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Vazio Sanitário

No documento ACOMPANHAMENTO DA SAFRA BRASILEIRA (páginas 61-65)

Apenas quatro estados produtores não adotam o va- zio sanitário: Roraima, Piauí, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em Roraima, segundo o Consórcio Antiferru- gem/Sistema (www.cnpso.embrapa.br/alerta), a do- ença ainda não foi detectada nas lavouras do estado. Isso se deve, provavelmente, devido a sua localização geográfica e sua diferente época de semeadura (maio a junho), em relação ao restante do país (outubro a dezembro) e por isso não adota o vazio sanitário. No Piauí a região produtora sofre escassez de chuvas e temperaturas elevadas na entressafra, o que torna o ambiente desfavorável ao desenvolvimento da doen- ça (Meyer, 2007), uma vez que nessas condições a soja tiguera não sobrevive. De acordo com o Consórcio An- tiferrugem, não houve relato de foco da doença nas

últimas safras no estado. No Rio Grande do Sul e Santa Catarina as baixas temperaturas (geadas) na entres- safra também são desfavoráveis à permanência de soja tiguera, então se optou pelo não estabelecimento do vazio sanitário, o que ocorre também na Argentina. Um ponto preocupante, quanto ao manejo da doença, é a situação da Bolívia, onde não ocorre o vazio sani- tário e as frequentes correntes de vento, que sopram do Pacífico e do sul da América do Sul, trazem esporos para as lavouras no Brasil (Faep, 2008), sendo fonte de inóculo para os cultivos de verão, especialmente em Mato Grosso. Na Bolívia são feitas, pelo menos, duas safras por ano (verão e inverno), com ocorrência de fortes epidemias de ferrugem asiática, que encontra hospedeiro o ano todo (Faep, 2008).

Quadro 1 – Período de vazio sanitário para a soja UF

JUN JUL AGO SET OUT NOV

Quinz. Quinz2ª Quinz.1ª Quinz2ª Quinz.1ª Quinz2ª Quinz.1ª Quinz2ª Quinz.1ª Quinz2ª Quinz.1ª Quinz2ª

RO PA/Sul PA/Nordeste PA/Noroeste TO MA/Norte MA/Sudeste BA - sequeiro BA - irrigado MT MS GO DF MG SP PR PARAGUAI

Legenda: PA/Sul: microrregiões de Conceição do Araguaia, Redenção, Marabá, São Félix do Xingu, Parauapebas, Itaituba (com exceção dos municípios de Rurópolis e Trairão) e de Altamira (Distritos e Castelo de Sonhos e Cachoeira da Serra).

PA/Nordeste: microrregiões de Paragominas, Bragantina, Guamá, Tomé-Açu, Salgado, Tucuruí, Castanhal, Arari, Salgado, Belém, Cametá, Furos de Breves e de Portel

PA/Noroeste: microrregião de Santarém, Almeirim, Óbidos, Itaituba (municípios de Rurópolis e Trairão), e de Altamira (com exceção dos Distritos de Castelo de Sonhos e Cachoeira da Serra). MA/Norte: Baixada Maranhense, Caxias, Chapadinha, Codó, Coelho Neto, Gurupi, Itapecuru Mirim, Pindaré, Presidente Dutra, Rosário, Paço do Lumiar, S. J. de Ribamar e São Luis. MA/Sudeste: Alto Mearim, Grajaú, Balsas, Imperatriz e Porto Franco.

Fonte: Conab Início Fim 15/06 15/09 15/07 15/09 01/09 30/10 01/10 30/11 01/07 30/09 15/09 15/11 15/08 15/10 15/08 30/09 15/06 15/09 01/07 30/09 15/06 15/09 01/06 30/08

Para o algodão, o vazio sanitário é uma das medidas fitossanitárias para a prevenção e controle do Bicudo do Algodoeiro (Anthonomus grandis), visando prote- ger a produção do estado de prejuízos ocasionados pela praga. Considerado a principal praga da cultura, além de grande capacidade destrutiva, possui habili- dade para permanecer nessas lavouras durante a en- tressafra. Ela foi responsável pela migração do cultivo da cultura do Paraná para o Centro-Oeste do país. No início da década de 90 este estado era o maior pro-

dutor nacional, cultivando mais de 700 mil hectares, enquanto em Mato Grosso, por exemplo, plantava- se cerca de 30 mil hectares. Na safra 2014/15 o Mato Grosso, maior produtor do país, plantou 562,7 mil hec- tares, enquanto a área do Paraná não chega a 1.000 hectares. Dos estados que adotam o vazio sanitário, a Bahia é o único onde ele é opcional. Os outros que também adotam o período de vazio sanitário são: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná

Quadro 2 – Período de vazio sanitário para o algodão

UF

JUL AGO SET OUT NOV DEZ JAN

Dez Dez3ª Dez1ª Dez2ª Dez3ª Dez1ª Dez2ª Dez3ª Dez1ª Dez2ª Dez3ª Dez1ª Dez2ª Dez3ª Dez1ª Dez2ª Dez3ª Dez1ª Dez2ª BA – Extremo Oeste BA – Centro- Sul¹ MT MS GO 1 GO 2 GO 3 GO 4 GO 5 MG SP PR

Legenda: GO 1: Acreúna, Bom Jesus de Goiás, Buriti Alegre, Cachoeira Dourada, Campo Alegre de Goiás. Cesarina, Edealina, Edeia, Firminópolis, Goiatuba, Inaciolândia, Indiara, Ipameri, Jandaia, Itumbiara, Joviânia, Maurilândia, Morrinhos, Palmeiras de Goiás, Palminópolis, Panamá, Piracanjuba, Pontalina, Porteirão, Santa Helena de Goiás, Santo Antônio da Barra, São João da Paraúna, Santo Antônio de Goiás, Trindade, Turvelândia, Vicentinópolis e as lavouras localizadas nos municípios de Paraúna e Caiapônia que estiverem abaixo de 600 metros de altitude. GO 2: Chapadão do Céu, Doverlândia, Jataí, Mineiros, Montividiu, Rio Verde, Santa Rita do Araguaia, e as Lavouras localizadas em Paraúna e Caiapônia que estiverem acima de 600 metros de altitude.

GO 3: Perolândia, Portelândia e Mineiros, exceto a porção de área descontínua limítrofe com o município de Chapadão do Céu, que segue a mesma data de vazia de GO 2. GO 4: Cocalzinho de Goiás, Cristalina, Formosa, Luziânia, Silvânia e Minaçu

GO 5: Britânia, Jussara, Matrinchã, Montes Claros de Goiás, Santa Fé de Goiás e São Miguel do Araguaia

Nota: (1) não haverá vazio sanitário, no entanto entre o dia 20/09 e 20/11 não serão permitidos a presença de estruturas reprodutivas (botão floral e maçã) Fonte: Conab Início Fim 20/09 20/11 20/09 20/11 01/10 30/11 15/09 30/11 05/09 25/11 10/09 30/11 15/09 05/12 20/08 10/11 01/11 20/01 20/09 20/11 10/07 10/10 10/07 20/09

Para o feijão, o vazio sanitário tem como objetivo o controle da mosca branca (Bemisia tabaci) e diminuir a quantidade de alimento para esse inseto, conside- rado uma das pragas mais prejudiciais para os pro- dutores dessa cultura. A eliminação de plantas vivas neste período evita que o inseto se mantenha ativo e

provoque danos às próximas safras, uma vez que ele é vetor de doenças, como o vírus do mosaico dourado do feijoeiro e o transmite no momento da sucção da seiva da planta. Nesta safra, Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais determinaram período de vazio sanitá- rio para o feijão.

Quadro 3 – Período de vazio sanitário para o feijão UF

AGO SET OUT NOV

1ª Dez 2ª Dez 3ª Dez 1ª Dez 2ª Dez 3ª Dez 1ª Dez 2ª Dez 3ª Dez 1ª Dez 2ª Dez 3ª Dez GO 1

GO 2 DF MG 3

Legenda: GO 1: sudoeste, sul e sudeste;

GO 2: entorno do DF, Norte, Nordeste, Centro, Noroeste e Metropolitana de Goiania; MG 3: noroeste Fonte: Conab Início Fim 05/09 05/10 20/09 20/10 20/09 20/10 20/09 20/10

O descumprimento de qualquer vazio sanitário acar- reta multa ao produtor, interdição da propriedade e destruição do plantio. É de responsabilidade do pro-

priedades produtoras de soja, algodão e/ou feijão, a eliminação das plantas durante o período do vazio sanitário, bem como a destruição de todos os restos

10.1. Referências bibliográficos

MEYER, M. C. Relato da ferrugem asiática da soja nos Estados do Maranhão e Piauí, na safra 2006/07. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA, X., 2007, Londrina. Anais... Londrina: EMBRAPA Soja.

FAEP - Federação da Agricultura do Estado do Paraná. Paraná implanta vazio sanitário da soja pela primeira vez. Boletim Informativo, n. 1008., Curitiba: junho de 2008.

10. Monitoramento Agrícola:

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