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I. A re-atualização da realidade 1. O enquadramento da questão

Ao iniciar esta segunda parte da tese, gostaríamos de remorar aquilo para que apontámos na primeira parte, dedicada essencialmente à descrição da analítica, justamente porque é desse campo que deve partir o entendimento destes desenvolvimentos dedicados à re-atualização da realidade.

Nesse sentido, relembramos que a base do projeto de Zubiri assenta numa impressividade do real que é recetiva. E, como tal, trata-se de uma via que não se pode compaginar nem com a proposta fenomenológica, nem com a hermenêutica, nem com os realismos, nem com as logificações da inteligência ou até com as inteligências concipientes, uma vez que todas estas posturas filosóficas propõem um ponto de partida que não releva da mera recetividade da materialidade.

Depois, gostaríamos de acautelar interpretações indevidas a propósito da divisão que esta segunda parte implica porque, pela divisão feita, poderia muito bem pensar-se que existiam dois atos descritos por Zubiri: o ato da inteleção, onde se dá a apreensão primordial e o ato do logos senciente que estaria incumbido de precisar a realidade segundo um sentido. Mas, não é assim que se passa. Na realidade, como pode ser comprovado pelas descrições que são feitas no final de Inteligencia y razón, e no final de inteligencia y realidad, trata-se de um único ato.

Quando Zubiri fala primeiro da apreensão, depois do logos e ainda, num terceiro momento, da razão, está a dar especial atenção a cada momento que integra o ato intelectivo. Não está a separá-los. Está a analisar criticamente cada momento que integra esta inteleção da realidade.

Por último, antes de entrarmos na descrição desta re-atualização, gostaríamos de frisar quais são os elos de ligação que permitem que possamos entrar nesta segunda parte que descreve este segundo momento. Para nós, os conceitos a ter em conta para que esta possa ser explicada são os de «abertura», de «impressividade» e o de

176 «recetividade». Os outros – e aqui poderiam ser considerados os conceitos de transcendentalidade, de campo, de dimensão formal – relevam diretamente daqueles que apontámos, por diversas razões que apresentaremos a seguir.

Tenhamos presente os conceitos com que Zubiri opera a re-atualização, isto é, o conceitos de: campo, de transcendentalidade, de logos, de retração, de simples apreensão, de seria, de afirmação, de evidência e de verdade dual. Poderá haver algum tipo de primazia?

Atentemos no conceito de campo, sobre o qual o filósofo nos diz, em primeiro lugar, que é uma respetividade. Depois, que é de âmbito transcendental. Em terceiro lugar, que é uma dimensão excedente da realidade. Adiantando ainda que é uma dimensão da realidade e, por último, que é o modo senciente em que se dá a transcendentalidade. Poderá este conceito assumir a dianteira? A nós, parece-nos que não, precisamente porque o que em todas estas aceções está pressuposto é uma analítica que permita que tenhamos acesso ao real. De outra forma, como seria possível que estivéssemos a lidar com uma respetividade? Aqui é bom ter presente que a respetividade corresponde a uma comunicação formal entre realidades, por isso, para que exista, ao menos são necessárias duas coisas: 1) acesso à realidade. O que implica os conceitos de impressividade e de recetividade e 2) uma analítica de uma realidade aberta, porque só desse modo é que se justifica que possa existir um campo de realidade que é gerado pela abertura da própria realidade.

Continuando, também a transcendentalidade é um conceito que releva daqueles três que apontámos. Basta ter presente que se configura numa abertura da formalidade de realidade a outras. Se é neste movimento que se dá, então, tem mesmo de relevar de uma apreensão e da abertura da realidade, porque, em caso contrário, teria de se haver com os problemas que atacam o subjetivismo.

Em relação ao logos senciente, o mesmo de aplica. Como sabemos, Zubiri produziu uma re-viravolta na metafísica que a tradição preconizou, fazendo uma internalização de alguns conceitos de modo a que estivessem livres de enformações da realidade, como se pode ver no caso do logos senciente. Com efeito, passou a figurar como uma re-atualização interna da realidade que partia de uma atualização da realidade. Nesse sentido, ao invés de ser uma determinação dos objetos externos ou, para dizê-lo como Zubiri, logificação, passou a ser encarado pelo filósofo no plano de uma inteligização. Quer dizer, passou a ser enquadrado no plano de uma analítica o que mais uma vez explicita aquilo que dizíamos: é por meio da impressividade, da

177 recetividade e abertura que pode ter lugar a re-actualização da realidade.

Feito este pequeno enquadramento que visa essencialmente demonstrar a continuidade do “projeto” e relevar os conceitos de «abertura» e de «recetividade da materialidade» no sentido de mostrar que esta re-atualização parte da própria inteleção da realidade, gostaríamos de chamar a atenção para os pontos seguintes.

No ponto 1.2, à semelhança do ponto 2.1 da primeira parte, iremos dar conta detalhada de alguns conceitos essenciais. Daremos especial atenção aos seguintes conceitos: «abertura»; «transcendentalidade»; «respetividade»; «campo»; «logos»; «re- atualização»; «retração»; «irrealidade»; «evidência» e «verdade dual».

No ponto 2, mostraremos de que modo é que nos parece que a «recetividade da materialidade» continua a ser um conceito central dentro da analítica da facticidade e no desenvolvimento da estrutura da realidade.

No ponto 3, clarificaremos o que entendeu Zubiri por campo de realidade, prolongando-se esta explicitação para o ponto 3.1 que se debruçará sobre a sua estrutura. De seguida, ocupar-nos-emos das “funções” do logos na re-atualização da realidade e da sua estrutura. Aqui abriremos espaço para a discussão em torno da construção dos conteúdos, no ponto 4.3.

Enraizado neste último ponto, pensámos um subponto onde a questão da linguagem virá de novo à colação, porque nos parece que a clivagem entre a analítica da recetividade material e a linguagem está tudo menos bem explicitada na filosofia de Zubiri. Por último, no ponto 5, dedicar-nos-emos à afirmação, no ponto 6, às formas de afirmação, no ponto7, aos modos de afirmação, no ponto 8, à evidência e no ponto 9, à verdade dual.

1.2 Análise de alguns conceitos essenciais

Como enunciado no ponto anterior, gostaríamos de começar por descrever o que entendeu Zubiri pelo conceito de abertura. Ouçamos o que diz:

Lo real en cuanto real está abierto no en el sentido de que por sus propiedades toda cosa real actúe sobre las demás (…) La formalidad de realidad es en cuanto tal la apertura misma. No es apertura de lo real, sino apertura de la realidad (…) como la realidad es formalidad «abierta», no es realidad sino respectivamente a aquello a lo

178 que está abierta259.

O que é podemos apreender desta descrição? Em primeiro lugar, é visível pelo que afirma que é uma nota essencial da realidade e, por isso, não é indiferente que lhe seja atribuída ou não. Esta é apenas uma pequena nota caraterística da abertura e com ela não se está a definir o que seja. Por isso, surgem as seguintes questões: o que é esta abertura? Por que razão é que não pode ser considerada a realidade sem a abertura? Por que razão é que acabam por se identificar os dois conceitos?

Respondendo à primeira questão, a abertura parece ser a condição em que a realidade se dá. Por que razão tem de ser assim considerada? É certo que esta questão já entra dentro de um porquê, em todo o caso, penso que ajuda a clarificar a questão.

A esta questão, Zubiri dá uma resposta que terá de ser esmiuçada porque o que afirma na secção I, intitulada “Que es ulterioridad”, de Inteligencia y realidad, é um pouco ambiguo. Diz ele:

Solo porque es insuficiente la aprehensión de algo como real, es por lo que tenemos de inteligir lo que eso real es en realidad. Ciertamente, la aprehensión primordial de realidad envuelve esencial y inamisiblemente una grande determinación de contenido. Pero, sin embargo, a pesar de ello hay una cierta insuficiencia en la aprehensión primordial de realidad.

Numa primeira leitura, parece que a realidade se dá nesta condição de aberta por índole própria. Quer dizer, é abertura porque é assim que se nos dá. Mas, se expandirmos a leitura a esta segunda citação ela aponta para a condição limitada em que a apreensão recetividade da realidade opera. Ora, é aqui que está a questão: a abertura é algo da própria realidade no momento em que se dá, ou é algo que releva da limitação da apreensão primordial?

Se tivermos em conta o papel da apreensão primordial, ainda se adensa mais a questão, porque, se nos recordarmos, o que Zubiri afirma é que a noologia implica uma mera atualização da realidade, nada lhe acrescentando. Se é assim, e tomando esta segunda leitura como válida, parecia que Zubiri estava a verter uma limitação da apreensão para o terreno da realidade, assumindo esta agora uma dimensão que propriamente não era sua mas passou a ser pelo facto de ter de ser apreendida dentro da analítica. E, este, como não poderia deixar de ser dito, é um problema grave no que à noologia toca.

Por isso, importa perguntar se é esse o caso ou se, no fundo, existe outra solução.

179 A esta questão, Zubiri responde com a dimensão intra-apreensiva em que a realidade é apreendida. Quer dizer, responde com a ideia de que é aberta «de suyo» e porque é considerada dentro da apreensão. Esta é apenas uma maneira de não responder à questão que tem implicações numa recetividade da materialidade que se queria impoluta.

Passemos agora ao conceito de «transcendentalidade», sendo a primeira coisa a dizer é que está ligado ao conceito anterior. Quer dizer, é porque a realidade é apreendida em abertura que se dá a transcendentalidade da realidade.A abertura concretiza-se numa transcendentalidade. Por isso, o primeiro que cumpre dizer é que esta transcendentalidade não pode ser vista no quadro de uma proposta kantiana ou até das metafísicas tradicionais, porque isso seria optar por uma condição crítica que tinha sido assumida para que a realidade pudesse ser dada. O que é nada menos do que retirar a importância à analítica. Para que a transcendentalidade possa figurar dentro da inteleção da realidade sem “problemas de cidadania” deve ser vista naquela extensão da formalidade de realidade a outras para que possa ser re-atualizada. Quer dizer, deve ser vista como abertura para outras formalidades de realidade.

É preciso ainda que se acrescente que esta transcendentalidade diz respeito à formalidade de realidade, não ao conteúdo. O que se abre transcendentalmente, quer dizer, em extensão desde si e em si, a outras realidades é a formalidade porque é esse o ponto fixo da estrutura da realidade. O conteúdo, quer dizer, a re-atualização deste, será aquilo no qual resulta esta transcendentalidade260.

Quanto à respetividade, exemplifiquemo-la, com palavras de Zubiri, na página 14 de Inteligencia y logos:

Esta apertura es la transcendentalidad: no es un concepto de máxima universalidad, sino una comunidad física de realidad, por tanto un momento de comunicación. En virtud de esta apertura, toda cosa es «de suyo» real tan sólo respectivamente a otras: toda cosa real se abre desde sí misma un campo de realidad. No se trata de una relación extrínseca entre las cosas sino del momento formalmente constitutivo de apertura de cada cosa real en tanto que real.

Desta citação queremos sublinhar as diferenças entre a noção de comunicação e de causalidade e, para além disso, a introdução do conceito de abertura para explicitar a respetividade e o facto de que coisa-real alguma pode ser considerada senão respetivamente porque, são estes os pontos-chave para mostrar o que queremos.

A noção de abertura aqui introduzida quer apontar para a ideia de que é pelo

180 facto de que a realidade se dá em abertura que pode ser considerada dentro de uma respetividade. Com a diferença que estabelece entre a noção de comunicação e de causalidade o que se quer dizer é que a realidade não pode ser considerada de modo isolado, mas só em conjunto com outras. Por fim, com a ligação do conceito de «de suyo» ao de respetividade aponta para a dimensão aberta da realidade e para a limitação da apreensão recetiva da realidade.

Contudo, ainda não dissemos o que seja a respectividade. E, de forma sintética, podemos dizer que é uma comunicação formal que se estabelece, por meio da abertura e da transcendentalidade, com vista à determinação do que tal realidade seja «em realidade». Sendo que, no que dissemos, importa ressaltar o conceito de formal pelo facto de que esta comunicação de realidades ajuda a determinar enquanto tal a realidade, quer dizer, a formalidade.

Quanto à noção de campo, temos de voltar de novo ao segundo volume da trilogia porque até lá Zubiri ocupa-se do acesso ao real; toda a preocupação com o sentido da realidade é algo que só aparece depois, didaticamente. Mais concretamente, temos de atender às páginas 15, 19, 26, 27, 31 e 35, pelo menos, porque é nelas que encontramos as seguintes descrições:

Na página 15 de Inteligencia y logos encontramos a seguinte descrição:“El campo (…) es ámbito de realidad”. Na página 19 da mesma obra a seguinte: “A fuer de tal, el campo es un momento dimensional de la cosa real”. Na página 26: “Por tanto es menester hablar de campo de realidad. Lo que impropiamente, como decía, llamamos campo perceptivo no es sino contenido aprehendido del campo de realidad”. Na página 27: “Este campo pues está determinado por cada cosa real desde ella misma”. Na página 28: “de donde resulta que cada cosa real es intrínseca y formalmente campal”. Na página 31: “El campo es, en efecto, la respectividad misma de lo real”. Por fim, na página 35: “El campo no es sólo algo que abarca cosas, sino que antes de abarcarlas es algo en que están incluidas todas y cada una de ellas”.

O primeiro que queremos relevar é que o campo de realidade é aberto pela realidade. Quer dizer: é porque uma realidade é apreendida em abertura que se abre um campo porque, o que acontece nesta extensão a outras formalidades é uma comunicação entre elas. O que acontece é uma respetividade que permite re-actualizar a realidade. Como o campo é encarado do ponto de vista de uma respetividade e de uma dimensão formal da realidade, é dentro desta comunicação respetiva que deve ser considerado.

181 esclarecimentos. O primeiro deles é que, este logos se concretiza numa total inversão daquilo que significou o logos para a tradição. Por isso, ao invés de partir de uma determinada categoria para determinar um objeto exterior, deve ser considerado dentro da analítica. O que significa que deve ser considerado naquele percurso que se dá entre a abertura da realidade a outras e o seu retorno à realidade para a re-atualizar. Ou seja, deve ser considerado no plano senciente e, por isso, primeiro, numa mera recetividade da materialidade e, depois, dentro da abertura «em» realidade que se direciona a uma construção dos conteúdos.

O conceito de re-atualização já foi, de algum modo, apontado com as descrições que fomos fazendo, mas reiteramos agora que a re-atualização corresponde a uma nova atualização, mas desta vez mais profunda, do que possa ser o conteúdo da realidade que foi apreendida primordialmente. Como tal, evoca quer a abertura, quer a transcendentalidade, quer o campo, quer o logos e a afirmação, sem esquecer a recetividade da materialidade.

O conceito de retração deve ser lido com muita cautela porque, em interpretações aceleradas, pode ser visto como uma saída do plano da realidade e não é a realidade que fica retraída. Como nos diz Zubiri, quando existe uma abertura para outras formalidades, é criado um campo de realidade e com ele um logos, quer dizer, uma re- atualização da realidade. Mas, a par deles, e no meio da comunicação formal que o campo concretiza, o que existe é um “não saber ainda” o que seja o conteúdo da realidade que originou toda esta movimentação. Foi a esta incapacidade determinativa que Zubiri chamou retração, precisamente porque o conteúdo da realidade está ainda retraído.

Praticamente no final do elenco de conceitos apresentado, é preciso dizer que a noção de irrealidade tem que ver com o processo de retração; rigorosamente, tem que ver com o plano, não propriamente com uma justaposição de situações. Por isso, é no plano da comunicação formal que deve ser tida em conta. Não como algo que deixa o plano da realidade; nesse caso seria a-real e não irreal. A irrealidade tem que ver com a “situação” em que a determinação do conteúdo se acha nessa comunicação e que não pode apontar senão para uma mudança na consideração do conteúdo, deixando de ser agora algo de absolutamente determinado, para passar a ser o “resultado” desta comunicação formal entre as formalidades.

Em penúltimo, interessa-nos considerar brevemente o conceito de evidência. Neste ponto da argumentação, basta dizer que não é da ordem de uma intencionalização

182 dos objetos para que se perceba para onde aponta Zubiri com este conceito, porque, se não deve ser pensada no plano das relações, o corolário direto é o da analítica. E, se bem que não se constitui num momento primeiro, é dentro desta expansão que procede da analítica que deve ser considerada, mas agora como “inspecção” do ensaio intelectivo. Por outras palavras, como meio através do qual as simples apreensões são consideradas como realizáveis ou não261.

Por último, a noção de verdade dual é aquela com que Zubiri termina o segundo volume da trilogia. Por este conceito ser assim designado, não se pense que a verdade considerada resulta da relação de objetividade que a tradição consagrou. A dualidade em questão é outra. O que é dual é a estrutura da realidade, o que é dual é a inteleção que precisa, através da impelência da realidade, de remeter para outras formalidades para re- atualizar. Então, a verdade dual, dentro do espírito da analítica, concretiza-se na incidência conjunta entre as formalidades que escolhemos para re-atualizar a realidade e essa mesma realidade que primeiro apreendemos262.

2 A recetividade da materialidade e a re-atualização da realidade

Como se pode comprovar pelo título deste subponto, esta secção tem que ver com o desenrolar da prova que queremos sustentar ao longo desta tese. Por isso, o que está em jogo neste momento é a demonstração de que a recetividade da materialidade continua a ser um grande eixo de interpretação do modo como se dá o acesso à realidade e do modo como se desenrola a estrutura da realidade.

Como é que se prova o que estamos a dizer?

261“La aprehensión como tal es formalmente noérgica: envuelve la fuerza impositiva de la impresión de

realidad. Y por esto la evidencia, que es una visión determinada por la exigencialidad «física» de la actualización diferencial de una cosa real, no es de índole noética sino noérgica (…) la evidencia es pues visión exigencial de realización de simples aprehensiones es una cosa ya aprehendida primordialmente como real. En su estructura medial, el logos es evidencial”. IL, p. 221. Ainda a este respeito o reparo que faz Juan Nicolás é muito pertinente. Por isso, vejamos o que diz: “Por su parte, Zubiri tampoco acepta el carácter último e inmediato de la evidencia (…) toda evidencia es mediada, en el sentido de que se da en un medio, y por tanto, es resultado, es logro (...)”. Juan Nicolás, “Noología y/o hermeneútica”, in Nicolás, J. A./Frápolli, María J., (eds.), El valor de la verdad: hermeneútica semántica, política, Granada, Comares, 2000, p. 128.

262Neste aspecto partilhamos a visão de Pintor-Ramos quando afirma: “(...) el lector tiende a pensar que se

trata de una dualidad entre la inteligencia y la realidad. De este modo, inteligencia y realidad serían dos entidades autónomas, cada una de ellas con su legalidad propia; la verdad consistiría en que tales entidades heterogéneas llegasen a alcanzar algún tipo de coincidencia, la «adecuación», de que habla da clásica y tan reiterada definición de verdad. Es esta la dualidad de que habla Zubiri? Si lo fuese, esta verdad dual sería un tipo del todo extraño respecto a la verdad real (...)”. Antonio Pintor-Ramos, “La doctrina del logos y la verdad dual en Zubiri”, op. cit., p. 281.

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