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Variantes dos processos de conformação e de corte

GAMA DE TEMPERATURAS HOMÓLOGAS PARA VÁRIOS PROCESSOS

2.1.2. Variantes dos processos de conformação e de corte

A aplicação dos processos de corte e conformação é bastante diversificada, como tal, existem  algumas variantes do processo, dependentes do tipo de forças que são aplicadas durante  o  mesmo e do tipo de produto a obter, que se enquadram nas seguintes categorias: 

   

1. Laminagem – Consiste em fazer passar metal por dois rolos fazendo com que este  deforme plasticamente, podendo ser realizado a frio ou a quente. É o processo de  fabrico  de  metais  mais  utilizado,  uma  vez  que  permite  uma  elevada  reprodutibilidade e cadência. Os rolos provocam elevadas tensões de compressão,  assim como elevadas tensões de corte na superfície, devido à fricção entre eles e o  metal. Em casos mais complexos, este processo permite obter barras e perfis de  forma irregular (Bresciani, 2011). 

     

   

 

Figura 2.10 – Princípio do processo de Laminagem 13     

13 Adaptado de: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA6pwAF/processos‐fabricacao  Cilindro Superior

Cilindro Inferior 

 

2. Forjamento  –  É  um  processo  de  obtenção  de  peças  metálicas  com  base  na  aplicação de pressão e que pode ocorrer a quente ou a frio. O forjamento pode  realizar‐se em matriz aberta (Figura 2.11) para peças de geometria mais simples,  de grandes dimensões ou para reduzidas cadências, ou então em matriz fechada  (Figura 2.12) para peças com tolerâncias mais apertadas, ou fabricadas em grandes  séries. Neste caso, as peças são geralmente maquinadas antes de serem colocadas  na matriz, para facilitar um correto posicionamento na mesma (Brito, 2005). 

   

Figura 2.11 – Princípio do processo de Forjamento em Matriz Aberta 14     

  

Figura 2.12 – Princípio do processo de Forjamento em Matriz Fechada 15   

   

14 Adaptado de: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA6pwAF/processos‐fabricacao 

15 Adaptado de: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA6pwAF/processos‐fabricacao  Matriz Superior 

Peça Bruta 

Matriz Inferior 

Punção

Peça Bruta

Matriz

3. Extrusão – Consiste em fazer passar um bloco de metal por uma fieira, reduzindo a  sua  secção  sob  elevada  pressão.  Permite  obter  barras  cilíndricas  ou  tubos  mas,  dependendo  do  material,  pode  ser  possível  extrudir  formas  mais  complexas. 

Normalmente, para facilitar o processo, o metal é extrudido a temperaturas altas,  reduzindo a sua resistência à deformação. A extrusão pode ser direta (Figura 2.13)  ou inversa (ou indireta) (Figura 2.14), dependendo se a saída de material se dá no  sentido  do  movimento  do  êmbolo,  ou  no  sentido  contrário.  Normalmente,  na  extrusão inversa, o que se verifica é que o punção fica estático, enquanto a matriz  avança com o material no seu interior. Isto reduz a força provocada pela fricção  entre o  material e a parede da matriz, uma vez que não há movimento relativo  entre eles (Rossi, 1979). 

  

  Figura 2.13 – Princípio do processo de Extrusão Direta 16 

   

Figura 2.14 – Princípio do processo de Extrusão Inversa 17 

 

16 Adaptado de: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA6pwAF/processos‐fabricacao 

17 Adaptado de: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA6pwAF/processos‐fabricacao  Punção  Fieira 

Material  Extrudido 

Material  Extrudido  Fieira

Punção 

 

4. Quinagem – É um processo que permite obter geometrias planificáveis (cilíndricas,  cónicas ou prismáticas) deformando plasticamente uma chapa. A máquina onde o  processo  é  realizado,  denominada  por  quinadora,  carateriza‐se  por  possuir  uma  mesa  comprida  e  estreita,  onde  é  possível  acoplar  uma  grande  variedade  de  ferramentas. Aplica‐se sobretudo a pequenas séries de fabrico, apesar do avanço  tecnológico permitir que se integre à produção em série. 

Um  dos  principais  parâmetros  deste  processo  consiste  no  raio  de  curvatura  da  chapa quinada. Para raios de curvatura muito reduzidos (quando comparados com  a  espessura  da  chapa)  poderão  surgir  valores  muito  elevados  de  tensões  tangenciais  nas  fibras  do  raio  exterior  da  chapa  (raio  maior),  podendo  ocorrer  fissuração ou até mesmo fratura da chapa. Deste modo, é habitual definir um raio 

Figura 2.15 – Princípio do processo de Quinagem   18 

   

18 Adaptado de: http://msvs‐dei.vlabs.ac.in/images/SheetMetal/bending.jpg  Punção

Peça

 Matriz 

5. Corte  em  prensa  –  É  um  processo  onde  uma  chapa  metálica  sofre  separação  através  do  movimento  relativo  de  duas  lâminas.  Basicamente,  é  provocada  uma  deformação  plástica  entre  as  arestas  de  corte,  provocando  a  rotura  da  chapa,  propagando‐se de forma a separar completamente o material. Entre as arestas de  corte existe uma folga (uma das variantes mais importantes deste processo) que  depende  do  material  e  do  seu  estado,  deverá  estar  compreendida  entre  um  intervalo que otimize a força necessária para o corte e a qualidade conseguida por  este.  Para  materiais  mais  frágeis,  a  folga  deverá  ser  menor,  uma  vez  que  a  sua  deformação plástica é menor; para materiais mais dúcteis, como é necessária uma  maior  deformação  plástica  para  atingir  rotura,  a  folga  deverá  ser  maior,  assim  como a penetração do punção (Rocha, et al., 1990). 

     

      

  Figura 2.16 – Princípio do processo de Corte em prensa 19 

 

19 Adaptado de: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA6pwAF/processos‐fabricacao 

Porta‐punções Cerra‐chapas

Matriz

Peça 

Tira de chapa  Vista Lateral 

Vista Superior (apenas chapa)

 

6. Trefilagem – É um processo um pouco semelhante à extrusão que permite obter  barras, tubos e cabos mas, em vez do material ser comprimido contra uma fieira, é  tracionado, e a fieira (habitualmente em carboneto de tungsténio para prolongar a  sua vida útil) normalmente tem uma forma cónica. 

Ao atravessar a fieira o diâmetro do material vai diminuindo, enquanto que o seu  comprimento  vai  aumentando,  obtendo  um  produto  com  excelente  controlo  dimensional e bom acabamento superficial (Rodrigues, et al., 2010). 

Figura 2.17 – Princípio do processo de Trefilagem 20      

7. Embutidura – Consiste em criar formas de relevo a partir de uma chapa plana. A  chapa plana é colocada sobre a matriz e pressionada por um punção de maneira a  conferir a forma desejada, deformando plasticamente a chapa (Brito, 2005). 

 

Figura 2.18 – Princípio do processo de Embutidura 21 

20 Adaptado de: http://www.substech.com/dokuwiki/lib/exe/fetch.php?w=&h=&cache=cache&media=drawing.png 

21 Adaptado de: http://deepdrawing‐natlmfg.blogspot.pt/ 

Punção 

Cerra‐chapas 

Chapa  Matriz 

Fundo  Flange  Peça

Fieira 

Força de tração