3.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.3.3 Verão – 2015/2016
Os resultados de sobrevivência dos indivíduos do teste de verão para ambas as idades apresentaram diferenças significativas entre os tratamentos, sendo o método de torniquete superior aos demais, atingindo até 100% de sobrevivência. O oposto ocorreu para os métodos de decepa e inclinação onde as taxas de sobrevivência foram muito baixas, como por exemplo 4,17% para as menores alturas do método de decepa aos 3 anos (TABELA 7).
A B
TABELA 7 – PORCENTAGEM DE SOBREVIVÊNCIA DE INDIVÍDUOS DE A. mearnsii De Wildeman AOS 3 E 5 ANOS DE IDADE SUBMETIDOS A DIFERENTES MÉTODOS E DIFERENTES ALTURAS DE INDUÇÃO DE BROTAÇÕES AOS 90 DIAS, NA ESTAÇÃO DE VERÃO.
Tratamento 3 anos 5 anos
1Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente pelo teste de Friedman a 5%
e 1% de probabilidade. Sendo: GL = Graus de Liberdade. FONTE: A Autora (2016).
Aos 3 anos de idade, todas as variáveis tiveram resultados superiores com o método de torniquete em todas as alturas, e pelo método de decepa na altura de 2,0 m, atingindo até 95% de indivíduos com brotos para torniquete e número de gemas epicórmicas por indivíduo de 15,58 e comprimento médio de brotações de 8,60 cm para o tratamento de torniquete aos 2,0 m (TABELA 8). O mesmo ocorreu para a idade de 5 anos (TABELA 9), com porcentagem de indivíduos com brotações atingindo 91,67% no método de torniquete. Para número de gemas epicórmicas e comprimento médio de brotações, os tratamentos foram melhores com torniquete a 1,20 e 2 m (11,06 e 16,43 gemas/indivíduo e 9,90 e 9,81 cm, respectivamente).
Shackleton (2000) relata que a altura de corte de algumas espécies arbóreas é um fator que pode restringir a capacidade de rebrota das cepas. Segundo esse autor, alturas de corte próximas ao nível do solo favorecem o ataque de fungos degradadores da madeira e, ao mesmo tempo, cepas com alturas elevadas podem reduzir o vigor e o crescimento das brotações. Neste estudo se evidenciou a morte das cepas nas menores alturas de corte (0,30 e 0,40 m) e apesar das respostas positivas para as maiores alturas de indução não se pôde determinar a influência na qualidade das brotações.
A prática da envergadura, ou, neste caso, a inclinação forçada do indivíduo, acarreta na perda da dominância apical da planta matriz, promovendo o desenvolvimento das gemas laterais (TAIZ; ZEIGER, 2009) culminando com a formação de brotações epicórmicas e resgatando assim as características juvenis do material adulto (SOUZA JÚNIOR et al., 2003).
Porém este método não se mostrou eficiente na indução de gemas epicórmicas em indivíduos adultos de acácia negra.
No uso do torniquete, assim como nos demais métodos, o estresse ocorre em virtude da interrupção do transporte de fotossintetizados e outros metabólicos orgânicos das partes mais altas para as partes mais baixas da planta, realizado por elementos e células crivadas, situados na região do floema (TAIZ; ZEIGER, 2009). Porém, diferente da decepa, o método de torniquete não causa a morte do indivíduo, pois não interrompe o transporte acrópeto do xilema, deixando o indivíduo apto a indução de brotações por mais tempo.
TABELA 8 - PORCENTAGEM DE INDIVÍDUOS COM BROTAÇÕES, NÚMERO DE GEMAS EPICÓRMICAS POR INDIVÍDUO E COMPRIMENTO MÉDIO DE BROTAÇÕES POR INDIVÍDUO DE A. mearnsii De Wildeman AOS 3 ANOS DE IDADE, SUBMETIDOS A DIFERENTES MÉTODOS, E DIFERENTES ALTURAS DE INDUÇÃO DE BROTAÇÕES AOS 90 DIAS, NA ESTAÇÃO DE VERÃO.
1Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente pelo teste de Friedman a 5%
e 1% de probabilidade. Sendo: GL = Graus de Liberdade; CB% = porcentagem e indivíduos com brotações; NG
= número de gemas epicórmicas por indivíduo; CMB = comprimento médio de brotações por indivíduo. FONTE:
A Autora (2016).
TABELA 9 - PORCENTAGEM DE INDIVÍDUOS COM BROTAÇÕES, NÚMERO DE GEMAS
1Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente pelo teste de Friedman a 5%
e 1% de probabilidade. Sendo: GL = Graus de Liberdade; CB% = porcentagem e indivíduos com brotações; NG
= número de gemas epicórmicas por indivíduo; CMB = comprimento médio de brotações por indivíduo. FONTE:
A Autora (2016).
A análise de regressão para o fator altura mostra que os resultados são melhores conforme o aumento da altura de indução das brotações, principalmente para o número de gemas epicórmicas por indivíduo, onde os valores triplicam. Novamente esse resultado se explica em função da maior área de tronco com presença de gemas dormentes. Entre as idades os resultados pouco variaram nesta estação de verão, exceto para o comprimento das brotações que atingiram maiores dimensões aos 5 anos do que aos 3 (FIGURA 7).
FIGURA 8 - INDUÇÃO DE BROTAÇÕES EM INDIVÍDUOS ADULTOS DE A. mearnsii De Wildeman SOB DIFERENTES IDADES DA PLANTA MATRIZ E DIFERENTES ALTURAS DE INDUÇÃO AOS 90 DIAS, NA ESTAÇÃO DE VERÃO.
FONTE: A Autora (2016).
LEGENDA: A) Porcentagem de indivíduos com brotações;
B) Número de gemas epicórmicas por indivíduo;
C) Comprimento médio de brotações por indivíduo.
O único tratamento que teve resultados para o enraizamento foi o torniquete nas diferentes alturas. Nesta estação de verão/2015-2015, nenhuma estaca proveniente das matrizes com 3 anos de idade enraizou. O enraizamento acorreu apenas com estacas coletadas de matrizes com 5 anos de idade, cujos resultados foram avaliados por meio do teste não paramétrico de Friedman (TABELA 10). Apesar de o teste não detectar diferenças significativas, à altura de 0,40 m apresentou uma taxa de 12,50% de enraizamento, diferindo apenas numericamente dos demais tratamentos com 0% de enraizamento.
TABELA 10 – PORCENTAGEM DE ENRAIZAMENTO DE ESTACAS DE INDIVÍDUOS ADULTOS DE A.
mearnsii De Wildeman SUBMETIDOS AO MÉTODO DE TORNIQUETE EM DIFERENTES ALTURAS, COLETADOS AOS 120 DIAS DA INDUÇÃO DAS BROTAÇÕES NA ESTAÇÃO DE VERÃO, TRATADAS COM 4000 mg L-1.
Tratamentos 5 anos
0,30m 0,00 a
0,40m 12,50 a
0,60m 0,00 a
1,20m 0,00 a
2,00m 4,17 a
Friedman (X²) 3ns
GL 4
1Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente pelo teste de Friedman a 5%
e 1% de probabilidade. Sendo: GL = Graus de Liberdade. FONTE: A Autora (2016).