Segundo Sommerville (2007), verificação e validação de um software é o processo pelo qual um programa desenvolvido deve passar a fim de verificar se ele atende a sua especificação e atende as funcionalidades esperadas pelas pessoas que solicitaram seu desenvolvimento. Ainda segundo Sommerville (2007), o papel da verificação é verificar se o software está de acordo com as funcionalidades especificadas, enquanto o papel da validação é assegurar que o sistema desenvolvido atende as expectativas do cliente. Assim, nesta etapa foi feita a verificação do software desenvolvido no que diz respeito ao atendimento dos requisitos e funcionalidades propostos pela sua modelagem e a validação do software como Objeto de Aprendizagem, tanto no que diz respeito a usabilidade em termos de interface quanto a sua usabilidade pedagógica.
A fim de promover a verificação do OA RAX, foram elaborados casos de testes baseando-se no levantamento de requisitos e no diagrama de casos de uso desenvolvido. O processo de validação do OA RAX incluiu a verificação de que ele atende aos requisitos necessários para a classificação de uma entidade digital como um OA. Para isso, foi elaborado um questionário, disponível no Apêndice D, para o professor coautor, a fim de obter a sua opinião, de maneira mais formal, em relação a algumas das características que um OA deve apresentar, citadas no Item 2.1. Também foi verificado junto ao professor coautor se havia clareza na descrição de conteúdos e nas ilustrações, além da qualidade do conteúdo de Física Quântica transmitida, para garantir que o OA não contém erros teóricos.
O OA RAX foi aplicado em ambiente real de ensino, fazendo parte de uma sequência didática proposta pelo professor coautor em uma turma de terceiro ano do ensino médio. Assim, foi realizada uma pesquisa de campo através de dois passos: no primeiro deles o programa foi apresentado e utilizado pelos participantes, mediante a presença do professor de Física e seguindo o cronograma de ensino, a fim de garantir que os conceitos base para a assimilação dos conceitos apresentados pelo objeto de
aprendizagem já tivessem sido passados à turma; no segundo passo da pesquisa foi realizada uma entrevista, através de um questionário, para os estudantes avaliarem o software no que diz respeito a interface gráfica e a sua eficácia como ferramenta auxiliar na introdução de conceitos de Física Quântica. Sobre o esquema metodológico utilizado nesta parte da pesquisa, fizemos considerações importantes nos subitens a seguir.
3.5.1 Campo e Sujeitos da Pesquisa
Tanto o Campo da pesquisa quanto o perfil do sujeito da pesquisa foram decididos em conjunto com o professor coautor. Como o OA proposto visa potencializar a aprendizagem de tópicos de Física Quântica para estudantes do Ensino Médio, o cenário escolhido para a pesquisa de verificação e validação do OA RAX foi um colégio voltado para o Ensino Médio e que faz parte da rede pública de ensino de Feira de Santana, sendo uma das maiores escolas da cidade. Foi escolhida uma turma do terceiro ano do Ensino Médio desta escola para a aplicação da pesquisa. A turma selecionada é composta por cerca de 32 estudantes, com idade entre 16 e 19 anos.
3.5.2 Tipo de pesquisa e técnicas para o levantamento de dados
O estudo foi orientado sob uma perspectiva qualitativa e ao mesmo tempo quantitativa. A abordagem quantitativa inclui a operacionalização e a mensuração acurada, muitas vezes desconsiderando o contexto, além da capacidade de fazer comparações entre grupos e examinar associações (DAL-FARRA; LOPES, 2013). Já a abordagem qualitativa aprofunda-se no mundo dos significados, das ações e relações humanas, um lado não perceptível e não captável em equações, médias e estatísticas, o que pode resultar em análises mais profundas (MINAYO et al., 2001).
Segundo Dal-Farra e Lopes (20013), a conjugação de elementos qualitativos e quantitativos contribui de forma significativa para as pesquisas na área da Educação, ampliando a obtenção de resultados, e considerando a profusão de informações de diferentes origens a que são submetidos os estudantes. A coleta de diversos tipos de
dados pode garantir um melhor entendimento do problema. Ainda segundo Dal-Farra e Lopes (20013), métodos mistos combinam elementos da pesquisa quantitativa com métodos emergentes das qualitativas, assim como questões abertas e fechadas, com formas múltiplas de dados incluindo análises estatísticas e textuais. Os instrumentos de coleta de dados podem ser ampliados com observações abertas e dados censitários.
O levantamento dos dados se deu através de observação e da aplicação de um questionário (Apêndice B), durante a última aula da sequência didática empreendida pelo professor coautor. Durante o processo de utilização do OA RAX por parte dos estudantes foi elaborada uma ficha de observação, descrevendo como o processo se deu e as minhas percepções em relação aquele momento (Apêndice A).
O questionário elaborado tem como objetivo medir o grau de satisfação dos estudantes participantes e, ao mesmo tempo, considerar as percepções individuais de cada um. Também foi intenção levantar o perfil dos estudantes, no que diz respeito ao grau de aproximação com a disciplina da Física e as experiências em sala de aula utilizando o OA. O questionário se divide em duas partes, uma sobre o perfil do sujeito da pesquisa e outra sobre o uso do OA RAX. A primeira parte do questionário conta com 6 questões, um delas aberta e as demais de múltipla escolha. A segunda parte do questionário possui 5 questões, das quais quatro são de múltipla escolha e uma é aberta. Dal-Farra e Lopes (20013) chamam esta estratégia de Estratégia Transformadora Concomitante, que é quando o trabalho possui uma estratégia norteadora de estudo cujo objetivo se sobrepõe ao uso dos métodos e ocorre com a coleta concomitante dos dados.
3.5.3 Método de análise dos resultados obtidos
A análise dos resultados obtidos também leva em consideração o caráter misto, utilizado na coleta de dados. As análises feitas se baseiam na análise de conteúdo, descrita por Bardin (2009), como um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens.
Segundo Bardin (2009), para fazer uso da análise de conteúdo de maneira coerente deve-se considerar os pressupostos de uma interpretação das mensagens e dos enunciados, que é pautada em torno de três pólos:
Pré-análise: aqui devem ser escolhidos os documentos a serem submetidos a análise. No caso do trabalho aqui exposto os documentos são a ficha de observação e os questionários aplicados aos estudantes participantes da pesquisa.
Exploração do material: nesta fase se aplicam as técnicas específicas segundo os objetivos norteadores. Foi nesta etapa levantada a frequência das alternativas marcadas pelos estudantes nas questões de múltipla escolha do questionário, além do levantamento e categorização dos questionários de acordo com as questões abertas.
Tratamento dos resultados: nesta etapa deve ocorrer a interpretação dos resultados obtidos ligando-os ao escopo teórico, com o objetivo de obter conclusões que levem ao avanço da pesquisa. Seguindo essa orientação, foram interpretadas as questões abertas e os resultados estatísticos provenientes dos questionários, bem como relacionar esses resultados com as observações levantadas durante a aplicação do OA em sala de aula.
3.5.4 Aspectos éticos da pesquisa
Antes da aplicação em sala de aula e da coleta dos dados, este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). O benefício relacionado à participação do estudante é a sua contribuição no processo de desenvolvimento de recursos para motivar o educando a estudar de forma mais prazerosa, abrindo espaço para a aprendizagem baseado na utilização de programas de computador. A pesquisa realizada também irá contribuir para a disponibilização de um objeto de aprendizagem educacional gratuito para os estudantes participantes, para os educadores, ou para quem desejar obter.
Dentre os possíveis riscos da pesquisa houve a possibilidade de, no momento do teste, o estudante não conseguir acompanhar de forma satisfatória a simulação e não se
sentir à vontade e seguro no manuseio do computador, gerando com isso certo desconforto e uma consequente diminuição de sua autoestima. Como os estudantes selecionados para esta pesquisa possivelmente já possuíam as competências esperadas para a realização da atividade, onsideramos pequenas as chances disso acontecer. Todavia, foi explicitado para os participantes que, caso houvesse algum tipo de constrangimento, a pesquisa seria interrompida imediatamente, sem que o estudante sofresse qualquer tipo de penalização ou prejuízo por isso.
No momento da aplicação da sequência de aprendizagem aos estudantes da turma selecionada, foi explicado o modo como seria feito a pesquisa, bem como os objetivos da mesma. Também foi explicado que a participação na pesquisa não era obrigatória e o anonimato na utilização das informações relatadas estava garantido. Para garantir a confidencialidade, o questionário elaborado não solicitava o nome do estudante. Também foi explicado que os estudantes participantes poderiam responder apenas às perguntas que quisessem.
Todos os aspectos éticos da pesquisa foram explicados no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice C). Cada estudantes recebeu duas cópias desses termo durante o convite para a participação da pesquisa. Posteriormente a aplicação da sequência, o questionário respondido foi recebido junto com uma das cópias assinadas do TCLE.