2. MODELO BRASILEIRO: FINANCIAMENTO DAS CAMPANHAS ELEITORAIS
2.2. Verbas Públicas para financiamento eleitoral
O financiamento das campanhas eleitorais no País é o termo que os partidos políticos e os candidatos aos cargos de representação do povo, destacam-se por arrecadar recursos para o uso destas verbas nas campanhas eleitorais.
Atualmente no país, as grandes arrecadações para a efetivação das campanhas eleitorais encontram-se investigada pela alta discussão, muito embora previsto na legislação o seu funcionamento, além de fiscalização, prestação de contas, dentre outros recursos. Os valores hoje, arrecadados por partidos políticos são tanto recursos públicos como também privados, assim denominado no sistema como recursos mistos.
Nesse sentido o Senado Federal8 assevera:
Hoje vige o sistema misto de financiamento eleitoral e partidário (formado por recursos públicos e privados). O financiamento público é formado por recursos do fundo partidário repassados aos partidos e indiretamente pela compensação fiscal a que as emissoras de rádio e televisão tem direito pela cedência do horário eleitoral gratuito.
Assim, vale apontar que mesmo obtendo recursos públicos, estes são a sua minoria, pois as campanhas eleitorais destacam-se por ser efetivada através de valores doados pelo poder privado. Embora, regulamentado através da Lei das Eleições nº 9.504/97, e ainda, a Lei
8 Citação quanto ao conceito ao sistema misto de campanhas eleitorais
9.0966, conhecida como Lei Orgânica dos Partidos Políticos, frente às prestações de contas das campanhas eleitorais, estas muitas vezes não são o suficiente para o combate a corrupção.
Nesse sentido vale ressaltar o artigo 17 da Lei 9.504 de 30 de setembro de 19979 o qual assevera quanto às despesas das campanhas eleitorais e quem são seus responsáveis quanto à fiscalização. Ocorre que sendo o sistema de financiamento misto, hoje encontrado no País, têm sido encontradas grandes dificuldades nas suas efetivações frente aos objetivos principais, advindo através dos escândalos diariamente publicados pela mídia, estes devendo expor em relação a facilidades que os políticos enfrentam para os desvios das verbas públicas. Conforme esquema exemplificativo a baixo:
Fonte:http://especiais.g1.globo.com/politica/2015/entenda-a-reforma-politica/
Assim, como mencionado no esquema acima, está necessidade que os partidos obtêm de utilizarem recursos privados para o financiamento das campanhas, acarretam a alta probabilidade dos doadores alcançarem, grandes vantagens dos recursos públicos no decorrer dos mandatos.
No entanto, destaca-se que neste sistema, tantos os partidos quanto os políticos por meio do Fundo Partidário e de doações de empresas, arrecadam valores altíssimos para a realização da campanha, deixando assim, um patamar de desigualdade frente aos outros candidatos.
Cumpre ressalvar, ainda, que o fato do Fundo Partidário não ter recursos suficientes para as campanhas, uma vez, que quanto mais valores arrecadar, mais valores serão
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Art. 17: As despesas da campanha eleitoral serão realizadas sob a responsabilidade dos partidos, ou de seus candidatos, e financiadas na forma desta Lei.
direcionados as propagandas de televisão, rádio, dentre outros meios de tecnologia, estes frente ao marketing que é vivenciado na atualidade. O artigo 17§ 3º da Constituição Federal10 ressalta que os partidos políticos alcançam benefícios frente ao acesso gratuito de rádio, televisão, dentre outros.
O grande sentido frente ao financiamento privado refere-se através de doações e contribuições em dinheiro, sendo está pela maioria das vezes realizadas diretamente aos partidos políticos, concretizando os altos valores gastos nas campanhas eleitorais, decorrendo tanto de pessoas físicas quantas pessoas jurídicas.
As campanhas atualmente são por sua maioria financiada por pessoas jurídicas, ou seja, empresas que se utilizam deste mecanismo para o aproveitamento da "troca de favores", configurando o forte efeito para a corrupção.
A "troca de favores" refere-se às empresas que se utilizam de seus poderes aquisitivos, para financiar campanhas eleitorais, ocorre que pela maioria das vezes os valores arrecadados vão para os candidatos praticamente eleitos; devendo assim, o candidato depois da eleição utilizar-se de seu poder para fraudar as licitações, dentre outros mecanismos, que estes se utilizam durante a vigência de seu mandato.
Segundo o dicionário de português, AURÉLIO (2008, p.271) corrupção é o "ato ou efeito de corrompe (-se); decomposição. devassidão, depravação, Suborno; peita”.
A reforma política trouxe frente as suas mudanças, uma tentativa de combater a corrupção frente ao financiamento das campanhas eleitorais. Ocorre que a proibição legal, do financiamento privado e sua substituição exclusivamente pelo público não impediria que o financiamento privado ocorresse, levando em conta a clandestinidade, que seria agravada, por operações obscuras e descontroladas, além do ônus com que o erário teria de arcar, em virtude da destinação de volumosa verba para o financiamento de campanhas eleitorais.
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Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:
[...]
§ 3º Os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei.
Deste modo o período eleitoral é muito longo, e o meio de divulgação dos candidatos a cada pleito eleitoral aumenta diante da tecnologia aumentando, assim existindo um grande desequilíbrio frente aos candidatos.
Os candidatos com maior poder aquisitivo, obtém conseqüentemente mais pecúnia em sua campanha, investindo assim, em grandes publicidades, como o marketing, para a frente dos eleitores, assim, onde os candidatos com menor poder aquisitivo, enfrentam grandes dificuldades para eleger-se.
Os governos e as instituições públicas em geral são diariamente criticados pela opinião pública, em decorrência das divulgações, utilizados pelos meios de comunicação, dos atos de abuso de poder dos governos e instituições pelas práticas realizadas por seus mandatários.
Vale ressaltar ainda, que a mídia transforma as campanhas eleitorais em um grande espetáculo. Existindo assim, a disputa eleitoral da qual deveria apresentar mais propostas claras e a sua forma de concretização, mostrando-se o dispêndio de recursos para com o abuso do poder econômico.
Assim, destaca-se o abuso econômico frente aos valores públicos, estando estritamente ligado as doações do financiamento das campanhas eleitorais. Existindo forte efeito no cenário político brasileiro, ao abrir espaço para práticas de caráter corrupto ou então pelo fato de haver grande representação nas Casas Legislativas brasileiras de grupos econômicos abastados, em detrimento de parcela da população que não tem força para fazer suas reivindicações tanto no transcorrer da legislatura como também no período eleitoral.