6 FASE EMPÍRICA II: ANÁLISE QUANTITATIVA 1 Caracterização dos entrevistados e das empresas
6.5 Verificação do modelo conceptual proposto
Nesta seção pretende-se validar o modelo conceptual proposto nesta investigação. Para tal, o primeiro passo foi realizar a análise descritiva das variáveis propostas como antecedentes. O Quadro 61 apresenta o resultado, avaliado em uma escala de 1 (Discordo completamente) a 5 (Concordo completamente).
Quadro 61: Análise descritiva dos itens que serão testados como antecedentes do desempenho de aprendizagem:
Aspetos Média DP Mín. Mediana Máx. Intenção de aprender
A nossa empresa tem forte desejo, determinação e vontade de aprender com estas empresas.
4,10 0,62 3 4 5
A nossa empresa tem interesse em obter um conhecimento específico destas empresas.
3,90 0,62 2 4 5
Atratividade do fornecedor de informação
Estas empresas apresentam resultados superiores. 3,31 0,66 2 3 5
Os resultados superiores que estas empresas apresentam têm permanecido estáveis ao longo do tempo.
3,34 0,61 2 3 5
Estas empresas têm um papel significativo no desenvolvimento do conhecimento que é obtido pela nossa empresa.
3,00 0,80 2 3 4
Estas empresas possuem conhecimento que tem valor para a nossa empresa.
3,69 0,71 2 4 5
Aspetos Média DP Mín. Mediana Máx. Proteção da informação
Estas empresas protegem muito o seu próprio conhecimento.
3,38 0,73 2 3 5
Estas empresas têm intencionalmente restringido a partilha de conhecimento.
2,93 0,72 2 3 5
Capacidade de aprender
Temos colaboradores dedicados às atividades/contatos com estas empresas
2,79 1,11 1 3 4
As pessoas designadas para obter conhecimento com estas empresas são altamente capacitadas.
3,57 0,79 2 4 5
A nossa empresa tem comprometido recursos físicos, organizacionais, financeiros e logísticos para apoiar a busca de conhecimento com estas empresas.
2,72 1,03 1 3 4
Existem incentivos e recompensas bem estabelecidos com o objetivo de encorajar os colaboradores a aprenderem com estas empresas.
2,21 0,77 1 2 4
Existe um plano de aprendizagem com estas empresas, definido e comunicado aos nossos colaboradores.
2,24 0,91 1 2 4
Em geral, os colaboradores envolvidos com estas empresas acreditam que têm mais a aprender do que a ensinar.
2,82 0,95 1 3 4
Custos
São necessários consideráveis investimentos em tecnologias da informação para se adquirir conhecimento destas empresas.
2,34 0,94 1 2 4
Existem custos relativos à disponibilidade de tempo para o relacionamento com estas empresas.
3,48 0,91 1 4 5
Existem custos relativos à espera do envio de informações por parte destas empresas
3,10 1,01 1 3 5
Existem custos relativos à compreensão do conhecimento obtido com estas empresas.
3,00 0,93 1 3 5
Os itens que possuem maior média referem-se à intenção de aprender com as empresas mais importantes (“A nossa empresa tem forte desejo, determinação e vontade de aprender com estas empresas” com média 4,10 e “A nossa empresa tem interesse em obter um conhecimento específico destas empresas” com média 3,90). Sobressai-se também o item relativo ao valor do conhecimento possuído pela empresa fornecedora de informação (“Estas empresas possuem conhecimento que tem valor para a nossa empresa” com média=3,69). Estes resultados indicam que há vontade de aprender por parte das empresas recetoras e há atratividade pelas empresas fornecedoras da informação no que se refere ao conhecimento das mesmas.
Os itens que obtiveram média mais baixa referem-se à existência de incentivos que encorajem e sustentem a obtenção de informação relevante por parte das empresas (“Existem incentivos e recompensas bem estabelecidos com o objetivo de encorajar os colaboradores a aprenderem com estas empresas” com média de 2,21 e “Existe um plano de aprendizagem com estas empresas, definido e comunicado aos nossos colaboradores”, com média 2,24). Também foi sublinhada a discordância em relação ao investimentos em T.I para obtenção de informação serem considerados muito elevados (“São necessários consideráveis investimentos em tecnologias da informação para se adquirir conhecimento destas empresas”, com média de 2,34). Estes resultados indicam que as empresas não consideram que o ganho de informação dependa de grandes investimentos em TI e que elas reconhecem não possuírem capacidade de aprender, nos quesitos referentes à existência de incentivos e recompensas internos e à existência de um plano de aprendizagem.
Após realização das ACP e definição das dimensões (conforme já descrito no capítulo 6), calculou-se os índices de cada dimensão, conforme Quadro 62. A única componente que apresentou média abaixo do ponto médio da escala foi a “capacidade de aprender – dimensão incentivos” (média 2,22; D.P. 0,81). As demais componentes apresentaram média equivalente ao ponto médio da escala (Capacidade de aprender – dimensão recursos) ou superior ao ponto médio da escala. A componente com média mais alta foi a “intenção de aprender” (Média 4,00; D.P. 0,53).
Quadro 62: Medidas descritivas dos índices
Componente n Media DP Mínimo Mediana Máximo
Intenção de aprender 29 4,00 0,53 2,50 4,00 5,00
Atratividade da empresa 29 3,33 0,59 2,00 3,00 5,00
Proteção da informação 29 3,16 0,63 2,00 3,00 5,00
Capacidade de aprender – Dimensão Recursos 29 3,00 0,88 1,00 3,00 4,33
Capacidade de aprender – Dimensão Incentivos 29 2,22 0,81 1,00 2,00 4,00
Custos 29 3,20 0,77 1,00 3,33 5,00
Força do laço 28 3,05 0,86 1,00 3,17 4,50
Fonte: dados dos questionários
Verificação dos antecedentes do volume de informação relevante
Tendo como objetivo, então, verificar as hipóteses apresentadas, a fim de perceber se as variáveis sugeridas como antecedentes são preditoras do volume de informação relevante obtido realizou-se seis regressões tendo como variável dependente o volume de informação relevante obtido. Cada variável constituiu um modelo de regressão, exceto as duas dimensões de capacidade de aprender que constituíram juntas um modelo de regressão. Os resultados dos modelos que revelaram-se significativos podem ser vistos no Quadro 63.
Quadro 63: Verificação dos antecedentes da obtenção de informação Variável independente Coeficientes Beta/Sig
Proteção da informação -0,423 (p=0,022)
R2 0,179
F(1,27) 5,897 (p=0,022)
Variável independente Coeficientes Beta
Custos -0,363 (p=0,053)
R2 0,132
F(1,27) 4,108 (p=0,053)
Variável independente Coeficientes Beta
Força do laço 0,461 (p=0,014)
R2 0,213
F(1,26) 7,025 (p=0,014)
Variável independente Coeficientes Beta/sig
Atratividade -0,323 (p=0,087)
R2 0,104
F(1,27) 3,147 (p=0,087)
A variável “força do laço” revelou-se preditora positiva da obtenção de informação relevante (p value do modelo=0,014). Já as variáveis “proteção da informação” (p value do modelo=0,022), “custos” (p value do modelo=0,053) e “atratividade” (p value do modelo=0,087) revelaram-se preditoras negativas da obtenção de informação relevante.
Verificação dos consequentes do volume de informação relevante geral
Querendo verificar, então, os consequentes da variável “volume de informação relevante” em termos de inovação, e, ainda, se a variável “custo de utilização da informação” poderia ser moderadora nesta relação, foram efetuadas modelações através de moderação. Os dados encontram-se resumidos nos Quadros 64 (Inovação com foco interno) e 65 (Inovação com foco externo):
Quadro 64: Fatores determinantes da inovação com foco interno Variáveis explicativas Valores Beta
Volume informação relevante 0,567 (0,003) Custos de aprendizagem 0,107 (0,418)
Efeito da interação 0,047 (0,800)
R2a 0.234
F(3,25) 3.855 (0,021)
Fonte: dados dos questionários
Tal como é possível observar, a variável antecedente é preditora positiva da geração de inovação voltada para dentro. Relativamente ao efeito de interação, este não é significativo, ou seja, a variável custos de aprendizagem não modera a relação entre volume de informação relevante obtido e volume desta informação utilizado na geração de inovação.
Quadro 65: Fatores determinantes da inovação com foco externo Variáveis explicativas Valores Beta
Resultados obtidos com a informação relevante geral 0,486 (0,011) Custos de aprendizagem - 0,109 (0,427) Efeito da interação -0,018 (0,923) R2a 0,158 F(3,25) 2.749 (0,064)
Tal como é possível observar, a variável independente é preditora positiva do volume de inovação com foco externo. Relativamente ao efeito de interação, este não é significativo, ou seja, a variável custos de utilização da informação não modera a relação entre volume de informação relevante obtido e volume desta informação utilizado na geração de inovação. Especificamente em relação ao custo de utilização da informação, a média obtida foi de 3,10 (D.P: 1,01).