 ESTIMATIVA DO NÍVEL MÉDIO DO MAR E USO DA

4.2 VARIAÇÕES TEMPORAIS DO NÍVEL MÉDIO DO MAR

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mais rigoroso, sendo então o procedimento recomendado. Maiores detalhes com respeito ao cálculo do NMM podem ser encontrados em IOC (1985), PUGH (1987) e IOC (2002), entre outros.

4.2 VARIAÇÕES TEMPORAIS DO NÍVEL MÉDIO DO MAR

A necessidade do monitoramento do nível do mar tem sido um tópico de grande discussão e interesse. Na atualidade, a Geodésia utiliza dados provenientes do monitoramento do nível do mar num sentido muito mais amplo do que a tradicional realização da referência para as redes verticais clássicas. Exemplos vão desde estudos relacionados com a influência das marés na rotação da Terra até melhorias nos modelos geopotenciais e integração de redes verticais, uma vez que cada Datum vertical está vinculado a uma época de definição. O monitoramento temporal do nível do mar também tem despertado grande interesse em outras áreas, principalmente em estudos relacionados com efeitos climáticos e implicações em áreas costeiras. Como exemplos de aplicações podem-se citar: elaboração de tábuas de maré; prevenção de desastres causados por fenômenos climáticos; melhoria na compreensão dos efeitos relacionados com a interação oceano/clima; e impactos da variação do nível do mar em regiões costeiras, como alagamento e erosão em áreas litorâneas e praias.

Nas últimas décadas as variações do nível do mar têm sido estimadas a partir de observações tomadas em marégrafos. De acordo com CAZENAVE (1999, p. 458), estas observações indicam que o NMM global tem sofrido uma elevação de aproximadamente 1,9 mm/ano ± 0,1 mm/ano. AARUP (2003) e WOODWORTH (2003) indicam que o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), em 2001, concluiu que houve uma elevação global no nível do mar de aproximadamente 10 a 20 cm nos últimos 100 anos, com uma projeção de 50 cm em média para os próximos 100 anos. Análises feitas com base em dados da Altimetria por Satélites da missão T/P indicam uma elevação de 2,99 mm/ano ± 0,1 mm/ano para o período de 1993-2003 (CAZENAVE et al., 2003, p. 24; HOLGATE; WOODWORTH, 2004, p.1), sugerindo

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uma aceleração na elevação do NMM.

Porém, existem três problemas relacionados com o uso de dados provenientes de marégrafos: o primeiro é a pobre distribuição geográfica de marégrafos com longo período de observações; o segundo deve-se ao fato da série temporal de dados não ser contínua pois provêm de diferentes equipamentos ao longo do tempo; o terceiro é o de que o marégrafo mede o nível do mar com relação à estrutura na qual se encontra instalado, ou seja, as observações podem estar contaminadas por movimentos da crosta (CAZENAVE, 1999, p. 458, CAZENAVE et al., 2003, p. 25) ou por alterações estruturais locais, que estariam sendo assumidas como variações do nível absoluto do mar. Assim, o estudo de variações temporais do nível do mar depende também do conhecimento acerca das deformações da crosta terrestre, em especial dos movimentos verticais e de como estes movimentos afetam as observações maregráficas.

As variações absolutas do nível do mar só podem ser determinadas se o marégrafo estiver vinculado a um SGR geocêntrico. A determinação e o monitoramento temporal da posição do marégrafo num SGR geocêntrico tornaram-se possíveis com o desenvolvimento das modernas técnicas de posicionamento geodésico, como o GPS, por exemplo. O monitoramento contínuo da posição geocêntrica do marégrafo ou a realização periódica de campanhas de rastreio podem permitir a detecção de possíveis soerguimentos ou subsidências crustais. Uma vez monitoradas variações crustais e do nível do mar, é possível remover as variações verticais da posição do marégrafo das variações do NMM, de forma a estabelecer variações absolutas do NMM ou variações do NMM relacionadas com efeitos climáticos (IOC, 2002, p. 35).

Neste contexto existem diferentes projetos de pesquisa sendo desenvolvidos em todo o mundo, pode-se citar como exemplos:

a) o projeto EVAMARIA no Atlântico Norte que tem como um de seus objetivos, a separação entre variações do nível do mar (a partir de dados

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de marégrafos) e movimentos verticais da crosta usando GPS (BOSCH et al., 2002; HÄFELE et al., 2002);

b) o projeto de cooperação entre Argentina e Alemanha SIRVEMAS (Sistema de Referencia Vertical en Argentina por Mareógrafos y Altimetria Satelital) que visa determinar alterações do nível do mar com marégrafos, GPS e Altimetria por Satélites, além de estimar a TNMM (NATALI et al., 2002), e

c) o projeto TIGA (GPS Tide Gauge Benchmark Monitoring – Pilot Project), idealizado pelo International GNSS Service (IGS), visando estimar movimentos verticais em estações distribuídas globalmente, localizadas nas proximidades de marégrafos e ocupadas continuamente por receptores GPS. Outras informações podem ser encontradas no endereço eletrônico <http://adsc.gfz-potsdam.de/tiga/index_TIGA.html>.

Alterações globais no nível do mar, em escalas de tempo de décadas a séculos, são produzidas basicamente por dois tipos de processos: as variações de volume podem ser produzidas por variações na temperatura e salinidade dos oceanos, ou ainda as variações podem ser resultantes da troca de água com outros reservatórios como a atmosfera e geleiras continentais (CAZENAVE, 1999, p. 467, CAZENAVE et al., 2003, p. 23). AARUP (2003), também cita as alterações do regime costeiro e de rios e variações na circulação oceânica como exemplos de fatores que alteram o nível do mar.

Como exemplos de fatores que provocam movimentos da crosta podem-se citar: soerguimento pós-glacial; deformações de origem sísmica e tectônica;

deformações associadas com erupções vulcânicas; subsidência de bacias sedimentares;

deformações causadas por variações na carga atmosférica e na umidade do solo;

subsidências de origem antrópica causadas pela extração de água subterrânea, gás, petróleo, etc. (CAZENAVE, 1999, p. 459; WOODWORTH, 2003).

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Nas últimas décadas vários estudos têm sido desenvolvidos com base em dados da Altimetria por Satélites para avaliar alterações do nível do mar, entre outros estudos. A análise destes dados pode proporcionar o conhecimento da variação do nível do mar em escala global e regional. Uma das vantagens é a de que os dados provenientes das missões de Altimetria por Satélites, em princípio, não estão contaminados por possíveis movimentos da crosta.